domingo, 20 de abril de 2014

Mar (Russo) Negro



O Mar negro tem estado a assistir a mudanças bastante significativas nos últimos anos, com os avanços da NATO, da Rússia, e no panorama de transporte de energia. Fiz uma sequência de imagens para melhor se perceber as alterações que têm estado a ocorrer, e recorro a um exemplo, o investimento militar russo a nível de submarinos para se perceber o que a Rússia está a fazer, para evitar perda de influência nesta zona tão importante para os interesses do país.

fig. 1 - Mar Negro, a Rússia ficou com uma pequena parcela

Esta imagem mostra o Mar Negro nos primeiros anos da década passada. A Rússia tem uma pequena parcela de mar, a sua base principal num outro país, ou seja a Ucrânia, e a NATO apenas num país, o que maior parcela tem de mar, ou seja a Turquia. Por esta altura, a Rússia tinha no Mar Negro, apenas um submarino dos anos 90. Mas algo estava a formar-se...

fig. 2 - Ver o grande avanço em 2004

Em 2004, temos uma grande expansão da NATO que tanto afecta o Mar Báltico e o Mar Negro. Enquanto a Rússia estava ocupada em parar o seu declínio, a NATO/EUA estavam a avançar em grande velocidade, abrindo um corredor em direcção ao Mar Cáspio, muito rico em petróleo. Com a entrada da Roménia e Bulgária, o Mar Negro estava a ficar cada vez mais um mar sob o controlo da NATO, com nítida perda de influência russa. Para agravar a situação, os EUA estavam a dar apoio militar/político à Geórgia/Azerbaijão, muito necessário pois estava a ser construido o 1º pipeline americano (BTC) que iria aceder ao Mar Cáspio. Com estes avanços, e dado que para a NATO entrar na Geórgia, não poderia haver problemas dentro do território, o país começou a acelerar a resolução das regiões separatistas, o que agudizou ainda mais a já tensa relação com a Rússia.

Com a revolução rosa, Saakashvili, entra em cena, acelerando a resolução das coisas. Uma das regiões separatistas é recuperada, a Adjária, tendo os russos que fechar a sua base e retirarem-se da zona. Com o massivo apoio militar dos EUA, o caminho estava aberto para se resolver definitivamente a questão das regiões separatistas, numa altura em que o pipeline americano (BTC) já estava em funcionamento, numa zona hostil, ou seja na área de influência russa.

Em 2008, foi feita a tentativa de à força recuperar os territórios, e a coisa correu mal. Muito mal. Em 2008, já a Rússia estava a percorrer um caminho ascendente e respondeu à letra, à última jogada de Bush, pois este estava de saída, com todo o desgaste que tinha das várias guerras que tinha começado e o futuro era com os democratas, entrando Obama logo de seguida. A Rússia nesta jogada, impediu a entrada da NATO, pois a Geórgia sofreu uma perda efectiva de integridade territorial.


 fig. 3 - A Rússia começa a expandir-se

A Rússia está a aumentar a sua força e precisa de novos armamentos, para controlar de modo mais eficiente o Mar Negro. Um dos seus investimentos é na sua frota de submarinos. Até aqui apenas um submarino estava alocado a este mar e a coisa iria mudar em breve.

A Ucrânia, (outro país à beira de entrar na NATO), anos depois tentam forçar a situação de novo. A revolução laranja não obteve os resultados pretendidos, agora iria-se tentar de outra forma. O surpreendente foi a reacção da Rússia. Com uma velocidade impressionante e eficaz, a Rússia abraça a Crimeia, impedindo deste modo a entrada da NATO e alterando o panorama no Mar Negro. Com este passo, a Rússia é o pais detentor da maior área, apenas ultrapassada pela Turquia. Agora é preciso uma marinha capaz de proteger toda esta nova zona.

