quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ucrânia No Espaço: O Fim?


Explosão de um foguete Antares com destino à Estação Espacial
Internacional
 
 
Foguete da Orbital Science explode durante lançamento
 
Um foguete não tripulado da companhia Orbital Science explodiu, nesta terça-feira, seis segundos após o lançamento da missão de reabastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS), informou a Nasa.
 
"O foguete Antares sofreu um acidente logo após a decolagem", reportou o centro de controle da missão da Nasa, em Houston, Texas.
 
Chamas foram vistas na plataforma de lançamento costeira, depois que o foguete decolou na Ilha Wallops, Virgínia, no pôr-do-sol, às 18h22 locais (20h22 de Brasília)...
 
 
Bom, mais uma péssima notícia para a Ucrânia. Apesar das notícias falarem da NASA, este foguete é de uma companhia privada, que a NASA subcontratou para enviar carga para a Estação Espacial Internacional. E pelo video que vi, a coisa deu uma explosão brutal, poucos (muito poucos) segundos depois de começar a subir.
 
Bom, e o que isto tem a ver com a Ucrânia? Tem muito. Os foguetes regra geral são construidos por estágios e o primeiro estágio é UCRANIANO. E muito possivelmente (conclusão muito prematura da minha parte), mas existe grandes hipóteses da falha ser ucraniana.
 
Notícia de 2013:
 
US-Ukrainian Antares rocket launched successfully on Sunday
 
April 21 the Orbital Sciences’ Antares rocket has been successfully launched from the spaceport at Wallops Island, Virginia. The Antares rocket was developed by U.S. Orbital Sciences Corporation in cooperation with Ukraine’s Yuzhnoye SDO and Yuzhmash.
 
Under the contract, the Ukrainian side ensured the design and construction of the first stage of the rocket, whereas the U.S. side was responsible for the second stage, ground infrastructure and marketing. Funding for the program is carried out with NASA’s participation...
 
Mesmo que a falha não seja ucraniana, de certeza que a imprensa em breve vai explorar a situação e meter os americanos com os cabelos em pé. O programa espacial americano está num caos. Actualmente, para colocar americanos na Estação, dependem dos russos e agora descobrem que os foguetes americanos, levam motores ucranianos. Isto vai ser extremamente embaraçoso,  a potência mais forte do mundo, está dependente de russos e ucranianos, estamos afinal a falar do país que meteu homens na lua.
 
Qual me parece ser o resultado desta situação? O desaparecimento da industrial espacial ucraniana. Dada a situação com a Rússia, esta está a acabar com as ligações à Ucrânia, e agora penso que irá ser alvo de pressão americana. Os americanos não querem ver o seu programa espacial neste estado, não vão admitir que estão dependentes de ucranianos para colocar o quer que seja no espaço. A situação é deveras embaraçosa para a Administração Obama. Penso que vai ser exigido que foguetes americanos sejam construidos por americanos.
 
A acontecer isto, o volume de encomendas à Ucrânia, irá aproximar-se do zero e muito possivelmente estamos a assistir ao fim da capacidade ucraniana neste segmento restrito. Muita perda de conhecimento e negócio. Duvido que o governo, a braços com um colapso económico tenha qualquer hipótese de manter à tona esta parte da economia.


sábado, 25 de outubro de 2014

Ucrânia: A Fúria De Cameron

 
 
Vou fazer aqui um paralelismo entre Cameron e a Ucrânia, vou começar por Cameron:

Cameron recusa pagar mais 2,1 mil milhões para orçamento da UE
 
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deixou nesta sexta-feira bem claro que o Reino Unido não pagará a contribuição adicional para o orçamento da União Europeia (UE), depois de se saber que Bruxelas vai exigir, já a 1 de Dezembro, mais 2100 milhões de euros ao país...
 
...
 
"Há ajustes todos os anos, uma vezes pagamos um pouco mais e outras menos. Mas nunca aconteceu termos de pagar uma conta de 2000 milhões de euros", sublinhou.
E reiterou: "Não vamos de repente passar um cheque de 2000 milhões de euros. Isso não vai acontecer".
 
