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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

França: Um Aliado Peso-Pesado Para Os Pipelines Russos

France eyes role in South Stream pipeline: Russia
France is eyeing participation in Russia's South Stream pipeline, seen as a rival to the EU-led Nabucco project for gas supplies to Europe, Prime Minister Vladimir Putin's spokesman confirmed on Tuesday.

French involvement in South Stream and another Russian-led pipeline project, Nord Stream, was addressed in talks between Putin and his French counterpart, Francois Fillon, in Moscow on Monday, spokesman Dmitry Peskov said...



France's GDF Suez to Acquire Nord Stream Shares by October

France's GDF Suez will by the end of October become a shareholder in the company building the Nord Stream gas pipeline under the Baltic Sea, Gazrpom's deputy CEO said on Monday...

http://www.oilandgaseurasia.com/news/p/0/news/5680

A confirmar-se estas notícias, a Rússia ganha um grande aliado para os seus pipelines, ficando assim envolvido dois dos mais importantes países da União Europeia. A Alemanha é o principal interessado do Nord Stream, pois vai ficar com acesso directo um fornecedor (Rússia) e a França vai diversificar as suas fontes, pois está muito dependente de fornecedores africanos. Apesar da imprensa insistir que a Rússia não é um fornecedor fiável, o facto é que cada vez vemos mais ligações com eles por parte da Europa.
Com estes dois pipelines vai ser diversificado o fornecimento russo à Europa. É bom para a Europa, mas é mau para os países bálticos, Polónia, Rep. Checa e Ucrânia. Todos estão dependentes da energia russa, e no que toca à Polónia e Ucrânia, são países transito que servem de ligação para o resto da Europa e que vão sofrer quando a Rússia possuir alternativas de escoamento do seu gás, sem depender destes países-trânsito que têm sido hostis para com a Rússia.
O mais interessante destas movimentações por parte da França é que elas têm impacto no pipeline Nabucco. Este pipeline não está a entusiasmar as duas grandes potências, e algumas das razões são a instabilidade política dos países envolvidos e as poucas garantias de que existe gás suficiente para alimentar o pipeline.

Gaz de France cancels Nabucco interest

French energy firm Gaz de France canceled its bid to become the seventh member of the construction team for the Nabucco gas pipeline, statements said...

http://www.upi.com/Energy_Resources/2008/07/22/Gaz-de-France-cancels-Nabucco-interest/UPI-66941216749964/

Nabucco removed from EU energy project list
Mention of the Nabucco gas pipeline has been deleted from a list of projects to be financed by a five-billion euro EU stimulus plan...EU officials confirmed yesterday that the pipeline, once considered a flagship EU venture, had disappeared from the list of energy projects to be financed under the plan.

The move was apparently made at the request of German Chancellor Angela Merkel, who insists that no public money should be spent on a project in which Berlin has little interest...
German Chancellor Angela Merkel recently confirmed her country's opposition to funding the flagship Nabucco gas pipeline project with European money, stressing that the problem is not financing but finding gas to feed the pipeline.

domingo, 20 de setembro de 2009

Rússia e China investem 36 Biliões de dólares em projectos de petróleo na Venezuela

"Acordo para os próximos três anos é para exploração de jazidas na bacia do rio Orinoco por empresas de petróleo chinesas.
Hugo Chávez anunciou o acordo bilionário nesta quarta-feira, 16. A parceria com a estatal venezuelana do setor petrolífero, a PDVSA, deverá produzir 450 mil barris diários de petróleo cru. Recentemente a Venezuela fechou um acordo semelhante com a Rússia, este no valor de cerca de US$ 20 bilhões. As duas parcerias devem resultar em um aumento de 900 mil barris diários na produção venezuelana de petróleo.
Um dos objetivos de Chávez com esses acordos fechados com países mais simpáticos à sua “revolução socialista” é que eles garantam à Venezuela maior independência econômica frente aos EUA."



Esta é mais uma má notícia para os EUA, os avultados investimentos russo/chineses no 5º maior produtor mundial de petróleo e no 2º maior fornecedor de petroleo americano. Dado a importância que a Venezuela representa para o maior importador de energia do mundo, a Venezuela corre um perigo extremo.

