domingo, 10 de janeiro de 2016

Rússia Continua A Dominar O Sector Espacial


Agora com a entrada de um novo ano estou com ideias de fazer alguma reavaliações e vou começar por um que costumo dedicar atenção, ao sector espacial.

Apesar das sanções e da grande queda dos valores energéticos, a Rússia continua a dar cartas neste sector. E não podemos esquecer o que é dito até à exaustão, o país é um dependente da venda de matérias primas. É verdade. Mas apenas parcialmente. Não é um típico país exportador de matérias primas e esta parte parece sempre "esquecida".

Nos 87 lançamentos efectuados em 2015, A Rússia está em 1º lugar com 29 lançamentos, em 2º lugar os EUA com 20 lançamentos, em 3º lugar a China com 19 lançamentos e a Europa em 4º lugar com apenas 9.

Destaque algo que considero interessante. A Rússia falhou em 3 lançamentos, os EUA em 2 e surpreendentemente a China em 19 lançamentos, não falhou nenhum. A China está de facto a crescer nesta área.

Rússia

O novo cosmódromo tem previsto o 1º lançamento 
em Abril deste ano.

Penso que o que temos a destacar para 2016 é a abertura do novo cosmódromo, onde recentemente indicaram que está previsto o 1º lançamento para este ano. É um dos grandes projectos do país e que mostra a capacidade e o desejo de independência de terceiros. Será um marco a nível político, pois aumenta o prestígio do país e mostra as capacidades que possuem mesmo estando debaixo de sanções e com os problemas económicos amplamente conhecidos.

Rússia e EUA

Atlas V com um motor russo RD-180

Já dediquei artigos sobre a dependência americana dos motores russos, vou fazer uma breve passagem, para relembrar a importância do mesmo. Dos 19 lançamentos efectuados pelos os EUA, quase metade (9), só foram possível porque a Rússia lhes vendeu os motores para o Atlas V, ou seja, o Atlas V foi o foguetão mais usado pelos os EUA, mas este só voa com motores russos. Se a Rússia tivesse aplicado sanções aos EUA que impedisse a venda dos motores, é imaginar o impacto e prestígio do sector espacial americano.

Mas nem a Rússia aplica sanções nem os EUA param de comprar os motores russos. Em Dezembro passado voltam a fazer nova encomenda de mais 20 motores russos:

ULA Orders 20 More RD-180 Rocket Engines

United Launch Alliance, a joint venture of Lockheed Martin Corp. and Boeing Co. on Wednesday said it had ordered 20 more RD-180 rocket engines from Russia, on top of 29 engines ordered before Russia’s invasion of the Crimea region of Ukraine last year...

...The new order came days after the enactment of a massive U.S. spending bill that eased a ban on using Russian engines to launch U.S. military and intelligence satellites for fiscal 2016, which ends Sept. 30...

[Link]

Russian engine purchase adds to ULA’s Atlas 5 inventory

...Language inserted into the 2015 National Defense Authorization Act limited ULA’s use of RD-180 engines for future U.S. military launch competitions with SpaceX, outlawing engines that were paid for after Feb. 1, 2014...

...A clause in a U.S. government spending bill signed into law earlier this month effectively removed the RD-180 engine ban, stating that the Air Force could award launch contracts to any company certified to fly the Pentagon’s satellites, regardless of the country of origin of the rocket’s engines...


[Link]

O sector espacial dos EUA depende de uma nação hostil, baseada numa economia do petróleo. O que estará errado aqui...?

Rússia e Europa

Bom, na Europa temos também um envolvimento importante por parte da Rússia. Vou salientar 2 casos:

O sistema GPS Europeu. No mês passado, em Dezembro, dia 17, foram lançados mais 2 satélites na Guiana Francesa. E isto só foi possível, porque foi utilizado um foguetão russo. A coisa deve ser tão embaraçosa de referir, que não encontrei na imprensa portuguesa, uma referência a isto. Como explicar que o sistema GPS europeu, depende dos foguetões russos? Um país debaixo de sanções europeias. Sanções? Porque a Europa não aplicou sanções aos foguetões russos? pois é...

17 de Dezembro de 2015, lançamento do 11º e 12º satélite 
do sistema GPS Europeu, a bordo de uma nave russa, 
Soyuz.

Bom e quanto aos ingleses, que muito têm dito da Rússia, as inúmeras violações de espaço aéreo, etc, etc devem ter sido bastante mais rígidos na aplicação de sanções para fazer doer.