fig. 4 - 1º submarino com destino ao Mar Negro

A Rússia já tinha começado a construção de novas embarcações com destino ao Mar Negro, e curiosamente é a partir deste ano, que vamos assistir às entregas. 6 submarinos estão previstos, com entrega entre 2014 e 2016. Ou seja o panorama está a mudar imenso, os submarinos vão ser uma grande dor de cabeça para frotas que resolvam entrar neste mar.

fig. 5 - A nova realidade que se está a formar

Neste mapa podemos ver as profundas alterações que se estão a formar. A NATO não conseguiu avançar para o Mar Cáspio, a Rússia aumentou de forma brutal a sua àrea de mar (devido à Crimeia) e está a infestá-lo com novos armamentos. Falta adicionar neste mapa, algo que penso que também vai acontecer e já o referi num outro post. A alteração do traçado do South Stream, de modo a não entrar na Zona Exclusiva da Turquia.


fig. 6 - As novas fragatas em construção, 6 para o Mar Negro

fig. 7 - Pelo menos um Porta-Helicópteros Francês (dos 4 encomendados),
 está destinado para o Mar Negro, e o 1º estará pronto ainda este ano.


O cenário do Mar Negro, mostra o quanto a Rússia está a mudar. A Rússia está a actuar em várias frentes simultaneamente e vamos assistir a muitas mudanças nos próximos anos. 

Infelizmente as relações EUA/Rússia, só terão um caminho: uma progressiva deterioração até conseguirem achar um ponto de equilíbrio.

domingo, 6 de abril de 2014

Crimeia e o South Stream


Vamos começar por analisar esta imagem, relativamente ao pipeline. O South Stream sai da Rússia e vai a direito à Bulgária. Realmente, é rota mais eficiente a direito, e... passando ao lado da Crimeia ou seja por território ucraniano.

Mas estes pipelines, o Nord e South Stream foram desenhados exactamente para fazer o bypass  a países trânsito problemáticos, sendo o principal problema, exactamente a Ucrânia...

Então o que foi feito? um "ligeiro" desvio como se pode ver na imagem abaixo, não entrando na zona económica exclusiva da Ucrânia, dando a volta necessário (com os custos associados) até chegar à Bulgária.


 
A rota do South Stream não entra na Zona Exclusiva da Ucrânia


 Embora se tenha evitado a passagem pela a Ucrânia, não se conseguiu contornar outro problema, ou seja, a Turquia. A Turquia, é uma das peças chave para contornar a Rússia no que torna a fornecimentos energéticos, o Nabucco passa pela Turquia e este país sempre esteve bastante activo no que toca à Geórgia, tentanto afastar a influência russa desta.

Portanto, ao "atacar-se" o Nabucco, a Turquia acaba por ceder às pressões russas e dá luz verde para passar pela sua zona económica em 2011, como podemos ver neste artigo:

South Stream pipeline gets Turkey green light

Turkey has given permission for the South Stream gas pipeline to be built across its territories, giving the project a clear run into the lucrative energy markets of Europe.

It will now be able to bypass Ukraine, which had failed to reach an agreement with the pipeline's owners.

Gazprom has a 50% stake in the project, Italy's Eni 20% and France's EDF and Germany's Wintershall 15% each...


Portanto neste momento, a Turquia é peça chave para a viabilidade do South Stream, um país que a Rússia não quer estar dependente, devido às suas próprias ambições, que colidem com os interesses russos.

Só que agora temos a situação da Crimeia...

E com a anexação por parte da Rússia, uma passagem a direito deixa de atravessar a Zona Económica Ucraniana, a Zona Económica Turca e vai directamente para a Bulgária. Os russos com esta acção, permitiu-lhes um novo leque de possibilidades e um maior controlo do Mar Negro.


As 3 rotas estudadas pela Gazprom

Muito possivelmente a Europa, ao abrigo das sanções devido à situação da Crimeia, vão suspender o South Stream. O tempo suficiente, para a Rússia mudar a rota do pipeline...

