sábado, 6 de dezembro de 2014

Europa Começa A Pagar O Gás E A Manutenção Dos Pipelines Ucranianos

 
 
 
Vou colocar uma sequência de artigos de modo a mostrar a minha linha de raciocinio. Recentemente indiquei o estado crítico da Ucrânia e penso ser importante esta actualização.
 
No Dia 1 de Dezembro saiu a notícia que o Banco de Investimento Europeu iria emprestar 150 milhões de euros para actualizações nos pipelines.
 
"...Ukraine borrowed 150 million euros ($187 million) from the European Investment Bank on Monday to upgrade its section of pipelines that carry gas from Russia to Europe, The Associated Press (AP) reported. The money would be sent to the state-owned pipe operator Ukrtransgaz..."
 
 
Ou seja, isto mostra mais um dos problemas que a Europa enfrenta, a Ucrânia não tem dinheiro para fazer manutenção dos seus pipelines e se não tem, a Europa arrisca-se a ter falhas de fornecimento do seu principal país de trânsito.
 
Dia 3 de Dezembro saiu a notícia de que a UE alocou para a Ucrânia mais 500 milhões de euros.
 
"The European Commission, on behalf of the EU,today disbursed €500 million to Ukraine. This is the second and final loan tranche of the EU's €1 billion Macro-Financial Assistance (MFA II) programme for Ukraine approved earlier this year..."
 
 
No Dia 5, nova notícia, a Ucrânia, com o Inverno a apertar, começa a ter uma necessidade imperativa de obter gás. Sem dinheiro, só tem duas opções, ou desvia o gás europeu ou recebe financiamento. Está claro qual a opção escolhida. A Europa não pode permitir que o seu gás seja desviado. Terá que pagar o gás ucraniano.
 
"With freezing temperatures gripping Kiev, Ukraine's state energy firm Naftogaz said on Friday it had transferred $378 million to Russia's Gazprom to buy Russian gas for December, paving the way for the first shipments since Moscow cut supplies in June..."
 
 
E porque tem a Europa que pagar? Porque a Ucrânia está assim:
 
"Ukraine's reserves slump below $10bn
 
Ukraine's central bank reserves have dipped below the $10bn mark for the first time since at least 2005 after making a gas payment to Russia's Gazprom, underscoring the precarious position of the country's economy...
 
...The central bank's firepower is now all-but depleted, with reserves down to just $9.9bn in November, from almost $40bn in 2011...
 
...In a statement, the National Bank of Ukraine attributed the drop to a $1.45bn payment to Russia's Gazprom for unpaid invoices, interventions to defend the shaky domestic currency, and foreign debt payments to creditors including the IMF...
 
...Officials have also asked the EU to provide some €2bn of fresh financial assistance...
 
...Facing a cold snap, state-owned gas company Naftogaz is expected to dole out hundreds of millions of dollars in coming days – perhaps with more central bank assistance – to import natural gas from Gazprom..."
 
 
A situação está bastante má e as opções políticas que a Europa tem tomado, faz com que possa ser sugado para este buraco negro em que se transformou a Ucrânia.
 
A Europa arranjou um problema sério. 
 
E nós vamos pagá-lo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

South Stream: A Bomba Atómica



 
 
Aconteceu algo inesperado. O South Stream foi cancelado. Putin falou. A coisa é tão surpreendente, que apanhou todos desprevenidos, jornalistas incluidos. Tenho desde ontem espreitado as notícias sobre o assunto e fiquei com a sensação de que os jornalistas não sabiam se havia de festejar ou de lamentar. Afinal sempre se tem dito que a Rússia precisa da Europa para vender o seu gás, que tem a Rússia mais necessidade de vender à Europa, que esta de consumir.
 
Quem tem arrastado o South Stream, de modo a fazer pressão, realmente foi a Europa, mas quem cancelou o projecto foi a Rússia. Algo não deve estar a bater certo, para muito analista. Não deveria ter sido a Europa a ter dado esta bofetada? Como é que um país como a Rússia tão dependente da venda de matérias primas vai fazer uma loucura destas?
 
O South Stream foi sempre um tema que falei e que escrevi, vários posts estão aqui sobre ele. A minha opinião é clara, a Europa precisa deste pipeline. A Europa precisa do gás russo, se quer ter estabilidade energética. Diz-se que a Europa necessita de diversificar as fontes. Concordo, mas volto a insistir, essa diversidade não pode ser em detrimento da Rússia e não é apenas diversificar as fontes, mas também os países trânsito. O South Stream não diversifica a fonte, mas diminui a dependência que a Europa tem da Ucrânia.
 
