quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ucrânia: O Preço a Pagar - Parte I



Nunca os ucranianos imaginaram o que lhes estava destinado pelas opções tomadas na revolução laranja.

A aproximação ao Ocidente, a aproximação à Europa davam esperanças de algo melhor nas suas vidas, mas tudo tem um senão. E esse senão é que além de se querer aderir à UE, o presidente tinha um grande objectivo, o da adesão da NATO.

Aqui começam os problemas, a NATO é uma estrutra militar que a Rússia considera uma ameaça e a vizinha Ucrânia pretende aderir. As ligações militares são grandes entre a Rússia e a Ucrânia e este salto para o "outro lado", afecta consideravelmente o sistema de segurança russo.

Para agravar a situação, o presidente é bastante hostil para com a Rússia e com o apoio de muitos outros países, acelerou agressivamente a tentativa de entrar na NATO, tal como o fizeram os países Bálticos, a Polónia e a Rep. Checa e aqui começaram os problemas. A Ucrânia quer mudar para um bloco militar hostil à Rússia, mas continua dependente da energia desta. Pior, a Ucrânia vive com gás subsidiado pela Rússia.

Dado o caminho que a Ucrânia começou a percorrer, a Rússia reagiu e a sua resposta acaba por ser fulminante, a Ucrânia tem que passar a pagar o gás a preços de mercado, pois não faz sentido a Rússia apoiar um país que se está a tornar hostil.

Ainda assim o salto para preços de mercado não foi imediato, mas sim gradual, a cada ano o preço é revisto e este iria acelerar de modo a atingir o preço de mercado num periodo mais curto que o previsto.

A Ucrânia começou a reagir a este aperto, tentando impedir esta escalada de preços, pois a sua estrutura económica e industrial não consegue suportar estes custos energéticos. Ao longo dos anos a situação foi-se deteriorando, com aumentos, dívidas, ameaças e cortes de gás e que acabou por rebentar na entrada deste ano. Em 2006/2007 já tinha havido cortes onde o abastecimento a outros países europeus tinha sido afectado, tendo nessa altura a Rússia ficado com uma má imagem como fornecedor, porque a imprensa reportou básicamente a perspectiva ucraniana da situação, tendo com resultado a ideia de que a Rússia cortou o fornecimento à Europa.

No periodo de 2008/2009, a Ucrânia tentou repetir de novo a dose e deu-se mal. muito mal. Além dos valores em dívida e Ucrãnia recusou negociar o valor a ser aplicado para o ano de 2009, a Rússia baixou o valor pretendido pelo o seu lado, mas a Ucrânia oferecia um valor muito abaixo do que a Rússia pretendia. A Rússia lançou avisos à Europa e à Ucrânia de que iria haver novos problemas se a Ucrânia não saldasse as suas dívidas e se não fosse acordado o preço para 2009. Tendo o prazo expirado sem contrato acordado, preços de mercado foram aplicados e a situação rebentou. Os valores não foram pagos e o gás para a Ucrânia foi cortado. A Ucrânia passou a desviar o gás destinado para a Europa para consumo interno e ao mesmo tempo a dizer que a Rússia estava a cortar o gás para a Europa. Uma vez mais, a imprensa dava voz ao que saia da Ucrânia, e artigos por todo lado saiam dizendo, que a Rússia estava a cortar o gás à Europa, a Rússia não era um fornecedor fiável. Não se colocava em causa as responsabilidades da Ucrânia como país de trânsito.

Com esta pressão em cima da Rússia, (vários países afectados, imagem como fornecedor afectado e pressão via imprensa e via política) a Ucrânia, pensou repetir o feito e obter um melhor acordo para o ano de 2009.

Mas a situação não correu como o previsto. Desta vez a Rússia deu um murro na mesa e cortou todo o gás que transitava via Ucrânia (a maioria do seu gás) e só iria abrir depois de observadores independentes estivessem colocados em ambas as extremidades dos pipelines para mostrar o quanto estava a entrar na Ucrânia e quanto gás estava à saida do país. A Rússia fechou as torneiras, até ser pago o que lhe era devido. E se a Europa queria o seu gás, teria que verificar onde é que este se "perdia".