Ou talvez não.

Os ingleses estavam rejubilantes, em Dezembro assistiram à ida para Estação Espacial Internacional do seu primeiro astronauta. Mas isto só é possível graças à Rússia...

Comandante, cosmonauta russo, seguido do 
americano da NASA e 
por último, o astronauta britânico da ESA

O homem vai para a estação espacial numa nave russa, com um fato russo, onde o comandante é russo, vai entrar na estação espacial, pelo o segmento russo, enquanto lá está tem uma nave russa de emergência e vai voltar para terra, numa nave russa.

Se isto não é "dormir com o inimigo", não sei o que é...

Rússia e China

Também em Dezembro, novos acordos foram redigidos entre a Rússia e a China estreitando ainda mais os laços entre eles neste sector, com destaque para a cooperação nos sistemas GPS.

Resumindo, este é um sector onde a Rússia domina e mostra a enorme dependência que tanto os EUA como a Europa têm deles. Basta olhar, se a Rússia aplicasse sanções aos EUA e Europa, metade dos lançamentos americanos ficaria em terra, os satélites europeus ficavam no chão e o astronauta inglês passaria o Natal em casa.

EUA e Europa dependentes de um país que "só" tem petróleo para vender.

Se ninguém vê algo de errado nisto...

sábado, 2 de janeiro de 2016

China: A Próxima Jogada Do Dragão



A nova lei contra terrorismo da China que foi aprovada muito recentemente, contém na minha opinião um artigo bastante interessante no capítulo 7 dedicado à cooperação internacional. O artigo 71, abre a porta a missões no estrangeiro aos militares chineses.

...

Chapter VII: International Cooperation

...

Article 71:Upon reaching an agreement with relevant nations and reporting to the State Council for approval, the State Council Public Security Department and national security department may assign people to leave the country on counter-terrorism missions.

The Chinese People's Liberation Army and Chinese People's armed police forces may assign people to leave the country on counter-terrorism missions as approved by the central military commission.

...

Depois de acauteladas as respectivas permissões das nações relevantes, os militares podem partir. E isto é algo novo num ano de novidades. Não podemos esquecer que este ano assistimos à primeira missão chinesa ao abrigo das Nações Unidas no Sudão.



Contingente chinês para o Sudão

A China está de facto a ganhar experiência ao colocar tropas no estrangeiro da maneira mais suave que consegue. Uma missão de paz ao abrigo de uma missão das nações unidas, num país envolto em guerra há anos.

Esta colocação de tropas chinesas no Sudão tem outros propósitos. Não podemos esquecer que o Sudão é um dos mais importantes parceiros da China no Continente Africano, sendo o principal factor, o petróleo. Sempre o petróleo...

 
Contingente chinês para o Sudão

A China por este meio está a estabilizar um parceiro económico e a garantir que a sua produção de petróleo vá para o destino 'correcto'.

A China tem feito vários exercícios e de grande envergadura nos últimos anos. Muitos desses exercícios têm sido em conjunto com a Rússia. No ano passado as comemorações tanto na Rússia como na China tiveram como convidados contingentes militares russos e chineses a desfilar. Em Agosto deste ano, tivemos também um grande exercício no Mar do Japão, envolvendo a Marinha e a Força aérea de ambos.

Exercícios em conjunto

Mais, não podemos esquecer que em Maio de 2015 tivemos algo nunca visto, a marinha chinesa veio ao Mediterrâneo e Mar Negro para um exercício naval com a Rússia. Uma sinal político deveras significativo, dada a situação da Rússia, debaixo de sanções, a Ucrânia, etc.

Com esta nova lei que aprovaram, penso estarem reunidas as condições políticas (e não só) para avançar para um patamar acima. Após vários anos de exercícios em conjunto, após em 2015 colocarem o primeiro contingente militar numa zona de guerra, está na hora de aplicar os treinos em algo mais sério.

Eu penso que vamos possivelmente ver algo de muito inédito como o envolvimento da China na Síria. Por muito pouco pequeno que fosse a sua participação, a mensagem que iria dar ao mundo, iria ser enorme. A opção política de apoiar a Rússia na Síria, seria bastante importante para esta.

E não podemos esquecer que a China, também gostaria de suporte da Rússia, para os seus avanços nas ilhas artificiais que está a construir e que estão a 'aquecer' toda aquela zona.

