segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nigéria: Rússia junta-se ao ataque chinês a um dos fornecedores dos EUA

A Gazprom chegou a acordo com uma das maiores empresas energéticas nigeriana, a Oando. A Nigéria possui as maiores reservas energéticas em Àfrica e é o 5º maior fornecedor dos EUA.

Em Julho já tinha sido negociados investimentos na ordem dos 2.5 Biliões de dólares e a possível participação num pipeline que leve gás à Europa. Mas com a entrada dos chineses(China "ataca" mais um fornecedor dos EUA), podemos assistir a uma resistência à viabilização deste pipeline.

O sector energético da Nigéria é dominado por empresas ocidentais tais como a Shell, Total, ExxonMobil e Chevron, mas agora temos a entrada de russos e chineses, tal como tem acontecido em outros países.

Fontes:
Gazprom in tie-up with Nigerian company
Oando Says Agreement on Nigeria Projects Signed With Gazprom

sábado, 17 de outubro de 2009

Ucrânia: O Preço a Pagar - Parte II

Com parte da Europa a parar e a arrefecer por falta de energia, era urgente pôr cobro à situação. A situação tinha que ser desbloqueada e mediação era requerida, porque Yushchenko e Putin estavam de costas voltadas.

Se alguma dúvida subsiste quanto à responsabilidade da Ucrânia desta situação, ela fica dissipada com o contrato feito. Ele é simplesmente arrasador para a Ucrânia. A Ucrânia iria pagar preço de mercado com desconto de 20% e o pagamento teria que ser mensal e a horas. Falha de pagamento trazia grandes penalizações. E isto seria apenas por um ano. Em 2010 seria a sério, ou seja passa a pagar o valor de preço de mercado na sua totalidade.

A Ucrânia, que se tinha recusado ao valor pedido pela Rússia de 250 dólares, iria passar a pagar 360 dólares. A Ucrânia estava a pagar 179.50 dólares em 2008 e teve um aumento de 100% em 2009! Embora o valor fosse sendo revisto de 3 em 3 meses e com tendência para baixar, nos 3ºs primeiros meses o aumento seria de facto 100% e depois disso estaria sempre longe dos 179.5 de 2008. E agora o contrato não permite uma falha sequer no pagamento e este teria que ser feito todos os meses. Um contrato duro.

Este ano o mundo está numa recessão económica grave e a Ucrânia com um abrandamento claro na sua economia, iria ter energia muito mais cara, o que iria arrasar com a sua indústria dependente do gás e barato. Este é o panorama para a realidade ucraniana durante o ano de 2009, os ucranianos vão sentir na pele as decisões do seu presidente. Nitidamente isto vai ter repercussões nas eleições presidenciais. As dificuldades sentidas em 2009 e saber que em 2010 o preço a pagar ainda será maior, vai sem dúvida ter impacto nos votos.

Dada a dureza do contrato e o significado disso para a indústria e economia do país (além do impacto da opinião pública) o governo mascara a situação. Apesar do aumento brutal, este não iria ser transmitido ao cliente final, que são as empresas e os ucranianos. O Governo iria pagar a diferença. As pessoas não sentiam o grande aumento, mas o governo estava a afundar-se em dividas. Depressa começaram a pedir ajuda e hoje tem empréstimos do FMI, do Banco Mundial e da UE no valor de Biliões de dólares de modo a poder pagar as contas do gás.

O valor da moeda caiu vertiginosamente e todos os meses a questão levanta-se, tem a Ucrânia dinheio para pagar a conta? Desde que vá recebendo os empréstimos. Entretanto para piorar ainda mais a situação, o FMI que está a fornecer o seu empréstimos por tranches impôe condições. O défice tem que ser controlado, a Ucrânia tem que refletir o preço da energia à população é à indústria. Dada a gravidade da situação económica, esta decisão seria arrasadora e impopular, deixando a 1ª ministra num dilema, aumentar os preços com todas as suas consequências e receber mais uns Biliões do FMI, ou manter os preços de modo a Tymoshenko ter hipóteses nas eleições presidenciais.

A situação actual da Ucrânia é favorável à Rússia. O principal objectivo é impedir a adesão à NATO e dada a situação económica e dependência de gás russo subsidiado, irá obrigar ao novo presidente lançar novas negociações, dando garantias de que não haverá adesão à NATO, a não ser que seja obrigada a pagar preços de mercado.

Infelizmente e mesmo que para o ano se venham a entender, a Ucrânia já tem um preço alto a pagar. Para a Rússia a Ucrânia representa uma ameaça à sua segurança pois mesmo que este novo mandato presidencial seja mais amigável com a Rússia, ninguém garante como seja o próximo.