A Ucrânia ficou debaixo de fogo. A imprensa começou a interrogar-se se a culpa residia apenas na Rússia, a pressão recaia agora sobre ela e sobre a Europa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

China "ataca" mais um fornecedor dos EUA



A China pretende adquirir 6 Biliões de barris de petróleo à Nigéria ou seja um sexto das suas reservas. Esta jogada por parte da China irá uma vez mais colidir com os interesses das companhias ocidentais e mais importante irá perturbar o fornecimento aos EUA, dado que a Nigéria é o 5º maior fornecedor deste país.

E o mais interessante desta jogada é que a China pretende adquirir 23 licenças que estão neste momento nas mãos de companhias ocidentais como a Royal Dutch Shell, a Chevron, a Exxon Mobil e a Total, portanto a China não só obtem mais petróleo para si, como ainda por cima desvia esse mesmo petróleo, pois este actualmente está a ser explorado por companhias ocidentais.

China seeks vast oil blocks in Nigeria
http://www.energy-daily.com/reports/China_seeks_vast_oil_blocks_in_Nigeria_999.html

Report: China moves in on Nigeria oil reserves
http://news.yahoo.com/s/ap/20090929/ap_on_bi_ge/us_china_nigerian_oil_1

China sovereign fund invests in Kazakh oil producer
http://www.energy-daily.com/reports/China_sovereign_fund_invests_in_Kazakh_oil_producer_999.html

Crude Oil and Total Petroleum Imports Top 15 Countries (EUA)
http://www.eia.doe.gov/pub/oil_gas/petroleum/data_publications/company_level_imports/current/import.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

França: Um Aliado Peso-Pesado Para Os Pipelines Russos

France eyes role in South Stream pipeline: Russia
France is eyeing participation in Russia's South Stream pipeline, seen as a rival to the EU-led Nabucco project for gas supplies to Europe, Prime Minister Vladimir Putin's spokesman confirmed on Tuesday.

French involvement in South Stream and another Russian-led pipeline project, Nord Stream, was addressed in talks between Putin and his French counterpart, Francois Fillon, in Moscow on Monday, spokesman Dmitry Peskov said...



France's GDF Suez to Acquire Nord Stream Shares by October

France's GDF Suez will by the end of October become a shareholder in the company building the Nord Stream gas pipeline under the Baltic Sea, Gazrpom's deputy CEO said on Monday...

http://www.oilandgaseurasia.com/news/p/0/news/5680

A confirmar-se estas notícias, a Rússia ganha um grande aliado para os seus pipelines, ficando assim envolvido dois dos mais importantes países da União Europeia. A Alemanha é o principal interessado do Nord Stream, pois vai ficar com acesso directo um fornecedor (Rússia) e a França vai diversificar as suas fontes, pois está muito dependente de fornecedores africanos. Apesar da imprensa insistir que a Rússia não é um fornecedor fiável, o facto é que cada vez vemos mais ligações com eles por parte da Europa.
Com estes dois pipelines vai ser diversificado o fornecimento russo à Europa. É bom para a Europa, mas é mau para os países bálticos, Polónia, Rep. Checa e Ucrânia. Todos estão dependentes da energia russa, e no que toca à Polónia e Ucrânia, são países transito que servem de ligação para o resto da Europa e que vão sofrer quando a Rússia possuir alternativas de escoamento do seu gás, sem depender destes países-trânsito que têm sido hostis para com a Rússia.
O mais interessante destas movimentações por parte da França é que elas têm impacto no pipeline Nabucco. Este pipeline não está a entusiasmar as duas grandes potências, e algumas das razões são a instabilidade política dos países envolvidos e as poucas garantias de que existe gás suficiente para alimentar o pipeline.

Gaz de France cancels Nabucco interest

French energy firm Gaz de France canceled its bid to become the seventh member of the construction team for the Nabucco gas pipeline, statements said...

http://www.upi.com/Energy_Resources/2008/07/22/Gaz-de-France-cancels-Nabucco-interest/UPI-66941216749964/

Nabucco removed from EU energy project list
Mention of the Nabucco gas pipeline has been deleted from a list of projects to be financed by a five-billion euro EU stimulus plan...EU officials confirmed yesterday that the pipeline, once considered a flagship EU venture, had disappeared from the list of energy projects to be financed under the plan.