Podemos ver num futuro muito próximo, a próxima jogada do Dragão.

Na Síria.

domingo, 29 de novembro de 2015

Guerras Energéticas: O Efeito Turquia







O abate do SU-24, veio trazer novas variáveis para a equação Síria já de si bastante complicada. A entrada da Rússia na Síria, deu um impulso muito significativo a Assad e é um sério revés a todos aqueles que procuram a saída de Assad.

Com a entrada da Rússia, o espaço aéreo passou a estar bem mais controlado favorecendo bastante Assad. As forças governamentais sírias, passam a ter protecção aérea e podem avançar com o apoio da força aérea russa que vai abrindo caminho.

A Rússia colocou uma pequena força, mas que se tem mostrada efectiva, com bombardeamentos diários. A maioria da sua força aérea é composto por vários tipo de bombardeiros e helicópteros. Existem apenas 4 caças e existe justificação para isso. Não existem ameaças aéreas. Tanto os rebeldes como o Estado Islâmico não possuem força aérea, o que existem sim são várias forças aéreas a operar no terreno, mas a guerra não é entre elas. Acordos foram estabelecidos entre as várias nações para não haverem incidentes.

Pelo o mesmo motivo, os sistemas anti-aéreos, são bastante limitados, com a função de proteger  a base onde estão instalados. Aumentar tanto os sistemas de defesa anti-aérea, como aumentar o número de caças, iria atrair as atenções e desconforto para as restantes nações que estão a operar no país. Seria difícil justificar sem ser conotado como um movimento agressivo por parte da Rússia, mostrando haver segundas e terceiras intenções por parte desta. E com isto não digo que todos os que estão na Síria não estejam com segundas e terceiras intenções. TODOS estão.


Protecção aérea da base, incluindo protecção naval


A Turquia que muitas intenções tem no que respeita a Síria, ficou bastante incomodada com a entrada dos russos na equação. A Rússia, coloca em cheque as pretensões turcas e resolveu ter uma infeliz ideia. Abater um avião russo quando este estava ocupado a bombardear posições na Síria, posições essas que estão ocupadas com facções que recebem apoio turco.

A Turquia ao fazer isto criou uma janela de oportunidade para a Rússia. Com o abate do seu avião, e a morte de um piloto atingido a descer de para-quedas, deu à Rússia a justificação de fazer uma entrada na Síria bem mais musculada.

Agora pode enviar um destacamento de caças  e colocar um forte dispositivo anti-aéreo. O envio foi imediato, enviaram o sistema mais moderno que possuem o S-400. Que permite controlar o espaço aéreo sírio, e uma boa parte do território território turco, chegando mesmo a Israel.
Área de cobertura do S-400

 Na foto, vários componentes do S-400 em posição

Agora, ficou bastante mais complicado remover Assad. A Rússia está entrincheirada na Síria e está em modo "agressivo" devido à actuação da Turquia. A infeliz opção dos rebeldes apoiados pela a Turquia, terem decidido abater o piloto enquanto este descia de para-quedas, permite aos russos arrasar a fronteira e desta vez não haverá caças turcos envolvidos.

A opção turca foi tão infeliz, que colocou meio mundo do lado da Rússia. Afinal esta está a combater os terroristas e esta maneira de abater aviões russos não é nada bonita. Os holofotes viraram-se para a Turquia. Parece que os valores democráticos estão meio tremidos no país, e parece haver uma relação demasiado próxima entre a Turquia e o Estado Islâmico.

Penso que estamos a assistir à viragem dos acontecimentos. A jogada turca, impediu os planos de haver um pipeline com origem no Qatar, que atravessa o Iraque e a Síria para chegar à Turquia e Europa. Com os russos no país, o plano cai por terra.

Neste momento, um outro pipeline, ganha força e possivelmente com a entrada em cena duma potência do calibre da Rússia, este pipeline irá ganhar. Os ganhos para os vencedores são imensos. Mas o palco da contenda é principalmente a Síria. À custa dos sírios.


  Este é o problema. A Síria é necessária nos dois pipelines. 
Necessário um governo amigável, para a parte vencedora

Este pipeline com origem no Irão, teve o anúncio da sua criação numa altura bastante interessante:

Iraq, Iran, Syria Sign $10 Billion Gas-Pipeline Deal

The oil ministers of Iraq, Iran and Syria Monday signed a preliminary agreement for a $10 billion natural-gas-pipeline deal, the official Iranian News Agency IRNA and other Iranian media reported.

