domingo, 5 de outubro de 2014

Ucrânia: O Peso Da Rússia II


 
 


Vou focar-me na pressão russa, não sobre pressão militar que é a mais focada/falada na imprensa, mas sim económica. Enquanto muita atenção é dada à tensa trégua existente, o que vai ser decisivo nas tomadas de decisão é a pressão económica que pesa sobre a Ucrânia. E aqui temos alguns factores que não nos podemos esquecer.
 
Pelo o gráfico que coloquei, dá para visualizar a situação global ucraniana, ela é um gráfico descendente tal como as reservas de dinheiro que possui. E este é o grande problema, o dinheiro que a Ucrânia possui, o dinheiro que o país ainda consegue gerar, o dinheiro que consegue manter no seu território, nos seus bancos.
 
A moeda ucraniana tem perdido valor em relação ao dólar, ela está em queda livre, ou seja tudo o que seja importado é mais caro. Ora o país cada vez necessita de mais coisas importadas, porque está mergulhado numa guerra civil e muito do que produzia, está neste momento parado. Menos produção, menos dinheiro, mais desemprego, tudo a contribuir para uma maior fragilidade do país.
 
De todas as fragilidades, vou focar na que considero mais premente, a questão da energia, ou seja o gás.
 
Se até hoje a Ucrânia, se baseou em gás subsidiado russo, a mudança agora para preços de mercado é de todo impossível. Eles podem importar gás de outros produtores? podem, mas precisam de pagar preços de mercado e dinheiro é coisa que não têm e do pouco que têm e como a moeda ucraniana vale cada vez menos, seria necessário massivas quantidade de dinheiro para pagar o gás importado.
 
Podiamos pensar, que podem recorrer às suas reservas de moeda estrangeira, mas aqui entra o gráfico que coloquei, as reservas estão perigosamente baixas ou seja não vão conseguir virar para este lado. Comprando a quem quer que seja, tem ainda uma outra agravante, reflectir os preços de mercado ao mercado doméstico/industrial seria acabar com toda a indústria que ainda subsiste e atirar as pessoas para a miséria, porque não terão dinheiro para nada.
 
Só vejo duas alternativas para a questão do gás, ou negoceiam com os russos ou negoceiam com os europeus, um deles terá que subsidiar o gás, ou seja um deles irá pagar o gás ucraniano. Pelo o comportamento da Europa, estes foram muito activos em apoios democráticos, mas quando chegou a altura de avançar com dinheiro, olham para o lado, prova disso está na proposta da União Europeia para esta questão, os ucranianos que paguem. Algo que nunca conseguiram até hoje...
 
Resta negociar com a Rússia. E aqui começam os problemas, a Rússia encostou a Ucrânia completamente à parede. Retirou a Crimeia, quebrando a territoriedade territorial, parou com o fornecimento de gás, dá apoio aos territórios rebeldes e o Inverno está ai. Os trunfos estão do lado dos russos.
 
Como se isto não bastasse, temos as dívidas do gás, a Rússia reclama em números redondos 5 mil milhões em dívida e para retomar o fornecimento, a dívida tem que ser paga e têm que fazer o pré pagamento do gás que querem comprar.
 
Mas a coisa ainda não fica por aqui, a Rússia no ano passado, fez um empréstimo à Ucrânia de 3 mil milhões e esta dívida tem andado a pairar o país como uma sombra sinistra.
 
Só para a Rússia temos dívidas na ordem dos 8 mil milhões, exigem pré-pagamento do gás pretendido e a preços de mercado.
 
Vamos olhar para a ajuda que já veio do FMI, 1ª tranche 3,2 mil milhões, 2ª tranche de 1,4 mil milhões, isto dá para pagar uns 50% da dívida ucraniana aos russos e o dinheiro do FMI não é para ser usado nesse contexto. Podiamos pensar nos euros e dólares que tanto ao Europa como os EUA têm dado à Ucrânia, mas as quantidades têm sido na ordem de alguns meros milhões, o que não dá nem para a cova de um dente.
 