A proximidade da Venezuela aos EUA, torna-o num dos melhores, mais seguros e eficientes fornecedores dos EUA mas a política de Chavez é vendê-lo á China. O que nós estamos a assistir é ao desvio da produção venezuelana de modo a aplacar a enorme e crescente sede do Dragão, o que irá afectar a exportação para os EUA.

Com investimentos tão avultados, a sua proximidade aos EUA e a importância da Venezuela para os EUA, torna-se urgente à Venezuela tomar medidas de protecção e torna-se urgente para quem investe tão grandes somas, fornecer o mais rápidamente possível meios de defesa, de modo a tornar o menos apetecível, um possível confronto militar com o objectivo da tomada de controlo do fluxo energético.

Também queria chamar a atenção sobre o que este artigo também mostra, a Rússia nestes tempos conturbados de recessão económica mundial, tem poder de investimento para se envolver em projectos de grande dimensão e deverá causar algumas surpresas quando passarmos este clima económico negativo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Venezuela adquire potente sistema anti-aéreo


S-300 PMU2


O sistema (S-300) que foi referido a possibilidade de estar a ser enviado para o Irão pelo o navio Arctic Sea, foi adquirido por Chávez. Este é considerado um dos melhores sistemas de defesa anti-aérea do mundo e vai aumentar consideravelmente a capacidade da Venezuela em repelir ameaças externas.

Com as crescentes necessidades energéticas, temos estado a assistir nos últimos anos a um incremento verdadeiramente significativo de aquisições militares por parte de países produtores. Estes sentem a necessidade de aumentar as suas defesas de modo a proteger as suas riquezas naturais.




Os vários módulos do sistema


Chávez, dado a proximidade da Venezuela aos EUA, os problemas entre ambos os países e o facto de estar a mudar lentamente a sua produção para a China, acrescenta vários factores de risco para o país. A Venezuela adquiriu recentemente 24 aviões russos topo de gama em virtude dos EUA terem negado manutenção aos F-16 da Venezuela e agora adquire um temível sistema anti-aéreo de fabrico russo. O que para o qual contribuiu também o facto dos EUA terem reactivado a 4ª frota dedicada à América do Sul e ao anúncio da abertura de 7 bases americanas na Colômbia.


Para complementar este sistema, adquiriu também os sistemas anti-aéreos Pechora 2M e o Buk M2 .




Pechora 2M




Buk M2


Com este pacote a Venezuela vai gastar 2.2 Biliões de dólares, dinheiro que a Rússia vai conceder a crédito. Apesar de ser uma soma considerável, (como é regra geral as aquisições militares), o histerismo e o sensacionalismo por parte de muita imprensa de modo tanto a vender notícias, como para alinhar em idealismos políticos, omite o mais importante que é perceber o que significa estes gastos, comparados com outros países na mesma região, como a imagem abaixo mostra e como se costuma dizer, uma imagem vale por mil palavras.

Além dos sistemas defensivos, foram adquiridos mais 2 sistemas de modo a modernizar algumas àreas.



Smerk





T-72


Estas aquisições por parte da Venezuela e as aquisições por parte do Brasil, desenham um novo panorama na América do Sul. Venezuela e Brasil caminham para um tipo de potência militar que esta zona do globo não conhecia. Se a sofreguidão pela energia fôr demasiado por parte dos grandes consumidores, estes terão problemas acrescidos caso queiram intervir militarmente. Mais, com a Mercosul a crescer, podemos assistir à criação do braço armado desta organização, caso se veja o crescimento da ameaça externa.


Este é mais um passo, mais um sinal dos tempos perigosos que se avizinham, os países grandes consumidores de energia à medida que esgotam as suas reservas internas, viram-se cada vez mais para o exterior. Os países que possuem grandes reservas de energia, são cobiçados por esses devoradores e investem em armamento para tornar caro qualquer investida pensada.


Uma pessoa esfomeada faz coisas impensáveis, até onde irá um país na mesma situação?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Renascer da Indústria Aeronáutica Civil Russa


Hoje foi dado um passo histórico para a indústria aeronáutica civil russa, com o aparecimento do Sukhoi Superjet 100 numa das maiores feiras internacionais, o Le Bourget 2009 air show em França. O dia de hoje representa o culminar dos esforços da Rússia em entrar neste mercado difícil, e que está dominado por um punhado de países.