Neste  momento a Europa está dependente de fornecimento de gás russo, através de um país mergulhado numa guerra civil. O fornecimento já foi afectado anteriormente, exactamente por causa da Ucrânia. Com o cancelamento do South Stream, o futuro da Ucrânia cada vez é mais crítico para a Europa, instabilidade na Ucrânia, implica instabilidade no fornecimento energético europeu. É anedótico que com tanta preocupação com a segurança energética europeia, o que se fez nos últimos tempos é verdadeiramente o oposto dessa preocupação. A Europa não deu um, mas sim vários tiros no pé.
 
Dito isto, vou dar o meu palpite sobre este cancelamento.
 
Penso que não seja um cancelamento definitivo, mas sim uma suspensão temporária. Apesar de a Rússia estar a virar para o mercado Asiático, o mercado europeu é importante e continuo a achar que a Rússia não quer virar as costas à Europa, apesar do actual clima político.
 
Agora, o que ganha a Rússia com esta cancelamento/suspensão?
 
1) Ganha força política.
 
Ao cancelar o projecto, os países europeus que querem o South Stream e têm lutado para isso, vão fazer barulho. Estes países ficaram entalados e vão apontar o dedo à Alemanha, esta tem um pipeline exclusivo, "nós" ficamos dependentes da Ucrânia.
 
2) Aplicação de Sanções
 
Não podemos esquecer que o projecto é da Gazprom, e esta subcontratou várias empresas europeias para implementar o projecto. Todas elas vão sofrer. Este projecto de vários milhares de milhões de euros, iria dar trabalho a muita gente e a muita empresa europeia. Acaba por ser uma resposta às sanções europeias e das duras.
 
3) Gazprom/Estado Russo
 
Com a queda brutal do preço da energia, as empresas energéticas precisam de abrandar os seus investimentos, quanto menor for o preço da energia, mais demorado será o retorno do investimento. A Gazprom, não está imune a isto e o estado russo também não. O lucro das vendas será desviado, diminui o investimento, aumenta os valores disponíveis para o estado russo, que está a ser obrigado a corrigir os seus gastos, devido à situação actual de guerra económica.
 
4) Crimeia
 
Eu já o tinha referido aqui anteriormente e vou voltar a insistir. Quando o South Stream foi projectado a realidade era outra, ou seja a Crimeia era ucraniana, o que obrigou a que o traçado do pipeline, contornasse a parte do Mar Negro que pertence à Ucrânia.
 



Mas agora a realidade é outra. A Crimeia é russa e precisa de receber energia. A Crimeia está ligada à Ucrânia e esse cordão umbilical foi cortado. Um novo traçado iria resolver vários problemas:
 
1) Deixa de estar na zona turca.
 
2) Abastece a Crimeia
 
3) Torna o projecto bastante mais barato. Por duas razões: traçado mais curto e seria colocado numa zona menos profunda. Na imagem seguinte, tracei um esboço do que seria o traçado ideal do pipeline, passando pela Crimeia e reparem na imagem que mostra as diferentes profundidades do Mar Negro, com este novo traçado, iria estar na zona menos profunda.
 
 

Conclusão? Acho que não vai ser cancelado, acho que terá que haver um entendimento político.

Nós, Europa, precisamos deste gás russo, não podemos permitir que seja enviado para outro lado, não podemos ficar dependentes de países Árabes, Africanos,Marcianos. Temos o maior fornecedor do mundo aqui ao lado, não se pode permitir que nos vire as costas e se foque na Ásia.

Não podemos comprometer a nossa segurança energética. O mundo cada vez consome mais energia.

domingo, 30 de novembro de 2014

Ucrânia A Esvair-se

 
Este ano vai perder metade das reservas
 
Vou focar novamente a economia ucraniana. A situação não é má, é péssima e ainda vai piorar. Este gráfico mostra claramente como as coisas estão a nível de reservas financeiras, basta ver o valor de entrada em Janeiro deste ano e os dados mais recentes.
 
 
 
Se olharmos para este gráfico que recua mais um pouco no tempo, podemos ver o valor atingido em 2011 e que temos neste momento em Outubro.
 
