segunda-feira, 7 de julho de 2014

Rússia: A conquista de novos territórios II

Nova Plataforma "Berkut", uma das maiores do mundo
 
Uma vez mais, e enquanto se olha para a Ucrânia, a Rússia avança em gigantescos projectos de fazer dinheiro. Esta plataforma gigantesca, escapa às sanções porque a Exxon Mobil está envolvida no projecto. O que mostra uma das dificuldades em colocar sanções na Rússia. Devido a partilha de projectos como este, com grandes companhias estrangeiras, a influência política desses países, diminui com a perspectiva de perda de lucro, ou mesmo avultados prejuizos.  



Vamos dar uma olhadela para este gigantesco projecto. Ele não é só grande. Ele não é apenas partilhado por outras companhias estrangeiras. Esta plataforma está preparada para condições extremas no Àrtico, estando a ser usadas novas técnicas.

 
E não é só na nesta plataforma que estão a ser usadas novas técnicas. A Rússia está a captar novas técnicas de construção de plataformas deste tipo, está a forçar países a acautelarem os seus investimentos (pouca vontade política em apoiar sanções), portanto novas técnicas políticas.
 
E o que considero bastante interessante, estão a testar técnicas de captação de mais território. Para onde vai esta plataforma operar? no Mar de  Okhotsk. Exactamente na àrea onde a Rússia conseguiu conquistar mais território.
 
 
Esta plataforma só foi para o seu destino após a Rússia ter conquistado o seu território. O que me faz pensar que esta foi a técnica que a Rússia usou para obter o que quis. Acenar com muitos lucros a quem iria participar no projecto, de modo a obter na ONU o reconhecimento do território como seu. 



"Berkut is specially built to cope with brutal subarctic conditions. Scientists studied the effects of sea ice and it uses a new concrete ice protection belt which is a first, is cheaper and provides better protection. The platform can handle 60-foot waves, the pressure of over six-foot of ice, temperatures as low as minus 47.2 Fahrenheit and a magnitude 9 earthquake."


“The opening of this oil platform marks a significant event, as it is the largest platform in Russia and one of the most technologically advanced drilling platforms in the world,”



A Rússia está a testar novas técnicas, para a grande conquista, o controlo de uma gigantesca zona do Ártico. E está a preparar-se seriamente para isso, desde a abertura de novas bases, patrulha aéreas/marítimas, novos quebra-gelos nucleares, etc.
 
A situação ucraniana é apenas a ponta do "iceberg" das várias ramificações das actividades da Rússia.
 
Estamos a assistir a alterações significativas e de longo prazo e que terão impacto a nível planetário.

sábado, 28 de junho de 2014

Rússia: A conquista de novos territórios

Um quebra-gelos nuclear seguido de um cruzador nuclear 
 
Neste momento estamos demasiado focados na Ucrânia e não nos apercebemos que novos territórios para a Rússia não significa apenas a Crimeia, a coisa é mais global, e é isso que pretendo chamar a atenção com este artigo.
 

Dois dos maiores quebra-gelos nucleares foram usados para abrir caminho à frota
 
Uma das zona de grande foco por parte da Rússia é o Ártico que, com todo o seu potencial e riquezas, está a ser feito um unorme investimento para controlar o máximo que puderem, de modo a extrair a suas riquezas e garantir o seu controlo. Recentemente foi aberto uma nova base fica aqui alguns detalhes de como foi feito.
 
Esta frota leva equipamento para abertura de uma nova base na região do Ártico
 
A Rússia, prepara tropas para combate no Àrtico, abre novas bases e patrulha os céus.
 
Four Russian Strategic Bombers In Artic Air Patrol
KOTELNY ISLAND, the Arctic region. March 14 (Interfax) – Four Russian Tupolev Tu-95MS strategic bombers, which embarked on a patrolling mission over the Arctic Ocean on Thursday, will fulfill this task for 24 hours and will be refueled in mid-air, Russian Air Force Commander Viktor Bondarev told reporters during drills of the 98th Ivanovo Airborne Troops division...
 