Para a UE a Ucrânia também oferece perigos. A Ucrânia usa o seu poder de trânsito de energia para a Europa, ignorando as suas responsabilidades de pais de trânsito. E quando as coisas correm mal, é a Europa que tem que pagar com as suas reservas monetárias.

Portanto o objectivo principal tanto da UE como a Rússia é reduzir a sua dependência de tantos países intermediários. A resolução deste problema implica problemas acrescidos para a Ucrânia. A Ucrânia deixa de ser um problema para ambos, e a Rússia aumenta o seu poder de influência. Pode passar o gás a valor de mercado ou pode mesmo cortá-lo. No futuro, a UE não será afectada por isso, não tendo por isso pagar pelas opções políticas ucranianas.

Dado as suas dimensões e opções políticas, a Ucrânia é vista com suspeita pelos dois lados e se ainda vai tendo apoios, é porque ainda serve como país de trânsito.

A Ucrânia está entalada entre a Europa e a Rússia e nenhum dos dois terá pressa em criar amizades mais profundas. As más opções do presidente ucraniano, ditaram o preço a pagar por todos e por muito tempo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ucrânia: O Preço a Pagar - Parte I



Nunca os ucranianos imaginaram o que lhes estava destinado pelas opções tomadas na revolução laranja.

A aproximação ao Ocidente, a aproximação à Europa davam esperanças de algo melhor nas suas vidas, mas tudo tem um senão. E esse senão é que além de se querer aderir à UE, o presidente tinha um grande objectivo, o da adesão da NATO.

Aqui começam os problemas, a NATO é uma estrutra militar que a Rússia considera uma ameaça e a vizinha Ucrânia pretende aderir. As ligações militares são grandes entre a Rússia e a Ucrânia e este salto para o "outro lado", afecta consideravelmente o sistema de segurança russo.

Para agravar a situação, o presidente é bastante hostil para com a Rússia e com o apoio de muitos outros países, acelerou agressivamente a tentativa de entrar na NATO, tal como o fizeram os países Bálticos, a Polónia e a Rep. Checa e aqui começaram os problemas. A Ucrânia quer mudar para um bloco militar hostil à Rússia, mas continua dependente da energia desta. Pior, a Ucrânia vive com gás subsidiado pela Rússia.

Dado o caminho que a Ucrânia começou a percorrer, a Rússia reagiu e a sua resposta acaba por ser fulminante, a Ucrânia tem que passar a pagar o gás a preços de mercado, pois não faz sentido a Rússia apoiar um país que se está a tornar hostil.

Ainda assim o salto para preços de mercado não foi imediato, mas sim gradual, a cada ano o preço é revisto e este iria acelerar de modo a atingir o preço de mercado num periodo mais curto que o previsto.

A Ucrânia começou a reagir a este aperto, tentando impedir esta escalada de preços, pois a sua estrutura económica e industrial não consegue suportar estes custos energéticos. Ao longo dos anos a situação foi-se deteriorando, com aumentos, dívidas, ameaças e cortes de gás e que acabou por rebentar na entrada deste ano. Em 2006/2007 já tinha havido cortes onde o abastecimento a outros países europeus tinha sido afectado, tendo nessa altura a Rússia ficado com uma má imagem como fornecedor, porque a imprensa reportou básicamente a perspectiva ucraniana da situação, tendo com resultado a ideia de que a Rússia cortou o fornecimento à Europa.

No periodo de 2008/2009, a Ucrânia tentou repetir de novo a dose e deu-se mal. muito mal. Além dos valores em dívida e Ucrãnia recusou negociar o valor a ser aplicado para o ano de 2009, a Rússia baixou o valor pretendido pelo o seu lado, mas a Ucrânia oferecia um valor muito abaixo do que a Rússia pretendia. A Rússia lançou avisos à Europa e à Ucrânia de que iria haver novos problemas se a Ucrânia não saldasse as suas dívidas e se não fosse acordado o preço para 2009. Tendo o prazo expirado sem contrato acordado, preços de mercado foram aplicados e a situação rebentou. Os valores não foram pagos e o gás para a Ucrânia foi cortado. A Ucrânia passou a desviar o gás destinado para a Europa para consumo interno e ao mesmo tempo a dizer que a Rússia estava a cortar o gás para a Europa. Uma vez mais, a imprensa dava voz ao que saia da Ucrânia, e artigos por todo lado saiam dizendo, que a Rússia estava a cortar o gás à Europa, a Rússia não era um fornecedor fiável. Não se colocava em causa as responsabilidades da Ucrânia como país de trânsito.

Com esta pressão em cima da Rússia, (vários países afectados, imagem como fornecedor afectado e pressão via imprensa e via política) a Ucrânia, pensou repetir o feito e obter um melhor acordo para o ano de 2009.

Mas a situação não correu como o previsto. Desta vez a Rússia deu um murro na mesa e cortou todo o gás que transitava via Ucrânia (a maioria do seu gás) e só iria abrir depois de observadores independentes estivessem colocados em ambas as extremidades dos pipelines para mostrar o quanto estava a entrar na Ucrânia e quanto gás estava à saida do país. A Rússia fechou as torneiras, até ser pago o que lhe era devido. E se a Europa queria o seu gás, teria que verificar onde é que este se "perdia".

A Ucrânia ficou debaixo de fogo. A imprensa começou a interrogar-se se a culpa residia apenas na Rússia, a pressão recaia agora sobre ela e sobre a Europa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

China "ataca" mais um fornecedor dos EUA



A China pretende adquirir 6 Biliões de barris de petróleo à Nigéria ou seja um sexto das suas reservas. Esta jogada por parte da China irá uma vez mais colidir com os interesses das companhias ocidentais e mais importante irá perturbar o fornecimento aos EUA, dado que a Nigéria é o 5º maior fornecedor deste país.

E o mais interessante desta jogada é que a China pretende adquirir 23 licenças que estão neste momento nas mãos de companhias ocidentais como a Royal Dutch Shell, a Chevron, a Exxon Mobil e a Total, portanto a China não só obtem mais petróleo para si, como ainda por cima desvia esse mesmo petróleo, pois este actualmente está a ser explorado por companhias ocidentais.

China seeks vast oil blocks in Nigeria
http://www.energy-daily.com/reports/China_seeks_vast_oil_blocks_in_Nigeria_999.html

Report: China moves in on Nigeria oil reserves
http://news.yahoo.com/s/ap/20090929/ap_on_bi_ge/us_china_nigerian_oil_1

China sovereign fund invests in Kazakh oil producer
http://www.energy-daily.com/reports/China_sovereign_fund_invests_in_Kazakh_oil_producer_999.html

Crude Oil and Total Petroleum Imports Top 15 Countries (EUA)
http://www.eia.doe.gov/pub/oil_gas/petroleum/data_publications/company_level_imports/current/import.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

França: Um Aliado Peso-Pesado Para Os Pipelines Russos

France eyes role in South Stream pipeline: Russia
France is eyeing participation in Russia's South Stream pipeline, seen as a rival to the EU-led Nabucco project for gas supplies to Europe, Prime Minister Vladimir Putin's spokesman confirmed on Tuesday.

French involvement in South Stream and another Russian-led pipeline project, Nord Stream, was addressed in talks between Putin and his French counterpart, Francois Fillon, in Moscow on Monday, spokesman Dmitry Peskov said...



France's GDF Suez to Acquire Nord Stream Shares by October

France's GDF Suez will by the end of October become a shareholder in the company building the Nord Stream gas pipeline under the Baltic Sea, Gazrpom's deputy CEO said on Monday...

http://www.oilandgaseurasia.com/news/p/0/news/5680

A confirmar-se estas notícias, a Rússia ganha um grande aliado para os seus pipelines, ficando assim envolvido dois dos mais importantes países da União Europeia. A Alemanha é o principal interessado do Nord Stream, pois vai ficar com acesso directo um fornecedor (Rússia) e a França vai diversificar as suas fontes, pois está muito dependente de fornecedores africanos. Apesar da imprensa insistir que a Rússia não é um fornecedor fiável, o facto é que cada vez vemos mais ligações com eles por parte da Europa.
Com estes dois pipelines vai ser diversificado o fornecimento russo à Europa. É bom para a Europa, mas é mau para os países bálticos, Polónia, Rep. Checa e Ucrânia. Todos estão dependentes da energia russa, e no que toca à Polónia e Ucrânia, são países transito que servem de ligação para o resto da Europa e que vão sofrer quando a Rússia possuir alternativas de escoamento do seu gás, sem depender destes países-trânsito que têm sido hostis para com a Rússia.
O mais interessante destas movimentações por parte da França é que elas têm impacto no pipeline Nabucco. Este pipeline não está a entusiasmar as duas grandes potências, e algumas das razões são a instabilidade política dos países envolvidos e as poucas garantias de que existe gás suficiente para alimentar o pipeline.

Gaz de France cancels Nabucco interest

French energy firm Gaz de France canceled its bid to become the seventh member of the construction team for the Nabucco gas pipeline, statements said...

http://www.upi.com/Energy_Resources/2008/07/22/Gaz-de-France-cancels-Nabucco-interest/UPI-66941216749964/

Nabucco removed from EU energy project list
Mention of the Nabucco gas pipeline has been deleted from a list of projects to be financed by a five-billion euro EU stimulus plan...EU officials confirmed yesterday that the pipeline, once considered a flagship EU venture, had disappeared from the list of energy projects to be financed under the plan.