Europa e Rússia juntas na Energia


Esta imagem elucida claramente, a quem se pretende fornecer energia
e a quem não se quer...


Apesar de tudo o que se passa na Ucrânia, o que se vê são as ligações energéticas a aumentar entre ambos.

Algo que passa despercebido, na imprensa, que não compreende as necessidades massivas que a Europa necessita em termos energéticos. Não é fácil para a Europa arranjar um outro fornecedor que tenha a capacidade e estabilidade de fornecer energia nas quantidades requeridas e que são crescentes ao longo dos anos.

A juntar isto temos a diminuição de capacidade de produção energética dentro da Europa e a opção alemã de se afastar da energia nuclear. Tudo isto requer energia adicional, algo que a Rússia tem em abundância e deseja fornecer.

Como tal dois grandes pipelines foram desenhados, um dos quais já está em funcionamento. O Nord  Stream e o South Stream. O investimento russo neste pipelines, demonstra os seus desejos, deixar de estar dependente de países trânsito, hostis à Rússia ou em perspectiva de o ser. A Rússia passa a fornecer a quem não seja hostil para com ela ou seja, algo como a "Velha Europa".

Para mostrar que as coisas estão a avançar, deixo aqui alguns artigos, que demonstram o que realmente a Europa anda a fazer, ou seja, prepara-se para receber ainda mais gás russo, mas fazendo o bypass por países terceiros.

Ambos beneficiam, a Rússia deseja vender e a Europa quer estabilidade energética, as ligações são directas para os países que assim o desejam. Neste modo vemos aumentada a segurança energética na Europa ou parte dela.

Nord Stream

Este pipeline, (curiosamente devido à situação ucranina, pois alguns europeus começaram a ver que a situação poderia escalar perigosamente), foi dada a luz verde pelos europeus para o aumento do fornecimento e este  passou a poder toda a sua capacidade.

A situação não deixa de ser curiosa, porque a Europa estava a fazer pressão sobre a Rússia, devido ao controlo do fornecimento de energia, tal como se pode constatar neste artigo de 2013:

Gazprom reclama sobre carregamento incompleto do Nord Stream

O terceiro pacote energético, que está vigorando no território da União Europeia, permite à gigante estatal russa Gazprom utilizar o gasoduto Nord Stream apenas a meio, declarou o vice-presidente do monopólio de gás russo, Alexander Medvedev... 

[Link]

Mas em Janeiro de 2014, já com a Ucrânia a "arder" e sem se saber o rumo que a situação vai tomar, a Europa mudou a sua posição como podemos constatar:


EC to agree on Russia’s Gazprom access to OPAL by end-Feb

The European Commission plans to agree on the access of Russian gas major Gazprom to the E.U.’s OPAL pipeline by the end of February, and Germany will decide on the issue in March, E.U. Energy Commissioner Gunther Oettinger told reporters on Friday, as cited by RIA Novosti...

...The European Commission earlier allowed Gazprom to use no more than 50% of OPAL’s capacities, which is plugged into its Nord Stream undersea export pipeline and stretches along Germany’s eastern border, in accordance with the third energy package. Gazprom intends to reach an agreement and exceed the set limit of 50%.



Ou seja, a Comissão Europeia preparava-se para deixar de estrangular a Gazprom e desta maneira acaba por demonstrar que não irá conseguir fazer pressão sobre esta, o que acaba mesmo por acontecer logo a seguir como o podemos constatar:

Russia agrees on access to 100% of Germany’s OPAL pipeline

Russia has agreed with the E.U. to use 100% of capacities of the OPAL gas pipeline, plugged into the Nord Stream pipeline system, instead of 50%, President Vladimir Putin said late on January 28, Prime has reported...