Portanto, a Ucrânia vai ter que engolir a questão da Crimeia e começar a pensar em dizer sim a qualquer coisa que os russos queiram, ou não haverá gás de todo neste inverno, esta é a realidade, a Ucrânia está completamente nas mãos da Rússia e a Europa é responsável por esta gigantesca confusão.
 
E como a Europa é responsável, se calhar arrisca-se a pagar de uma maneira ou de outra.
Porquê? A Ucrânia pode simplesmente retirar para si o gás que necessita e que está a ser enviado para a Europa. A acontecer isso, a Europa estaria a colher as tempestades que andou a semear. Porque não estou a ver como é que a Europa irá conseguir desbloquear o seu gás, sem que alguém pague a dívida ucraniana.
 
Até o tempo está do lado da Rússia, não será esta que terá pressa em resolver esta questão, a pressa estará na Ucrânia e na Europa.
 
Que venha o Inverno.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ucrânia: O Peso Da Rússia



 
 
Bom, hoje é um dia interessante para recapitular algumas situações que foram ocorrendo sobre este assunto:
 
- A Rússia invadiu a Ucrânia
- A Rússia anexou a Crimeia
- A Rússia envia armamento
- A Rússia envia soldados
- A Rússia, etc...
 
- Condenações
- NATO aos gritos
- exercícios da NATO na Ucrânia (!!),
- reforços nos países da NATO adjacentes à Ucrânia
- Sanções
- Mais Sanções
 
Acho que todos percebemos a mensagem, a Rússia é um bicho papão, que acaba com qualquer "inocente" país que aspire à "verdadeira" democracia.
 
Mas, nada para temer, a Ucrânia tem a Comunidade Internacional do seu lado, tem a União Europeia, tem os EUA, tem a NATO, tem o FMI, enfim que mais pode querer a Ucrânia.
 
E com todo este impressionante apoio das democracias deste mundo, a Ucrânia pode enfrentar o seu gigante e opressor vizinho.
 
A Ucrânia tem uma economia completamente de rastos, mas com as mais fortes economias do seu lado, nada terá a temer.
 
Ou talvez não...
 
Afinal que faz a Europa para ajudar a Ucrânia?
 
Rússia e Ucrânia à beira de acordo para resolver problema do gás no Inverno
 
A União Europeia pôs em cima da mesa uma proposta que pode significar o fim da crise energética entre a Rússia e a Ucrânia, pelo menos a curto prazo. Pressionada por uma gigantesca dívida a Moscovo que ronda os 4000 milhões de euros por gás já recebido, Kiev terá de saldar mais de metade desse valor até ao fim do ano; em troca, a Rússia volta a abrir as torneiras e a enviar 5000 milhões de metros cúbicos directamente para a Ucrânia até Março de 2015.
 
A proposta, mediada pelo comissário europeu da Energia, o alemão Guenther Oettinger, foi apresentada numa nova ronda de negociações que decorreu nesta sexta-feira em Berlim, após o falhanço das conversações de Junho passado que levou ao corte do fornecimento de gás à Ucrânia...
 
Hungria suspende gás para a Ucrânia

Também nesta sexta-feira, a Hungria suspendeu o fornecimento de gás à Ucrânia por tempo indeterminado e chegou a acordo com a Rússia para aumentar as suas reservas, com o objectivo de passar ao lado das consequências da crise energética entre Moscovo e Kiev.
 
A notícia chega quatro dias depois de o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, se ter reunido com o director executivo da gigante russa Gazprom, Alexei Miller, e no mesmo dia em que representantes da UE, da Rússia e da Ucrânia negociaram, em Berlim, uma solução para o corte do fornecimento de gás de Moscovo a Kiev...
 
...A reunião de segunda-feira entre o primeiro-ministro húngaro e o director executivo da Gazprom serviu também para confirmar que a Hungria continua empenhada na construção do gasoduto South Stream ...
 