The move was apparently made at the request of German Chancellor Angela Merkel, who insists that no public money should be spent on a project in which Berlin has little interest...
German Chancellor Angela Merkel recently confirmed her country's opposition to funding the flagship Nabucco gas pipeline project with European money, stressing that the problem is not financing but finding gas to feed the pipeline.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nabucco: Um Pipeline Em Dificuldades


Nabucco


O Pipeline Nabucco pretende ser uma alternativa à Rússia, passando o gás por outros países. Este pipeline nasce com bastantes dificuldades, pois é um investimento avultado, atravessa países problemáticos, tem a concorrência dos pipelines russos e ainda mais grave não está garantido um fornecimento estável de modo a compensar todo o investimento que está a ser feito.

Pelo mapa pode-se ver rápidamente um dos problemas, este pipeline pressupõe ligações tanto à Geórgia como o Irão, ambos países que estão em "alta" devido às situações em que cada um está envolvido.

A juntar isto temos mais uns recentes desenvolvimentos, que em nada ajudam. O Turquemenistão anunciou que vão ser inaugurados em Dezembro dois novos pipelines, um para a China e outro para o Irão. O acordo para a China é o fornecimento de 40 Biliões de metros cúbicos/ano durante 30 anos. Este é mais um mau sinal para o Nabucco, pois o Turquemenistão é um dos países necessários para fornecer o pipeline europeu.

Dado os problemas de fornecimento do Nabucco, os investidores viram-se também para o Iraque. O Iraque dada a sua actual situação é tudo menos seguro. Um país instável, ocupado militarmente e com muitas interrogações sobre o seu futuro. Contar com fornecimentos estáveis ou contar com o que quer que seja daqui é um acto no mínimo irresponsável.

Mas mesmo tentando fazer acordos com o Iraque, não significa que sejam os únicos. De facto até a Rússia está a tentar recuperar parte do que tinha neste país em termos energéticos. E se ainda com os americanos no terreno, a Rússia já marca presença, não se sabe o que irá acontecer depois dos EUA sairem.

Uma coisa é certa, Nabucco é algo caro, depende de vários países fornecedores e de trânsito completamente instáveis e não oferece uma alternativa fiável ao fornecimento russo. Existem demasiadas incógnitas, tornando este pipeline um investimento de muito alto risco, não dando garantias à Europa de que pode ser uma solução com futuro.

domingo, 20 de setembro de 2009

Rússia e China investem 36 Biliões de dólares em projectos de petróleo na Venezuela

"Acordo para os próximos três anos é para exploração de jazidas na bacia do rio Orinoco por empresas de petróleo chinesas.
Hugo Chávez anunciou o acordo bilionário nesta quarta-feira, 16. A parceria com a estatal venezuelana do setor petrolífero, a PDVSA, deverá produzir 450 mil barris diários de petróleo cru. Recentemente a Venezuela fechou um acordo semelhante com a Rússia, este no valor de cerca de US$ 20 bilhões. As duas parcerias devem resultar em um aumento de 900 mil barris diários na produção venezuelana de petróleo.
Um dos objetivos de Chávez com esses acordos fechados com países mais simpáticos à sua “revolução socialista” é que eles garantam à Venezuela maior independência econômica frente aos EUA."



Esta é mais uma má notícia para os EUA, os avultados investimentos russo/chineses no 5º maior produtor mundial de petróleo e no 2º maior fornecedor de petroleo americano. Dado a importância que a Venezuela representa para o maior importador de energia do mundo, a Venezuela corre um perigo extremo.

A proximidade da Venezuela aos EUA, torna-o num dos melhores, mais seguros e eficientes fornecedores dos EUA mas a política de Chavez é vendê-lo á China. O que nós estamos a assistir é ao desvio da produção venezuelana de modo a aplacar a enorme e crescente sede do Dragão, o que irá afectar a exportação para os EUA.

Com investimentos tão avultados, a sua proximidade aos EUA e a importância da Venezuela para os EUA, torna-se urgente à Venezuela tomar medidas de protecção e torna-se urgente para quem investe tão grandes somas, fornecer o mais rápidamente possível meios de defesa, de modo a tornar o menos apetecível, um possível confronto militar com o objectivo da tomada de controlo do fluxo energético.

Também queria chamar a atenção sobre o que este artigo também mostra, a Rússia nestes tempos conturbados de recessão económica mundial, tem poder de investimento para se envolver em projectos de grande dimensão e deverá causar algumas surpresas quando passarmos este clima económico negativo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Venezuela adquire potente sistema anti-aéreo


S-300 PMU2


O sistema (S-300) que foi referido a possibilidade de estar a ser enviado para o Irão pelo o navio Arctic Sea, foi adquirido por Chávez. Este é considerado um dos melhores sistemas de defesa anti-aérea do mundo e vai aumentar consideravelmente a capacidade da Venezuela em repelir ameaças externas.

Com as crescentes necessidades energéticas, temos estado a assistir nos últimos anos a um incremento verdadeiramente significativo de aquisições militares por parte de países produtores. Estes sentem a necessidade de aumentar as suas defesas de modo a proteger as suas riquezas naturais.




Os vários módulos do sistema


Chávez, dado a proximidade da Venezuela aos EUA, os problemas entre ambos os países e o facto de estar a mudar lentamente a sua produção para a China, acrescenta vários factores de risco para o país. A Venezuela adquiriu recentemente 24 aviões russos topo de gama em virtude dos EUA terem negado manutenção aos F-16 da Venezuela e agora adquire um temível sistema anti-aéreo de fabrico russo. O que para o qual contribuiu também o facto dos EUA terem reactivado a 4ª frota dedicada à América do Sul e ao anúncio da abertura de 7 bases americanas na Colômbia.


Para complementar este sistema, adquiriu também os sistemas anti-aéreos Pechora 2M e o Buk M2 .




Pechora 2M




Buk M2


Com este pacote a Venezuela vai gastar 2.2 Biliões de dólares, dinheiro que a Rússia vai conceder a crédito. Apesar de ser uma soma considerável, (como é regra geral as aquisições militares), o histerismo e o sensacionalismo por parte de muita imprensa de modo tanto a vender notícias, como para alinhar em idealismos políticos, omite o mais importante que é perceber o que significa estes gastos, comparados com outros países na mesma região, como a imagem abaixo mostra e como se costuma dizer, uma imagem vale por mil palavras.

Além dos sistemas defensivos, foram adquiridos mais 2 sistemas de modo a modernizar algumas àreas.



Smerk





T-72


Estas aquisições por parte da Venezuela e as aquisições por parte do Brasil, desenham um novo panorama na América do Sul. Venezuela e Brasil caminham para um tipo de potência militar que esta zona do globo não conhecia. Se a sofreguidão pela energia fôr demasiado por parte dos grandes consumidores, estes terão problemas acrescidos caso queiram intervir militarmente. Mais, com a Mercosul a crescer, podemos assistir à criação do braço armado desta organização, caso se veja o crescimento da ameaça externa.


Este é mais um passo, mais um sinal dos tempos perigosos que se avizinham, os países grandes consumidores de energia à medida que esgotam as suas reservas internas, viram-se cada vez mais para o exterior. Os países que possuem grandes reservas de energia, são cobiçados por esses devoradores e investem em armamento para tornar caro qualquer investida pensada.


Uma pessoa esfomeada faz coisas impensáveis, até onde irá um país na mesma situação?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Renascer da Indústria Aeronáutica Civil Russa


Hoje foi dado um passo histórico para a indústria aeronáutica civil russa, com o aparecimento do Sukhoi Superjet 100 numa das maiores feiras internacionais, o Le Bourget 2009 air show em França. O dia de hoje representa o culminar dos esforços da Rússia em entrar neste mercado difícil, e que está dominado por um punhado de países.


Sukhoi SuperJet 100

A Rússia tem neste momento um legado pesado, com todos os problemas que surgiram com o desmoronar da URSS, que afectou grandemente toda esta indústria e que tanta má publicidade gerou nos anos 90. Hoje, a maior luta que a Rússia enfrenta é corrigir a imagem que tem aos olhos do mundo. Este é um mercado exigente onde não são permitido falhas e a Rússia tem que mostrar que está à altura do desafio.

A Rússia começou a mostrar que estava sériamente empenhada em recuperar esta indústria com a criação de uma companhia que englobasse todos os construtores de aviões existentes. A UAC (United Aircraft Corporation) criada em 2006 por Vladimir Putin, inclui a Sukhoi, Mig, Tupolev, Beriev, Ilyushin e Yakovlev. De todos estes, a companhia mais saudável é a Sukhoi com os seus aviões militares, todos os outros lutam para se manterem à tona e só graças a encomendas governamentais é que conseguem sobreviver, pois não conseguem exportar em quantidade suficiente.


A Rússia possui vários modelos civis de aviões, mas dada a desintegração da URSS, as dificuldades económicas e falta de rumo a nível político, deixou toda este sector (como tantos outros) em sérias dificuldades. Metodologias diferentes, atrasos tecnológicos, motores desactualizados, dificuldades em fornecer manutenção e opções políticas ditaram a morte a quase todos os construtores com perda de know-how e pessoal especializado.



Ilyushin Il-96-300

A Rússia possui uma gama completa de aviões, sendo o Ilyushin Il-96 o maior da oferta, parecido com o modelo da Airbus A340 que a Tap possui. Mas todos estão com problemas de penetração de mercado, pelas razões anteriormente apontadas. A nova aposta da Rússia, passa por envolver parceiros ocidentais com credenciais no mercado e absorção de novas tecnologias em àreas que têm um atraso significativo. Destaco três projectos onde se vê esta estratégia aplicada.

Dos três o mais importante é sem dúvida o Sukhoi superjet, que é um projecto novo e que foi aplicada de raiz esta estratégia. Italianos, franceses e americanos participam no projecto, o que dá suporte à imagem de um avião que vem da Rússia. Os italianos com a Alenia Aeronautica, participam com 25% no projecto e com eles foi criada uma holding a "SuperJet International" em que os italianos detêm 51% do capital e que irá dar o suporte/manutenção e credibilidade que o avião necessita. Os motores são franceses da Snecma, desenvolvidos para o projecto e a Boeing irá apoiar principalmente nas acções de marketing e leasing.


Beriev BE-200

O Beriev BE-200, é um avião de combate às chamas e luta num nicho de mercado onde não existe muita competição, mas sofre o mesmo problema de todos os modelos russos, o facto de ser russo. A Rússia "atacou" a Europa com este avião, onde inclusivé tentou fornecer Portugal com dois destes aviões, mas até à data apenas conseguiu vender os helicópteros Kamov (o que já foi positivo) e apenas está a conseguir alugar os aviões na época de incêndios e penso que só será decidido algo, depois das eleições. Apesar de em Portugal não ter conseguido ainda vingar, a Rússia conseguiu o apoio da EADS (European Aeronautic Defence and Space Company) e o avião tem o suporte desta gigante estrutura que dá uma grande credibilidade ao avião. A Grécia será muito possivelmente o primeiro cliente na Europa.

Beriev BE-200 (cockpit)

Por fim temos o novo motor da Aviadvigatel, o PS-90A2, o mais eficiente e moderno que possuem, porque foram usados componentes não russos, componentes esses que a Rússia tem um atraso significativo e não conseguem ser competitivos no mundo actual.

Aviadvigatel PS-90A2

A estratégia actual da Rússia assenta na procura de parceiros ocidentais para responder às seguintes necessidades:

  1. Credibilidade/marketing ao avião
  2. Absorção de novas tecnologias, de modo a colmatar as actuais lacunas e efectuar um salto tecnológico.
  3. Absorção de novos métodos de fabrico mais eficientes, de modo a aumentar a produtividade/competitividade.

Devido a esta estratégia e o facto de quererem relançar este sector, temos assistido a várias frentes de ataque, apoio financeiro a companhias russas que adquiram aviões russos, tentativa da Aeroflot em adquirir uma companhia de aviação europeia e o recente anúncio da ordem de compra de 30 Sukhois SuperJet por parte de uma companhia da aviação Húngara a Malev, este é uma compra interessante porque esta companhia foi comprada este ano por um banco estatal russo. O que mostra a determinação com que a Rússia tenta dar o pontapé de saída para um sector tão importante como o é o sector da aviação.

Tupolev TU-334

Hoje as cartas foram lançadas, daqui a uns anos iremos ver se realmente conseguiram ou não.