Iranian oil officials said Syria would purchase between 20 million to 25 million cubic meters a day of Iranian gas. Iraq has already signed a deal with Tehran to purchase up to 25 million cubic meters a day to feed its power stations.

The project requires some $10 billion investment and will be constructed within three years, the semi-official Iranian news agency Mehr reported...

...The gas will be produced from the Iranian South Pars gas field in the Gulf, which Iran shares with Qatar, and holds estimated reserves of 16 trillion cubic meters of recoverable gas...


Estávamos em Julho de 2011, quando foi feito o anúncio. Previsto estar pronto para 2014/2015. Pouco tempo depois do anúncio feito, a guerra começa.

sábado, 21 de novembro de 2015

A Qualquer Hora, Em Qualquer Lugar


Maior bombardeiro supersónico do mundo TU-160, lança míssil de cruzeiro no 
Mediterrâneo, escoltado por um SU-30 vindo de base na Síria

O envolvimento da Rússia na Síria, tem vastas implicações. A Rússia está debaixo de sanções, enfrenta um clima económico adverso e no entanto está a demonstrar uma capacidade e determinação que estará a surpreender muita gente.

A Rússia tem mostrado que consegue manter uma base activa num local hostil com bombardeamentos diários e onde várias nações estão envolvidas com diferentes interesses. Desde que a Rússia chegou à Síria, o panorama mudou radicalmente. Neste momento as forças de Assad com o apoio da aviação russa, estão a ganhar terreno.

Mas não é só isso que estão a fazer. A Rússia está novamente a fazer um aviso á navegação. Não há país no mundo que esteja fora do alcance dos bombardeiros russos. É bom lembrar que quando a Rússia tentou abrir a base na Síria, a NATO tentou fechar o espaço aéreo circundante de modo a impedir que a aviação russa pudesse lá chegar. Com uma desagradável surpresa, os EUA descobriram, que não conseguiam "convencer" o Iraque a fechar o espaço aéreo aos russos, permitindo a estes levar mais rapidamente todo o material necessário para a base, em vez de estarem dependentes do transporte marítimo mais lento.

AN-124 - Maior avião de carga de mundo, só ultrapassado 
pelo o AN-225 (existe apenas 1 exemplar), preparando para 
levar a sua carga para a base na Síria

 Todo este material pôde chegar mais rapidamente, porque o Iraque 
abriu o seu espaço aéreo aos russos, apesar de pressionados pelos 
os americanos.

Ou seja neste momento, os bombardeiros russos de longo alcance, podem efectuar bombardeamentos na Síria, com autorização do Irão e do Iraque, principalmente deste último.

Mas, e se os EUA conseguissem "convencer" os iraquianos a fechar também o seu espaço aéreo? a resposta russa foi agora dada. Podem ter que atravessar meio mundo, mas nenhum país está longe de mais para os bombardeiros russos de longo alcance.


Algures no Mediterrâneo 

Rota usada pelos TU-160

tu-160

Os bombardeiros, voaram à volta da Europa, por todo o espaço da NATO, entraram no Mediterrâneo, lançaram os seus mísseis e passaram por cima da Síria, tendo o seu vôo ficado registado por fotos e vídeos por sírios.

A Rússia demonstrou que não precisa de autorização de ninguém para chegar onde quer e muito menos de países da NATO. 

E agora que bombardeiros armados e em missão passam ao lado de Portugal, não há notícias de F-16 a correr para interceptá-los.

Os TU-160, criados para um holocausto nuclear, tiveram o seu baptismo de fogo na Síria estando a criar um holocausto ao Estado Islâmico.

A qualquer hora, em qualquer lugar. Fomos avisados.

domingo, 1 de novembro de 2015

Aviso à Navegação: A Nova Armada Russa




A decisão por parte da Rússia de entrar no conflito da Síria em força, tem inúmeras ramificações. Serão necessários a meu ver alguns artigos para analisar alguns dos aspectos que considero cruciais, pois a Rússia, está  a demonstrar bastantes novas capacidades, com significativo impacto estratégico.

Este artigo será dedicado essencialmente a uma parte da modernização em curso da marinha russa. A frota do Mar Cáspio e a frota do Mar negro, sobre esta última já tenho alguns artigos dedicados.