 
A Europa MANDA a Ucrânia pagar à Rússia, a Ucrânia está na bancarrota, e a UE, esse colosso económico, não se chega à frente. Se esta é a ajuda europeia à Ucrânia, porque diabo a UE insistiu em celebrar um acordo, tendo levado à situação que vemos hoje?
 
Com amigos destes... Quem precisa de inimigos?


domingo, 14 de setembro de 2014

O Mistral "Suspenso"

Marinheiros russos em França, para a primeira viagem de
treino no porta-helicópteros
 
 
Este será mais um artigo que chama a atenção às declarações políticas e o que se passa na realidade. Tal como chamei a atenção para "suspensão" do South Stream agora vou referir à suspensão do Mistral.
 
Convém relembrar o que foi dito no início deste mês, a uns meros 10 dias atrás:
 
França suspende entrega de equipamento militar à Rússia



Autoridades francesas suspendem entrega de navio por causa da situação na Ucrânia. Putin e Poroshenko conversaram sobre as condições para um cessar-fogo e as posições são "próximas".
A França anunciou esta quarta-feira a suspensão da entrega do primeiro navio de guerra Mistral à Rússia, prevista para Outubro. A razão invocada prende-se, segundo um comunicado da presidência francesa, com o facto de as condições para a autorização não estarem reunidas, tendo em conta a crise na Ucrânia.

A nova posição francesa em relação ao navio porta-helicópteros Mistral foi decidida durante um Conselho de Defesa, realizado na véspera da cimeira da NATO, que vai decorrer até sexta-feira no País de Gales, e algumas horas depois da divulgação de novas críticas norte-americanas à Rússia.

[...]

[Link]

 
A França fez as declarações que fez, porque estava pressionada para isso e estava nas vésperas de uma cimeira da NATO. Algo tinha que ser dito para a opinião pública.
 
Porque na realidade as coisas seguem o seu caminho, como se pode ver pelo o que aconteceu ontem. Ontem, marinheiros russos partiram numa viagem de treino de 10 dias no seu novo navio. Ou seja tudo indica que assim que houver uma abertura para a entrega do navio à Rússia, a França irá fazê-lo.
 
Russian sailors go on first training voyage aboard Mistral ship in France
 
 
 
Russian sailors on Saturday went on their first training voyage aboard one of the two Mistral ships France is building for the Russian Navy.

The ship named Vladivostok is to return in ten days on September 22...
 
...About 400 Russian sailors arrived in Saint-Nazaire in late June for training in the use and operation of the new helicopter carrier which is under construction at the shipyard
 
[...]
 
 
Ao contrário do South Stream, a entrega deste navio é bastante delicada. Afinal é um navio militar, um navio de grande envergadura, e permite à Rússia projectar seu poderio num local que vai causar extremo desconforto político. Este navio vai ficar na Crimeia, juntamente com os novos 6 submarinos e 6 fragatas. A Rússia ficará com uma frota nova e bem apetrechada no Mar Negro, no seu novo território.
 
Mantenho a ideia que tenho, parte da Europa quer trabalhar com a Rússia, e quase certamente que parte da Europa, não está de acordo com algumas opções políticas europeias tomadas em torno da Ucrânia. Infelizmente a Europa está demasiada exposta também ela a pressões externas e que nos estão a prejudicar.  
 
 

sábado, 13 de setembro de 2014

Ucrânia: Uma Punhalada Europeia Nas Costas


Presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovitch, a Presidente da Lituânia,
Dalia Grybauskaite, o presidente do Conselho Europeu, Herman van
Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso

Esta foto é excelente para recordamos o assunto ucraniano. Esta foto foi tirada em Novembro de 2013, em Vilnius, quando a Ucrânia ainda não estava em guerra, quando o presidente era Viktor Ianukovitch, quando a Ucrânia tinha a sua integridade territorial intacta, quando não havia milhares de mortos, quando um avião civil não tinha sido abatido, quando várias cidades não estavam destruidas.
 