 A Europa ao permitir este aumento brutal do Nord Stream, assinala a todos os interessados que se prepara para as instabilidades de fornecimento na Ucrânia, instabilidades essas que se adivinham por um longo tempo, ou seja o próximo Inverno, ninguém sabe como estaremos, mas uma coisa é certa, não se vai contar com a Ucrânia.

O fornecimento através deste pipeline tem aumentado e dada a sua capacidade, teremos que ver as estatísticas em 2015.

Gas through Nord Stream exceeds 800 billion cubic feet

Gas deliveries through the twin Nord Stream pipelines from Russia through the Baltic Sea exceeded 800 billion cubic feet last year, the project's operator said...

Overall, Russian natural gas deliveries to Europe in 2013 were more than the previous year, the state-owned news agency reported Monday.

The Nord Stream lines are each designed to transport a maximum of 1.9 trillion cubic feet of natural gas annually.


Além deste aumento, a Gazprom pretende ainda aumentar mais a capacidade de transporte, construindo novas linhas no Nord Stream, duplicando a sua capacidade, ou seja a Rússia demonstra que quer acabar com a sua dependência de países trânsito e ainda aumentar a sua capacidade de pressão política.



South Stream


Bom, e quanto ao South Stream? o desenvolvimento deste é ainda mais interessante. O South Stream tem sido duramente atacado, para que não avance, sendo dado primazia ao pipeline Nabucco, este com o patrocínio americano.

Só que com a situação da Ucrânia, na minha opinião, o Nabucco foi enterrado definitivamente e o South Stream, bom, o South Stream, "explodiu" ao acelerar na sua construção para estar o mais rápidamente possível pronto, para desgosto de muita gente...

Saipem Rises After Signing South Stream Pipe Accord With Gazprom

Saipem SpA (SPM), Italy’s largest oil-service provider, rose the most in a week in Milan trading after signing a 2 billion-euro ($2.8 billion) contract to build the first link in the South Stream natural gas pipeline to Europe.

...Construction of the subsea pipeline is due to begin in the European autumn...

...Energy concerns have arisen again this month following the ouster of Kremlin-backed Ukraine President Viktor Yanukovych, sparking a move by pro-Russian forces into Crimea...

...South Stream’s first link, scheduled for completion by the end of 2015...

...Eni SpA (ENI), Wintershall AG and Electricite de France SA are also partners in the project...


Este último parágrafo é bastante elucidativo, sobre quem está de volta deste pipeline. Russos, Alemães, Franceses e Italianos. O peso político de cada um destes na Europa é esclarecedor, do caminho que os pipelines russos vão tomar.

E se dúvidas temos sobre isto, é ver o que está acontecer agora com os Búlgaros:

Economy Minister: Let’s unite for the South Stream

As the Nabucco project was stopped, Bulgaria has to direct all efforts to the South Stream to become energy- independent in any future interstate conflict, Minister of Economy Dragomir Stoynev told lawmakers at the meeting of the economic committee of the parliament.

"Rich countries in Europe already have the Nord Stream, so let the poorer southern get the South Stream "said Stoynev

The trans-European pipeline with an underwater section going across the Black Sea is expected to start operating in December 2015, shipping up to 63 billion cubic meters of gas annually to Bulgaria, Serbia, Hungary, Slovenia, Austria, Italy, Croatia, Macedonia, Greece and Turkey.



E o resultado deste esforço? a aprovação e um "golpe de rins" para ultrapassar as questões europeias, como se pode verificar...

Bulgarian MPs Agree to Change South Stream Status

MPs approved changes to Bulgaria's Energy Law which allow for the South Stream pipeline project to go around EU legislation.

With the latest decision by Bulgarian lawmakers, the South Stream segment passing through the country is given the status of a gas grid interconnection.

After three-hour-long debates on Thusday and a vote Friday, it was also stated that the pipe section entering Bulgaria's territorial waters (which will measure about 14 km) will obtain a legal status of "not crossing European territory," Bulgarian agency Mediapool has reported.

These legal loopholes cancel Bulgaria's obligation to provide third-party access to its South Stream section, thus excluding its parts of the pipeline from the EU's Third Energy Package.



Este ano está a ser um boom para os pipelines russos em direcção à Europa, e a Ucrânia deu o empurrão necessário aos políticos mais resistentes. Algo que de certeza não estava nos planos, para quem planeou esta confusão.

Este é mais um artigo onde se mostra que a Rússia e a Europa convergem a nível energético, apesar do todo o "ruído" gerado à nossa volta. 

Não podemos ir pelo o que eles dizem, temos que ir pelo o que eles fazem.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nord Stream Pipeline: O Dia Chegou


Nord Stream Pipeline




Hoje o pipeline começa a ser abastecido com gás russo. Para a Europa é uma boa notícia, existe mais diversificação de linhas de abastecimento, para a Rússia é importante a vários níveis, pois diminui a importância dos países trânsito, como a Ucrânia e a Bielorússia, aumenta a capacidade de fornecer gás à Europa, aumenta a influência política sobre a Europa, especialmente países com ligações militares à NATO e bastante hostis para com a Rússia.

Para os países Bálticos, Polónia e Rep. Checa, o activar deste pipeline permite à Rússia fazer o bypass dos mesmos e alimentar na mesma a Alemanha, situação que não era possível até agora. Mas a pior situação é mesmo para a Ucrânia. Sendo o principal país de trânsito de gás russo, o país vai agravar ainda mais a sua situação económica.



Vladimir Putin e Gerhard Schroeder os criadores do Nord Stream



A Ucrânia neste momento, apesar do desconto já paga mais de 300 dólares e este é um valor incomportável para o país. Sendo que por aqui passa 80% do gás russo, será este o país que irá ver diminuido a sua componente de trânsito, o que irá implicar também perdas de receita que são cobradas pela passagem do gás em direçcão à Europa.

A Ucrânia está neste momento a colher as tempestades que semeou com a anterior administração. O facto do presidente anterior ter entrado em rota de colisão com a Rússia, a tentativa de levar a NATO para o país e a situação do corte do gás russo, ditaram o futuro do país.

Neste momento não vejo alternativas para a Ucrânia senão ceder aos desejos russos, o que irá obrigar a perder muito do seu património e vão ficar dependentes destes por muitos anos. Este é o preço a pagar e ao mesmo tempo é um aviso à navegação aos outros países a que está a ser feito o bypass, países que coloquem em causa a segurança da Rússia (como a questão sistema anti-míssil) vão ter penalizações de energia. Podem a Polónia e a Rep. Checa arriscar viver sem o gás russo?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Nabucco: Um Pipeline Em Dificuldades II


Nabucco

Com tantas situações a acontecer neste mundo, muitas notícias passam despercebidas, mas a diversificação de fontes energéticas por parte da Europa estão cada vez mais complicadas. O Nabucco é a mais importante alternativa ao gás russo, mas esta alternativa é composta por países com uma série de problemas, situados em zonas "quentes" do Globo. O Irão é constante nas notícias, a Geórgia toda a gente sabe o que por lá se passou, o Azerbeijão necessita de fazer ligações com outros países e as ligações são problemáticas, os pipelines para a China já estão a funcionar.

Os países europeus não se entendem por onde deve passar o pipeline, o fornecimento para o pipeline não está garantido e o financiamento para o mesmo também não. O tempo passa, os problemas económicos na Europa são mais que muitos e o pipeline não arranca. Mas a Europa continua a consumir energia e a tendência é para aumentar. A energia tem que vir de algum lado, mas a hipótese do Nabucco parece cada vez mais complicada, o que se confirma com as notícias mais recentes:


Nabucco faces cost surge

The Nabucco pipeline consortium has discreetly postponed its final investment decision by another year, this time until early 2012, with construction to start in 2012 "at the earliest". The investment decision had previously been postponed in October 2010 for 2011, targeting this year's first or second quarter...

...The main reasons behind it include: a significant challenge to Nabucco's official cost estimate, tardiness in accessing Turkmen gas, and unresolved competition between Nabucco and two other transportation projects over priority access to Azerbaijani gas.

On February 21, BP's challenge to Nabucco's official cost estimate... BP apparently evaluates the Nabucco pipeline's construction costs at 14 billion euros (US$19 billion), a far cry from the Nabucco project management's estimate of 7.9 billion euros...

link


Ora temos aqui já indicações da situação grave em que se encontra este pipeline. A decisão do investimento foi adiada por mais um ano, portanto decisão de investimento vai ser possivelmente feita em 2012, quando era suposto a fase de construção começar em 2010...

Além disso temos agora a BP a dizer que os custos são perto do dobro que estava previsto, portanto passamos de 7.9 Mil Milhões de euros para 14 Mil Milhões. O artigo indica que o Consórcio Nabucco contesta esta estimativa mas dias depois uma nova notícia sai que faz indicar que realmente a estimativa da BP está correcta.


RWE, OMV, Nabucco Pipe Partners Must Each Give $2.3 Billion in Guarantees

The six companies planning the Nabucco pipeline to bring Caspian gas to Europe will each have to arrange 1.7 billion euros ($2.3 billion) in guarantees for the project, according to RWE AG (RWE), one of the project’s partners...

link

Como podemos ver por esta notícia, é pedido aos seis parceiros envolvidos no projecto, 1.7 Mil Milhões de euros em garantias. Isto perfaz um total de 10.2 Mil Milhões. E se eles querem esta soma garantida para arranque do projecto, quer dizer que este pipeline vai ter um custo bem superior ao que andam a dizer que custa.

Isto mostra claramente a aventura que este pipeline está a ser. Este pipeline não tinha um custo inicial de 7.9 Mil Milhões, este pipeline começou com uma estimativa de 4.6 Mil milhões e estamos agora a ser confrontados com um aumento acima dos 300%, e isto com as diiculdades económicas que a Europa atravessa, a instabilidade do fornecimento com a crise nos países árabes e o aumento da energia.

A Europa ao ter hostilizado a Rússia, criou mais problemas no seu fornecimento energético. A Rússia apresenta-se como o maior fornecedor da Europa, o mais estável e a Europa empurrou a Rússia para a China. Agora a Europa tem que competir pelo fornecimento com a China e isto coloca a Rússia numa posição negocial muito forte e vai colocar a Europa numa situação delicada sempre que queira negociar com a Rússia.

Uma vez mais temos a Europa no meio de um braço de ferro, onde de um lado os EUA exercem uma grande pressão tanto por meios politicos como por meio da NATO, por outro temos a Rússia usando a sua "arma" energética.

Grande parte da culpa desta situação de falta de diversidade energética europeia reside na própria Europa que não tem mecanismos fortes para actuar como uma entidade só. Se hoje não temos mais sérios problemas energéticos, não é graças a a acções europeias. Se a Ucrânia não tivesse mudado a sua orientação política, se a Rússia não tivesse proposto o Nord Stream à Alemanha, como é que a Europa estaria hoje a resolver a sua diversifidade energética?

Hoje, o maior fornecedor da Europa, diversificou a sua carteira de clientes com a abertura de pipelines para a China/Ásia.

E a Europa? o que fez entretanto para não estar tão dependente de um fornecedor?

sábado, 4 de setembro de 2010

Sistema GPS Russo A Um Passo Dos 100%

Com o lançamento de mais 3 satélites a 2 de Setembro, a Rússia ficou a um pequeno passo de ter o seu sistema GPS (GLONASS) completamente operacional. Actualmente com 26 satélites no espaço, com o activar destes 3 satélites, 23 satélites irão estar em funcionamento, com 3 de reserva. o GLONASS precisa de 24 satélites activos, o que significa que necessitam apenas de mais um activo, para o sistema estar a 100%. O que será ainda este ano, caso os próximos lançamentos corram bem, pois está previsto lançar mais 4 satélites este ano, ficando o sistema com 30 satélites no espaço.

As implicações disto são várias. Há 10 anos atrás, este projecto foi considerado prioritário, ficando previsto que ficaria online em 2011, a altura chegou e o sistema está aí. Para além do prestígio de ser a segunda nação no mundo a possuir um sistema GPS, a Rússia cilindrou completamente o projecto GPS Europeu (GALILEO). O sistema Europeu que arrancou mais a sério a rondar o ano de 2002, PREVIA que o lançamento dos satélites começasse em 2006 e todo o sistema estaria pronto em 2010. Chegámos a 2010 e a realidade bate-nos à porta. A Europa ficará feliz se o conseguir fazer nesta década 2010-2020, antes dos chineses (este também estão a planear construir um sistema destes) que pretendem ter o seu GPS em 2020.



Chegada de um dos satélites GLONASS-M

Para a indústria russa este também é um acontecimento muito importante, pois estamos a falar em sectores de alta tecnologia que a Rússia domina e está em expansão, basta ver as novas versões dos satélites GPS, cada vez mais avançadas. Com entrada deste sistema em funcionamento teremos novas aplicações que poderão usá-lo. É todo um sector que requer tecnologia e know how especializado e que terá todas as condições para evoluir.

Mas as grandes implicações são militares. A Rússia passa a ter um sistema GPS de cobertura global, o que quer dizer que todas as suas armas que possam usar o sistema GPS, podem ser usadas em QUALQUER parte do mundo. Para os EUA o arranque deste sistema é deveras preocupante. Até hoje os EUA mantinham o controlo do único sistema GPS existente, e que o mundo inteiro pode usar mas em caso de necessidade/conflito os EUA barravam o sinal. Agora em caso de conflito, qualquer nação, incluindo o oponente tem um sistema de GPS disponível.



Instalação dos painéis solares

Para compreender o impacto disto, basta pensar que um dos atrasos do GALILEO, foi (e é) a pressão americana, para controlar também o sistema europeu caso existisse conflito de modo o sinal GALILEO seja também barrado, para oponentes americanos. O problema é que o sistema europeu nasce exactamente por haver necessidade de um sistema GPS sempre disponível para o sector civil que cada vez mais depente e que não se compadece com guerras. A pressão é tão grande que os EUA chegaram a ameaçar destruir satélites europeus caso houvesse necessidade disso. E somos parceiros...

Com a entrada do sistema russo, os EUA não têm como fazer pressão. São dois oponentes com necessidades semelhantes e a Rússia vai actuar de acordos com os seus próprios interesses.




Preparação do foguetão Proton-M

Mas o panorama é grave. A Rússia está a exportar uma série de mísseis, bombas e outros tipos de material militar com capacidade de usar o sistema GLONASS, o que significa que qualquer nação os pode comprar (e usar, pois não podemos esquecer que a cobertura é global) e os EUA não tem como neutralizar esse sistema, tornando ainda mais complicado qualquer actuação.

Se o mundo ocidental está equipado com armas formidáveis, sendo a maior parte proveniente dos EUA, o resto do mundo cada vez tem melhores opções vindas de uma Rússia cada vez mais forte.






lançamento do foguetão Proton-M




Representação de colocação no espaço

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Renascer da Indústria Aeronáutica Civil Russa II

MS-21

No ano passado o Sukhoi Superjet fez a sua estreia numa das maiores feiras internacionais, o Le Bourget Air Show 2009, agora assistimos a novos avanços neste sector tão importante para a Rússia.

O Farnborough Air Show 2010 foi uma feira com resultados bastante positivos. O Sukhoi Superjet vendeu e outros modelos também foram encomendados o que mostra que a Rússia está bem encaminhada para entrar de novo neste mercado onde o clube de construtores é muito restrito.

A Rússia fez-se notar pelas vendas conseguidas, pois não é costume atingir este tipo de volume de vendas.

Brazil, Russia win Farnborough's small jet orders

Brazilian and Russian firms won the race for small regional jet orders at the Farnborough airshow on Wednesday, leaving new player Japan and Canada's Bombardier trailing badly.

Airlines and leasing companies splashed out billions of dollars on planes carrying around 100 passengers from Brazil's Embraer and Russia's Sukhoi but sat tight on Mitsubishi's new planned jet and Bombardier's CSeries...

...Russian aircraft maker Sukhoi said Wednesday it had sold 30 single-aisle Superjet 100s worth more than 900 million dollars (702 million euros) to leasing group Pearl Aircraft Corporation.

Pearl also has an option to buy 15 more of the planes...

...Sukhoi, renowned for its military aircraft, also announced at the biennial Farnborough event the sale of 30 Superjet 100s to Indonesian regional carrier Kartika Airlines...

link


Detalhes do que a Rússia conseguiu vender neste evento:

- 10 Antonov AN-158 com opção de compra para mais 10 pela Ilyushin Finance

- 12 Sukhoi Superjet com opção de compra para mais 10 pela companhia tailandesa Thai Airlines

- 30 Sukhoi Superjet pela Kartika Airlines da Indonésia

- 15 MS-21 pela VEB Leasing

- 3 Antonov AN-148 com opção de compra para mais 2 pela Nordvik

- 50 MS-21 pela Crecom Burj Resources da Malásia

- 28 MS-21 com opção de compra para mais 22 pela Ilyushin Finance

- 15 MS-21 com opção de compra para mais 15 pela VEB leasing

- 3 MS-21 com opção de compra para mais 2 pela Nordwind

- 30 Sukhoi Superjet com opção de compra para mais 35 pela Pearl Aircraft Corporation

- 10 Sukhoi Superjet pela Gazpromavia

Estão aqui referidos mais de 300 aviões. Para a Rússia isto são valores de envergadura e se conseguissem uma carteira de encomendas semelhante todos os anos, esta indústria arrancava de certeza e com força.

Além da boa performance de vendas demonstrado pelo Sukhoi Superjet a novidade este ano está num outro avião, o MS-21 que surpreendentemente recebeu um importante pacote de encomendas.

MS-21

O MS-21 corresponde já a um patamar acima do Sukhoi Superjet. Se o Sukhoi Superjet vai competir principalmente com a Embraer e a Bombardier, o MS-21 entra no segmento acima onde estão os dois grandes competidores, a Airbus e a Boeing. O MS-21 vai estar ao nível do Airbus A320 e o Boeing 737.

MS-21

Se estes dois projectos conseguirem vingar, nos próximos anos veremos novos modelos de maiores dimensões que irão entrar em competição directa com a Airbus e a Boeing, o que irá gerar milhares de postos de trabalho e sendo muitos deles para mão de obra qualificada.

A Rússia caminha para ver a sua indústria aeronáutica civil renascer.


Leitura recomendada:
Boeing's workhorse 737 must confront new competitors
Both Boeing and Airbus face a tough strategic decision: how to handle the immediate threat from the CSeries and, further out, the proposed Chinese C919 and Russian MS-21 narrow-bodies, all powered by new, highly efficient engines...

Aeroflot Is Pressed to Buy Russian
...The most recent Russian civilian aircraft project, a 150-seat airliner that would compete with the Airbus A320 family, is the first to reflect the Russian industry’s reorganization...

Russian planemakers eye global markets
Desperate to shed its Soviet Union image as a manufacturer of clunky airliners, Russia is eager to become a significant player in the global civil aviation market...


Artigo Anterior
O Renascer da Indústria Aeronáutica Civil Russa I