E o que se diz agora?
 
Ukraine's currency reserves plummet 23 pct to nine-year low
 
Ukraine's foreign currency reserves plummeted by almost a quarter month-on-month in October to $12.6 billion, the central bank said on Friday, due to energy payments and support for the faltering hryvnia currency.
 
Reserves are now at their lowest level since 2005 and the central bank, which drew from its coffers to help state energy firm Naftogaz service its multi-billion dollar debt to Russia
 
 
O artigo é claro, a queda acelerou imenso em outubro para PAGAR a dívida à Rússia. A Rússia não só consumiu território ucraniano, como está a esgotá-la financeiramente. E apesar de ter pago PARTE da dívida à Rússia, ainda não foi suficiente para abrir as torneiras, ou seja a Ucrânia está esfomeada de energia e continua sem receber uma gota vindo do seu vizinho.
 
A coisa está má? Vamos dar uma olhadela às reservas de ouro:
 

 
 
 Vamos olhar novamente para os valores de entrada deste ano, à volta de 42 toneladas de ouro. Qual a realidade actual?

"...Ukraine slashed its gold reserves by more than a third in October, data from the International Monetary Fund showed...

...Ukraine ended last month with 26 tonnes of gold, down by 14 tonnes from September...

...The 14.3-ton sale last month, valued at about $562.6 million based on October’s average price..."

[Link]

Quase de certeza que vamos sair deste ano, com metade das reservas de ouro que possuia com se entrou em 2014, ou seja uma perda de 50% num ano e o próximo ano a coisa ainda será mais grave.
 
Já agora, mais um pensamento, as reservas de ouro tinham estado a subir durante o governo de Yanukóvytch, como se pode ver pelo o gráfico, ou seja o actual "governo" está a consumir o que o anterior tinha ido juntando...

"...The dynamics (of the October fall) were influenced by the need to support Naftogaz (with) almost $2 billion ... and also by making payments for natural gas supplies from European suppliers,..."

Aqui neste parágrafo podemos encontrar a solidariedade europeia, parece que não pode haver atrasos no pagamento aos fornecedores europeus...

"...On Monday the bank said it had sold $1.3 billion in the past month and a half to defend the hryvnia, which has lost around 40 percent of its value against the dollar since the start of 2014..."

A moeda perdeu 40% desde o início de 2014, o que dá para imaginar como vai entrar em 2015. TUDO o que a Ucrânia importe, e cada vez terá necessidade de importar mais coisas, terá que ser paga regra geral em dólares, o que será muito, mas muito mais caro. Mesma a dívida à Rússia está a ser paga em dólares.
 
E para abrir as torneiras do gás russo ainda é preciso pagar MAIS até ao fim do ano, como se pode ver:
 
"Ukraine still has $1.6 billion in gas debts to pay by year end, and $700 million-plus a month to pay for any gas deliveries ... foreign currency reserve levels might well drop into single digits by year end, which is very, very low," he said...
 
As reservas financeiras recuaram para níveis de 2005, um recuo de uma década e ainda nem entrámos em 2015...
 
Com este nível de drenagem financeira, a Ucrânia, não irá sobreviver mais um ano. Vai implodir antes. Ou a Europa enterra quantidades absurdas de dinheiro sem retorno no que resta do país e não estou a ver como a Europa vai fazer isso, sem uma revolta da população europeia onde a maior parte dela vive em austeridade, ou terão que negociar com a Rússia e vão ter que ouvi-la, para se chegar a algo que se possa fazer no país. A Ucrânia precisa do gás russo e mais do que isso, precisa de gás russo BARATO, algo que só estes estarão dispostos a fazer, pois já vimos que dos fornecedores europeus esse tipo de "compreensão" não existe. 

domingo, 23 de novembro de 2014

Mistral: Não É Um, São Dois

2º Mistral, Sevastopol, foto tirada em Setembro
 
Como podemos ver por esta foto tirada em Setembro, o Sevastopol está bastante adiantado. Nada está parado na construção destes porta helicópteros, a não ser a entrega do primeiro. Estou a colocar este post, porque existem novidades sobre o 2º navio. Ele está na àgua.
 
France launches second Mistral-class vessel
 
French shipbuilders have reportedly launched the second Mistral-class amphibious helicopter carrier, Sevastopol, from its dry dock in Saint-Nazaire, France...
 