E o que se passava nesta altura? Ianukovitch não podia aceitar avançar com o acordo com a UE, devido à sua dependência da Rússia e esta não queria que o acordo fosse feito, devido às implicações futuras, como a adesão à NATO.
 
Como tal Ianukovitch recuou e não avançou com o acordo. Reacção da UE? é bom relembrar:

UE rejeita argumentos da Ucrânia para não assinar acordo de associação
 
O comissário europeu para o Alargamento, Stefan Fule, rejeitou, esta quinta-feira, os argumentos sobre os elevados custos para a economia ucraniana apresentados pelas autoridades de Kiev para não assinarem o acordo de associação com a União Europeia.
 
"As alusões aos eventuais enormes prejuízos para a economia ucraniana são infundadas e pouco convincentes", afirmou Stefan Fule, em declarações à agência russa Interfax, antes do início em Vilnius, Lituânia, da cimeira da Parceria Oriental da UE.

O comissário europeu admitiu ter dúvidas sobre a veracidade dos dados sobre os prejuízos que poderão provocar as medidas protecionistas que a Rússia ameaça impor se Kiev avançar com o acordo com os 28 Estados-membros.

"Ultimamente deparei-me com muitos números fantasiosos que interpretei como um sinal de pânico. Já no primeiro ano da aplicação preliminar do acordo de livre comércio, os exportadores ucranianos pouparam em taxas 500 milhões de euros e o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,2% a longo prazo", salientou o representante comunitário.

Na semana passada, o governo da Ucrânia decidiu inesperadamente renunciar à assinatura de um acordo de associação e de um acordo de comércio livre com a UE.

A oposição acusou o governo de ter cedido à pressão da Rússia, que tinha claramente advertido Kiev das consequências comerciais de um acordo com a UE.
 

O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, qualificou como "uma esmola para um mendigo" os 1000 milhões de euros de compensação que a UE ofereceu a Kiev.


Por sua vez, o presidente ucraniano, Viktor Ianoukovitch, afirmou, na terça-feira, que o país iria esperar por melhores condições antes de considerar uma eventual assinatura de um acordo. 

"Assim que atingirmos um nível que seja confortável para nós, quando coincidir com os nossos interesses, quando concordarmos sobre as condições normais, então poderemos falar da assinatura" do documento, disse então o chefe de Estado ucraniano, numa entrevista transmitida pelos canais de televisão do país.

O presidente ucraniano acusou a UE de usar esta oferta como um "rebuçado" para persuadir a Ucrânia a assinar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), impondo uma subida dos preços do gás e do aquecimento para a população ucraniana e o congelamento dos salários e das pensões em troca de um empréstimo de 610 milhões de euros.

"Não seremos humilhados desta maneira. Somos um país sério
,

[...]
 
 
O que fez a União Europeia? EMPURROU, FORÇOU a Ucrânia, para uma situação insustentável. Hoje estamos a assistir às consequências da pressão europeia, sobre um país que estava debaixo de enormes pressões. Necessidades financeiras, pressão russa, pressão europeia, população dividida. A Ucrânia não estava em condições para cortar as ligações com a Rússia, a UE não oferecia garantias suficientes (dinheiro) para o país. A Ucrânia não podia abandonar o gás subsidiado, a UE não se ofereceu para pagá-lo. Resultado? A Ucrânia de hoje.
 
E agora depois de todo o mal feito à Ucrânia, o que decide AGORA a UE fazer?
 
Aplicação do acordo de livre-comércio entre a Ucrânia e a UE adiado para o final de 2015
 
O acordo de livre-comércio entre a Ucrânia e a União Europeia (UE), que deve ser ratificado na terça-feira pelo parlamento ucraniano, apenas entrará em vigor no final de 2015, anunciou hoje a Comissão Europeia.
 