...
 
Cameron citou o seu homólogo italiano, Matteo Renzi, que terá reagido à revelação dizendo: “Isto não é um número. Isto é uma arma mortífera”.
 
Pelo contrário, outros países têm direito a ser ressarcidos. É o caso da Alemanha e de França, que de acordo com o jornal britânico, receberão de volta 779,2 e 1016,3 milhões de euros, respectivamente.
 
...
 
De acordo com o Financial Times, haverá abertura por parte da chanceler alemã, Angela Merkel, para reavaliar os montantes exigidos pela Comissão Europeia.
 
 
 
Vamos agora olhar para a Ucrânia:
 
Ucrânia. Kiev pediu 2 mil milhões de euros à UE para pagar gás russo
 
A Ucrânia pediu um empréstimo de 2 mil milhões de euros à União Europeia (UE) para pagar a dívida de gás à Rússia, anunciou hoje um porta-voz da Comissão Europeia.
 
O pedido, formulado durante uma reunião ministerial UE-Ucrânia-Rússia para resolver o diferendo sobre o gás, “vai agora ser avaliado em consultas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as autoridades ucranianas”, disse o porta-voz, Simon O’Connor.
 
Com base nessa avaliação, a Comissão “fará uma proposta ao Parlamento Europeu e ao conselho”, que representa os Estados-membros.
 
A Comissão “continua muito empenhada em apoiar a Ucrânia”, disse...

[Link]

Podemos ver claramente a fúria de Cameron ao ter que desembolsar mais de 2 mil milhões, afinal é uma quantia considerável.
 
Agora podemos extrapolar esta situação e pensar no seguinte, qual será a reacção dos europeus se chegarem à conclusão que vão ter que pagar o gás ucraniano? Com tantas medidas de austeridade internas, como justificar estes valores para pagar energia a um país, quando nós a pagamos bem cara?
 
E não vai ser um empréstimo, este dinheiro se fôr para a Ucrânia, não tem volta. Os ucranianos nunca o irão devolver, pois ainda será necessário mais.
 
E porque é que não estamos a conseguir chegar a um acordo na questão do gás? bem, parece que a UE não quer se chegar à frente com o dinheiro, e exactamente por isto, a reacção dos europeus quando se souber o que vamos fazer.
 
Também podemos pensar em algo mais. Será que os ingleses vão fazer as contas ao ver que a Ucrânia pede à UE 2 mil milhões e o que a UE pede aos ingleses são 2.1 mil  milhões? Ou seja, quem vai pagar a factura do gás ucraniano?
 
A Europa vai pagar as opções que tem andado a fazer na Ucrânia bem caro, os custos monetários nos próximos anos e políticos vão ser de monta.

domingo, 12 de outubro de 2014

Acordo Rússia - China: Um Perigo Para A Europa



Este será um artigo que irá chamar a atenção para o futuro energético europeu. Nada de bom. É a própria Europa que diz que  a nossa dependência da Rússia irá aumentar e temos políticos que não estão a querer ver isso, movem-se por idealismos e interesses menos claros que nos vão colocar num futuro não muito longíquo, numa situação semelhante à da Ucrânia de hoje. Não sem energia devido a falta de pagamento, mas sem energia porque a Rússia, não poderá atender a todos os clientes.
 
Hoje, toda a gente sabe, a Rússia está a ser fortemente pressionada por sanções europeias. Também toda a gente sabe que a Rússia depende exclusivamente da venda de matérias primas para se manter à tona.
 
Se toda a gente sabe isso, porque ninguém se questiona, que raio de sanções são estas que não afectam a principal fonte de rendimento, tal como fizeram com o Irão? Toda a gente sabe porquê, parece que estamos dependentes da energia russa, mas estamos a tratar disso, em "breve" a Europa deixará de estar à mercê desses malvados, que nos cortam a energiam quando querem.
 