The move was apparently made at the request of German Chancellor Angela Merkel, who insists that no public money should be spent on a project in which Berlin has little interest...
German Chancellor Angela Merkel recently confirmed her country's opposition to funding the flagship Nabucco gas pipeline project with European money, stressing that the problem is not financing but finding gas to feed the pipeline.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nabucco: Um Pipeline Em Dificuldades


Nabucco


O Pipeline Nabucco pretende ser uma alternativa à Rússia, passando o gás por outros países. Este pipeline nasce com bastantes dificuldades, pois é um investimento avultado, atravessa países problemáticos, tem a concorrência dos pipelines russos e ainda mais grave não está garantido um fornecimento estável de modo a compensar todo o investimento que está a ser feito.

Pelo mapa pode-se ver rápidamente um dos problemas, este pipeline pressupõe ligações tanto à Geórgia como o Irão, ambos países que estão em "alta" devido às situações em que cada um está envolvido.

A juntar isto temos mais uns recentes desenvolvimentos, que em nada ajudam. O Turquemenistão anunciou que vão ser inaugurados em Dezembro dois novos pipelines, um para a China e outro para o Irão. O acordo para a China é o fornecimento de 40 Biliões de metros cúbicos/ano durante 30 anos. Este é mais um mau sinal para o Nabucco, pois o Turquemenistão é um dos países necessários para fornecer o pipeline europeu.

Dado os problemas de fornecimento do Nabucco, os investidores viram-se também para o Iraque. O Iraque dada a sua actual situação é tudo menos seguro. Um país instável, ocupado militarmente e com muitas interrogações sobre o seu futuro. Contar com fornecimentos estáveis ou contar com o que quer que seja daqui é um acto no mínimo irresponsável.

Mas mesmo tentando fazer acordos com o Iraque, não significa que sejam os únicos. De facto até a Rússia está a tentar recuperar parte do que tinha neste país em termos energéticos. E se ainda com os americanos no terreno, a Rússia já marca presença, não se sabe o que irá acontecer depois dos EUA sairem.

Uma coisa é certa, Nabucco é algo caro, depende de vários países fornecedores e de trânsito completamente instáveis e não oferece uma alternativa fiável ao fornecimento russo. Existem demasiadas incógnitas, tornando este pipeline um investimento de muito alto risco, não dando garantias à Europa de que pode ser uma solução com futuro.

domingo, 20 de setembro de 2009

Rússia e China investem 36 Biliões de dólares em projectos de petróleo na Venezuela

"Acordo para os próximos três anos é para exploração de jazidas na bacia do rio Orinoco por empresas de petróleo chinesas.
Hugo Chávez anunciou o acordo bilionário nesta quarta-feira, 16. A parceria com a estatal venezuelana do setor petrolífero, a PDVSA, deverá produzir 450 mil barris diários de petróleo cru. Recentemente a Venezuela fechou um acordo semelhante com a Rússia, este no valor de cerca de US$ 20 bilhões. As duas parcerias devem resultar em um aumento de 900 mil barris diários na produção venezuelana de petróleo.
Um dos objetivos de Chávez com esses acordos fechados com países mais simpáticos à sua “revolução socialista” é que eles garantam à Venezuela maior independência econômica frente aos EUA."



Esta é mais uma má notícia para os EUA, os avultados investimentos russo/chineses no 5º maior produtor mundial de petróleo e no 2º maior fornecedor de petroleo americano. Dado a importância que a Venezuela representa para o maior importador de energia do mundo, a Venezuela corre um perigo extremo.

A proximidade da Venezuela aos EUA, torna-o num dos melhores, mais seguros e eficientes fornecedores dos EUA mas a política de Chavez é vendê-lo á China. O que nós estamos a assistir é ao desvio da produção venezuelana de modo a aplacar a enorme e crescente sede do Dragão, o que irá afectar a exportação para os EUA.

Com investimentos tão avultados, a sua proximidade aos EUA e a importância da Venezuela para os EUA, torna-se urgente à Venezuela tomar medidas de protecção e torna-se urgente para quem investe tão grandes somas, fornecer o mais rápidamente possível meios de defesa, de modo a tornar o menos apetecível, um possível confronto militar com o objectivo da tomada de controlo do fluxo energético.

Também queria chamar a atenção sobre o que este artigo também mostra, a Rússia nestes tempos conturbados de recessão económica mundial, tem poder de investimento para se envolver em projectos de grande dimensão e deverá causar algumas surpresas quando passarmos este clima económico negativo.