Sukhoi SuperJet 100

A Rússia tem neste momento um legado pesado, com todos os problemas que surgiram com o desmoronar da URSS, que afectou grandemente toda esta indústria e que tanta má publicidade gerou nos anos 90. Hoje, a maior luta que a Rússia enfrenta é corrigir a imagem que tem aos olhos do mundo. Este é um mercado exigente onde não são permitido falhas e a Rússia tem que mostrar que está à altura do desafio.

A Rússia começou a mostrar que estava sériamente empenhada em recuperar esta indústria com a criação de uma companhia que englobasse todos os construtores de aviões existentes. A UAC (United Aircraft Corporation) criada em 2006 por Vladimir Putin, inclui a Sukhoi, Mig, Tupolev, Beriev, Ilyushin e Yakovlev. De todos estes, a companhia mais saudável é a Sukhoi com os seus aviões militares, todos os outros lutam para se manterem à tona e só graças a encomendas governamentais é que conseguem sobreviver, pois não conseguem exportar em quantidade suficiente.


A Rússia possui vários modelos civis de aviões, mas dada a desintegração da URSS, as dificuldades económicas e falta de rumo a nível político, deixou toda este sector (como tantos outros) em sérias dificuldades. Metodologias diferentes, atrasos tecnológicos, motores desactualizados, dificuldades em fornecer manutenção e opções políticas ditaram a morte a quase todos os construtores com perda de know-how e pessoal especializado.



Ilyushin Il-96-300

A Rússia possui uma gama completa de aviões, sendo o Ilyushin Il-96 o maior da oferta, parecido com o modelo da Airbus A340 que a Tap possui. Mas todos estão com problemas de penetração de mercado, pelas razões anteriormente apontadas. A nova aposta da Rússia, passa por envolver parceiros ocidentais com credenciais no mercado e absorção de novas tecnologias em àreas que têm um atraso significativo. Destaco três projectos onde se vê esta estratégia aplicada.

Dos três o mais importante é sem dúvida o Sukhoi superjet, que é um projecto novo e que foi aplicada de raiz esta estratégia. Italianos, franceses e americanos participam no projecto, o que dá suporte à imagem de um avião que vem da Rússia. Os italianos com a Alenia Aeronautica, participam com 25% no projecto e com eles foi criada uma holding a "SuperJet International" em que os italianos detêm 51% do capital e que irá dar o suporte/manutenção e credibilidade que o avião necessita. Os motores são franceses da Snecma, desenvolvidos para o projecto e a Boeing irá apoiar principalmente nas acções de marketing e leasing.


Beriev BE-200

O Beriev BE-200, é um avião de combate às chamas e luta num nicho de mercado onde não existe muita competição, mas sofre o mesmo problema de todos os modelos russos, o facto de ser russo. A Rússia "atacou" a Europa com este avião, onde inclusivé tentou fornecer Portugal com dois destes aviões, mas até à data apenas conseguiu vender os helicópteros Kamov (o que já foi positivo) e apenas está a conseguir alugar os aviões na época de incêndios e penso que só será decidido algo, depois das eleições. Apesar de em Portugal não ter conseguido ainda vingar, a Rússia conseguiu o apoio da EADS (European Aeronautic Defence and Space Company) e o avião tem o suporte desta gigante estrutura que dá uma grande credibilidade ao avião. A Grécia será muito possivelmente o primeiro cliente na Europa.

Beriev BE-200 (cockpit)

Por fim temos o novo motor da Aviadvigatel, o PS-90A2, o mais eficiente e moderno que possuem, porque foram usados componentes não russos, componentes esses que a Rússia tem um atraso significativo e não conseguem ser competitivos no mundo actual.

Aviadvigatel PS-90A2

A estratégia actual da Rússia assenta na procura de parceiros ocidentais para responder às seguintes necessidades:

  1. Credibilidade/marketing ao avião
  2. Absorção de novas tecnologias, de modo a colmatar as actuais lacunas e efectuar um salto tecnológico.
  3. Absorção de novos métodos de fabrico mais eficientes, de modo a aumentar a produtividade/competitividade.

Devido a esta estratégia e o facto de quererem relançar este sector, temos assistido a várias frentes de ataque, apoio financeiro a companhias russas que adquiram aviões russos, tentativa da Aeroflot em adquirir uma companhia de aviação europeia e o recente anúncio da ordem de compra de 30 Sukhois SuperJet por parte de uma companhia da aviação Húngara a Malev, este é uma compra interessante porque esta companhia foi comprada este ano por um banco estatal russo. O que mostra a determinação com que a Rússia tenta dar o pontapé de saída para um sector tão importante como o é o sector da aviação.