É aqui que começam os problemas da lógica. Até aqui, é do conhecimento comum. A Rússia corta a energia quando quer e estamos a arranjar alternativas para acabar com a dependência russa.
 
Mas ambas as situações são falsas. A Rússia nunca cortou energia à Europa. A Rússia interrompeu o abastecimento à Europa, depois da Europa estar aos gritos a dizer que a Rússia estava a diminuir o fornecimento de gás  a vários países e foi posto em causa a sua reputação de fornecedor fiável. Isto aconteceu quando a Rússia cortou o gás à Ucrânia e não à Europa e nunca foi colocado a hipótese de ser a Ucrânia a desviar esse gás para si. A Rússia na altura exigiu inspectores europeus em todos os pontos de saída russos, para voltar a abrir as torneiras, curiosamente não vi na imprensa, alguém pensar um pouco mais e pensar no que isto queria dizer.
 
Também não estamos a conseguir arranjar alternativas com a dependência russa. Andamos de ano em ano am falar sempre do mesmo, os anos passam e nada. conversa sim, muita. E porquê? porque é bem mais fácil falar do que fazer. A Europa como um todo é um gigante consumidor de energia que cada vez consome mais, ou seja a cada ano que passa consumimos mais e neste momento a Europa luta para NÃO aumentar a dependência da Rússia, procurando colmatar este aumento com importações vindas de outros produtores e para piorar a situação a própria Europa produz cada vez menos, estamos a esgotar os nossos recursos energéticos.


Os dados mostram claramente, a Europa está dependente de energia
importada e cada vez importa mais, ultrapassando os 50%, ou seja mais
de metade da energia que consumimos é importada. Dados Eurostat

 
Ou seja, a Europa anda à procura no mercado, quem lhes forneça, como anda o RESTO do mundo. A Europa tem que competir com outros grandes consumidores de energia, porque ao contrário do fornecimento que vem da Rússia, que vem por pipelines, a outra maneira é por transporte marítimo. E aqui temos uma GRANDE diferença, um pipeline não muda de rota, um barco SIM. O que quero dizer com isto? Quer a Europa alienar um fornecedor gigante com pipelines, em detrimento de vários fornecedores todos vindos de zonas duvidáveis, com governos bem piores, e que possam amanhã virar os barcos para outro cliente?
 
Temos algo mais, o motor da Europa a Alemanha, está a desactivar a as suas centrais nucleares, mas a Alemanha resolveu o seu problema e deixou de estar dependente de países trânsito, tem um pipeline exclusivo com o fornecedor, o que diz muito sobre a sua opinião acerca da Rússia como fornecedor.
 
Mas a Europa como um todo tem que competir com importadores energéticos de grandes dimensões, o Japão, que ainda por cima devido aos problemas nas suas centrais nucleares, teve que aumentar a importação da energia e a China... a China simplesmente não pára de crescer a um ritmo assustador a cada que passa.
 
Para reforçar um pouco a ideia:
 

 O consumo chinês não pára de crescer, a ritmos alucinantes.
 
 
China is now the world’s largest net importer of petroleum and other liquid fuels 
 
In September 2013, China's net imports of petroleum and other liquids exceeded those of the United States on a monthly basis, making it the largest net importer of crude oil and other liquids in the world. The rise in China's net imports of petroleum and other liquids is driven by steady economic growth, with rapidly rising Chinese petroleum demand outpacing production growth.
 
...
 
 
E o que se passa na Europa, que anda a fazer para acabar com a dependência da Rússia? naturalmente está a aumentar a sua importação via marítima que é como todos os outros fazem. Ou talvez não...
 

Importação de gás LNG dados de 2013, comparados com 2012
 
 
...Asia accounted for 75 percent of global gas demand last year, followed by Europe at 14 percent, the Americas at 9.3 percent and the Middle East at 1.3 percent, according to the Global Group of LNG Importers, an industry lobby in Paris. LNG imports into Europe declined in the past two years amid higher bids from Asian and South American customers seeking higher volumes, according to the organization...
 
