Muito possivelmente a Europa, ao abrigo das sanções devido à situação da Crimeia, vão suspender o South Stream. O tempo suficiente, para a Rússia mudar a rota do pipeline...
domingo, 6 de abril de 2014
Crimeia e o South Stream
Muito possivelmente a Europa, ao abrigo das sanções devido à situação da Crimeia, vão suspender o South Stream. O tempo suficiente, para a Rússia mudar a rota do pipeline...
Europa e Rússia juntas na Energia
e a quem não se quer...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Nord Stream Pipeline: O Dia Chegou
Hoje o pipeline começa a ser abastecido com gás russo. Para a Europa é uma boa notícia, existe mais diversificação de linhas de abastecimento, para a Rússia é importante a vários níveis, pois diminui a importância dos países trânsito, como a Ucrânia e a Bielorússia, aumenta a capacidade de fornecer gás à Europa, aumenta a influência política sobre a Europa, especialmente países com ligações militares à NATO e bastante hostis para com a Rússia.
Para os países Bálticos, Polónia e Rep. Checa, o activar deste pipeline permite à Rússia fazer o bypass dos mesmos e alimentar na mesma a Alemanha, situação que não era possível até agora. Mas a pior situação é mesmo para a Ucrânia. Sendo o principal país de trânsito de gás russo, o país vai agravar ainda mais a sua situação económica.
Vladimir Putin e Gerhard Schroeder os criadores do Nord Stream
A Ucrânia neste momento, apesar do desconto já paga mais de 300 dólares e este é um valor incomportável para o país. Sendo que por aqui passa 80% do gás russo, será este o país que irá ver diminuido a sua componente de trânsito, o que irá implicar também perdas de receita que são cobradas pela passagem do gás em direçcão à Europa.
A Ucrânia está neste momento a colher as tempestades que semeou com a anterior administração. O facto do presidente anterior ter entrado em rota de colisão com a Rússia, a tentativa de levar a NATO para o país e a situação do corte do gás russo, ditaram o futuro do país.
Neste momento não vejo alternativas para a Ucrânia senão ceder aos desejos russos, o que irá obrigar a perder muito do seu património e vão ficar dependentes destes por muitos anos. Este é o preço a pagar e ao mesmo tempo é um aviso à navegação aos outros países a que está a ser feito o bypass, países que coloquem em causa a segurança da Rússia (como a questão sistema anti-míssil) vão ter penalizações de energia. Podem a Polónia e a Rep. Checa arriscar viver sem o gás russo?
quinta-feira, 10 de março de 2011
Nabucco: Um Pipeline Em Dificuldades II
Com tantas situações a acontecer neste mundo, muitas notícias passam despercebidas, mas a diversificação de fontes energéticas por parte da Europa estão cada vez mais complicadas. O Nabucco é a mais importante alternativa ao gás russo, mas esta alternativa é composta por países com uma série de problemas, situados em zonas "quentes" do Globo. O Irão é constante nas notícias, a Geórgia toda a gente sabe o que por lá se passou, o Azerbeijão necessita de fazer ligações com outros países e as ligações são problemáticas, os pipelines para a China já estão a funcionar.
Os países europeus não se entendem por onde deve passar o pipeline, o fornecimento para o pipeline não está garantido e o financiamento para o mesmo também não. O tempo passa, os problemas económicos na Europa são mais que muitos e o pipeline não arranca. Mas a Europa continua a consumir energia e a tendência é para aumentar. A energia tem que vir de algum lado, mas a hipótese do Nabucco parece cada vez mais complicada, o que se confirma com as notícias mais recentes:
Nabucco faces cost surge
The Nabucco pipeline consortium has discreetly postponed its final investment decision by another year, this time until early 2012, with construction to start in 2012 "at the earliest". The investment decision had previously been postponed in October 2010 for 2011, targeting this year's first or second quarter...
...The main reasons behind it include: a significant challenge to Nabucco's official cost estimate, tardiness in accessing Turkmen gas, and unresolved competition between Nabucco and two other transportation projects over priority access to Azerbaijani gas.
On February 21, BP's challenge to Nabucco's official cost estimate... BP apparently evaluates the Nabucco pipeline's construction costs at 14 billion euros (US$19 billion), a far cry from the Nabucco project management's estimate of 7.9 billion euros...
link
Ora temos aqui já indicações da situação grave em que se encontra este pipeline. A decisão do investimento foi adiada por mais um ano, portanto decisão de investimento vai ser possivelmente feita em 2012, quando era suposto a fase de construção começar em 2010...