As 3 novas corvetas russas que entraram ao serviço no Mar Cáspio no ano passado, são navios de pequenas dimensões, mais dedicadas a um controlo próximo do litoral, das fronteiras russas. Mas estas pequenas embarcações, algumas com menos de um ano em serviço, tiveram o seu baptismo de fogo. E apanhou muita gente desprevenida. Apesar de pequenas, conseguem influenciar numa zona a milhares de quilómetros.


Nova corveta Buyan-M, entrada em serviço em 2014

O lançamento dos 26 mísseis de cruzeiro, tiveram como origem o Mar Cáspio, recorrendo a 4 embarcações novas, uma fragata e 3 corvetas e um tipo de míssil novo.

Fragata, entrada ao serviço em 2012, corvetas em 2014, míssil em 2012


3M-14T - Entrada ao serviço em 2012
Opção de instalação do míssil num contentor, o que permite ser colocado 
na marinha mercante, para orçamentos mais apertados e não só.

O acto de disparar 26 mísseis de cruzeiro, a partir do Mar Cáspio, pretende transmitir vários avisos:

- Determinação russa nos seus objectivos.
- Capacidade em atingir alvos com precisão a 1500 km de distância.
- As novas embarcações e o novo míssil funcionam.
- O sistema GPS russo GLONASS, funciona.
- A integração de uma embarcação nova, com um míssil novo e um sistema GPS também novo, funciona e está demonstrada.
- Embarcações no Mar Cáspio e fora do alcance dos porta aviões americanos possuem a capacidade de afectar vários teatros de operações. Possuem capacidade de dar suporte às nova zonas de intervenção russa, Crimeia e Síria.
- Demonstração aos clientes e potenciais clientes da letalidade e precisão do armamento russo.
- Clientes russos com acesso a armamento disponível com sistema GPS. Monopólio americano quebrado. O "desligar" do sistema GPS deixa de ter importância, existe alternativa.
- Aviso a várias nações, que não estão tão longe assim das novas armas disponíveis.


Precisão GLONASS, correcções de rota, míssil e embarcações testadas

Ao apercebermos do poder de fogo destas pequenas embarcações, podemos agora ter uma ideia mais clara do significado do surgimento destas no Mar Negro. A Crimeia vai ter dentro de poucos dias, as duas primeiras corvetas Buyan-M para a frota do Mar Negro.

A Frota do Mar Negro vai receber ainda este ano duas corvetas Buyan-M

Juntamente com estas novas corvetas, a frota do Mar Negro, está a receber também este ano, novos submarinos com a capacidade de disparar os mesmos mísseis. Ficando o actual panorama neste mar com 3 novos submarinos e 2 novas corvetas. Esta evolução confirma o que já foi indicado num post anterior,  o fornecimento de 6 novos submarinos e 6 novas embarcações para esta frota.

 Isto em plena crise do preço do petróleo, sanções, rublo. E ainda compram ouro.

Quanto a estas novas embarcações ao contrário das que estão no Mar Cáspio, estas podem deslocar-se para o mediterrâneo. Aqui novos contornos se formam:


Apesar da proibição de sobrevoo em direcção à Síria, por vários países, todos membros da NATO, a Rússia conseguiu chegar à Síria, por mar e ar, e estas novas embarcações conseguem atingir qualquer país da NATO e conseguem envolver-se em países onde estão instalados interesses russos, ou seja, mais algumas peças para esta complicada equação. 


Os novos navios não vão andar sozinhos, principalmente numa zona cheio de embarcações NATO. Eles serão complementares ao que já existe e fornecem novas opções aos militares russos.

Frota russa no Mediterrâneo perto da Síria

Estamos a assistir em "directo" à modernização do arsenal russo. Os russos resolveram dar uma pequena amostra do potencial, mostrando os seus mais pequenos recursos que estão a ser construídos, os submarinos Kilo a diesel e as pequenas corvetas.

Um sinal do que aí vem e que também está a ser construído e a sair. Novos submarinos nucleares, novos mísseis nucleares, supersónicos e hipersónicos, novas embarcações de superfície, bem maiores e letais.

Num mar, perto de si.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ucrânia - O avião II





Bom, estive a aguardar pela saída do relatório oficial da investigação ao MH-17. É impressionante o que se lê na imprensa. Ao ponto por exemplo no Observador,(que é um site onde também participo no espaço de comentários, principalmente quando o assunto foca a Rússia), horas antes de sair o relatório, fazer uma noticia baseado num jornal holandês, que dizia que havia participação russa no abate do avião de acordo com fontes anónimas. Horas antes.