...In 2013, Europe had net LNG imports of 35 million tonnes – its lowest volumes since 2004 and well below the 66 million tonnes in the peak year of 2011...
 
...LNG spot prices in Asia (and Latin America) stayed high, reflecting underlying tightness in the industry and reinforcing our view that the volumes were “pulled” away from Europe. In this environment, Asia was the predominant price-setting region for spot LNG cargoes...
 
 
A Europa habituada aos preços mais suaves e a ter um fornecedor gigantesco ao lado não está a gostar da experiência de ter que andar no mercado a competir com os asiáticos que pagam o que fôr preciso.  A Europa anda a brincar com o fogo com isto de querer afastar a Rússia...
 
........................................................................
 
Como demorei muito a escrever, vou escrever uma "parte 2" mais tarde. O tempo que se gasta com isto...

domingo, 5 de outubro de 2014

Ucrânia: O Peso Da Rússia II


 
 


Vou focar-me na pressão russa, não sobre pressão militar que é a mais focada/falada na imprensa, mas sim económica. Enquanto muita atenção é dada à tensa trégua existente, o que vai ser decisivo nas tomadas de decisão é a pressão económica que pesa sobre a Ucrânia. E aqui temos alguns factores que não nos podemos esquecer.
 
Pelo o gráfico que coloquei, dá para visualizar a situação global ucraniana, ela é um gráfico descendente tal como as reservas de dinheiro que possui. E este é o grande problema, o dinheiro que a Ucrânia possui, o dinheiro que o país ainda consegue gerar, o dinheiro que consegue manter no seu território, nos seus bancos.
 
A moeda ucraniana tem perdido valor em relação ao dólar, ela está em queda livre, ou seja tudo o que seja importado é mais caro. Ora o país cada vez necessita de mais coisas importadas, porque está mergulhado numa guerra civil e muito do que produzia, está neste momento parado. Menos produção, menos dinheiro, mais desemprego, tudo a contribuir para uma maior fragilidade do país.
 
De todas as fragilidades, vou focar na que considero mais premente, a questão da energia, ou seja o gás.
 
Se até hoje a Ucrânia, se baseou em gás subsidiado russo, a mudança agora para preços de mercado é de todo impossível. Eles podem importar gás de outros produtores? podem, mas precisam de pagar preços de mercado e dinheiro é coisa que não têm e do pouco que têm e como a moeda ucraniana vale cada vez menos, seria necessário massivas quantidade de dinheiro para pagar o gás importado.
 
Podiamos pensar, que podem recorrer às suas reservas de moeda estrangeira, mas aqui entra o gráfico que coloquei, as reservas estão perigosamente baixas ou seja não vão conseguir virar para este lado. Comprando a quem quer que seja, tem ainda uma outra agravante, reflectir os preços de mercado ao mercado doméstico/industrial seria acabar com toda a indústria que ainda subsiste e atirar as pessoas para a miséria, porque não terão dinheiro para nada.
 
Só vejo duas alternativas para a questão do gás, ou negoceiam com os russos ou negoceiam com os europeus, um deles terá que subsidiar o gás, ou seja um deles irá pagar o gás ucraniano. Pelo o comportamento da Europa, estes foram muito activos em apoios democráticos, mas quando chegou a altura de avançar com dinheiro, olham para o lado, prova disso está na proposta da União Europeia para esta questão, os ucranianos que paguem. Algo que nunca conseguiram até hoje...
 
Resta negociar com a Rússia. E aqui começam os problemas, a Rússia encostou a Ucrânia completamente à parede. Retirou a Crimeia, quebrando a territoriedade territorial, parou com o fornecimento de gás, dá apoio aos territórios rebeldes e o Inverno está ai. Os trunfos estão do lado dos russos.
 
Como se isto não bastasse, temos as dívidas do gás, a Rússia reclama em números redondos 5 mil milhões em dívida e para retomar o fornecimento, a dívida tem que ser paga e têm que fazer o pré pagamento do gás que querem comprar.
 
Mas a coisa ainda não fica por aqui, a Rússia no ano passado, fez um empréstimo à Ucrânia de 3 mil milhões e esta dívida tem andado a pairar o país como uma sombra sinistra.
 
Só para a Rússia temos dívidas na ordem dos 8 mil milhões, exigem pré-pagamento do gás pretendido e a preços de mercado.
 
Vamos olhar para a ajuda que já veio do FMI, 1ª tranche 3,2 mil milhões, 2ª tranche de 1,4 mil milhões, isto dá para pagar uns 50% da dívida ucraniana aos russos e o dinheiro do FMI não é para ser usado nesse contexto. Podiamos pensar nos euros e dólares que tanto ao Europa como os EUA têm dado à Ucrânia, mas as quantidades têm sido na ordem de alguns meros milhões, o que não dá nem para a cova de um dente.
 
Portanto, a Ucrânia vai ter que engolir a questão da Crimeia e começar a pensar em dizer sim a qualquer coisa que os russos queiram, ou não haverá gás de todo neste inverno, esta é a realidade, a Ucrânia está completamente nas mãos da Rússia e a Europa é responsável por esta gigantesca confusão.
 
E como a Europa é responsável, se calhar arrisca-se a pagar de uma maneira ou de outra.
Porquê? A Ucrânia pode simplesmente retirar para si o gás que necessita e que está a ser enviado para a Europa. A acontecer isso, a Europa estaria a colher as tempestades que andou a semear. Porque não estou a ver como é que a Europa irá conseguir desbloquear o seu gás, sem que alguém pague a dívida ucraniana.
 
Até o tempo está do lado da Rússia, não será esta que terá pressa em resolver esta questão, a pressa estará na Ucrânia e na Europa.
 
Que venha o Inverno.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ucrânia: O Peso Da Rússia



 
 
Bom, hoje é um dia interessante para recapitular algumas situações que foram ocorrendo sobre este assunto:
 
- A Rússia invadiu a Ucrânia
- A Rússia anexou a Crimeia
- A Rússia envia armamento
- A Rússia envia soldados
- A Rússia, etc...
 
- Condenações
- NATO aos gritos
- exercícios da NATO na Ucrânia (!!),
- reforços nos países da NATO adjacentes à Ucrânia
- Sanções
- Mais Sanções
 
Acho que todos percebemos a mensagem, a Rússia é um bicho papão, que acaba com qualquer "inocente" país que aspire à "verdadeira" democracia.
 
Mas, nada para temer, a Ucrânia tem a Comunidade Internacional do seu lado, tem a União Europeia, tem os EUA, tem a NATO, tem o FMI, enfim que mais pode querer a Ucrânia.
 
E com todo este impressionante apoio das democracias deste mundo, a Ucrânia pode enfrentar o seu gigante e opressor vizinho.
 
A Ucrânia tem uma economia completamente de rastos, mas com as mais fortes economias do seu lado, nada terá a temer.
 
Ou talvez não...
 
Afinal que faz a Europa para ajudar a Ucrânia?
 
Rússia e Ucrânia à beira de acordo para resolver problema do gás no Inverno
 
A União Europeia pôs em cima da mesa uma proposta que pode significar o fim da crise energética entre a Rússia e a Ucrânia, pelo menos a curto prazo. Pressionada por uma gigantesca dívida a Moscovo que ronda os 4000 milhões de euros por gás já recebido, Kiev terá de saldar mais de metade desse valor até ao fim do ano; em troca, a Rússia volta a abrir as torneiras e a enviar 5000 milhões de metros cúbicos directamente para a Ucrânia até Março de 2015.
 
A proposta, mediada pelo comissário europeu da Energia, o alemão Guenther Oettinger, foi apresentada numa nova ronda de negociações que decorreu nesta sexta-feira em Berlim, após o falhanço das conversações de Junho passado que levou ao corte do fornecimento de gás à Ucrânia...
 
Hungria suspende gás para a Ucrânia

Também nesta sexta-feira, a Hungria suspendeu o fornecimento de gás à Ucrânia por tempo indeterminado e chegou a acordo com a Rússia para aumentar as suas reservas, com o objectivo de passar ao lado das consequências da crise energética entre Moscovo e Kiev.
 
A notícia chega quatro dias depois de o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, se ter reunido com o director executivo da gigante russa Gazprom, Alexei Miller, e no mesmo dia em que representantes da UE, da Rússia e da Ucrânia negociaram, em Berlim, uma solução para o corte do fornecimento de gás de Moscovo a Kiev...
 
...A reunião de segunda-feira entre o primeiro-ministro húngaro e o director executivo da Gazprom serviu também para confirmar que a Hungria continua empenhada na construção do gasoduto South Stream ...
 
 
A Europa MANDA a Ucrânia pagar à Rússia, a Ucrânia está na bancarrota, e a UE, esse colosso económico, não se chega à frente. Se esta é a ajuda europeia à Ucrânia, porque diabo a UE insistiu em celebrar um acordo, tendo levado à situação que vemos hoje?
 
Com amigos destes... Quem precisa de inimigos?


domingo, 14 de setembro de 2014

O Mistral "Suspenso"

Marinheiros russos em França, para a primeira viagem de
treino no porta-helicópteros
 
 
Este será mais um artigo que chama a atenção às declarações políticas e o que se passa na realidade. Tal como chamei a atenção para "suspensão" do South Stream agora vou referir à suspensão do Mistral.
 
Convém relembrar o que foi dito no início deste mês, a uns meros 10 dias atrás:
 
França suspende entrega de equipamento militar à Rússia



Autoridades francesas suspendem entrega de navio por causa da situação na Ucrânia. Putin e Poroshenko conversaram sobre as condições para um cessar-fogo e as posições são "próximas".
A França anunciou esta quarta-feira a suspensão da entrega do primeiro navio de guerra Mistral à Rússia, prevista para Outubro. A razão invocada prende-se, segundo um comunicado da presidência francesa, com o facto de as condições para a autorização não estarem reunidas, tendo em conta a crise na Ucrânia.

A nova posição francesa em relação ao navio porta-helicópteros Mistral foi decidida durante um Conselho de Defesa, realizado na véspera da cimeira da NATO, que vai decorrer até sexta-feira no País de Gales, e algumas horas depois da divulgação de novas críticas norte-americanas à Rússia.

[...]

[Link]

 
A França fez as declarações que fez, porque estava pressionada para isso e estava nas vésperas de uma cimeira da NATO. Algo tinha que ser dito para a opinião pública.
 
Porque na realidade as coisas seguem o seu caminho, como se pode ver pelo o que aconteceu ontem. Ontem, marinheiros russos partiram numa viagem de treino de 10 dias no seu novo navio. Ou seja tudo indica que assim que houver uma abertura para a entrega do navio à Rússia, a França irá fazê-lo.
 
Russian sailors go on first training voyage aboard Mistral ship in France
 
 
 
Russian sailors on Saturday went on their first training voyage aboard one of the two Mistral ships France is building for the Russian Navy.

The ship named Vladivostok is to return in ten days on September 22...
 
...About 400 Russian sailors arrived in Saint-Nazaire in late June for training in the use and operation of the new helicopter carrier which is under construction at the shipyard
 
[...]
 
 
Ao contrário do South Stream, a entrega deste navio é bastante delicada. Afinal é um navio militar, um navio de grande envergadura, e permite à Rússia projectar seu poderio num local que vai causar extremo desconforto político. Este navio vai ficar na Crimeia, juntamente com os novos 6 submarinos e 6 fragatas. A Rússia ficará com uma frota nova e bem apetrechada no Mar Negro, no seu novo território.
 
Mantenho a ideia que tenho, parte da Europa quer trabalhar com a Rússia, e quase certamente que parte da Europa, não está de acordo com algumas opções políticas europeias tomadas em torno da Ucrânia. Infelizmente a Europa está demasiada exposta também ela a pressões externas e que nos estão a prejudicar.  
 
 

sábado, 13 de setembro de 2014

Ucrânia: Uma Punhalada Europeia Nas Costas


Presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovitch, a Presidente da Lituânia,
Dalia Grybauskaite, o presidente do Conselho Europeu, Herman van
Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso

Esta foto é excelente para recordamos o assunto ucraniano. Esta foto foi tirada em Novembro de 2013, em Vilnius, quando a Ucrânia ainda não estava em guerra, quando o presidente era Viktor Ianukovitch, quando a Ucrânia tinha a sua integridade territorial intacta, quando não havia milhares de mortos, quando um avião civil não tinha sido abatido, quando várias cidades não estavam destruidas.
 
E o que se passava nesta altura? Ianukovitch não podia aceitar avançar com o acordo com a UE, devido à sua dependência da Rússia e esta não queria que o acordo fosse feito, devido às implicações futuras, como a adesão à NATO.
 
Como tal Ianukovitch recuou e não avançou com o acordo. Reacção da UE? é bom relembrar:

UE rejeita argumentos da Ucrânia para não assinar acordo de associação
 
O comissário europeu para o Alargamento, Stefan Fule, rejeitou, esta quinta-feira, os argumentos sobre os elevados custos para a economia ucraniana apresentados pelas autoridades de Kiev para não assinarem o acordo de associação com a União Europeia.
 
"As alusões aos eventuais enormes prejuízos para a economia ucraniana são infundadas e pouco convincentes", afirmou Stefan Fule, em declarações à agência russa Interfax, antes do início em Vilnius, Lituânia, da cimeira da Parceria Oriental da UE.

O comissário europeu admitiu ter dúvidas sobre a veracidade dos dados sobre os prejuízos que poderão provocar as medidas protecionistas que a Rússia ameaça impor se Kiev avançar com o acordo com os 28 Estados-membros.

"Ultimamente deparei-me com muitos números fantasiosos que interpretei como um sinal de pânico. Já no primeiro ano da aplicação preliminar do acordo de livre comércio, os exportadores ucranianos pouparam em taxas 500 milhões de euros e o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,2% a longo prazo", salientou o representante comunitário.

Na semana passada, o governo da Ucrânia decidiu inesperadamente renunciar à assinatura de um acordo de associação e de um acordo de comércio livre com a UE.

A oposição acusou o governo de ter cedido à pressão da Rússia, que tinha claramente advertido Kiev das consequências comerciais de um acordo com a UE.
 

O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, qualificou como "uma esmola para um mendigo" os 1000 milhões de euros de compensação que a UE ofereceu a Kiev.


Por sua vez, o presidente ucraniano, Viktor Ianoukovitch, afirmou, na terça-feira, que o país iria esperar por melhores condições antes de considerar uma eventual assinatura de um acordo. 

"Assim que atingirmos um nível que seja confortável para nós, quando coincidir com os nossos interesses, quando concordarmos sobre as condições normais, então poderemos falar da assinatura" do documento, disse então o chefe de Estado ucraniano, numa entrevista transmitida pelos canais de televisão do país.

O presidente ucraniano acusou a UE de usar esta oferta como um "rebuçado" para persuadir a Ucrânia a assinar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), impondo uma subida dos preços do gás e do aquecimento para a população ucraniana e o congelamento dos salários e das pensões em troca de um empréstimo de 610 milhões de euros.

"Não seremos humilhados desta maneira. Somos um país sério
,

[...]
 
 
O que fez a União Europeia? EMPURROU, FORÇOU a Ucrânia, para uma situação insustentável. Hoje estamos a assistir às consequências da pressão europeia, sobre um país que estava debaixo de enormes pressões. Necessidades financeiras, pressão russa, pressão europeia, população dividida. A Ucrânia não estava em condições para cortar as ligações com a Rússia, a UE não oferecia garantias suficientes (dinheiro) para o país. A Ucrânia não podia abandonar o gás subsidiado, a UE não se ofereceu para pagá-lo. Resultado? A Ucrânia de hoje.
 