...The first carrier, Vladivostok, is expected to join the Russian Navy by the end of this year, followed by Sevastopol next year...
 
 
 
Sevastopol, fora da doca seca, já a flutuar
 
Parece-me que vamos ter em breve novidades sobre o primeiro Mistral. A França está sob uma enorme pressão, para não entregar o navio, mas durante a noite, o Vladivostok mudou de sítio para dar lugar ao Sevastopol.
 
Os rumores aumentam de que a entrega vai ser efectuada antes do final do mês.
 
A situação vai ter um impacto enorme. Quer seja entregue, quer não seja. A França entrega  e receberá condenação pelo o mundo ocidental, A França não entrega e dirão que cedeu aos interesses/pressões de terceiros. Afinal a França é um grande produtor de armas, vamos descobrir até que ponto.
 
Vamos aguardar pelo os próximos dias.


Rússia No Espaço: Olhar Para O Futuro

Angara 5, a nova aposta russa
 
A Rússia neste momento é quase só notícia devido aos acontecimentos na Ucrânia, também devido às "invasões" dos seus aviões e navios por este mundo fora. Além disso, a sua economia é amplamente falada porque está em "colapso", devido às duras sanções do mundo Ocidental.
 
A Rússia não é só energia e armamento, se nós neste momento temos a espécie humana permanentemente no espaço, isso deve-se ao programa espacial russo. E a Rússia continua a investir sériamente nesta dispendiosa àrea.
 
A Rússia é lider no lançamento de satélites, tem a responsabilidade de levar e trazer os astronautas que estão na Estação Espacial Internacional, colabora com a ESA (European Space Agency), onde um dos seus foguetões faz parte da família de foguetes da ESA (Ariane 5, Vega, Soyuz) para ser lançado a partir da Guia Francesa, o quanto mostra a enorme ligação entre Europeus e Russos no espaço.
 

22 de Outubro de 2011, 1º foguetão Soyuz a partir da Guiana Francesa.
 
A Soyuz launcher took off from Europe’s Spaceport in French Guiana on 21 October 2011. This was a historic event because it was the first time that a Soyuz was launched from a spaceport other than Baikonur or Plesetsk. It also marked a milestone in the strategic cooperation between Europe and Russia on launchers.
 
The decision to develop the launch infrastructure to enable Soyuz to be launched from French Guiana was of mutual interest to both Europe and Russia, and benefited from funding from the European Community.

Soyuz is a medium-class launcher. Its performance perfectly complements that of the ESA launchers Ariane and Vega...
 

Plataforma construida na Guiana Francesa, dedicada ao foguetão russo
 
 
Human spaceflight
 
To ensure that Soyuz will be able to carry out missions of this type from Europe’s Spaceport, the launch infrastructure has been designed so that it can be smoothly adapted for human spaceflight, should this be decided.
 
 
Além disso, são os foguetões russos que estão a colocar o sistema GPS Europeu no espaço, uma vez mais fruto da parceria entre ambos.
 
Relativamente a sistemas GPS, a Rússia também já tem o seu sistema operacional (GLONASS), outro grande projecto russo nesta àrea do segmento espacial.
 
Neste momento temos mais um avanço importante que é o novo foguetão, um novo modelo, penso que o primeiro foguetão construido pós URSS. O que mostra o investimento e a presença de know How, para quem tem dúvidas da capacidade tecnológica que existe no país. Para mim, indica que as novas gerações estão a herdar os conhecimentos e vão avançar, mantendo o país na vanguarda deste importante segmento.
 
Este ano, não foram só a explosão de um foguete nos EUA, nem o acidente com o Virgin SpaceShipTwo, foi também o ano que se efectuou o primeiro teste ao Angara.

9 de Julho de 2014, lançamento do 1º Angara, versão 1.2 ML
 
 
O lançamento foi efectuado com sucesso e agora o seu irmão bem maior vai também ser testado em condições mais duras, agora em Dezembro.
 

Angara 5



 
Several weeks ahead of a planned liftoff in late December, the biggest new Russian rocket to fly in a generation rolled to its launch pad at the Plesetsk Cosmodrome in northern Russia earlier this month for preflight testing...
 