A imprensa tanto nacional como internacional esteve durante todo o tempo desde que ocorreu esta tragédia a apontar os dedos à Rússia. Sempre a Rússia, nunca parando para pensar se haveria mais culpados nesta tragédia. Ao longo dos meses, sempre foi saindo umas notícias, sempre com umas fontes duvidosas para relembrar os leitores quem seriam os culpados da coisa. Só podiam ser os russos. Não houve margem para segundos pensamentos, o culpado estava encontrado.

Eu na altura também quis registar a minha opinião sobre este assunto, tendo criado um post Ucrânia - O avião para poder comparar a minha opinião com o que quer que saísse numa investigação oficial. 

Vou agora comparar o que disse na altura, com os resultados agora da averiguação:

1)

...Se já acho criminoso a Ucrânia ter deixado o seu espaço aberto para aviação civil...

Relatório:

...Management of the airspace above a country is an exclusive right of the sovereign state. From this exclusive right, the Dutch Safety Board also derives a large responsibility borne by the state concerned. For the purpose of this management, the state has the exclusive power to close the airspace (or a part thereof) or restrict its use if there is a reason to consider such a measure...

...In the international system of responsibilities, the sovereign state bears sole responsibility for the safety of the airspace. The fundamental principle of sovereignty can give rise to vulnerability when states are faced with armed conflicts on their territory and in their airspace...

...The statements made by the Ukrainian authorities in which they reported that military aeroplanes had been shot down on 14 and 16 July, and in which they mentioned weapon systems that were able to reach cruising altitude of civil aeroplanes, provided sufficient reason for closing the airspace above the eastern part of Ukraine as a precaution...

...according to the Ukrainian authorities, the shooting down of an Antonov An-26 on 14 July 2014 and that of a Sukhoi Su-25 on 16 July 2014 occurred while these aeroplanes were flying at altitudes beyond the effective range of MANPADS. The weapon systems mentioned by the Ukrainian authorities in relation to the shooting down of these aircraft can pose a risk to civil aeroplanes, because they are capable of reaching their cruising altitude. However, no measures were taken to protect civil aeroplanes against these weapon systems...

2)

...ainda consigo vislumbrar alguns motivos para a Ucrânia querer manter aberto o seu espaço, tais como, poder usar aviões seus nas mesmas rotas, para verificar posição dos separatistas...

Relatório:

... The decision-making processes related to the use of Ukraine’s airspace was dominated by the interests of military aviation...

...During the armed conflict in the eastern part of Ukraine, the initiative for taking measures related to the airspace, based on safety analyses, originated from the military authoritiesThe findings of the Dutch Safety Board, as reported above, mean that it is plausible that decisions related to the airspace were primarily taken from the perspective of the military’s interest, in which a potential risk to civil aviation was not the subject of any explicit consideration.

3)

De que nos serve organizações como a ICAO (International Civil Aviation Organization), a EASA (European Aviation Safety Agency), a FAA (Federal Aviation Administration), que com tantas regras, tantas protecções, tantas verificações de segurança, de que nos vale isto tudo, se quando formos comprar uma viagem para a nossa família para um destino de férias, fazem-nos passar por zonas de conflito onde aviões são abatidos?

Relatório:

... third parties such as ICAO - did not identify potential risks posed by the armed conflict in the eastern part of Ukraine to civil aviation...

...ICAO did not see any reason for questioning Ukraine or offer assistance...

4)

...E também quem não fica bem nesta fotografia, são todas as companhias que por uma questão económica, usaram estas rotas sabendo da falta de segurança das mesmas e que se refugiam na desculpa de que o espaço aéreo estava aberto e daí parecerem querer lavar as mãos...

Relatório:

...As operating carrier, Malaysia Airlines was responsible for the safe operation of flight MH17 and therefore for the choice of the flight route on 17 July 2014. The way in which Malaysia Airlines prepared and operated the flight complied with the applicable regulations. Malaysia Airlines relied on aeronautical information and did not perform any additional risk assessment...

...Given the vulnerability of states facing an armed conflict, operators and other aviation parties cannot take it for granted that the airspace above the conflict zone is safe. They should perform their own risk assessment of the risks involved in overflying conflict areas...