Tupolev TU-334

Hoje as cartas foram lançadas, daqui a uns anos iremos ver se realmente conseguiram ou não.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

As Rosas Murcharam



Mikeil Saakashvili chegou ao poder com uma grande manifestação em Novembro de 2003 que obrigou Eduard Shevardnadze a sair. Agora Saakashvili sofre a segunda grande manifestação e questiono se irá sobreviver politicamente a ela.

Em Novembro de 2007, 4 anos depois de algo semelhante ter acontecido a Shevardnadze, Saakashvili sofreu a sua primeira grande contestação, mostrando que algo não estava bem no reino das rosas. Nesta primeira contestação que durou vários dias, Saakashvili piorou ainda mais a sua imagem ao usar da força para acabar a contestação ao mesmo tempo que fechava canais de televisão para diminuir o fluxo de informação e imagens. Todo este tipo de atitudes não caiu bem em vários países ocidentais, pois são atitudes que não podem ser seguidas por democracias. Apesar disso Saakashvili continuava a ter forte suporte vindo de Bush, dado que era um leal político que estava a implementar a continuação dos planos para a entrada dos EUA na rica zona do Mar Cáspio.

Digo continuação dos planos, porque no meu modo de ver, Saakashvili está simplesmente a prosseguir com o que foi iniciado por Shevardnadze. Foi com Shevardnadze que a Geórgia começou a receber apoio político e financeiro vindo dos EUA e foi com Shevardnadze que a Geórgia começou a preparar a sua integração na NATO e UE. A Geórgia estava a receber todo este apoio, porque iria ser palco da construção do primeiro pipeline americano com acesso ao Mar Cáspio e que não passava pelo controlo da Rússia.



Só que algo aconteceu entretanto. Quando estes planos estava a ser delineados e postos em prática, quem estava nos comandos da Rússia era Yeltsin. A Rússia atravessava um momento de crises graves e com um presidente fraco incapaz de defender os interesses da nação. Mas Putin chegou e a coisa mudou radicalmente de figura. Com Yeltsin, a Rússia não conseguia lidar com a Tchetchénia, aliviando a pressão que poderia fazer na Geórgia. Shevardnadze tinha consciência disso e jogava as suas cartadas de modo a atingir o mais rápido possível uma verdadeira independência da Geórgia. Para isso as bases russas dentro do país teriam que ser fechadas, as regiões separatistas serem incluidas definitivamente no território e a integração da NATO uma urgência pois era garantia de que a Rússia não poderia intervir no país.

Putin começou a mostrar que era completamente diferente de Yeltsin e tinha planos para restaurar o poder da Rússia e proteger o que considera a sua àrea de influência. Para tal impedir o acesso americano ao Cáspio era uma de muitas das prioridades que tinha. Putin caiu em força na Tchetchénia, porque era necessário rápidamente controlar aquela zona e dedicar mais atenção ao que estava a ser feito no Azerbeijão e na Geórgia de modo a colocar em xeque as movimentações americanas. Com o tempo a passar e a mostrar um presidente russo determinado, Shevardnadze começou a ver que a implementação dos seus planos para uma Geórgia mais independente e protegida iria demorar muitos anos mais do que tinha previsto, para além dos seus mandatos e talvez tempo de vida. O perigo para a Geórgia crescia a olhos vistos dado estar a ser palco de contronto das duas super potências e todos nós sabemos bem o que tem acontecido ao longo da história aos países onde elas lutam por influência, morte e devastação.

Por isso é que acho Shevardnadze num movimento que surpreendeu toda a gente em Maio de 2003 deu à Gazprom controlo sobre os pipelines no país. Shevardnadze estava a tentar conciliar a pressão que a Rússia estava a fazer com os seus planos e os planos dos EUA. Só que isto foi visto como traição pelos os EUA, dado a Geórgia ter um papel fundamental para o pipeline americano que estava perto de estar concluido. Altos funcionários americanos foram logo de seguida pedir explicações a Shevardnadze e o que saiu foi que este acordo com a Rússia não estava completamente fechado. Seja como fôr o mal estava feito, Shevardnadze deixou de ser um parceiro de confiança para os EUA e era necessário apoiar outra pessoa para o cargo de modo a não colocar em perigo os seus planos.

Assim surge Saakashvili e no mesmo ano consegue depôr Shevardnadze com a revolução rosa. Com um muito mais novo e inexperiente aliado os EUA poderiam acelerar os seus planos para a zona, rapidez essa necessária pois a Rússia estava a crescer em poder. E aqui foi o grande erro para o futuro da Geórgia. Embora Shevardnadze não fosse nenhum santo, era um político muito experiente e penso que estava a tentar criar um futuro melhor e mais independente para o seu país, tendo perfeita consciência da sua localização geográfica e quem são os seus vizinhos.

A inexperiência de Saakashvili foi amplamente usado pelos os EUA e acabou por ser usado também pela Rússia. A Geórgia começou a receber mais financiamentos e os seus militares começaram a ser treinados por americanos e ingleses que estavam a ser destacados ao abrigo de acordos, de modo a preparar o país na luta anti-terrorista e para uma adesão da NATO. Só que para aderir a esta estrutura não podia haver nem bases russas no território nem regiões separatistas, o país tinha que estar estabilizado. Começou então uma luta mais agressiva para o fecho das bases e a integração das regiões. A Rússia começou muito lentamente a fechar as suas bases. Demasiado lentamente para desespero Saakashvili, pois para reunir as regiões precisava dos russos fora do país e precisava de resultados para o seu mandato.

Os russos finalmente começaram a fechar as bases e uma das regiões foi pacificamente integrada o que deu uma grande confiança a Saakashvili de que conseguiria tudo em pouco tempo. Reunir as duas regiões que faltavam e aderir à NATO. Só que enquanto aquela região estava no lado oposto tendo como fronteira a Turquia, as que faltavam faziam fronteira com a Rússia. Com as suas tropas treinadas e financiadas pelos americanos e a resistência de ambas as regiões à integração, o desejo de usar a força começou a aumentar. E aqui começou o enorme erro para a Geórgia. A Rússia já estava numa situação de poder e a exercê-lo fortemente e os EUA estavam com enormes problemas em várias frentes. Bush estava de saída e o próximo presidente poderia não ter força política para se dedicar à Geórgia com tantos e novos problemas que entretanto surgiram aos EUA.

Bush tentou usar a última cartada e deixar ao próximo presidente uma Geórgia com a situação resolvida e impedir a movimentação russa na zona. As tropas estavam treinadas e em posição e conselheiros americanos estavam presentes. A actuação da Rússia estava em dúvida pois não se sabia até que ponto estava ela preparada para defender os seus interesses.

O resultado hoje é conhecido dessa actuação e de onde tiramos várias ilacções. A Rússia passou a mostrar que não faz unicamente bluf e está disposta a responder de todas as formas. Saakashvili com a sua inexperiência fez o que Shevardnadze nunca faria, usar a força contra a Rússia e os EUA passaram a saber a verdadeira determinação da Rússia em defender os seus interesses.

Saakashvili foi usado e não teve em conta que a sua principal preocupação teria que ser em 1º lugar o seu país e não servir interesses de terceiros. Saakashvili perdeu e fez com que o seu país perdesse uma significativa fatia de território. Saakashvili vai constar nos livros de história mas não como queria.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Rússia vai entregar ao Brasil helicópteros de ataque este ano




Russia to deliver attack helicopters to Brazil this year
Russia will start deliveries of Mi-35 Hind attack helicopters to Brazil by the end of 2009...
...Fomin also said Russia's Su-35 fighter had a good chance of winning an ongoing tender for the delivery of over 100 fighters to the Brazilian Air Force...


http://en.rian.ru/russia/20090406/120935753.html

Embora a notícia seja acerca do helicóptero MI-35 onde o anúncio da escolha gerou bastante burburinho (toda a gente foi apanhada de surpresa, eu incluido) o que queria focar era a indicação de que o SU-35 tem grandes chances de ganhar o concurso.

O programa de escolha do novo caça para o Brasil dava uma autêntica novela. Lula herdou esta batata quente que se chamava programa FX e na altura a primeira coisa que fez foi adiá-lo. Eu sou da opinião que o caça mais indicado para o Brasil é de facto o Sukhoi. Mas existem vários problemas associados com tal escolha.