...Russia envisions the Angara rocket family, which encompasses several configurations aimed at delivering small, medium-class and large satellites into orbit, replacing a range of launchers, including modified ballistic missiles such as Rockot and the heavy-duty Proton. The switchover to Angara rockets will also reduce Russian reliance on foreign suppliers and the Baikonur Cosmodrome in Kazakhstan, which has been the subject of contention between the Russian and Kazakh governments in recent years...
 
 
Além de novos foguetões, temos a construção do novo cosmódromo que irá estar preparado para o Angara, onde deixo algumas fotos deste ano, que mostram como vão as obras. Depois de completo, à volta de 20000 pessoas estarão no complexo, actualmente já trabalham mais de 5000 pessoas.

 Cosmódromo Vostochny



 
Novos foguetões, novo cosmódromo e uma nova nave russa:
 





 
Como é que se pode dizer que a Rússia é só energia e armamento? Vejam a dimensão disto, "isto" é  apenas o segmento espacial, quanta gente tem que estar dedicada a isto? A Rússia tem um rumo, a Rússia está a olhar pelas gerações futuras.
 
Eu, que sou uma pessoa que gosta destas coisas do espaço, vejo com agrado este esforço em colocar a humanidade mais além e tenho pena que tanto esforço seja gasto em futilidades, guerras e politiquices, se o mundo agisse como um só, onde estariamos nós.


domingo, 9 de novembro de 2014

Rússia Afasta-se Da Europa


As recentes notícias fazem-me pensar que a Rússia está a desistir da Europa. O que é mau para nós Europeus. A cooperação entre a Europa e a Rússia seria positiva, onde ambos suprimem algumas das suas mais importantes necessidades. A Europa necessita de energia e muita, pois é um velho continente onde muita coisa já foi explorada, onde a produção energética nos moldes actuais só pode conhecer um caminho, o declínio. A Rússia por seu lado, aspira a um ambiente mais europeu e quer importar tecnologia e know-how de modo a recuperar as suas variadas indústrias. Posso focar alguns projectos importantes entre europeus e russos, como a cooperação espacial, tanto a nível de foguetes como em sistemas GPS,  fabricantes automóvel estão na Rússia a recuperar as fábricas russas, o Sukhoi SuperJet onde países europeus estão envolvidos, etc.
 
A Rússia não quer da Europa apenas dinheiro pela venda da energia, as pessoas estão a esquecer-se que o mundo precisa de energia e a Rússia tanto pode vender à Europa como a outros. A Europa tem sido um cliente especial, mas parece que em breve vai descobrir que tudo tem um preço, as nossas opções têm um preço a pagar.
 
Há algo que a Rússia não vai aceitar e a Europa recusa-se a ver isso. A Rússia quer vender toda a energia que puder à Europa, mas esta não pode avançar lado a lado com estruturas militares para perto das suas fronteiras. A Europa não pode andar de mãos dadas com a NATO em direcção às fronteiras russas.
 
A questão ucraniana, e a participação europeia nesta, parece estar a fazer com que a Rússia esteja a alterar os seus planos de longo prazo. A Rússia vai deixar de olhar para a Europa, a Rússia vai virar-se para a Ásia. O que é mau, porque, tal como a Europa, a Àsia está sedenta de energia e lá está o maior consumidor do planeta, a China.
 
A Europa está a empurrar a Rússia para a China e isto é mau, muito mau e o preço destas opções iremos descobri-las na próximas décadas.


 

Rússia e China fazem segundo acordo para fornecimento de gás
 
Rússia e China assinaram os termos para um acordo de fornecimento de gás pela chamada rota ocidental, meses depois que os dois países selaram um acordo de US$ 400 bilhões em que Moscou entregará à Pequim 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano.

O memorando de entendimento foi assinado entre a russa Gazprom e a estatal chinesa National Petroleum Corporation (CNPC), afirmou o governo russo em comunicado.

Sob os termos do novo entendimento, a CNPC também vai comprar 10% de participação na russa Vankorneft, que é uma subsidiária da maior petrolífera russa, a Rosneft.
 
 
Com este segundo acordo de gás, a Rússia coloca em perigo o fornecimento de gás para a Europa. A Europa que sempre diz que quer aumentar a sua segurança energética, conseguiu alienar o seu maior fornecedor energético. É obra. As implicações disto são gigantescas. A Rússia avançou definitivamente para a política de ter vários clientes e vai fazê-lo mais rápido que a Europa que diz que quer diversificação de fornecedores. Embora eu esteja plenamente de acordo com a necessidade de termos diversos fornecedores, nunca, mas nunca à custa da Rússia. os níveis de energia europeus são demasiado grandes para alianarmos um fornecedor gigante mesmo à nossa porta.
 
