quinta-feira, 31 de julho de 2014

Relatos da Ucrânia - II

 
 
 
Confesso que não gosto muito de notícias com origem em fontes anónimas, pois é uma forma de as fabricar, mas o teor desta notícia faz-me pensar se terá algo de verdadeiro na sua origem pois eu penso que algo parecido esteja a ser "cozinhado" e faz sentindo ser entre Putin e Merkel. Qualquer que seja o desfecho da situação ucraniana, Putin e Merkel são alguns dos principais intervenientes na resolução do problema. A Rússia e a Alemanha possuem uma ligação estratégica a longo prazo muito forte, esse laço foi fortalecido com a ligação energética directa entre ambos. A Rússia garante energia para o motor da Europa, mesmo que exista convulsões , tal como está a acontecer agora na Ucrânia. 
 
O Nord Stream foi um sinal importante, sobre o que a Rússia entende ser os seus parceiros de referência na Europa e os que lhe são problemáticos. A situação que existe hoje na Ucrânia, não seria possível, caso não existisse o Nord Stream. Um conflito num país trânsito do calibre da Ucrânia, colocaria em perigo o fornecimento à Alemanha. Hoje, isso não acontece. E quando o South Stream estiver em funcionamento, será possível á Rússia abastecer os países que considera parceiros e todos os países que ameaçam a Rússia (o eterno problema da NATO), necessitam de arranjar alternativas energéticas e que não serão baratas.
 
Dito isto, vamos à notícia que me chamou a atenção:
 
Land for gas: Merkel and Putin discussed secret deal could end Ukraine crisis
 
Germany and Russia have been working on a secret plan to broker a peaceful solution to end international tensions over the Ukraine.
 
The Independent can reveal that the peace plan, being worked on by both Angela Merkel and Vladimir Putin, hinges on two main ambitions: stabilising the borders of Ukraine and providing the financially troubled country with a strong economic boost, particularly a new energy agreement ensuring security of gas supplies.
 
More controversially, if Ms Merkel’s deal were to be acceptable to the Russians, the international community would need to recognise Crimea’s independence and its annexation by Russia, a move that some members of the United Nations might find difficult to stomach.
 
Sources close to the secret negotiations claim that the first part of the stabilisation plan requires Russia to withdraw its financial and military support for the various pro-separatist groups operating in eastern Ukraine. As part of any such agreement, the region would be allowed some devolved powers.
 
At the same time, the Ukrainian President would agree not to apply to join Nato. In return, President Putin would not seek to block or interfere with the Ukraine’s new trade relations with the European Union under a pact signed a few weeks ago.
 
Second, the Ukraine would be offered a new long-term agreement with Russia’s Gazprom, the giant gas supplier, for future gas supplies and pricing. At present, there is no gas deal in place; Ukraine’s gas supplies are running low and are likely to run out before this winter, which would spell economic and social ruin for the country.
 
As part of the deal, Russia would compensate Ukraine with a billion-dollar financial package for the loss of the rent it used to pay for stationing its fleets in the Crimea and at the port of Sevastopol on the Black Sea until Crimea voted for independence in March.
 
[...]
 
A spokesman for the Foreign and Commonwealth Office said they had no knowledge of such negotiations taking place. However, the spokesman said he thought it highly unlikely that either the US or UK would agree to recognising Russian control over Crimea. There was no one available at the German embassy’s press office yesterday.
 
Reaching a solution to the ongoing dispute is pertinent for the Germans as Russia is their single biggest trading partner. Under Ms Merkel, the Russo-German axis has strengthened significantly and, until the plane shooting, her government had been staunchly against punitive sanctions for commercial but also diplomatic reasons.
 
Such strong trade ties between the two countries have also served to strengthen Ms Merkel’s hand and the Russian speaker has emerged as the leading advocate of closer relations between the EU and Russia. “This is Merkel’s deal. She has been dealing direct with President Putin on this. She needs to solve the dispute because it’s in no one’s interest to have tension in the Ukraine or to have Russia out in the cold. No one wants another Cold War,” said one insider close to the negotiations.
 
Some of Germany’s biggest companies have big operations in Russia, which is now one of Europe’s biggest car markets, while many of its small to medium companies are also expanding into the country. Although Russia now provides EU countries with a third of their gas supplies through pipelines crossing the Ukraine, Germany has its own bilateral gas pipeline direct to Russia making it less vulnerable than other European countries.
 
However, Russia is still the EU’s third-biggest trading partner with cross-border trade of $460bn (£272bn) last year, and the latest sanctions being introduced by the EU towards Russian individuals and banks will hurt European countries more than any other – particularly Germany, but also the City of London.
 
[...]
 
 
 
Confesso que leio isto e faz sentido para mim que algo parecido esteja a ser falado. Afinal as verdadeiras negociações não estão no domínio público e este artigo faz-me pensar que estão a preparar algo, antes que chegue o Inverno.
 
O grande problema será reconhecer a Crimeia como parte da Rússia. Mas se a Alemanha der este gigantesco passo...
 
- Negociação para novo contrato de gás para a Ucrânia a preço especial, faz sentido.
- Garantias para a não adesão à NATO fazem sentido, (a Rússia já garantiu isto com a Crimeia)
- Aceitação por parte da Rússia, nos acordos económicos entre a Ucrânia e UE, fazem sentido, (o problema da Rússia, era o salto para a entrada na NATO)
- Compensação por perda da Crimeia faz sentido.
- Algum tipo de independência para as regiões separatistas, mesmo que dentro da Ucrânia, faz sentido.
 
Quem não quererá isto, serão  países europeus, tipo Polónia, que querem mais aproximação aos EUA e NATO em detrimento da Rússia e os próprios americanos que lutam também contra a crescente aproximação da Europa à Rússia.
 
Falta ver também a reacção da Ucrânia, pois estes serão confrontados com estas decisões, e não lhes vai ser dado grande espaço de manobra, mas que alternativas têm eles?
 
Mas quem não quiser uma solução parecida com o que é falado nesta notícia, terá que fornecer alternativas, e eu não vejo alternativa sem negociar com a Rússia. Neste momento a Ucrânia, tem o gás cortado e está falida. QUEM quererá injectar rios de dinheiro, apenas para manter a Ucrânia a flutuar? não podemos esquecer a dimensão do país. 
 
Vamos ver que mais notícias irão aparecer, sobre o que poderão ser as verdadeiras negociações que decorrem nos bastidores.
 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Relatos da Ucrânia - I

 
 
 
A situação da Ucrânia e dada a sua importância, no contexto de conflito entre grandes potências, faz-me pensar que deveria tentar colocar uns posts mais curtos, mas que fosse dando um apanhado sobre o que vai acontecendo.
 
Não estarei virado para a questão da guerra civil, que infelizmente vai matar muita gente, como todas as guerras o fazem, mas sim virado para a economia ucraniana.
 
A meu ver e já há bastante tempo que sou crítico das opções ucranianas, o país já estava a resvalar para o abismo, desde a revolução laranja, e agora mais tarde ou mais cedo vamos ver qual o desfecho do país.
 
Neste momento, o país já perdeu a integridade territorial, e não acredito que o que resta, consiga manter-se unido.
 
Como tal, vou focar-me em partes que considero bastante importantes, mas que parecem passar ao lado das notícias. Falo da questão económica, da questão energética, da proximidade do Inverno e da capacidade política em manter governos em funções.  A Ucrânia está sem dinheiro e não recebe gás da Rússia, o FMI cada vez está mais relutante em avançar com novas tranches, os EUA/UE estão com problemas em financiar, dado os seus problemas domésticos.
 
Ukraine's PM says money needed for war, reconstruction
 
Ukraine’s prime minister says parliament needs to come up with more money to pay the mounting costs from the war against pro-Russian separatists and to rebuild infrastructure shattered by the fighting.
 
Arseniy Yatsenyuk urged parliament Monday to amend this year’s budget and come up with an additional 9.1 billion hryvnias ($774 million) to pay the military, and 3.3 billion hryvnias ($280 million) for repairs.
 
Yatsenyuk said the government would raise some of the money through a one-time 1.5 per cent war tax on incomes, and by eliminating supplementary compensation for public officials.
Parliament is to vote Thursday on his proposals. It will also hold a vote of confidence in Yatsenyuk, which could open the way to new elections. Yatsenyuk said last week he is resigning but remains prime minister pending the vote.
 
 
A situação não pode estar nada bem, se já estão a tentar arranjar dinheiro para pagar aos militares.
 
E se estão a tentar taxar os salários, com uma "taxa de guerra", então a coisa vai degradar-se com certeza.
 
Quanto tempo vão conseguir manter-se em funções, com tanta opção errada para o país?

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ucrânia - O avião




Estava para escrever um artigo sobre a relação entre a Ucrânia e o BES, mas no entanto surgiu o caso do abate do avião e decidi antes falar um pouco desta situação, ou seja dar também a minha opinião/visão sobre o assunto, já que é notícia por todo o lado.

Para começar, a meu ver ,o avião foi abatido por um míssil, não parece haver grandes dúvidas quanto a isso. Posto isto, a próxima pergunta será, quem o fez? Bom, eu vejo 3 possibilidades, os russos, os ucranianos, ou os separatistas na Ucrânia.

Os russos têm sem sombra de dúvida, a capacidade de abater o avião, só que não faz sentido nenhum cometerem tal acto, nem vou avançar mais por aqui.

Os ucranianos também têm sem sombra de dúvida a mesma capacidade, mas a ter sido por eles, só por um acto de grande negligência, para não dizer outra coisa.

A meu ver, na hipótese de ter sido os ucranianos, seria para tentar atingir algum avião russo que tivesse violado o seu espaço aéreo, dado que a Ucrânia tem feito várias declarações de que o seu espaço aéreo está a ser violado pela a Rússia. Mas isto não justifica atingirem um avião a 10km de altura, dado que os Ucranianos têm o seu espaço aéreo aberto à aviação civil e como tal, têm o conhecimento dos aviões civis que por ali passam. Só por uma grande asneira é que os ucranianos repetiriam o abate de um avião civil como o fizeram no passado. Portanto, penso que a hipótese de terem sido os ucranianos é baixa.

Quanto aos separatistas, bem, eles precisam de negar o espaço aéreo à sua zona e têm feito diligências para isso, como o abate de helicópteros e vários tipos de aviões a diversas altitudes. 

Os separatistas têm tido acesso a cada vez mais armas, seja por captura das mesmas no terreno seja por ajuda exterior, eu sou da opinião que a maioria das armas é por captura no terreno, a Ucrânia tem bastante armamento e tem-se visto muito equipamento capturado, seja aos soldados ucranianos, seja às bases militares nos arredores.

Ou seja, é possível que tenham conseguido obter armas mais potentes, que permitam chegar cada vez mais alto. E porquê chegar mais alto? para obviamente negar por completo o acesso ao seu espaço aéreo por aviões ucranianos e por exemplo, negar acesso a aviões que sobrevoem a grande altitude e que estejam a analisar o terreno de modo a fornecer informações das posições separatistas às suas forças.

O que quase de certeza os separatistas não sabem é que o espaço aéreo continua aberto à aviação civil. Afinal qual o sentido de manter rotas abertas numa zona onde se está a abater aviões cada vez mais alto? Esta é uma hipótese do que possivelmente tenha acontecido, os separatistas conseguiram os meios, os aviões espiões passavam lá em cima, era preciso travá-los. Conseguiram. Só que não era um avião ucraniano, era um avião civil, porque possivelmente nem lhes passou pela cabeça que eles andavam por ali.

E assim possivelmente foi a maneira que se juntou quase mais 300 mortes a este conflito.

Dito isto, vou agora falar sobre quem acho que tem sérias culpas sobre este trágico acontecimento.

De que nos serve organizações como a ICAO (International Civil Aviation Organization), a EASA (European Aviation Safety Agency), a FAA (Federal Aviation Administration), que com tantas regras, tantas protecções, tantas verificações de segurança, de que nos vale isto tudo, se quando formos comprar uma viagem para a nossa família para um destino de férias, fazem-nos passar por zonas de conflito onde aviões são abatidos?

Se já acho criminoso a Ucrânia ter deixado o seu espaço aberto para aviação civil e aqui ainda consigo vislumbrar alguns motivos para a Ucrânia querer manter aberto o seu espaço, tais como, poder usar aviões seus nas mesmas rotas, para verificar posição dos separatistas, receber dinheiro pela utilização do seu espaço aéreo, ou mesmo dando uma imagem de normalidade para o mundo.

NÃO vislumbro motivos para as organizações acima referidas não interditarem toda aquela zona, por manifesta falta de segurança. Como é possível terem deixado a coisa chegar onde chegou, uma perfeita vergonha.

E também quem não fica bem nesta fotografia, são todas as companhias que por uma questão económica, usaram estas rotas sabendo da falta de segurança das mesmas e que se refugiam na desculpa de que o espaço aéreo estava aberto e daí parecerem querer lavar as mãos.

Só quem não sabia e nem foi informado da rota foram exactamente os que morreram. Quando compramos um bilhete de avião para o nosso destino paradisiaco, a simpática e sorridente senhora que está do outro lado do balcão não nos informa que a rota do avião passa por uma zona de conflito onde de vez em quando aviões são abatidos e se pretende na mesma comprar o bilhete ou escolher uma companhia que seja mais cuidadosa com a sua segurança, embora cobrando mais um pouco.

Se tivessem informado os passageiros das opções disponíveis, se calhar a maioria estaria viva hoje. 

Agora a indignação é pela recuperação dos cadáveres e quem terá abatido o avião. Se um décimo desta preocupação tivesse sido usada, antes do avião ter levantado voo, hoje não teriamos tantas famílias destroçadas.

Para finalizar, mais uma consideração, se os separatistas realmente têm equipamento para abater aviões a grande altitude, agora já não precisam de se preocupar com a aviação civil. Parece que agora e devido a questões de segurança, o espaço aéreo ucraniano está interdito.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Rússia: A conquista de novos territórios II

Nova Plataforma "Berkut", uma das maiores do mundo
 
Uma vez mais, e enquanto se olha para a Ucrânia, a Rússia avança em gigantescos projectos de fazer dinheiro. Esta plataforma gigantesca, escapa às sanções porque a Exxon Mobil está envolvida no projecto. O que mostra uma das dificuldades em colocar sanções na Rússia. Devido a partilha de projectos como este, com grandes companhias estrangeiras, a influência política desses países, diminui com a perspectiva de perda de lucro, ou mesmo avultados prejuizos.  



Vamos dar uma olhadela para este gigantesco projecto. Ele não é só grande. Ele não é apenas partilhado por outras companhias estrangeiras. Esta plataforma está preparada para condições extremas no Àrtico, estando a ser usadas novas técnicas.

 
E não é só na nesta plataforma que estão a ser usadas novas técnicas. A Rússia está a captar novas técnicas de construção de plataformas deste tipo, está a forçar países a acautelarem os seus investimentos (pouca vontade política em apoiar sanções), portanto novas técnicas políticas.
 
E o que considero bastante interessante, estão a testar técnicas de captação de mais território. Para onde vai esta plataforma operar? no Mar de  Okhotsk. Exactamente na àrea onde a Rússia conseguiu conquistar mais território.
 
 
Esta plataforma só foi para o seu destino após a Rússia ter conquistado o seu território. O que me faz pensar que esta foi a técnica que a Rússia usou para obter o que quis. Acenar com muitos lucros a quem iria participar no projecto, de modo a obter na ONU o reconhecimento do território como seu. 



"Berkut is specially built to cope with brutal subarctic conditions. Scientists studied the effects of sea ice and it uses a new concrete ice protection belt which is a first, is cheaper and provides better protection. The platform can handle 60-foot waves, the pressure of over six-foot of ice, temperatures as low as minus 47.2 Fahrenheit and a magnitude 9 earthquake."


“The opening of this oil platform marks a significant event, as it is the largest platform in Russia and one of the most technologically advanced drilling platforms in the world,”



A Rússia está a testar novas técnicas, para a grande conquista, o controlo de uma gigantesca zona do Ártico. E está a preparar-se seriamente para isso, desde a abertura de novas bases, patrulha aéreas/marítimas, novos quebra-gelos nucleares, etc.
 
A situação ucraniana é apenas a ponta do "iceberg" das várias ramificações das actividades da Rússia.
 
Estamos a assistir a alterações significativas e de longo prazo e que terão impacto a nível planetário.

sábado, 28 de junho de 2014

Rússia: A conquista de novos territórios

Um quebra-gelos nuclear seguido de um cruzador nuclear 
 
Neste momento estamos demasiado focados na Ucrânia e não nos apercebemos que novos territórios para a Rússia não significa apenas a Crimeia, a coisa é mais global, e é isso que pretendo chamar a atenção com este artigo.
 

Dois dos maiores quebra-gelos nucleares foram usados para abrir caminho à frota
 
Uma das zona de grande foco por parte da Rússia é o Ártico que, com todo o seu potencial e riquezas, está a ser feito um unorme investimento para controlar o máximo que puderem, de modo a extrair a suas riquezas e garantir o seu controlo. Recentemente foi aberto uma nova base fica aqui alguns detalhes de como foi feito.
 
Esta frota leva equipamento para abertura de uma nova base na região do Ártico
 
A Rússia, prepara tropas para combate no Àrtico, abre novas bases e patrulha os céus.
 
Four Russian Strategic Bombers In Artic Air Patrol
KOTELNY ISLAND, the Arctic region. March 14 (Interfax) – Four Russian Tupolev Tu-95MS strategic bombers, which embarked on a patrolling mission over the Arctic Ocean on Thursday, will fulfill this task for 24 hours and will be refueled in mid-air, Russian Air Force Commander Viktor Bondarev told reporters during drills of the 98th Ivanovo Airborne Troops division...
 
Tu-95
 






A Rússia está a fazer grandes investimentos para garantir o controlo de uma vasta zona do Ártico e prepara-se para na minha opinião fazer um grande avanço, sobre controlo territorial. Passo a explicar porquê:
 
No mar de Okhotsk, a Rússia obteve um importante trunfo na Nações Unidas, para obter um pouco mais de território, numa zona extremamente rica.
 
On 15 March the Russian Minister of Natural Resources and Environment, Sergey Donskoy, announced that the UN Commission on the Limits of the Continental Shelf had recognised a section of the Sea of Okhotsk as part of his country’s continental shelf. The enclave, off Russia’s eastern coast, covers a 52,000 square kilometre area of fishing waters estimated to be rich in oil and gas reserves.


A nova "conquista" russa, este pedaço de território "The Peanut Hole" terá um grande impacto
nas nações que rodeiam esta parte do globo.

Apesar de parecer algo insignificante, dado o tamanho que se vê nestas imagens, não podemos deixar de enganar, este pedaço de território uma das mais importantes zonas de pesca do mundo, onde várias nações vão deixar de ter acesso, causando um grande stress a várias nações nas redondezas.
 
 Um pedaço extraido do Wikipedia, mostra um pouco da realidade pesqueira:
 
"Thirty-nine Polish supertrawlers burst into the Sea of Okhotsk... followed by nine large South Korean trawlers and almost the entire Chinese fishing fleet. Somewhat later, fishing ships from Japan, Panama, Bulgaria, and Ukraine appeared... A wild revelry began... foreign fisherman set to clearing out the wealth of the northern sea."
 
Em termos de acesso a recursos do mar, a Rússia obteve uma importante vitória, numa zona extremamente rica e disputada.
 
Mais, vai fazer-se respeitar e sinalizar a todos que esta zona passou a ser território russo. Tal como já passou a sinalizar a quem para ali vai espreitar:
 
U.S. official: 'Dangerous' Russian jet fly-by was 'straight out of a movie'
 
A Russian fighter jet buzzed dangerously close to a U.S. military plane in April, a U.S. official said Tuesday, describing the fly-by as "straight out of a movie."
 
The Russian jet flew within 100 feet of the nose of a U.S. Air Force reconnaissance plane over the Sea of Okhotsk between Russia and Japan, a Defense Department official said.
The fly-by "put the lives of the U.S. crew in jeopardy," the U.S. official said, calling it "one of the most dangerous close passes in decades."
 
The incident occurred on April 23, the Defense Department official said, when a U.S. Air Force RC-135U aircraft flying on a routine mission over the Sea of Okhotsk was intercepted by a Russian Su-27 Flanker aircraft.
 
The Russian aircraft turned and "showed its belly" to the U.S. crew so they could see it was armed with missiles, a U.S. military official said Tuesday.
The United States did not originally discuss or reveal the incident publicly because it chose to deal with it privately with Russian officials, the military official said.
 



Estes recentes movimentos russos que acabam por passar despercebidos, dada a situação na Ucrânia, são para mim um prenúncio sobre o que aí vem, algo muito maior e contendo ainda mais riquezas, o "assalto" ao Àrtico.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

South Stream Continua A Somar Pontos




Eu gosto de insistir nas relações entre a UE e Rússia no que respeita a energia, e uma vez mais, provas são dadas dessa relação, curiosamente no mesmo dia em que mais sanções são ditadas...


Gazprom to Build Pipeline to Austria as Gas Beats Tensions

OAO Gazprom (OGZD) agreed with oil and gas producer OMV AG (OMV) to extend a planned natural gas pipeline into Austria, on the same day the European Union expanded sanctions against Russian officials...

...Europe imports about 30 percent of its gas from Russia, and half that amount flows through Ukrainian pipelines, making it essential to European energy security.

“The need for construction and the benefits of South Stream project for Europe are patent,” Miller said in the statement. The pipeline “is aimed at enhancing energy security of the European consumers.”...

OMV, which began importing Russian gas in 1968, said the deal will significantly increase Austria’s security of gas supply and strengthen Baumgarten’s role as a gas hub for central and eastern Europe.

“The international development shows once again that in the long term, we not only have to diversify our energy sources, but also our supply routes,” Austrian Economy Minister Reinhold Mitterlehner said in a statement.

Austria’s South Stream section will be jointly owned by Gazprom and OMV, according to Kurier. The companies will split the project’s financing, estimating in the “triple-digit-million euros,” according to the report.


Aproveito para referir algo que foi dito no artigo e que venho a insistir há muito tempo, a Europa precisa de diversificar as suas fontes de energia, mas TAMBÉM as rotas de fornecimento. Na guerra do gás entre a Ucrânia e a Rússia, onde o fornecimento acabou por ser totalmente cortado, a imprensa e políticos sempre insistiram na imagem negativa da Rússia como fornecedor de energia, NUNCA puseram em causa a responsabilidade da Ucrânia como país trânsito. No entanto agora são declarações como estas que se confirma o que aconteceu na altura, os clientes continuam a procurar a Rússia, mas querem alternativas à Ucrânia como país de trânsito.

Eu na altura ainda tentei remar contra a maré de informação que andava por aí, nos posts que colocava no Expresso online. Fui à procura e ainda lá está a minha tentativa de que as coisas não são como nos querem vender.


E um post meu, acho que o primeiro aqui no blogue, acerca deste assunto: 




domingo, 20 de abril de 2014

Mar (Russo) Negro



O Mar negro tem estado a assistir a mudanças bastante significativas nos últimos anos, com os avanços da NATO, da Rússia, e no panorama de transporte de energia. Fiz uma sequência de imagens para melhor se perceber as alterações que têm estado a ocorrer, e recorro a um exemplo, o investimento militar russo a nível de submarinos para se perceber o que a Rússia está a fazer, para evitar perda de influência nesta zona tão importante para os interesses do país.

fig. 1 - Mar Negro, a Rússia ficou com uma pequena parcela

Esta imagem mostra o Mar Negro nos primeiros anos da década passada. A Rússia tem uma pequena parcela de mar, a sua base principal num outro país, ou seja a Ucrânia, e a NATO apenas num país, o que maior parcela tem de mar, ou seja a Turquia. Por esta altura, a Rússia tinha no Mar Negro, apenas um submarino dos anos 90. Mas algo estava a formar-se...

fig. 2 - Ver o grande avanço em 2004

Em 2004, temos uma grande expansão da NATO que tanto afecta o Mar Báltico e o Mar Negro. Enquanto a Rússia estava ocupada em parar o seu declínio, a NATO/EUA estavam a avançar em grande velocidade, abrindo um corredor em direcção ao Mar Cáspio, muito rico em petróleo. Com a entrada da Roménia e Bulgária, o Mar Negro estava a ficar cada vez mais um mar sob o controlo da NATO, com nítida perda de influência russa. Para agravar a situação, os EUA estavam a dar apoio militar/político à Geórgia/Azerbaijão, muito necessário pois estava a ser construido o 1º pipeline americano (BTC) que iria aceder ao Mar Cáspio. Com estes avanços, e dado que para a NATO entrar na Geórgia, não poderia haver problemas dentro do território, o país começou a acelerar a resolução das regiões separatistas, o que agudizou ainda mais a já tensa relação com a Rússia.

Com a revolução rosa, Saakashvili, entra em cena, acelerando a resolução das coisas. Uma das regiões separatistas é recuperada, a Adjária, tendo os russos que fechar a sua base e retirarem-se da zona. Com o massivo apoio militar dos EUA, o caminho estava aberto para se resolver definitivamente a questão das regiões separatistas, numa altura em que o pipeline americano (BTC) já estava em funcionamento, numa zona hostil, ou seja na área de influência russa.

Em 2008, foi feita a tentativa de à força recuperar os territórios, e a coisa correu mal. Muito mal. Em 2008, já a Rússia estava a percorrer um caminho ascendente e respondeu à letra, à última jogada de Bush, pois este estava de saída, com todo o desgaste que tinha das várias guerras que tinha começado e o futuro era com os democratas, entrando Obama logo de seguida. A Rússia nesta jogada, impediu a entrada da NATO, pois a Geórgia sofreu uma perda efectiva de integridade territorial.


 fig. 3 - A Rússia começa a expandir-se

A Rússia está a aumentar a sua força e precisa de novos armamentos, para controlar de modo mais eficiente o Mar Negro. Um dos seus investimentos é na sua frota de submarinos. Até aqui apenas um submarino estava alocado a este mar e a coisa iria mudar em breve.

A Ucrânia, (outro país à beira de entrar na NATO), anos depois tentam forçar a situação de novo. A revolução laranja não obteve os resultados pretendidos, agora iria-se tentar de outra forma. O surpreendente foi a reacção da Rússia. Com uma velocidade impressionante e eficaz, a Rússia abraça a Crimeia, impedindo deste modo a entrada da NATO e alterando o panorama no Mar Negro. Com este passo, a Rússia é o pais detentor da maior área, apenas ultrapassada pela Turquia. Agora é preciso uma marinha capaz de proteger toda esta nova zona.

fig. 4 - 1º submarino com destino ao Mar Negro

A Rússia já tinha começado a construção de novas embarcações com destino ao Mar Negro, e curiosamente é a partir deste ano, que vamos assistir às entregas. 6 submarinos estão previstos, com entrega entre 2014 e 2016. Ou seja o panorama está a mudar imenso, os submarinos vão ser uma grande dor de cabeça para frotas que resolvam entrar neste mar.

fig. 5 - A nova realidade que se está a formar

Neste mapa podemos ver as profundas alterações que se estão a formar. A NATO não conseguiu avançar para o Mar Cáspio, a Rússia aumentou de forma brutal a sua àrea de mar (devido à Crimeia) e está a infestá-lo com novos armamentos. Falta adicionar neste mapa, algo que penso que também vai acontecer e já o referi num outro post. A alteração do traçado do South Stream, de modo a não entrar na Zona Exclusiva da Turquia.


fig. 6 - As novas fragatas em construção, 6 para o Mar Negro

fig. 7 - Pelo menos um Porta-Helicópteros Francês (dos 4 encomendados),
 está destinado para o Mar Negro, e o 1º estará pronto ainda este ano.


O cenário do Mar Negro, mostra o quanto a Rússia está a mudar. A Rússia está a actuar em várias frentes simultaneamente e vamos assistir a muitas mudanças nos próximos anos. 

Infelizmente as relações EUA/Rússia, só terão um caminho: uma progressiva deterioração até conseguirem achar um ponto de equilíbrio.