O Sukhoi está pensado para grandes distâncias e o avião está implementado nos BRIC, com excepção do Brasil. Todos os países do BRIC são de grandes dimensões. Mas existem vários problemas e são principalmente políticos.O facto de ser um avião russo, o facto de se comprar material militar russo, implica afinidades com a Rússia, etc.

Por outro temos o problema de colisão de interesses, o Brasil compra caças Sukhoi, quando a Sukhoi está a desenvolver um avião civil que vai em princípio criar sérias dificuldades à Embraer, justificando que não se pode ajudar uma empresa rival.

Temos o problema dos franceses que lutam arduamente para ganhar o concurso sendo para mim os favoritos nesta contenda, russos e franceses.

Temos outro problema que é o facto da Sukhoi se ter aliado à Avibras e os franceses à Embraer, havendo muitas discussões no Brasil sobre que tem capacidade de absorver a tecnologia, etc, havendo a meu ver uma preferência pela a Embraer.

Para agravar a situação o Brasil recentemente passou a ter capacidade de produzir armas nucleares, (coisa que gerou algumas chamadas de atenção por parte dos EUA, dado que estes andam a batalhar para que o Irão e Coreia do Norte não dominem o ciclo total de produção) e o seu programa espacial está a ser ajudado pela Rússia, depois do grave desastre que aconteceu.

Portanto o Brasil está a um passo de ter a opção de criar mísseis nucleares com a ajuda da Rússia (pelo menos no que toca a foguetões) e a escolha do caça russo e de todo o potencial que ele possui mais as suas armas, introduz um novo e grande desafio para os EUA nesta zona do globo.

Outra dificuldade foi o facto de Chavez em 3 tempos ter decidido pelos os Sukhoi (problema que os americanos aceleraram com a recusa de fornecimento de peças para os F-16 da Venezuela, tornando básicamente toda a força àerea venezuelana inoperacional) e Chavez em diplomacia é um autêntico desastre, ficando Lula com a posição difícil de que ao escolher este avião estaria aliado de Chavez, com toda a publicidade negativa associada.

Mas existem outros factores que justificam esta escolha. A MERCOSUL é um pouco à imagem da UE e fala-se de uma estrutura militar associada tal como na Europa. A existir convinha ter material parecido e neste campo o que a Rússia oferece é muito interessante.

Mas o FX foi cancelado e quando foi reaberto o FX-2, a primeira surpresa foi o facto do avião russo estar de fora. Uma autêntica supresa para muitos, eu incluido. A outra surpresa é facto de ter entrado um avião americano e ele ser um dos favoritos, quando já há registos suficientes de problemas com quem comprou material americano na América do Sul.




O FX-2 para mim é um mistério e não compreendo a lógica. Mas este FX-2 também está a ter umas surpresas. No início deste ano o Ministro Nelson numa entrevista, falou que o Sukhoi iria ser revisto, mais confusão para o FX-2, dado que o Sukhoi está fora do concurso, como é que ele pode ser revisto. Mas o ministro falou, o que mostra que existe algo a nível político que está a ser ponderado e que não está a ser passado para fora e nem está a passar pelos canais normais.

Agora surge esta notícia de que existe boas chances de ganhar (mistério) e hoje sai nova notícia de que o Brazil pode obter uma licença de produção do novo caça de 5ª geração.

Brazil could make Russian new-generation fighters under license

Russia may allow Brazil to produce its fifth-generation fighters under a license in the future...
We are discussing with the well-known Brazilian company Embraer the transfer of technology and the construction of facilities for the future licensed production of the aircraft, including the fifth-generation fighter...

http://en.rian.ru/russia/20090407/120955182.html

Este artigo ainda adensa mais o mistério, diz que existe a possiblidade do Brasil ter acesso ao último caça russo, que o SU-35 está no concurso FX-2 e estão em contacto com a Embraer, o que demonstra que passaram da Avibras para a Embraer.

A escolha por parte do Brasil deste caça russo irá alterar completamente o panorama da América do Sul, a América do Sul passa a ter acesso a armamento topo de gama, (coisa que nunca teve) capaz de ameaçar os porta-aviões americanos. Mais, o Brasil tem agora uma janela de oportunidade política, dado ter havido mudanças nos EUA (Bush para Obama), onde este último está a lutar com vários problemas em simultâneo.

Podemos muito bem ver o Brasil a adquirir estas armas e isso vai chamar atenção a nível mundial.