Tu-95
 






A Rússia está a fazer grandes investimentos para garantir o controlo de uma vasta zona do Ártico e prepara-se para na minha opinião fazer um grande avanço, sobre controlo territorial. Passo a explicar porquê:
 
No mar de Okhotsk, a Rússia obteve um importante trunfo na Nações Unidas, para obter um pouco mais de território, numa zona extremamente rica.
 
On 15 March the Russian Minister of Natural Resources and Environment, Sergey Donskoy, announced that the UN Commission on the Limits of the Continental Shelf had recognised a section of the Sea of Okhotsk as part of his country’s continental shelf. The enclave, off Russia’s eastern coast, covers a 52,000 square kilometre area of fishing waters estimated to be rich in oil and gas reserves.


A nova "conquista" russa, este pedaço de território "The Peanut Hole" terá um grande impacto
nas nações que rodeiam esta parte do globo.

Apesar de parecer algo insignificante, dado o tamanho que se vê nestas imagens, não podemos deixar de enganar, este pedaço de território uma das mais importantes zonas de pesca do mundo, onde várias nações vão deixar de ter acesso, causando um grande stress a várias nações nas redondezas.
 
 Um pedaço extraido do Wikipedia, mostra um pouco da realidade pesqueira:
 
"Thirty-nine Polish supertrawlers burst into the Sea of Okhotsk... followed by nine large South Korean trawlers and almost the entire Chinese fishing fleet. Somewhat later, fishing ships from Japan, Panama, Bulgaria, and Ukraine appeared... A wild revelry began... foreign fisherman set to clearing out the wealth of the northern sea."
 
Em termos de acesso a recursos do mar, a Rússia obteve uma importante vitória, numa zona extremamente rica e disputada.
 
Mais, vai fazer-se respeitar e sinalizar a todos que esta zona passou a ser território russo. Tal como já passou a sinalizar a quem para ali vai espreitar:
 
U.S. official: 'Dangerous' Russian jet fly-by was 'straight out of a movie'
 
A Russian fighter jet buzzed dangerously close to a U.S. military plane in April, a U.S. official said Tuesday, describing the fly-by as "straight out of a movie."
 
The Russian jet flew within 100 feet of the nose of a U.S. Air Force reconnaissance plane over the Sea of Okhotsk between Russia and Japan, a Defense Department official said.
The fly-by "put the lives of the U.S. crew in jeopardy," the U.S. official said, calling it "one of the most dangerous close passes in decades."
 
The incident occurred on April 23, the Defense Department official said, when a U.S. Air Force RC-135U aircraft flying on a routine mission over the Sea of Okhotsk was intercepted by a Russian Su-27 Flanker aircraft.
 
The Russian aircraft turned and "showed its belly" to the U.S. crew so they could see it was armed with missiles, a U.S. military official said Tuesday.
The United States did not originally discuss or reveal the incident publicly because it chose to deal with it privately with Russian officials, the military official said.
 



Estes recentes movimentos russos que acabam por passar despercebidos, dada a situação na Ucrânia, são para mim um prenúncio sobre o que aí vem, algo muito maior e contendo ainda mais riquezas, o "assalto" ao Àrtico.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

South Stream Continua A Somar Pontos




Eu gosto de insistir nas relações entre a UE e Rússia no que respeita a energia, e uma vez mais, provas são dadas dessa relação, curiosamente no mesmo dia em que mais sanções são ditadas...


Gazprom to Build Pipeline to Austria as Gas Beats Tensions

OAO Gazprom (OGZD) agreed with oil and gas producer OMV AG (OMV) to extend a planned natural gas pipeline into Austria, on the same day the European Union expanded sanctions against Russian officials...

...Europe imports about 30 percent of its gas from Russia, and half that amount flows through Ukrainian pipelines, making it essential to European energy security.