Eu não vou continuar mais, isto dá trabalho e penso que dá para perceber o que quero transmitir.

Primeiro, a maior fatia de responsabilidade recai sobre a Ucrânia. A Ucrânia é responsável pelo o seu espaço aéreo e este deveria estar fechado. Se estivesse fechado esta tragédia não teria acontecido.

O que a Ucrânia demonstrou, foi que os países envolvidos em conflitos, não são de confiança, no que toca a decisões sobre o seu espaço aéreo. As organizações e companhias não se podem basear nas informações fornecidas pelos países em questão.

Este caso é mais grave, porque é um país apoiado por nós, Ocidentais. Ou seja, os países ocidentais deram suporte à Ucrânia e a imprensa também. Mas as investigações devem ser sérias e isentas, e não seria possível fugir muito das regras, da verdade das coisas. Uma investigação deturpada ou viciada, iria atirar a coisa para outros patamares mais graves. Não é só a imprensa histérica que atira opinões cá para fora. Existe neste mundo, pessoas e estados que estão a ver com atenção sobre como estes assuntos são tratados, não é possível deturpar as regras do jogo a "nosso" favor. As regras existem.

Este caso não vai ficar por aqui. Há muito coisa em jogo, como o prestigio de nações, companhias e dinheiro para indemnizações.

Mas uma  coisa é certa, não será pelas notícias que a imprensa coloca que vamos ficar a saber da coisa. A imprensa procura o escândalo, o que seja mais rentável. A imprensa não procura a verdade e nem se dá ao trabalho de a procurar.

Já passaram dois dias após saída do relatório. O que se sabe das conclusões a que se chegou? 

Que era um míssil russo...

E depois?

O facto é que se o espaço aéreo estivesse fechado como deveria estar, nenhum míssil russo, americano, inglês, francês, chinês, conseguiria abater um avião.

Essa é que a verdade. 

Mas vemos isto falado em algum lado? Assim que se começou a perceber onde recai as culpas, deixa de ser notícia...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ucrânia: Europa Dá Mais Mil Milhões Para Compra de Gás




Agora que o Inverno se aproxima, é necessário garantir que exista pressão nos pipelines ucranianos. As brincadeiras de poupar gás, comprar pouco gás, ou  não comprar gás nenhum, podem ser feitas no Verão, mas não podem ser feitas no Inverno.

A Ucrânia, tem as suas reservas em baixo, porque tem estado a consumir essas reservas. Incluindo o gás necessário para manter a pressão nos pipelines.

Dado que a Ucrânia não tem capacidade de comprar gás à Rússia, e não consegue comprar a outro fornecedor, porque não tem como pagar valores de mercado, uma vez mais alguém  terá que o pagar.

Mil Milhões é o valor do próximo cheque. Os europeus vão ter que se habituar a pagar o  gás que os ucranianos consomem.

Ukraine in Line for $1 Billion Gas Financing

International financial institutions, led by the World Bank, are patching together a $1 billion financing package to help Ukraine and its energy giant OAO Naftogaz to fill up its natural gas-storage facilities and avoid shortages...

...The $1 billion financing package would allow Naftogaz to buy some 5 billion cubic meters of gas in the coming weeks and months, bringing volumes in its ample storage facilities to around 19 BCM, European officials say. That is the level the European Commission, the EU's executive, believes is necessary to bring Ukraine and the EU through a cold winter...

...Most of the funding will come from the World Bank, which is preparing a $500 million guarantee for the Ukrainian government for gas purchases by Naftogaz...

That initiative, in turn, is made possible by up to $520 million in guarantees from the Luxembourg-based European Investment Bank for other World Bank infrastructure projects in Ukraine...


A Europa criou um novo problema e agora só com cheques atrás de cheques consegue resolver. Para garantir que o gás chegue à Europa, não necessita apenas de o pagar. tem que pagar o gás da Ucrânia, porque o gás europeu passa por lá.

Como mostra o artigo, são empréstimos atrás de empréstimos. Se não é o FMI é o Banco Mundial. Mas são empréstimos, e quem está a garantir o dinheiro? A Europa. As garantias são dadas todas pela a Europa. 

Se a Europa não pagar o gás ucraniano, este retira do pipeline o gás a caminho da europa, para os europeus e pago por europeus.

Próximo cheque: os 3 mil milhões que a Ucrânia tem que pagar até final do ano à Rússia.

Quem paga?