E agora depois de todo o mal feito à Ucrânia, o que decide AGORA a UE fazer?
 
Aplicação do acordo de livre-comércio entre a Ucrânia e a UE adiado para o final de 2015
 
O acordo de livre-comércio entre a Ucrânia e a União Europeia (UE), que deve ser ratificado na terça-feira pelo parlamento ucraniano, apenas entrará em vigor no final de 2015, anunciou hoje a Comissão Europeia.
 
A zona de livre-comércio era a principal medida económica prevista no acordo de associação entre a UE e a Ucrânia, assinado em junho. Até então, a Comissão tinha sempre assegurado que esta zona seria formada "rapidamente", mesmo de forma provisória, enquanto se aguardava a sua ratificação pela Ucrânia e pelos Estados-membros da União.

"Vamos adiar o acordo de livre-comércio para 31 de dezembro do próximo ano", declarou em conferência de imprensa o comissário europeu do Comércio, Karel De Gucht.

Hoje à tarde, este responsável reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Pavlo Klimkine, e com o ministro russo da Economia, Alexei Oulioukaev.
Por sua vez, o Presidente ucraniano, Petro Porochenko, afirmou em Kiev que o acordo de associação entrará em vigor a 01 de novembro, após a sua ratificação simultânea na terça-feira pelos parlamentos ucraniano e europeu.

Este acordo inclui em simultâneo uma componente política e outra comercial. Suscitou fortes críticas de Moscovo, que considera que a Ucrânia não pode dispor em simultâneo de laços comerciais privilegiados com a Rússia e a UE, como sucede atualmente.

"Isso permite-nos 15 meses para continuar as discussões (...) Chegámos a acordo para prolongar durante o mesmo período as medidas comerciais provisórias", que reduzem fortemente as taxas aduaneiras sobre certos produtos ucranianos com destino ao mercado europeu, explicou De Gucht.

Estas medidas provisórias decididas em março oferecem à Ucrânia importantes reduções dos direitos alfandegários numa série de produtos, permitindo segundo a Comissão uma poupança anual de 500 milhões de euros.
 
 
 
EU and Ukraine suspend trade pact
 
Ukraine and the EU are to delay the entry into life of a landmark free trade treaty for more than one year due to Russian concerns.
 
The trade pact was originally to enter into force on 1 November.
 
But following meetings between European Commission trade chief Karl De Gucht, Ukraine’s foreign minister, and Russia’s economy minister in Brussels on Friday (12 September) it will now be implemented on 31 December 2015.
 
Defending the deal, De Gucht told press it means Russia will not impose trade restrictions on Ukraine in the next 15 months.
 
...
 
Hundreds of people died in the “Euromaidan” revolution in February when Ukraine’s former leader decided not to sign it.
 
Thousands more died after Russia attacked Ukraine to stop it joining Western blocs.
 
One Ukraine-based EU diplomat told EUobserver the De Gucht news caused “shock, astonishment”.
 
He noted that European Commission head Jose Manuel Barroso and Ukraine president Petro Poroshenko had earlier the same day in Kiev spoken of ratifying the treaty on 16 September and implementing it on 1 November.
 
Barroso has on several occasions said Russia cannot have a veto on EU-Ukraine ties.
 
Referring to the De Gucht talks on Friday, he said they will “hopefully, [be] meeting some Russian concerns”.
 
[...]
 
 
 
Ou seja, agora que o caldo está entornado, é que a UE faz o que Ianukovitch fez há menos de um ano. O acordo não vai para a frente para já.
 
A Ucrânia de hoje é o resultado de uma política europeia desastrosa, feita por políticos arrogantes que acham que por serem europeus, são superiores, e que não precisam de ter em conta os interesses de outras potências.
 
Os danos são tão vastos, que ainda não se vislumbra como isto tudo vai acabar. O que é certo é que a Ucrânia, como país, está acabado e pode agradecer aos políticos europeus.