“The need for construction and the benefits of South Stream project for Europe are patent,” Miller said in the statement. The pipeline “is aimed at enhancing energy security of the European consumers.”...

OMV, which began importing Russian gas in 1968, said the deal will significantly increase Austria’s security of gas supply and strengthen Baumgarten’s role as a gas hub for central and eastern Europe.

“The international development shows once again that in the long term, we not only have to diversify our energy sources, but also our supply routes,” Austrian Economy Minister Reinhold Mitterlehner said in a statement.

Austria’s South Stream section will be jointly owned by Gazprom and OMV, according to Kurier. The companies will split the project’s financing, estimating in the “triple-digit-million euros,” according to the report.


Aproveito para referir algo que foi dito no artigo e que venho a insistir há muito tempo, a Europa precisa de diversificar as suas fontes de energia, mas TAMBÉM as rotas de fornecimento. Na guerra do gás entre a Ucrânia e a Rússia, onde o fornecimento acabou por ser totalmente cortado, a imprensa e políticos sempre insistiram na imagem negativa da Rússia como fornecedor de energia, NUNCA puseram em causa a responsabilidade da Ucrânia como país trânsito. No entanto agora são declarações como estas que se confirma o que aconteceu na altura, os clientes continuam a procurar a Rússia, mas querem alternativas à Ucrânia como país de trânsito.

Eu na altura ainda tentei remar contra a maré de informação que andava por aí, nos posts que colocava no Expresso online. Fui à procura e ainda lá está a minha tentativa de que as coisas não são como nos querem vender.


E um post meu, acho que o primeiro aqui no blogue, acerca deste assunto: 




domingo, 20 de abril de 2014

Mar (Russo) Negro



O Mar negro tem estado a assistir a mudanças bastante significativas nos últimos anos, com os avanços da NATO, da Rússia, e no panorama de transporte de energia. Fiz uma sequência de imagens para melhor se perceber as alterações que têm estado a ocorrer, e recorro a um exemplo, o investimento militar russo a nível de submarinos para se perceber o que a Rússia está a fazer, para evitar perda de influência nesta zona tão importante para os interesses do país.

fig. 1 - Mar Negro, a Rússia ficou com uma pequena parcela

Esta imagem mostra o Mar Negro nos primeiros anos da década passada. A Rússia tem uma pequena parcela de mar, a sua base principal num outro país, ou seja a Ucrânia, e a NATO apenas num país, o que maior parcela tem de mar, ou seja a Turquia. Por esta altura, a Rússia tinha no Mar Negro, apenas um submarino dos anos 90. Mas algo estava a formar-se...

fig. 2 - Ver o grande avanço em 2004

Em 2004, temos uma grande expansão da NATO que tanto afecta o Mar Báltico e o Mar Negro. Enquanto a Rússia estava ocupada em parar o seu declínio, a NATO/EUA estavam a avançar em grande velocidade, abrindo um corredor em direcção ao Mar Cáspio, muito rico em petróleo. Com a entrada da Roménia e Bulgária, o Mar Negro estava a ficar cada vez mais um mar sob o controlo da NATO, com nítida perda de influência russa. Para agravar a situação, os EUA estavam a dar apoio militar/político à Geórgia/Azerbaijão, muito necessário pois estava a ser construido o 1º pipeline americano (BTC) que iria aceder ao Mar Cáspio. Com estes avanços, e dado que para a NATO entrar na Geórgia, não poderia haver problemas dentro do território, o país começou a acelerar a resolução das regiões separatistas, o que agudizou ainda mais a já tensa relação com a Rússia.

Com a revolução rosa, Saakashvili, entra em cena, acelerando a resolução das coisas. Uma das regiões separatistas é recuperada, a Adjária, tendo os russos que fechar a sua base e retirarem-se da zona. Com o massivo apoio militar dos EUA, o caminho estava aberto para se resolver definitivamente a questão das regiões separatistas, numa altura em que o pipeline americano (BTC) já estava em funcionamento, numa zona hostil, ou seja na área de influência russa.

Em 2008, foi feita a tentativa de à força recuperar os territórios, e a coisa correu mal. Muito mal. Em 2008, já a Rússia estava a percorrer um caminho ascendente e respondeu à letra, à última jogada de Bush, pois este estava de saída, com todo o desgaste que tinha das várias guerras que tinha começado e o futuro era com os democratas, entrando Obama logo de seguida. A Rússia nesta jogada, impediu a entrada da NATO, pois a Geórgia sofreu uma perda efectiva de integridade territorial.


 fig. 3 - A Rússia começa a expandir-se

A Rússia está a aumentar a sua força e precisa de novos armamentos, para controlar de modo mais eficiente o Mar Negro. Um dos seus investimentos é na sua frota de submarinos. Até aqui apenas um submarino estava alocado a este mar e a coisa iria mudar em breve.

A Ucrânia, (outro país à beira de entrar na NATO), anos depois tentam forçar a situação de novo. A revolução laranja não obteve os resultados pretendidos, agora iria-se tentar de outra forma. O surpreendente foi a reacção da Rússia. Com uma velocidade impressionante e eficaz, a Rússia abraça a Crimeia, impedindo deste modo a entrada da NATO e alterando o panorama no Mar Negro. Com este passo, a Rússia é o pais detentor da maior área, apenas ultrapassada pela Turquia. Agora é preciso uma marinha capaz de proteger toda esta nova zona.

fig. 4 - 1º submarino com destino ao Mar Negro

A Rússia já tinha começado a construção de novas embarcações com destino ao Mar Negro, e curiosamente é a partir deste ano, que vamos assistir às entregas. 6 submarinos estão previstos, com entrega entre 2014 e 2016. Ou seja o panorama está a mudar imenso, os submarinos vão ser uma grande dor de cabeça para frotas que resolvam entrar neste mar.

fig. 5 - A nova realidade que se está a formar

Neste mapa podemos ver as profundas alterações que se estão a formar. A NATO não conseguiu avançar para o Mar Cáspio, a Rússia aumentou de forma brutal a sua àrea de mar (devido à Crimeia) e está a infestá-lo com novos armamentos. Falta adicionar neste mapa, algo que penso que também vai acontecer e já o referi num outro post. A alteração do traçado do South Stream, de modo a não entrar na Zona Exclusiva da Turquia.


fig. 6 - As novas fragatas em construção, 6 para o Mar Negro

fig. 7 - Pelo menos um Porta-Helicópteros Francês (dos 4 encomendados),
 está destinado para o Mar Negro, e o 1º estará pronto ainda este ano.


O cenário do Mar Negro, mostra o quanto a Rússia está a mudar. A Rússia está a actuar em várias frentes simultaneamente e vamos assistir a muitas mudanças nos próximos anos. 

Infelizmente as relações EUA/Rússia, só terão um caminho: uma progressiva deterioração até conseguirem achar um ponto de equilíbrio.

domingo, 6 de abril de 2014

Crimeia e o South Stream


Vamos começar por analisar esta imagem, relativamente ao pipeline. O South Stream sai da Rússia e vai a direito à Bulgária. Realmente, é rota mais eficiente a direito, e... passando ao lado da Crimeia ou seja por território ucraniano.

Mas estes pipelines, o Nord e South Stream foram desenhados exactamente para fazer o bypass  a países trânsito problemáticos, sendo o principal problema, exactamente a Ucrânia...

Então o que foi feito? um "ligeiro" desvio como se pode ver na imagem abaixo, não entrando na zona económica exclusiva da Ucrânia, dando a volta necessário (com os custos associados) até chegar à Bulgária.


 
A rota do South Stream não entra na Zona Exclusiva da Ucrânia


 Embora se tenha evitado a passagem pela a Ucrânia, não se conseguiu contornar outro problema, ou seja, a Turquia. A Turquia, é uma das peças chave para contornar a Rússia no que torna a fornecimentos energéticos, o Nabucco passa pela Turquia e este país sempre esteve bastante activo no que toca à Geórgia, tentanto afastar a influência russa desta.