A decisão foi tomada, e este segundo acordo, mostra a brutalidade da realidade. São investimentos muito grandes, são valores de fornecimento muito grandes.  Vai ser aberto uma nova rota, um novo pipeline (Altai).
 

 
Esta estrutura vai ser montada rapidamente e dentro de muito poucos anos vamos ter uma nova perspectiva energética. A China, o maior consumidor de energia do mundo, será o maior cliente, do maior fornecedor do mundo. A Europa empurrou a Rússia para os braços da China...
 
Implicações? muitas. O consumo energético crescente europeu não poderá ser colmatado pela Rússia, pois esta estará ocupada a fornecer a China. Russos e Chineses não vão usar o euro nem o dólar nas suas transações. Não existe países de trânsito, as ligações são directas. Não há espaço para porta-aviões, ou seja, estamos numa zona do mundo, em que os EUA dificilmente podem intervir, as rotas de grande controlo são as marítimas, por onde passa a maior parte do tráfego, mas estas ligações são terrestres e directas.
 
Energia? A Rússia fornece.
Dinheiro? A China tem.
 
Europa, o que fomos fazer?

domingo, 2 de novembro de 2014

Gripen: A Melhor Opção Para O Brasil?

Gripen - O Novo Caça Brasileiro
 
O Brasil tem grande experiência em novelas e esta questão dos novos aviões para o Brasil, tem sido uma novela daquelas. Eu há anos que acompanho a evolução do concurso para a compra dos aviões (perto de 15 anos, ainda com Fernando Henrique Cardoso, na presidência!), e interrogo-me se estamos mesmo no fim. Surpreendido por chegar onde chegou, estou. Porquê? porque não me parece nada, mas nada, uma boa escolha para este enorme país.
 
O Brasil é um país de grandes dimensões e este avião não é na minha opinião adequado para estas distâncias, o potencial de crescimento do Brasil, pede algo mais possante. O Brasil está a tornar-se num gigante fornecedor de energia e o mundo tem andando agressivo para com fornecedores energéticos que controlam em "demasiado" os seus recursos energéticos.
 
Á medida que o mundo cresce no consumo de energia, os produtores necessitam de proteger as suas riquezas naturais e o Brasil poderá no futuro ficar em alguma situação delicada pelo o controlo das suas riquezas.
 
Comprar um caça sueco, que usa componentes de outros países e um motor americano, parece-me uma má opção para garantir a independência e operacionalidade dos mesmos. Os EUA colocaram no chão a Força Aérea Venezuelana no chão, ao não permitir a manutenção dos F-16. Ou seja, de acordo com as opções políticas de um país, este pode ou não ficar entalado com o material que tem.
 
Parece-me que o Brasil, bem pode arranjar um "31" com estes caças suecos. Se as opções políticas forem positivas para as relações com os EUA, a coisa vai bem, mas se não fôr...
 
Dado que o Brasil tem feitos contratos significativos com um grande consumidor energético, concorrente dos EUA, a China, em caso de maiores pressões políticas, será fácil fazer ao Brasil, o mesmo que fizeram à Venezuela.
 
O Brasil como grande fornecedor energético, na minha opinião não deveria depender militarmente de um grande consumidor, isto se quiser manter uma política independente deste.
 
Na minha opinião, seria preferível ficar com os caças franceses, onde haveria menos risco de ser bloqueado algum componente essencial. Pois os franceses regra geral fabricam, sem estarem dependente de terceiros.
 
Isto para não falar dos russos, que também estiveram no concurso e depois sairam. Dos BRIC (Brazil, Rússia, India e China) o único que não tem os sukhoi é o Brazil, e o avião está pensado para grandes distâncias, como todos estes países o são. Seria a opção mais interessante a meu ver, embora políticamente compreendo a enorme pressão política que recairia sobre uma decisão destas. O Brasil iria ter com problemas com os EUA.
 
Agora uma coisa é certa, teria menos problemas com um produtor de armamento que não anda a percorrer o mundo à procura de energia. Nunca se sabe o dia de amanhã.
 
Vamos a ver se a coisa corre bem com os Gripen.
 
Espreitar artigos mais antigos onde foco este assunto: