domingo, 22 de fevereiro de 2015

Portugal, Argélia e ... Rússia



Agora que estamos todos de olhos postos na Ucrânia e onde a Rússia está debaixo de fogo com sanções económicas, vamos olhar para outro lado. Vamos olhar para um país que conhecemos bem, Portugal.

Todos estamos cientes que estamos livres do problema do gás russo. O nosso gás vem de outro lado e muitos têm dito que somos uma das alternativas para o abastecimento e diversificação do mercado europeu. Uma ligação mais forte a nível energético entre a Península Ibérica e o resto da Europa.

A maioria do gás que importamos vem da Argélia.

Vamos recordar o que alguns dos nossos políticos têm dito sobre o assunto:


Cavaco Silva: alternativa ao gás russo passa pela Península Ibérica


O Presidente da República defende que o abastecimento de gás ao centro e Leste da Europa deve passar a ser feito através da Península Ibérica. Cavaco Silva aponta esta solução como alternativa às actuais fontes de abastecimento provenientes da Rússia.
Cavaco Silva, que falava esta segunda-feira em Braga, onde decorre o encontro do Grupo de Arraiolos, apresentou a extensão de gasodutos que abastecem a Península Ibérica até ao centro da Europa como alternativa à redução de dependência energética europeia...

[Link]

Rui Machete em visita oficial de 24 horas à Argélia


...Portugal e a Argélia têm mantido um estreito relacionamento político, também assente nas importantes relações comerciais, culturais e no desenvolvimento de diversos projectos de cooperação. Neste âmbito, o tema da energia vai merecer particular destaque, também na sequência da crise na Ucrânia, pela forte dependência energética do ocidente face à Rússia e as significativas importações por Portugal de combustíveis minerais provenientes da Argélia, em particular o gás natural...

[Link]



A Argélia, aparece como um fornecedor alternativo ao gás russo. Ou seja pode mitigar o problema de fornecimento energético europeu, no objectivo de diversificação de fornecedores.

Mas será que a Argélia é realmente um fornecedor alternativo à Rússia? talvez sim, talvez não. Porque digo isto? pelo facto de que a Argélia e a Rússia, têm cada vez mais interesses em comum, principalmente na área energética.

Vamos aos pormenores, vamos recuar a 2006:


Algeria in Russian weapons deal

Algeria is to buy $7.5bn (£4.3bn) worth of Russian weapons and combat planes in return for Russia cancelling its debts to Moscow...

...Algeria will buy 40 MiG and 20 Sukhoi fighters, and 16 Yak jet trainers, Itar-Tass news agency reported. Also on the shopping list are eight S-300 missile systems and 40 T-90 tanks...


Eu, por esta altura, tinha escrito bastante sobre este pacote de armas. Este da Argélia e um outro da Líbia. Os dois combinados tinham o potencial de colocar em "cheque" os porta-aviões americanos que entrassem no Mediterrâneo, dado o tipo de material russo que estavam a adquirir. O melhor que a Rússia podia oferecer, inclusive mísseis que foram criados com o objectivo de atacar porta-aviões. O que se notava e ainda se nota é que países produtores de energia estão preocupados com o seu destino, dada a avidez de certos consumidores.

Apesar dos contratos enormes que a Líbia fez, saliento um deles, a encomenda de 3 navios porta-mísseis, que levam um míssil bastante mortífero: o P-270 Moskit. Um míssil supersónico com o objectivo de atacar grandes embarcações e muito protegidas.

Project 12421

Mas a Líbia não teve tempo para receber as encomendas, a realidade Líbia hoje, é outra. Agora o caso da Argélia é diferente. A Argélia recebeu as encomendas e continua nas compras. E que recebeu a Argélia desde o contrato de 2006? Vou colocar algumas das coisas adquiridas:


50 SU-30MKA


35 MI-24


16 YAK-130


300 T-90


4 submarinos - Project 636


2 embarcações project 20380


Além deste armamento saliento a aquisição de sistemas de defesa anti-aérea do melhor que a Rússia oferece para exportação. O temível sistema que os EUA nunca quiseram que o Irão ou Síria adquirissem. Os sistemas S-300.

8 Batalhões S300-PMU2


Este sistema "fecha" o Mediterrâneo e tem o potencial
de chegar a Espanha


A Argélia está a efectuar um forte rearmamento e as compras não se restringem à Rússia. Apesar deste grande investimento, curiosamente a partir de 2014, em plena crise ucraniana e com a Rússia debaixo de fogo com as sanções aplicadas, temos uns desenvolvimentos bastante interessantes.

Vamos ainda focar a nível de armamento:

Em  2014 é encomendado à Rússia mais 2 submarinos que estão para chegar em 2018. Com estes, a Argélia terá 6 submarinos no Mediterrâneo. Compra também novos helicópteros e manda modernizar outros.


46 MI-28N Night Hunter

6 MI-26

39 Mi-171Sh para modernização


Além disto foi assinado um contrato para mais 200 tanques T-90. Ou seja a Argélia está a ser fortemente armada pela Rússia. O nosso maior fornecedor de gás.

E além das armas o que se tem estado a passar? A Rússia está a investir no sector energético argelino. A Gazprom está lá.


Gazprom’s Next Acquisition – Algeria?

Russia’s oil and natural gas state monopoly Gazprom has been offered joint venture exploration projects in Algeria, the first foreign company to be invited to work in the country...

...Gazprom International, is already operating in Algeria, developing al-Assel oil and gas field in the east of the country in cooperation with Algeria’s Sonatrach...

...Algeria is Africa’s largest natural gas producer and second largest oil producer after Nigeria...

...Why Gazprom, why now? Simple - No significant exploration in Algeria has been carried out there for more than a decade, even as the country badly needs to develop new deposits to be able to fulfill its export commitments to Europe while meeting surging domestic needs. And actually, the contract is the result of eight years of negotiations...

...In August 2006 Sonatrach signed memorandums of understanding not only with Gazprom, but with Lukoil as well, Russia's second largest oil company and its second largest producer of oil...



Gostaria de salientar esta parte: 

"Why Gazprom, why now?... the country badly needs to develop new deposits to be able to fulfill its export commitments to Europe"


O que estamos a ver aqui é algo de bastante curioso, dentro de uns anos até Portugal vai começar a importar gás explorado pela Gazprom. Não vindo da Rússia, mas vindo da Argélia.

Outubro de 2014:

Sonatrach, Gazprom announce oil discovery in Berkin Basin 

ALGIERS-Sonatrach and its Russian partner Gazprom EP International B.V. announced Wednesday the successful completion of the drilling operation of Rhourde Sayah North-1 (RSHN-1)exploration wells, located at El Assel perimeter (block 236b) in Berkin Basin...


Gazprom na Argélia

Fevereiro de 2015:

Sonatrach and Gazprom discuss further natural gas collaboration in Algeria

Gazprom and Sonatrach have concluded a series of meetings in Moscow today between their two heads, Alexei Miller and Said Sahnoun, designed to further Algerian exploration and production cooperation between the two state entities...

...The meeting also considered joint actions within new oil and gas projects, while giving particular attention to potential LNG supplies...


Resumindo, este é um artigo que pretende chamar a atenção que a Rússia não está parada devido à situação ucraniana. Mais, a Rússia está a armar fortemente o nosso maior fornecedor energético e em breve, iremos "saborear" o gás argelino com sabor a russo.

Quando na Europa tanto se fala em diversificação de fornecedores energéticos, quando em Portugal se diz que não há problema porque não importamos gás da Rússia, deviamos olhar com mais atenção. A Rússia está presente nos fornecedores alternativos e está a armá-los. A Europa de uma maneira ou de outra, vai comprar mais à Rússia. Seja directamente, seja indirectamente.

Se pensarmos mais um pouco, existe alguma ironia na situação. Portugal está a contribuir para os cofres russos. Comprará gás argelino "made by Rússia", e a Argélia com esse dinheiro comprará armas russas.

Ou seja, Portugal indirectamente está a pagar a modernização militar da Argélia, a manter as fábricas de armamento russo a funcionar, e ainda dá lucro à Gazprom.

É este o mundo global em que vivemos.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Fim Da Estrada Para A Ucrânia




Diz-se que uma imagem vale mil palavras, e penso que esta é imagem ilustra bem o estado do país. A moeda crashou. Se isto tivesse acontecido ao rublo, seria notícia por tudo o que era imprensa. Como é a Ucrânia, não se fala muito disto, Mas a realidade é incontornável. O dinheiro está a chegar ao fim.

Em Novembro tinha chamado a atenção para as reservas que desapareciam a olhos vistos.

...The central bank's firepower is now all-but depleted, with reserves down to just $9.9bn in November, from almost $40bn in 2011...

 Neste momento têm pouco mais de 6 mil milhões, e parte do dinheiro que se evaporou, foi para tentar que a moeda se mantivesse à tona. Neste momento, desistiram dessa tentativa. O dinheiro está  a chegar ao fim e nada foi resolvido neste tempo. 




A Ucrânia, não tem reservas, a moeda colapsa, perdeu integridade territorial, parte do seu território está em guerra, o seu maior parceiro económico é a Rússia e é com esta que existe conflito. 

A UE vai lançando umas migalhas todos os meses, para haver dinheiro para algo, enquanto tentam encontrar uma solução para este imbróglio.

Os EUA ainda menos migalhas atira, enquanto vê assistir ao erguer de barreiras entre a Europa e a Rússia. Pelo meio oferece umas armas para ajudar à festa. Afinal o que vale a vida de um ucraniano? mais um país, mais uma cidade destruída. Do lado de lá do Atlântico, Uma Ucrânia, Uma Síria, Um Iraque, Um Afeganistão, Uma Líbia, todos são meros pontos num mapa, todos partilham o mesmo destino, a destruição.

E neste caso tem um bónus tremendo, as barreiras que se erguem entre a UE e a Rússia.

Seja como for, a Ucrânia está encostada à parede.ao ritmo que o dinheiro evapora, teremos que aguardar 2-3 meses, e penso que não terá capacidade para reagir. Cada vez é mais difícil, conter os rebeldes e estes têm conquistado terreno.

As jogadas estão do lado da UE. A Rússia vai assistindo ao colapsar e aguarda que ouçam os seus termos.

Não estou a ver isto de outra forma. Não estou a ver que trunfos tenham a Ucrânia, a UE, os EUA. A situação ucraniana é insustentável. A indústria estava virada para a Rússia e agora tudo vai desaparecer.

Era uma vez um país. 

Um país chamado Ucrânia...

sábado, 10 de janeiro de 2015

Uma Questão De Ouro III


Vou finalizar estes artigos de ouro, com algo que já estou para dizer há bastante tempo e tem ficado para trás.

Vou focar sobre o 2º lugar da tabela conforme indicado em artigos anteriores, a Alemanha. A Alemanha possui acima das 3000 toneladas, a Alemanha o motor da Europa. Vamos dar também uma olhadela para a Rússia, que tem estado continuamente a acumular ouro e já anda a rondar as 1200 toneladas e que está em 5º lugar na tabela (continuo a não contar com o FMI).

Existe uma grande diferença entre o valor da Alemanha e o valor da Rússia. Vamos agora olhar por outro prisma. Vamos equacionar um conflito que não precisa de ser militar, mas um conflito económico que saia fora de controlo, algo que contamine a economia em geral, algo que contamine a moeda de cada país.

Penso que estamos todos de acordo que ouro representa uma salvaguarda, algo para as emergências, para as necessidades. Ouro é Ouro.

Neste contexto, vamos pensar temos uma séria crise instalada e precisamos de recorrer ao nosso ouro, ao ouro que temos no "bolso". Mas apenas no nosso "bolso", não aquele que esteja guardado no "bolso" dos outros. Nunca se sabe o dia de amanhã, e o que pensamos que temos guardado no bolso dos outros, talvez nos surpreenda de forma desagradável na altura em que efectivamente precisamos dele.

Neste contexto a coisa muda um pouco de figura. A Alemanha tem muito pouco do seu ouro em casa, uma parte em Londres, outra em Paris e uma fatia de leão, quase metade do ouro alemão está em Nova Iorque. Dito por outras palavras, em "casa" existem 31%, em Paris 11%, em Londres 13% e uns imensos 45% em Nova Iorque. Em suma 69% do ouro alemão está fora do país.

Olhando de novo para a tabela e para os valores indicados, temos a Alemanha com umas 3390 toneladas, 31% em casa ou seja umas 1050 toneladas.

E a Rússia? A Rússia tem todo o seu ouro em casa disponível, não está no "bolso" de ninguém.

Se fossemos fazer uma tabela pelo o ouro que cada um tem em caso de necessidade, porque nunca se sabe o que pode acontecer em caso de crise, a tabela estaria muito diferente.

Que mais podemos dizer sobre o ouro alemão? algo de interessante e que merece uma espreitadela de vez em quando.

Vamos recuar a finais de 2012:


Germany to check gold reserves stored abroad

Much of Germany's gold reserves are stored abroad, in vaults in the US, Britain and France. No one has actually seen the gold bars for a long time - which has prompted German federal auditors to call for a look. 

In times of crisis, gold is considered to be a safe haven. But as the financial crisis has engulfed the European single currency zone, that very haven has shifted into the focus of politicians and Germany's National Audit Office. Questions are being raised as to whether the German Central Bank has in the past actually checked whether its gold stored in the US, France and the UK actually has the weight it is supposed to have. Only about 30 percent of the country's gold reserves are stored within Germany itself.

The National Audit Office – an independent authority that monitors Germany's finances – has on behalf of parliament looked into whether the central bank is properly checking its gold reserves...


Existe preocupação sobre o ouro que não está no "bolso".

Vamos agora para alguns meses depois:

Germany to Move 674 Tons of Gold

FRANKFURT — Nearly half of Germany’s gold reserves are held in a vault at the Federal Reserve Bank of New York — billions of dollars worth of postwar geopolitical history squirreled away for safe keeping below the streets of Lower Manhattan. 

Now the German central bank wants to make a big withdrawal — 300 tons in all. 

On Wednesday, the Bundesbank said that it would begin moving some of the reserves, the second-largest stock in the world after that of the United States. The goal is to house more than 50 percent of German gold in Bundesbank vaults in Frankfurt by 2020, up from a little less than a third today, the bank said...


A Alemanha quer repatriar o seu ouro. Pelo menos 50% no seu "bolso". 

Vamos avançar um pouco mais no tempo:

A parte que está em Paris, foi repatriado, e a parte de Nova Iorque? Algo curioso aconteceu.

Artigo de Junho de 2014:

German Gold Stays in New York in Rebuff to Euro Doubters

Germany has decided its gold is safe in American hands. 

Surging mistrust of the euro during Europe’s debt crisis fed a campaign to bring Germany’s entire $141 billion gold reserve home from New York and London. Now, after politics shifted in Chancellor Angela Merkel’s coalition, the government has concluded that stashing half its bullion abroad is prudent after all. 

“The Americans are taking good care of our gold,” Norbert Barthle, the budget spokesman for Merkel’s Christian Democratic bloc in parliament, said in an interview. “Objectively, there’s absolutely no reason for mistrust.” ...


Eu espero que a razão tenha sido esta. Porque as alternativas não são agradáveis de pensar.

Não deixo de pensar, que, se decidir guardar o meu dinheiro debaixo do colchão, e decido ir ao banco para levantar o MEU dinheiro, este é entregue sem questões, e sem mais delongas.

Não desisto da minha intenção, porque o banco é "seguro".

A maior economia do euro, a moeda que rivaliza com o dólar, tem perto de metade das suas reservas de ouro no "reino" do dólar. E quando decide levantar o seu ouro... muda de ideias.

Interrogo-me o impacto disto nas políticas externas alemãs e nas políticas externas europeias.

Definitivamente a coisa não me agrada. Algo não parece bater certo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Sanções: Faz O Que Te Digo, Não Faças O Que Eu Faço




Este post será uma actualização de um outro que coloquei em finais de Outubro, Ucrânia No Espaço: O Fim?, e que fala acerca dos problemas e dependências de projectos do sector espacial americano.
 
Na altura, conforme indiquei, o foguete que explodiu tinha um estágio de fabrico ucraniano e foi esse que deu problemas. O embaraçoso foi descobrir a dependência em recentes foguetes americanos de componentes do tempo da URSS.
 
Depois deste embaraço, a quem os americanos recorreram para solucionar o problema? Por mais incrível que pareça, e será algo que não será muito badalado concerteza por aí. Foram ter com os russos. Os tais que estão debaixo de duras sanções ocidentais, sanções em tudo, excepto em algumas coisas...
 
Antares Upgrade Will Use RD-181s In Direct Buy From Energomash

Orbital Sciences Corp. will buy directly from Russia’s NPO Energomash a new rocket engine with a long heritage, to replace the surplus Russian powerplants tentatively implicated in the Oct. 28 failure of an Antares launch vehicle with a load of cargo for the International Space Station (ISS).
 
Designated the RD-181, the new engine will be used on Antares in shipsets of two to accommodate as closely as possible the two-engine configuration built around the AJ-26 engines supplied by Aerojet Rocketdyne, Orbital Sciences managers said Dec. 16...

...Congressional concern about Russian aggression in the Crimean peninsula led to a ban in the new National Defense Authorization Act (NDAA) on using RD-180s purchased after Russia occupied the Ukrainian territory on Feb. 1. Grabe said that legislation will not affect the deal to buy RD-181s from Energomash.
 
“We’ve coordinated with all relevant congressional committee staffs to keep them informed of our decision,” Grabe said. ...
 
 
Um pormenor importante aqui, a Orbital Sciences Corp., comprou os motores russos RD-181, e os que foram sancionados foram os RD-180, e porque este modelo foi referido? por algo muito curioso, os satélites MILITARES americanos são colocados no espaço por foguetões que usam os motores RD-180 russos e isto é algo que os preocupam, esta enorme dependência de material russo, em várias áreas do sector espacial americano.
 
Após sanções, a Rússia continua a enviar os motores para os EUA, para estes poderem colocar os seus satélites militares no espaço, conforme atesta este artigo:
 
Russian RD-180 rocket engines delivered to ULA
 
Dodging tit-for-tat sanctions that have paralyzed trade between the United States and Russia, a cargo plane landed in Alabama on Wednesday with two Russian-made RD-180 engines destined to power U.S. government spacecraft into orbit aboard Atlas 5 rockets.
 
The engines flew from Moscow to Huntsville, Ala., aboard a Russian Antonov An-124 transport plane. Workers planned to unload the engines for a road trip to United Launch Alliance's rocket factory in nearby Decatur, Ala.
 
The shipment marked the first time RD-180 engines were delivered to the United States since a senior Russian government official threatened to cut off the supply of engines for launches for the U.S. military, the primary customer for United Launch Alliance's Atlas 5 rocket.
 
...No hydrocarbon-fueled rocket engine currently produced in the United States matches the performance of the RD-180 engine...
 
...Responding to U.S. government sanctions targeting individuals with ties to the government of Vladimir Putin in the wake of Russia's annexation of Crimea, Rogozin proclaimed in a May 13 press conference that shipments of RD-180 engines for U.S. military satellite launches would end...
 
...A federal judge issued a temporary injunction banning future purchases of RD-180 engines by ULA or the Air Force, but she rescinded the order a week later after U.S. government officials assured the court that the transactions did not violate sanctions against Russia...
 
...After Wednesday's delivery, ULA has 15 RD-180 engines in its inventory in the United States. Another 27 RD-180 engines are on order with shipments scheduled through 2017... 
 
 
As voltas que este mundo dá. Se a hipocrisia, gerasse energia, não precisariamos de petróleo...

domingo, 28 de dezembro de 2014

Uma Questão De Ouro II


 
Nesta questão literalmente de ouro, tenho mais um assunto para falar, que considero interessante e que nos toca um pouco a nós, "nós",  União Europeia.
 
Vou colocar uma parte de um pdf que se pode encontrar aqui: [Latest World Official Gold Reserves] , pois quero focar as principais reservas de ouro.



Tirando o IMF, temos a lista dos Top 5. Destes 5 países, 3 pertencem ao "core" da UE e combinados, somam 8271,4 toneladas o que permite ver por outro prisma, o comparar os EUA e a força combinada da UE. Portanto no Top 5, temos basicamente os EUA, a UE  e a Rússia.
 
Também dá para reparar que no caso da Rússia, é o que possui dos 5 a menor quantidade de ouro e é também quem mostra uma percentagem menor relativamente às reservas que possui. As sensivelmente 1000 toneladas, representam apenas 10% do total das reservas, algo bastante diferente dos restantes.
 
Não está incluido nestes TOP 5, mas o país seguinte é a China, e esta também possui à volta de 1000 toneladas, sendo que estas apenas representam 1% do total das reservas chinesas. Percentagens bastante diferentes dos outros aqui referidos.
 
E se olharmos para as o total de reservas financeiras por país, temos um outro cenário interessante:
 

 
Eu tirei estes dados do site da CIA, para ver o total dos dados, consultar: [Link]
 
Em termos de reservas financeiras, a disparidade de valores entre a China e os EUA, é verdadeiramente abismal. Num confronto económico em larga escala, as potências ocidentais têm um problema, as riquezas não estão concentradas apenas no seu lado.
 
Neste contexto, um dos cenários em que penso, é na China e no seu possivel envolvimento à questão económica actual russa que está debaixo de fogo. A China é a fábrica do mundo, a Rússia o maior fornecedor energético mundial, um dos grandes problemas da China é arranjar energia para o seu brutal crescimento, e já existe vários pontos de tensão na Ásia, com as posições agressivas chinesas em relação a outros países na zona, a China quer o controlo das zonas ricas em energia e tem havido vários incidentes com demonstrações de força.
 
Dado que para este lado a China só pode ver confrontos, com vários países, incluindo os EUA, existe uma maneira bem mais pacífica de crescer nos próximos anos. A Rússia. E esta acabou de fazer este ano, acordos enormes para fornecer a fábrica do mundo. A Rússia vai passar a fornecer a China, pondo mesmo em risco o fornecimento à Europa. Por culpa desta.
 
Quer a China permitir, quando conseguiu acordar o acesso às vastas reservas russas, que a Rússia entre em convulsão económica, colocando em risco o que conseguiram este ano? Qual o interesse da China em ver uma Rússia instável, onde coloque em risco o seu fornecimento? Uma Rússia que perca controlo das suas reservas energéticas, uma Rússia que desvie novamente essas reservas para o Ocidente?
 
Penso que a actual situação ucraniana, poderá desencadear coisas bem maiores, num futuro muito próximo.
 
A China poderá desempenhar um papel bem mais activo (no contexto económico).
 
A China pode mudar o mundo tal como o conhecemos hoje.

Uma Questão De Ouro


 
 
 
Já estive para escrever sobre este assunto, como tantos outros que estão na calha, mas outras coisas vão passando pelo meio (como o tempo necessário para escrever...) e acabou por ficar como rascunho guardado nos meus arquivos.
 
O assunto emerge novamente nos meus pensamentos, devido a alguns artigos que tenho lido recentemente. Uma vez mais, induzem-nos em erro. Somos livres de pensar, mas curiosamente, somos conduzidos nos nossos pensamentos, de modo a pensar, de se chegar à conclusão, do que se pretende. Será possível? às vezes interrogo-me...
 
Vamos então à questão que acabou por me despertar desta letargia. A questão é literalmente de ouro. Vamos começar com alguns excertos de um artigo:
 
Russia raises gold reserves for 8th month, Ukraine cuts again
 
Russia raised its gold reserves for the eighth month in a row in November, while Ukraine reduced its bullion holdings for a second straight month, according to International Monetary Fund data released on Tuesday.
 
Russia, the world's fifth-largest holder of bullion reserves, raised gold holdings by 18.753 tonnes to 1,187.493 tonnes last month.
Part of the increase comes as Russia's central bank has been forced to step up buying from domestic producers hurt by Western sanctions following the Ukraine crisis, Reuters reported earlier...

...
Ukraine is near bankruptcy, dependent on international loans, and deeply in debt for natural gas to Russia. Its foreign currency reserves tumbled to a 10-year low in November...

[Link]

De notar a questão ucraniana, também referida no artigo, dos graves problemas económicos que os afecta. Mas o que quero chamar a atenção é à explicação para o facto da Rússia aumentar as suas reservas de ouro. As suas reservas de ouro crescem devido ao facto dos produtores domésticos não conseguirem vender para o exterior e o banco central russo ficar obrigado a comprar.
 
Tudo muito bonito. A justificação até encaixava, se por acaso a Rússia, só andasse a comprar ouro agora. Mas não anda. A Rússia tem andado a comprar ouro muito antes das sanções, muito antes da situação na Ucrânia. Então porquê dar justificação tão estranha?
 
Parece-me que a única razão é que não estão a perceber como é que a Rússia à beira de um colapso económico, ainda consegue aumentar as suas reservas de ouro, ao contrário da Ucrânia, que se comporta como "deve" a vender o pouco que ainda tem. Vai daí arranjamos esta justificação, só estão a comprar porque necessitam de dar um ajudinha aos produtores domésticos...
 
Para se ter uma ideia dos níveis dos valores do ouro russo, vou deixar um gráfico que é auto explicativo:
 

 
Como podemos ver pelo o gráfico, a Rússia começou a acelerar as suas reservas de ouro em meados de 2007 e não tem parado desde então. Os valores de crescimento são significativos e não estamos a ver 2013 até hoje. Vamos espreitar mais um gráfico:
 
 
Este gráfico vai até Julho deste ano e confirma-se a mesma coisa, a Rússia continua a acumular ouro, já com a crise ucraniana e as sanções em vigor. Não está a vender. Não parou de comprar, continua a seguir o seu caminho.
 
Vamos olhar ainda mais de perto:

Big Lesson For Gold Investors In Russia's Currency Crash
 
Russia has been the world’s biggest buyer of gold this year, taking its national holdings into the top five worldwide, but Russia’s huge central-bank gold demand has done nothing to stop its currency and economy crashing, an awkward truth for hard-money fans in the West who think central-bank buying always signals strength and vigor.
 
Now some traders fear Moscow could dent the gold price and related ETFs like the SPDR Gold Trust (GLD) by selling some of its hoard to raise dollars and euros, and then selling them to buy rubles and try to support the currency’s FX rate. Indeed, it seems one over-excited translation of a Russian website has even led a professional bank analyst to say it is “possible the Central Bank of Russia has started to sell off some of its gold reserves in December.”
 
In reality, the CBR was still adding gold in November, and the odds are very slim that it will dare sell any gold yet, much less report it to the world. First because there is another state-owned stockpile of precious metals to get through first, palladium. Second because even cold cash is unlikely to trump the political value of Russia’s gold reserves.
 
It was late in 2005 when President Vladimir Putin publicly approved a plan from the Central Bank of Russia (CBR) to double Russia’s state gold holdings. He set the target at 10% of total reserves by value, a level lost after the 1998 ruble crisis as Russia first sold down its gold holdings near 20th century lows, and then as it hoovered up dollar and euros thanks to the surge in energy prices...
 
 
A Rússia em Novembro, continuou a comprar ouro e aproxima-se das 1200 toneladas. É o maior comprador do mundo de ouro este ano e destronou a China, ficando em 5º lugar.
 

Dados de 2009
 

 
Outubro deste ano
 
Ou seja, esta guerra económica que estamos a ver, ainda vai ter muitos episódios, a Rússia não está a ceder, como seria expectável nas condições em que se encontra. E falta ver, quem irá dar algum suporte. Ou seja, a Rússia está a dar a cara, pelos os países "não ocidentais", onde muitos acham que o mundo deveria ser mais multipolar e esta questão da Ucrânia, pode crescer, pode evoluir, para outras questões pendentes, tal como o domínio do dólar.
 
Isto porque a Rússia vai passar a alimentar energéticamente a China, e a India tem a Rússia como um parceiro priveligiado. E nenhum destes está de acordo com as recentes acções ocidentais. Temos problemas na Ucrânia, Síria, Afeganistão, Líbia, Iraque.
 
Podemos estar à beira de um choque de civilizações. 


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Opções Europeias: South Stream E Ucrânia


Vou fazer um update a estes temas, dado o evoluir da situação. Estamos a presenciar uma escalada de hostilidades onde a economia está ao rubro. A imprensa tem dado grande destaque à situação económica russa, fomentando um estado de pânico, prevendo um colapso da economia, devido à queda do preço do petróleo. Estamos a assistir a algo interessante/importante, a Rússia esforçou-se ao longo da última década em reforçar as suas reservas financeiras, para dias difíceis e está agora a testar as suas teorias, pode a Rússia conter um ataque económico? Eu penso que sim, terá que haver uma grande travagem a nível de investimentos, mas será difícil de fazer parar a máquina. Não podemos esquecer que não é só a Rússia que é atingida economicamente, vários países são afectados também.

Menos atenção tem a imprensa dado ao South Stream e muito menos à economia ucraniana, onde a situação está deveras explosiva.

Vou falar agora relativamente ao South Stream e a um desenrolar interessante, sobre a visita do primeiro ministro Búlgaro à Alemanha para falar com a Merkel:





Dialogue with Russia on South Stream must continue, Merkel tells Bulgarian PM Borissov

The European Union has not given up on the South Stream gas pipeline project and therefore the dialogue with Russia must continue, German chancellor Angela Merkel told visiting Bulgarian Prime Minister Boiko Borissov during talks in Berlin on December 15...

...Merkel told Borissov that Germany had good experience with Russia as a reliable partner and had received assurances from Bulgaria that it too was a partner that could be trusted....


Declarações interessantes de Merkel. É preciso não esquecer, que os alemães estão descansados, eles têm um pipeline directo para a Rússia e agora não deixaram os outros fazer o mesmo, mas Merkel deu indicações que é necessário ir falando do South Stream. Com a Rússia.

Também é interessante ver pela perspectiva das empresas que participam no South Stream, é que muitas são europeias e claro, essas estão a sentir na pele a paragem do projecto.

South Stream cancellation means anxious wait for pipemakers



Russia's decision to scrap the South Stream natural gas pipeline to Europe has left pipeline makers from Japan to Germany awaiting the fate of deals worth $2.24 billion...

...Germany's Europipe was supposed to supply half of the pipes for the first stage, with Russia's United Metallurgical Company (OMK) and Severstal's Izhora Pipe Mill providing the rest of it...

Italian oil services group Saipem has been notified of a suspension of activities which include pipe-laying operations. Its chief executive has said that could mean a loss of 1.25 billion euros in revenue in 2015...



Ou seja, temos muita gente a perder com isto. Os europeus podem fazer uns sorrisos, mas apenas amarelos, isto afecta empresas europeias.

E quanto à Ucrânia?  

A Ucrânia grita por socorro, mas este (o dinheiro) tarda em chegar.

Não vejo ninguém com vontade de enterrar mais dinheiro e as necessidades aumentam drasticamente como se pode ver:


IMF warns Ukraine bailout at risk of collapse


The International Monetary Fund has identified a $15bn shortfall in its bailout for war-torn Ukraine and warned western governments the gap will need to be filled within weeks to avoid financial collapse...

...The additional cash needed would come on top of the $17bn IMF rescue announced in April and due to last until 2016...

...People briefed on the IMF warning said the fiscal gap has opened up because of a 7 per cent contraction in Ukraine’s gross domestic product and a collapse in exports to Russia, the country’s biggest trading partner, leading to massive capital outflows and a rundown in central bank reserves... 

...the European Commission was weighing a third rescue programme on top of the €1.6bn ($2bn) it has already committed to Kiev; the Ukrainian government has requested an additional €2bn from Brussels...

...Under IMF rules, the fund cannot distribute aid unless it has certainty a donor country can meet its financing obligations for the next 12 months, meaning the fund is unlikely to be able to send any additional cash to Kiev until the $15bn gap is closed...

...The scale of the problem became clearer last week after Ukraine’s central bank revealed its foreign currency reserves had dropped from $16.3bn in May to just $9bn in November. The data also showed the value of its gold reserves had dropped by nearly half over the same period...

Os dois últimos parágrafos são bastante interessantes. Uma verdadeira pérola, destes nossos políticos europeus que tomam as decisões...

...According to two people who attended the EU meeting, concern over Ukrainian finances has become so severe that Wolfgang Schäuble, the German finance minister, said he had called his Russian counterpart, Anton Siluanov, to ask him to roll over a $3bn loan the Kremlin made to Kiev last year.

George Osborne, the UK finance minister, expressed surprise at the request, attendees said, saying the EU was now asking for help from Russia at the same time it was sanctioning the Kremlin for its actions in Ukraine. 



A Europa está a arranjar uma bela duma situação. A Europa vai ter que abrir a carteira para a Ucrânia e vai ter que subsidiar a energia que a Ucrânia consome, por vários anos. Tal como a coisa está, dinheiro vinda da Rússia acabou. 

E como um mal nunca vem só, a Ucrânia teve mais "boas" notícias, dinheiro que era suposto entrar, foi-se.

Chevron pulls out of shale gas project in Ukraine

US energy giant Chevron has told Ukraine that it will pull out of a $10bn shale gas exploration project agreed last year, officials said, in a further blow to the country’s war-torn economy and its hopes for an alternative to Russian gas imports...

...The cancellation comes months after Royal Dutch Shell, which also signed a multibillion-dollar production sharing agreement last year, froze shale gas exploration in eastern Ukraine amid fighting between government forces and Russian-backed separatists...

...The agreements with Shell and Chevron were hailed as game-changing opportunities to unlock Ukraine’s potentially large shale gas reserves and break Kiev’s dependence on costly Russian fuel imports...

Pressure increased on Kiev late on Monday when Russia’s Gazprombank announced that it could seize 5.7bn cubic metres of gas — close to half Ukraine’s stockpile — as collateral to cover early repayment for a $842.5m loan to Ostchem, the chemical group controlled by Ukrainian billionaire Dmytro Firtash.



Vamos ter umas semanas interessantes. Com muito dinheiro. E do nosso.