A zona de livre-comércio era a principal medida económica prevista no acordo de associação entre a UE e a Ucrânia, assinado em junho. Até então, a Comissão tinha sempre assegurado que esta zona seria formada "rapidamente", mesmo de forma provisória, enquanto se aguardava a sua ratificação pela Ucrânia e pelos Estados-membros da União.

"Vamos adiar o acordo de livre-comércio para 31 de dezembro do próximo ano", declarou em conferência de imprensa o comissário europeu do Comércio, Karel De Gucht.

Hoje à tarde, este responsável reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Pavlo Klimkine, e com o ministro russo da Economia, Alexei Oulioukaev.
Por sua vez, o Presidente ucraniano, Petro Porochenko, afirmou em Kiev que o acordo de associação entrará em vigor a 01 de novembro, após a sua ratificação simultânea na terça-feira pelos parlamentos ucraniano e europeu.

Este acordo inclui em simultâneo uma componente política e outra comercial. Suscitou fortes críticas de Moscovo, que considera que a Ucrânia não pode dispor em simultâneo de laços comerciais privilegiados com a Rússia e a UE, como sucede atualmente.

"Isso permite-nos 15 meses para continuar as discussões (...) Chegámos a acordo para prolongar durante o mesmo período as medidas comerciais provisórias", que reduzem fortemente as taxas aduaneiras sobre certos produtos ucranianos com destino ao mercado europeu, explicou De Gucht.

Estas medidas provisórias decididas em março oferecem à Ucrânia importantes reduções dos direitos alfandegários numa série de produtos, permitindo segundo a Comissão uma poupança anual de 500 milhões de euros.
 
 
 
EU and Ukraine suspend trade pact
 
Ukraine and the EU are to delay the entry into life of a landmark free trade treaty for more than one year due to Russian concerns.
 
The trade pact was originally to enter into force on 1 November.
 
But following meetings between European Commission trade chief Karl De Gucht, Ukraine’s foreign minister, and Russia’s economy minister in Brussels on Friday (12 September) it will now be implemented on 31 December 2015.
 
Defending the deal, De Gucht told press it means Russia will not impose trade restrictions on Ukraine in the next 15 months.
 
...
 
Hundreds of people died in the “Euromaidan” revolution in February when Ukraine’s former leader decided not to sign it.
 
Thousands more died after Russia attacked Ukraine to stop it joining Western blocs.
 
One Ukraine-based EU diplomat told EUobserver the De Gucht news caused “shock, astonishment”.
 
He noted that European Commission head Jose Manuel Barroso and Ukraine president Petro Poroshenko had earlier the same day in Kiev spoken of ratifying the treaty on 16 September and implementing it on 1 November.
 
Barroso has on several occasions said Russia cannot have a veto on EU-Ukraine ties.
 
Referring to the De Gucht talks on Friday, he said they will “hopefully, [be] meeting some Russian concerns”.
 
[...]
 
 
 
Ou seja, agora que o caldo está entornado, é que a UE faz o que Ianukovitch fez há menos de um ano. O acordo não vai para a frente para já.
 
A Ucrânia de hoje é o resultado de uma política europeia desastrosa, feita por políticos arrogantes que acham que por serem europeus, são superiores, e que não precisam de ter em conta os interesses de outras potências.
 
Os danos são tão vastos, que ainda não se vislumbra como isto tudo vai acabar. O que é certo é que a Ucrânia, como país, está acabado e pode agradecer aos políticos europeus.

domingo, 7 de setembro de 2014

Mar (Russo) Negro II


Este artigo é o seguimento de um outro que fiz em Abril Mar (Russo) Negro, passou meio ano e estamos numa boa altura para verificarmos os avanços que estão a ser feitos.
 
Como tinha indicado na altura, o panorama do Mar Negro está a mudar, a Rússia tem novos territórios e pretende infestar o mar com novos submarinos (e não só), actualmente tem apenas um, mas a coisa está a mudar e este artigo pretende mostrar isso mesmo.


O panorama que se está a formar
 


Em Agosto temos o começo da alteração do cenário, com a passagem ao activo do primeiro submarino e o lançamento à àgua do 3º de uma série de 6. Os prazos parecem estar a ser cumpridos, com a indicação de que até ao final do ano vai dar início à construção dos 2 últimos.
 
De notar que os 3 primeiros submarinos, começaram a ser construidos, em 2010, 2011, 2012 respectivamente. Portanto, para o primeiro, passaram 4 anos. Mas, vale a pena reparar nisto, o 4º submarino começou a ser construido neste Fevereiro, e a indicação é que em Outubro começam os outros dois, ou seja, os restantes 3 submarinos, começam a construção em 2014 e é para estar tudo pronto em 2016. 3 submarinos em plena crise ucraniana e no meio de sanções, a Rússia não está a abrandar em nenhum projecto, além dos gastos acrescidos agora com a Crimeia.

Novorossiysk, entrada em serviço em 22 de Agosto de 2014, o 2º da série está para entrar em serviço até ao final deste ano
 
 
"The Project 636.3 submarines are an improved version of the 'Kilo' class, featuring uprated diesels, a propulsion motor rotating at half the speed (250 rpm), higher standards of noise reduction and an automated combat information system capable of providing simultaneous fire-control data on five targets."

Stary Oskol, lançado à àgua em 28 de Agosto de 2014
 
Ou seja, tudo aponta que para o inicio de 2015, o Mar Negro terá uma nova realidade, várias novas embarcações russas estarão no activo e isto terá impacto nas visitas de embarcações da NATO à Ucrânia e Geórgia.
 
Neste momento, temos 4 embarcações da NATO que entraram ontem no Mar Negro para exercícios com a Ucrânia, e já existe mais um cuidado a ter, anda por ali um novo submarino.
 
"...
The Arleigh Burke class guided-missile destroyer USS Ross and French frigate Commandant Birot were expected to enter Black Sea waters on September 3, with Spanish and Canadian frigates to follow on September 6.
 
Under the Montreux Convention, naval vessels of countries that do not border the Black Sea may remain in its waters no more than 21 days – a matter that has been the subject of complaints by Russia of late, with Moscow alleging that some Nato vessels have breached this agreement..."
 
A partir deste ano as embarcações da NATO vão sentir-se cada vez mais desconfortáveis nas suas curtas visitas ao Mar Negro. Agora a Crimeia é russa e no mar está uma alcateia cada vez maior à espreita...
 
P.S.:
Apenas estou a focar os submarinos, mas o investimento naval no Mar Negro é bem mais ambicioso, a realidade para 2016, são 6 submarinos e 6 fragatas, uma destas também para entrar no activo ainda este ano. Ou seja o desconforto das forças navais da NATO nesta zona vai aumentar exponencialmente.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

South Stream Está... Suspenso??

 
 
 
Muito se tem falado acerca do South Stream e o que ficou retido na memória das pessoas é que o pipeline está parado. A situação da Ucrânia, o aumento das tensões, fez com que a Europa suspendesse o pipeline.
 
Eu tenho colocado vários artigos acerca deste pipeline e da sua importância e agora quero mostrar o que actualmente se está a passar. Apesar de oficialmente o pipeline estar suspenso, o facto é que não está. O que está, é longe da atenção da imprensa o que permite ir avançando e pensar como contornar as questões políticas (Terceiro Pacote Energético da União Europeia) que impede o normal avanço do pipeline.
 
Neste momento temos duas situações interessantes, uma delas é o fornecimento de secções a um porto da Bulgária, o que mostra que além de estarem a ser construidos, estão a ser ENTREGUES.
 
 
Tubagem do South Stream que foi descarregado num porto Búlgaro

Depois de terem sido descarregados no porto, dias mais tarde, chega um dos navios especial para colocação da tubagem no fundo do mar.



Um dos navios especiais que coloca a tubagem no fundo do mar
 
Ou seja, para algo que está suspenso, estamos a ver bastante actividade. A juntarmos isto, temos a Europipe, a empresa ALEMÃ que ganhou o contrato de fornecimento para o South Stream e que não está parada a ver passar navios, como se pode ver.
 


 Tubagem pronta para entrega na Europipe.

Portanto tudo está a mexer, excepto a construção do pipeline propriamente dito em território europeu. Tudo está pronto para começar, falta ultrapassar a questão do Terceiro Pacote Energético da União Europeia e aqui entramos na segunda situação interessante.
 
Os países europeus afectados pela suspensão da UE, estão a tentar criar um "bypass" para dar a volta à questão política. Aqui entra um dos países europeus que está a puxar pelo o pipeline, a Aústria, e que parece que vai entrar com uma solução. Parece que os pipelines que transportam gás vindo de zonas de prospecção europeias, estão fora da legislação do pacote energético, e a Aústria explora uma zona, na Bulgária, e este gás tem que ser transportado, parece que vão tentar arranjar algo onde se possa incluir o South Stream.

Ou seja muita força está a ser feita para que o South Stream continue a avançar (e está a avançar), apesar de estar suspenso.

Apesar do histerismo criado à volta da questão ucraniana, a Europa, continua a fazer as ligações energéticas com a Rússia. Porque elas têm que ser feitas.

Agora como explicar isto a uma população europeia, que está constantemente a ser bombardeada pelos mídia, sobre o grande bicho papão que é a Rússia?

As pessoas não se apercebem das voltas que o mundo dá, para que no conforto do seu lar, o gás esteja sempre disponível...
 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os Ventos Começam a Mudar Na Ucrânia?

 
 
Definitivamente parece haver algo no ar. Alguém anda a fazer contas e não está a gostar do cheque que está a passar.
 
Duas notícias bastante interessantes vindas do motor da UE, ou seja a Alemanha.
 
A primeira é bastante curiosa, pois afinal toda a gente sabe que o "mundo" está a aplicar sanções à Rússia. Mas...
 
Germany clears $6.9 billion RWE unit sale to Russian investor
 
Germany's economy ministry approved the sale of utility RWE's (RWEG.DE) oil and gas unit DEA to a Russian investor despite tensions between Russia and the West over the Ukraine crisis...
 
...As part of the deal, Russian tycoon Mikhail Fridman and his co-investors will get stakes in about 190 oil and gas licenses or concessions in Europe, the Middle East and North Africa...
 
 
Bem, não estamos a falar de coisa pouca. E isto foi aprovado, numa altura como esta, em que as relações com a Rússia estão ao rubro. Portanto algo está a ser cozinhado. O quê, provalvelmente iremos descobrir em breve.
 
Como se não bastasse este curioso salto sobre as sanções à Rússia, temos a Merkel a fazer algumas declarações bastante interessantes. Algo vem aí.
 
Aconselho ler primeiro o que está a bold e depois ler o artigo por inteiro se assim o entender.
 
Merkel: Ukraine can go to Eurasian Union
 
Germany’s Angela Merkel has said Ukraine is free to “go to” Russia’s “Eurasian Union”, amid signs of a new willingness to make peace with Russian leader Vladimir Putin.
Speaking to German public broadcaster ARD on Sunday (24 August), the German chancellor said her visit to Kiev on Saturday was designed to prepare for peace talks between Ukrainian president Petro Poroshenko and Putin in Minsk on Tuesday, but warned the public not to expect a "breakthrough”.
 
She mentioned Ukrainian “decentralisation”, a deal on gas prices, and Ukraine’s “trade relations” with Russia as elements that could bring about an accord.
 
"And if Ukraine says we are going to the Eurasian Union now, the European Union would never make a big conflict out of it, but would insist on a voluntary decision," Merkel added.
 
"I want to find a way, as many others do, which does not damage Russia. We [Germany] want to have good trade relations with Russia as well. We want reasonable relations with Russia. We are depending on one another and there are so many other conflicts in the world where we should work together, so I hope we can make progress”.
 
The Minsk event is billed as a summit of the three states - Belarus, Kazakhstan, and Russia - in Putin’s “Customs Union”.
 
Poroshenko and three senior EU officials - foreign affairs chief Catherine Ashton, trade commissioner Karel De Gucht, and energy commissioner Gunther Oettinger - will also attend.
It is the first time EU commissioners will go to a Customs Union meeting, in what Merkel said signals the EU's engagement in solving the Russia-Ukraine conflict.
 
Russia set up the Customs Union as an alternative to the Eastern Partnership, an EU project to create a free trade zone with former Soviet states.
 
The Customs Union is to be changed into a political “Eurasian Union” on 1 January 2015.
For his part, Poroshenko, who was elected on the back of a pro-Western revolution in February, has already signed an EU free trade deal (DCFTA) and has promised to ratify it in September before general elections.
 
The DCFTA legally obliges Ukraine to stay out of the Customs Union.
 
But earlier on Saturday in Kiev, Merkel also indicated she is willing to make trade concessions to Moscow. “This [trade] is of greatest importance to Russia. I think, this has an importance beyond pure economics, it also has a psychological importance”, she said.
 
Poroshenko himself noted: “The choice the Ukrainian people made is a European choice. We have a clear position on the EU … free trade agreement”.
 
But he added the EU "would have nothing against" some form of Ukrainian association with Russia after the conflict in east Ukraine ends.
 
Some EU diplomats see Merkel’s ARD remarks on the Eurasian Union as a rhetorical statement meant to underline that Ukraine’s foreign policy is its sovereign choice.
 
But others fear Berlin is making a deal with Moscow over the heads of Brussels and Kiev.
 
Noting that German energy firm RWE this weekend sold an oil and gas extraction company, Dea, to Russian firm LetterOne in a deal worth €5.1 billion, one EU diplomat told this website: “There are signs Germany is seeking a return to peace and to business as usual at any price … even if this means putting off Ukraine’s ratification of the EU free trade pact”.
 
“That would be the death of the Eastern Partnership … It would be a catastrophe for EU foreign policy”.
 
Ukraine’s ambassador to the EU, Konstantin Yeliseyev, told this website on Monday there is no question of not ratifying the EU trade pact in September.
 
“This is our official line and this is the line that we will bring to Minsk”, he said.
 
“Our position is crystal clear … at the same time, we would of course consider a constructive partnership with the future Eurasian Union. I don’t exclude it. But not to the detriment of our European choice”.
 
Meanwhile, a European Commission official noted that while the DCFTA is legally incompatible with the Customs Union, it might be compatible with the Eurasian Union.
 
“She [Merkel] said ‘Eurasian Union’, not ‘Customs Union’ … If they [Ukraine] became a member in political terms only of some alternative model of integration, then, theoretically, there might not be a problem. We don’t know how the Eurasian Union will work because it doesn't exist yet”.
 
No Nato
 
Andrey Illarionov, a former aide to Putin who works for the Cato Institute, a think tank in Washington, also wrote on his blog on Sunday there is a Merkel-Putin deal in the making.
 
He said it includes: Ukraine talks with pro-Russia rebels that would freeze the conflict and give Putin de facto control of east Ukraine; a promise that Ukraine will never join the EU; a promise it will never join Nato.
 
Merkel in her ARD interview said "Nato membership for Ukraine is not on the agenda". She added that Poroshenko's participation at a Nato summit in September in Wales is part of Nato-Ukraine co-operation, "but not membership."

[Link]

Parece-me realmente, que algo está a ser cozinhado entre Merkel e Putin.

E a Ucrânia terá que fazer, o que tiver que fazer.