Portanto, ao "atacar-se" o Nabucco, a Turquia acaba por ceder às pressões russas e dá luz verde para passar pela sua zona económica em 2011, como podemos ver neste artigo:

South Stream pipeline gets Turkey green light

Turkey has given permission for the South Stream gas pipeline to be built across its territories, giving the project a clear run into the lucrative energy markets of Europe.

It will now be able to bypass Ukraine, which had failed to reach an agreement with the pipeline's owners.

Gazprom has a 50% stake in the project, Italy's Eni 20% and France's EDF and Germany's Wintershall 15% each...


Portanto neste momento, a Turquia é peça chave para a viabilidade do South Stream, um país que a Rússia não quer estar dependente, devido às suas próprias ambições, que colidem com os interesses russos.

Só que agora temos a situação da Crimeia...

E com a anexação por parte da Rússia, uma passagem a direito deixa de atravessar a Zona Económica Ucraniana, a Zona Económica Turca e vai directamente para a Bulgária. Os russos com esta acção, permitiu-lhes um novo leque de possibilidades e um maior controlo do Mar Negro.


As 3 rotas estudadas pela Gazprom

Muito possivelmente a Europa, ao abrigo das sanções devido à situação da Crimeia, vão suspender o South Stream. O tempo suficiente, para a Rússia mudar a rota do pipeline...

Europa e Rússia juntas na Energia


Esta imagem elucida claramente, a quem se pretende fornecer energia
e a quem não se quer...


Apesar de tudo o que se passa na Ucrânia, o que se vê são as ligações energéticas a aumentar entre ambos.

Algo que passa despercebido, na imprensa, que não compreende as necessidades massivas que a Europa necessita em termos energéticos. Não é fácil para a Europa arranjar um outro fornecedor que tenha a capacidade e estabilidade de fornecer energia nas quantidades requeridas e que são crescentes ao longo dos anos.

A juntar isto temos a diminuição de capacidade de produção energética dentro da Europa e a opção alemã de se afastar da energia nuclear. Tudo isto requer energia adicional, algo que a Rússia tem em abundância e deseja fornecer.

Como tal dois grandes pipelines foram desenhados, um dos quais já está em funcionamento. O Nord  Stream e o South Stream. O investimento russo neste pipelines, demonstra os seus desejos, deixar de estar dependente de países trânsito, hostis à Rússia ou em perspectiva de o ser. A Rússia passa a fornecer a quem não seja hostil para com ela ou seja, algo como a "Velha Europa".

Para mostrar que as coisas estão a avançar, deixo aqui alguns artigos, que demonstram o que realmente a Europa anda a fazer, ou seja, prepara-se para receber ainda mais gás russo, mas fazendo o bypass por países terceiros.

Ambos beneficiam, a Rússia deseja vender e a Europa quer estabilidade energética, as ligações são directas para os países que assim o desejam. Neste modo vemos aumentada a segurança energética na Europa ou parte dela.

Nord Stream

Este pipeline, (curiosamente devido à situação ucranina, pois alguns europeus começaram a ver que a situação poderia escalar perigosamente), foi dada a luz verde pelos europeus para o aumento do fornecimento e este  passou a poder toda a sua capacidade.

A situação não deixa de ser curiosa, porque a Europa estava a fazer pressão sobre a Rússia, devido ao controlo do fornecimento de energia, tal como se pode constatar neste artigo de 2013:

Gazprom reclama sobre carregamento incompleto do Nord Stream

O terceiro pacote energético, que está vigorando no território da União Europeia, permite à gigante estatal russa Gazprom utilizar o gasoduto Nord Stream apenas a meio, declarou o vice-presidente do monopólio de gás russo, Alexander Medvedev... 

[Link]

Mas em Janeiro de 2014, já com a Ucrânia a "arder" e sem se saber o rumo que a situação vai tomar, a Europa mudou a sua posição como podemos constatar:


EC to agree on Russia’s Gazprom access to OPAL by end-Feb

The European Commission plans to agree on the access of Russian gas major Gazprom to the E.U.’s OPAL pipeline by the end of February, and Germany will decide on the issue in March, E.U. Energy Commissioner Gunther Oettinger told reporters on Friday, as cited by RIA Novosti...

...The European Commission earlier allowed Gazprom to use no more than 50% of OPAL’s capacities, which is plugged into its Nord Stream undersea export pipeline and stretches along Germany’s eastern border, in accordance with the third energy package. Gazprom intends to reach an agreement and exceed the set limit of 50%.



Ou seja, a Comissão Europeia preparava-se para deixar de estrangular a Gazprom e desta maneira acaba por demonstrar que não irá conseguir fazer pressão sobre esta, o que acaba mesmo por acontecer logo a seguir como o podemos constatar:

Russia agrees on access to 100% of Germany’s OPAL pipeline

Russia has agreed with the E.U. to use 100% of capacities of the OPAL gas pipeline, plugged into the Nord Stream pipeline system, instead of 50%, President Vladimir Putin said late on January 28, Prime has reported...


 A Europa ao permitir este aumento brutal do Nord Stream, assinala a todos os interessados que se prepara para as instabilidades de fornecimento na Ucrânia, instabilidades essas que se adivinham por um longo tempo, ou seja o próximo Inverno, ninguém sabe como estaremos, mas uma coisa é certa, não se vai contar com a Ucrânia.

O fornecimento através deste pipeline tem aumentado e dada a sua capacidade, teremos que ver as estatísticas em 2015.

Gas through Nord Stream exceeds 800 billion cubic feet

Gas deliveries through the twin Nord Stream pipelines from Russia through the Baltic Sea exceeded 800 billion cubic feet last year, the project's operator said...

Overall, Russian natural gas deliveries to Europe in 2013 were more than the previous year, the state-owned news agency reported Monday.

The Nord Stream lines are each designed to transport a maximum of 1.9 trillion cubic feet of natural gas annually.


Além deste aumento, a Gazprom pretende ainda aumentar mais a capacidade de transporte, construindo novas linhas no Nord Stream, duplicando a sua capacidade, ou seja a Rússia demonstra que quer acabar com a sua dependência de países trânsito e ainda aumentar a sua capacidade de pressão política.



South Stream


Bom, e quanto ao South Stream? o desenvolvimento deste é ainda mais interessante. O South Stream tem sido duramente atacado, para que não avance, sendo dado primazia ao pipeline Nabucco, este com o patrocínio americano.

Só que com a situação da Ucrânia, na minha opinião, o Nabucco foi enterrado definitivamente e o South Stream, bom, o South Stream, "explodiu" ao acelerar na sua construção para estar o mais rápidamente possível pronto, para desgosto de muita gente...

Saipem Rises After Signing South Stream Pipe Accord With Gazprom

Saipem SpA (SPM), Italy’s largest oil-service provider, rose the most in a week in Milan trading after signing a 2 billion-euro ($2.8 billion) contract to build the first link in the South Stream natural gas pipeline to Europe.

...Construction of the subsea pipeline is due to begin in the European autumn...

...Energy concerns have arisen again this month following the ouster of Kremlin-backed Ukraine President Viktor Yanukovych, sparking a move by pro-Russian forces into Crimea...

...South Stream’s first link, scheduled for completion by the end of 2015...

...Eni SpA (ENI), Wintershall AG and Electricite de France SA are also partners in the project...


Este último parágrafo é bastante elucidativo, sobre quem está de volta deste pipeline. Russos, Alemães, Franceses e Italianos. O peso político de cada um destes na Europa é esclarecedor, do caminho que os pipelines russos vão tomar.