Além disso temos agora a BP a dizer que os custos são perto do dobro que estava previsto, portanto passamos de 7.9 Mil Milhões de euros para 14 Mil Milhões. O artigo indica que o Consórcio Nabucco contesta esta estimativa mas dias depois uma nova notícia sai que faz indicar que realmente a estimativa da BP está correcta.
RWE, OMV, Nabucco Pipe Partners Must Each Give $2.3 Billion in Guarantees
The six companies planning the Nabucco pipeline to bring Caspian gas to Europe will each have to arrange 1.7 billion euros ($2.3 billion) in guarantees for the project, according to RWE AG (RWE), one of the project’s partners...
link
Como podemos ver por esta notícia, é pedido aos seis parceiros envolvidos no projecto, 1.7 Mil Milhões de euros em garantias. Isto perfaz um total de 10.2 Mil Milhões. E se eles querem esta soma garantida para arranque do projecto, quer dizer que este pipeline vai ter um custo bem superior ao que andam a dizer que custa.
Isto mostra claramente a aventura que este pipeline está a ser. Este pipeline não tinha um custo inicial de 7.9 Mil Milhões, este pipeline começou com uma estimativa de 4.6 Mil milhões e estamos agora a ser confrontados com um aumento acima dos 300%, e isto com as diiculdades económicas que a Europa atravessa, a instabilidade do fornecimento com a crise nos países árabes e o aumento da energia.
A Europa ao ter hostilizado a Rússia, criou mais problemas no seu fornecimento energético. A Rússia apresenta-se como o maior fornecedor da Europa, o mais estável e a Europa empurrou a Rússia para a China. Agora a Europa tem que competir pelo fornecimento com a China e isto coloca a Rússia numa posição negocial muito forte e vai colocar a Europa numa situação delicada sempre que queira negociar com a Rússia.
Uma vez mais temos a Europa no meio de um braço de ferro, onde de um lado os EUA exercem uma grande pressão tanto por meios politicos como por meio da NATO, por outro temos a Rússia usando a sua "arma" energética.
Grande parte da culpa desta situação de falta de diversidade energética europeia reside na própria Europa que não tem mecanismos fortes para actuar como uma entidade só. Se hoje não temos mais sérios problemas energéticos, não é graças a a acções europeias. Se a Ucrânia não tivesse mudado a sua orientação política, se a Rússia não tivesse proposto o Nord Stream à Alemanha, como é que a Europa estaria hoje a resolver a sua diversifidade energética?
Hoje, o maior fornecedor da Europa, diversificou a sua carteira de clientes com a abertura de pipelines para a China/Ásia.
E a Europa? o que fez entretanto para não estar tão dependente de um fornecedor?
sábado, 4 de setembro de 2010
Sistema GPS Russo A Um Passo Dos 100%
As implicações disto são várias. Há 10 anos atrás, este projecto foi considerado prioritário, ficando previsto que ficaria online em 2011, a altura chegou e o sistema está aí. Para além do prestígio de ser a segunda nação no mundo a possuir um sistema GPS, a Rússia cilindrou completamente o projecto GPS Europeu (GALILEO). O sistema Europeu que arrancou mais a sério a rondar o ano de 2002, PREVIA que o lançamento dos satélites começasse em 2006 e todo o sistema estaria pronto em 2010. Chegámos a 2010 e a realidade bate-nos à porta. A Europa ficará feliz se o conseguir fazer nesta década 2010-2020, antes dos chineses (este também estão a planear construir um sistema destes) que pretendem ter o seu GPS em 2020.
Instalação dos painéis solares
Mas o panorama é grave. A Rússia está a exportar uma série de mísseis, bombas e outros tipos de material militar com capacidade de usar o sistema GLONASS, o que significa que qualquer nação os pode comprar (e usar, pois não podemos esquecer que a cobertura é global) e os EUA não tem como neutralizar esse sistema, tornando ainda mais complicado qualquer actuação.
Se o mundo ocidental está equipado com armas formidáveis, sendo a maior parte proveniente dos EUA, o resto do mundo cada vez tem melhores opções vindas de uma Rússia cada vez mais forte.
lançamento do foguetão Proton-M
Representação de colocação no espaço
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O Renascer da Indústria Aeronáutica Civil Russa II
No ano passado o Sukhoi Superjet fez a sua estreia numa das maiores feiras internacionais, o Le Bourget Air Show 2009, agora assistimos a novos avanços neste sector tão importante para a Rússia.
O Farnborough Air Show 2010 foi uma feira com resultados bastante positivos. O Sukhoi Superjet vendeu e outros modelos também foram encomendados o que mostra que a Rússia está bem encaminhada para entrar de novo neste mercado onde o clube de construtores é muito restrito.
A Rússia fez-se notar pelas vendas conseguidas, pois não é costume atingir este tipo de volume de vendas.
Brazil, Russia win Farnborough's small jet orders
Brazilian and Russian firms won the race for small regional jet orders at the Farnborough airshow on Wednesday, leaving new player Japan and Canada's Bombardier trailing badly.
Airlines and leasing companies splashed out billions of dollars on planes carrying around 100 passengers from Brazil's Embraer and Russia's Sukhoi but sat tight on Mitsubishi's new planned jet and Bombardier's CSeries...
...Russian aircraft maker Sukhoi said Wednesday it had sold 30 single-aisle Superjet 100s worth more than 900 million dollars (702 million euros) to leasing group Pearl Aircraft Corporation.
Pearl also has an option to buy 15 more of the planes...
...Sukhoi, renowned for its military aircraft, also announced at the biennial Farnborough event the sale of 30 Superjet 100s to Indonesian regional carrier Kartika Airlines...
link
Detalhes do que a Rússia conseguiu vender neste evento:
- 10 Antonov AN-158 com opção de compra para mais 10 pela Ilyushin Finance
- 12 Sukhoi Superjet com opção de compra para mais 10 pela companhia tailandesa Thai Airlines
- 30 Sukhoi Superjet pela Kartika Airlines da Indonésia
- 15 MS-21 pela VEB Leasing
- 3 Antonov AN-148 com opção de compra para mais 2 pela Nordvik
- 50 MS-21 pela Crecom Burj Resources da Malásia
- 28 MS-21 com opção de compra para mais 22 pela Ilyushin Finance
- 15 MS-21 com opção de compra para mais 15 pela VEB leasing
- 3 MS-21 com opção de compra para mais 2 pela Nordwind
- 30 Sukhoi Superjet com opção de compra para mais 35 pela Pearl Aircraft Corporation
- 10 Sukhoi Superjet pela Gazpromavia
Estão aqui referidos mais de 300 aviões. Para a Rússia isto são valores de envergadura e se conseguissem uma carteira de encomendas semelhante todos os anos, esta indústria arrancava de certeza e com força.
Além da boa performance de vendas demonstrado pelo Sukhoi Superjet a novidade este ano está num outro avião, o MS-21 que surpreendentemente recebeu um importante pacote de encomendas.
O MS-21 corresponde já a um patamar acima do Sukhoi Superjet. Se o Sukhoi Superjet vai competir principalmente com a Embraer e a Bombardier, o MS-21 entra no segmento acima onde estão os dois grandes competidores, a Airbus e a Boeing. O MS-21 vai estar ao nível do Airbus A320 e o Boeing 737.
Se estes dois projectos conseguirem vingar, nos próximos anos veremos novos modelos de maiores dimensões que irão entrar em competição directa com a Airbus e a Boeing, o que irá gerar milhares de postos de trabalho e sendo muitos deles para mão de obra qualificada.
A Rússia caminha para ver a sua indústria aeronáutica civil renascer.
Leitura recomendada:
Boeing's workhorse 737 must confront new competitors
Both Boeing and Airbus face a tough strategic decision: how to handle the immediate threat from the CSeries and, further out, the proposed Chinese C919 and Russian MS-21 narrow-bodies, all powered by new, highly efficient engines...
Aeroflot Is Pressed to Buy Russian
...The most recent Russian civilian aircraft project, a 150-seat airliner that would compete with the Airbus A320 family, is the first to reflect the Russian industry’s reorganization...
Russian planemakers eye global markets
Desperate to shed its Soviet Union image as a manufacturer of clunky airliners, Russia is eager to become a significant player in the global civil aviation market...
Artigo Anterior
O Renascer da Indústria Aeronáutica Civil Russa I
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Ucrânia: O Preço a Pagar - Parte III
E que ganha a Rússia com o desembolsar desta quantia gigantesca? O renovar por mais 25 anos da base onde se aloja a Frota do Mar Negro, pelo menos oficialmente. Mas apenas isto é nitidamente inferior ao valor que a Rússia concede à Ucrânia. O que falta? O que precisa a Rússia? Das várias empresas que ficaram do lado da Ucrânia, quando a URSS se dissolveu estas têm que passar para o controlo russo e este é o verdadeiro preço que a Ucrânia irá pagar, mas que nunca será dito oficialmente. A Ucrânia vai passar importantes sectores para o controlo russo e não vejo grandes alternativas pois foi a própria Ucrânia que se colocou nesta situação.
Assim existem para mim 2 sectores essenciais para a Rússia e que necessitam de obter o controlo, o sector aeronáutico (aviões Antonov) e o sector naval (estaleiros de grandes dimensões) e as coisas parecem realmente estar a evoluir nesse sentido:
Ukraine’s Nikolayev shipbuilding plant to join Russian company 2010
Ukraine’s ship-building plant in Nikolayev, on the Black Sea, and a number of other Ukrainian enterprises, will be handed over to Russia’s United Ship-Building Corporation soon, the corporation’s chief Roman Trotsenko told Itar-Tass.
“The Black Sea Shipbuilding Plant will be a joint venture. Half of its shares and of a number of other Ukrainian enterprises will be handed over to the USC,” Trotsenko said, adding that the plans were to materialize by the end of this year.
The USC chief said that the OSCE chief would develop a program that would provide enough contracts for all these enterprises and their subcontractors.
Trotsenko recalled that the Black Sea Shipbuilding Plant was the most technologically advanced one in the whole of the USSR. It has a unique 900-tonne crane, while most Russian shipyards have 500-tonne cranes.
“We are way behind the leading countries in that respect, because we need cranes capable of lifting loads up to 20,000 tonnes,” Trotsenko said.
According to his estimates, the Black Sea Shipbuilding Plant is in grave condition. It has no contracts and requires major investments for restoration.
Fonte
UAC and Antonov Reach Agreement on JV Establishment
Antonov and United Aircraft Corporation (UAC) reached an agreement to establish a joint venture on parity basis. The agreement was reached after several rounds of negotiations between the aircraft builders of Ukraine and Russia. The documents may be completed by the next meeting of the working group on cooperation between Ukraine and Russia in the industry which may be held in July-August. The joint venture will be established on parity basis.
Fonte
Another attempt at integrating Ukraine’s aircraft maker
Russia and Ukraine have once again announced their decision to merge their aircraft manufacturers. Meanwhile, if no progress had been made previously, this time they have agreed to set up a management company intended to supervise the production and marketing of An-148, An-140, An-70 and An-124 planes. However, the joint venture is no more than an interim stage in integrating the two nation’s aircraft industries. Presumably, Russia's United Aircraft Corporation (UAC) will gain control over Ukraine’s Antonov ASTC by means of a share swap...
...The joint venture seems to be the only way forward for the parties. Russia, anxious to lay its hands on the Antonov design bureau, has tried to kick start consolidation three times: the UAC drafted agreements between the two nation’s aircraft makers which were invariably turned down by the Ukrainian side. Established in 2008, Antonov is a state-run holding which cannot form joint ventures. At this point, it incorporates the Antonov design bureau, the Antonov plant, Kharkov Aircraft Manufacturing Company and 410 Civil Aviation Plant...
...According to the latest draft cooperation agreement on aircraft building (which had been drawn up ahead of the recent meeting of the Russian and Ukrainian presidents, but failed to be signed), the UAC is supposed to get 50 percent plus one share in Antonov – a stake it will pay for with its own shares. It is not clear what stake Ukraine may get in UAC, however. The document also stipulates that all the decisions needed for the companies to merge must be made no later than August 1, 2010. ...
[...]
Fonte
A Rússia precisa dos estaleiros ucranianos, para embarcações de grandes dimensões (por exemplo porta-aviões) e precisa da Antonov, principalmente pelos aviões de carga de grandes dimensões como o AN-124 e do AN-70 (semelhante ao projecto europeu A-400M), a Rússia tem como construir os AN-124, mas o "core" da Antonov reside na Ucrânia.
AN-124
A Rússia está cada vez mais próxima de obter o que quer, o que fará criar empresas de grandes dimensões, que no caso do sector da Aeronáutica é claro o que pretendem, entrar no grande mercado onde neste momento existem apenas 2 concorrentes: a Airbus e a Boeing.
A Ucrânia não irá perder com isto, a Rússia tem o capital necessário para o arranque dos projectos, o que irá trazer benefícios para a economia ucraniana, mas irá perder o controlo das mesmas.
Como se costuma dizer, "Vão-se os anéis, ficam os dedos"...