E se dúvidas temos sobre isto, é ver o que está acontecer agora com os Búlgaros:

Economy Minister: Let’s unite for the South Stream

As the Nabucco project was stopped, Bulgaria has to direct all efforts to the South Stream to become energy- independent in any future interstate conflict, Minister of Economy Dragomir Stoynev told lawmakers at the meeting of the economic committee of the parliament.

"Rich countries in Europe already have the Nord Stream, so let the poorer southern get the South Stream "said Stoynev

The trans-European pipeline with an underwater section going across the Black Sea is expected to start operating in December 2015, shipping up to 63 billion cubic meters of gas annually to Bulgaria, Serbia, Hungary, Slovenia, Austria, Italy, Croatia, Macedonia, Greece and Turkey.



E o resultado deste esforço? a aprovação e um "golpe de rins" para ultrapassar as questões europeias, como se pode verificar...

Bulgarian MPs Agree to Change South Stream Status

MPs approved changes to Bulgaria's Energy Law which allow for the South Stream pipeline project to go around EU legislation.

With the latest decision by Bulgarian lawmakers, the South Stream segment passing through the country is given the status of a gas grid interconnection.

After three-hour-long debates on Thusday and a vote Friday, it was also stated that the pipe section entering Bulgaria's territorial waters (which will measure about 14 km) will obtain a legal status of "not crossing European territory," Bulgarian agency Mediapool has reported.

These legal loopholes cancel Bulgaria's obligation to provide third-party access to its South Stream section, thus excluding its parts of the pipeline from the EU's Third Energy Package.



Este ano está a ser um boom para os pipelines russos em direcção à Europa, e a Ucrânia deu o empurrão necessário aos políticos mais resistentes. Algo que de certeza não estava nos planos, para quem planeou esta confusão.

Este é mais um artigo onde se mostra que a Rússia e a Europa convergem a nível energético, apesar do todo o "ruído" gerado à nossa volta. 

Não podemos ir pelo o que eles dizem, temos que ir pelo o que eles fazem.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nord Stream Pipeline: O Dia Chegou


Nord Stream Pipeline




Hoje o pipeline começa a ser abastecido com gás russo. Para a Europa é uma boa notícia, existe mais diversificação de linhas de abastecimento, para a Rússia é importante a vários níveis, pois diminui a importância dos países trânsito, como a Ucrânia e a Bielorússia, aumenta a capacidade de fornecer gás à Europa, aumenta a influência política sobre a Europa, especialmente países com ligações militares à NATO e bastante hostis para com a Rússia.

Para os países Bálticos, Polónia e Rep. Checa, o activar deste pipeline permite à Rússia fazer o bypass dos mesmos e alimentar na mesma a Alemanha, situação que não era possível até agora. Mas a pior situação é mesmo para a Ucrânia. Sendo o principal país de trânsito de gás russo, o país vai agravar ainda mais a sua situação económica.



Vladimir Putin e Gerhard Schroeder os criadores do Nord Stream



A Ucrânia neste momento, apesar do desconto já paga mais de 300 dólares e este é um valor incomportável para o país. Sendo que por aqui passa 80% do gás russo, será este o país que irá ver diminuido a sua componente de trânsito, o que irá implicar também perdas de receita que são cobradas pela passagem do gás em direçcão à Europa.

A Ucrânia está neste momento a colher as tempestades que semeou com a anterior administração. O facto do presidente anterior ter entrado em rota de colisão com a Rússia, a tentativa de levar a NATO para o país e a situação do corte do gás russo, ditaram o futuro do país.

Neste momento não vejo alternativas para a Ucrânia senão ceder aos desejos russos, o que irá obrigar a perder muito do seu património e vão ficar dependentes destes por muitos anos. Este é o preço a pagar e ao mesmo tempo é um aviso à navegação aos outros países a que está a ser feito o bypass, países que coloquem em causa a segurança da Rússia (como a questão sistema anti-míssil) vão ter penalizações de energia. Podem a Polónia e a Rep. Checa arriscar viver sem o gás russo?