quarta-feira, 15 de abril de 2015

Egipto: Uma Nova Frente Russa ?


Cairo

A visita de Putin em Fevereiro passado ao Egipto, realça os avanços russos em países que banham o Mediterrâneo. Já tinha focado anteriormente a Argélia e também a Líbia, vamos agora falar um pouco sobre o Egipto.
 
O Mediterrâneo é algo complicado para  a Rússia. Está completamente dominado pela NATO, com pontos de entrada muito específicos.
 
 
Andei a "brincar " um pouco com esta imagem, para percebermos melhor numa perspectiva russa, as dificuldades que representa o Mediterrãneo. Um dos lados está "infestado" de países da NATO.
 
Sendo uma organização militar considerada hostil pela a Rússia, não restam grandes hipóteses, as alternativas estão nos países que banham a margem sul deste mar.
 
Não estamos aqui a falar de uma aliança militar, mas sim de países amigáveis, onde poderá ser negociado o uso de portos para a marinha russa e quem sabe, algum uso para a força aérea russa.
 
A Rússia "perdeu" a Líbia, mas "ganhou" o Egipto. Não sabemos se haverá estabilidade política suficiente no país, mas Putin aproveitou para por o pé na porta. E dado a importância do canal do Suez, a Rússia estará muito interessada, em fomentar esta amizade.
 
A visita de Putin, o acordo para construir a primeira central nuclear do Egipto, e o fornecimento de armas por parte da Rússia, merece que este assunto seja focado num futuro próximo para se avaliar o impacto desta aproximação entre os dois países e a reação dos EUA, ao ver um país que estava na sua esfera de influência "deslizar" para o "outro" lado.
 

sábado, 7 de março de 2015

Ucrânia: Aumento De 500% No Preço Do Gás




Com as atenções focadas na guerra, na questão da NATO, do envio de armas, etc, é sempre negligenciado a questão económica.

E esta vai ser sem dúvida o grande problema da Ucrânia. A vida dos ucranianos vai mudar e muito. A partir de 1 de Abril, vamos ter aumentos brutais do preço do gás e a coisa não vai ficar por aqui.

Ukraine raises natural gas price for public

...according to the decision of the National Commission for State Energy and Public Utilities Regulation, the gas tariff for households for cooking is set from April 1 at the level of UAH 7,188 per 1,000 cubic meters, which is six times higher than the current rate...


Além deste brutal aumento,  a Ucrânia está sem dinheiro para comprar mais gás. E dado que a moeda ucraniana cada vez vale menos em relação ao dólar, o preço do gás será exponencial, está cada vez mais caro.

Muita coisa vai ficar mais cara, o poder de compra vai diminuir drasticamente, e como a UE não quer financiar a energia a um país (como o pode fazer, com tantos problemas europeus internos), uma vez mais, a negociação terá que passar pela a Rússia.

A Rússia pode fazer novamente um desconto de gás, a questão será, qual o preço que a UE/Ucrânia que terão que pagar por esse desconto.

Avizinham-se negociações difíceis e interessantes. Interrogo-me se o actual governo ucraniano consiga estar em funções por muito tempo, à medida que o nível de vida se deteriora a ponto de se tornar insustentável.

Se temos uma avalanche de imigrantes vindos de África, em breve teremos uma de ucranianos. E estes não precisam de atravessar o Mediterrâneo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Portugal, Argélia e ... Rússia



Agora que estamos todos de olhos postos na Ucrânia e onde a Rússia está debaixo de fogo com sanções económicas, vamos olhar para outro lado. Vamos olhar para um país que conhecemos bem, Portugal.

Todos estamos cientes que estamos livres do problema do gás russo. O nosso gás vem de outro lado e muitos têm dito que somos uma das alternativas para o abastecimento e diversificação do mercado europeu. Uma ligação mais forte a nível energético entre a Península Ibérica e o resto da Europa.

A maioria do gás que importamos vem da Argélia.

Vamos recordar o que alguns dos nossos políticos têm dito sobre o assunto:


Cavaco Silva: alternativa ao gás russo passa pela Península Ibérica


O Presidente da República defende que o abastecimento de gás ao centro e Leste da Europa deve passar a ser feito através da Península Ibérica. Cavaco Silva aponta esta solução como alternativa às actuais fontes de abastecimento provenientes da Rússia.
Cavaco Silva, que falava esta segunda-feira em Braga, onde decorre o encontro do Grupo de Arraiolos, apresentou a extensão de gasodutos que abastecem a Península Ibérica até ao centro da Europa como alternativa à redução de dependência energética europeia...

[Link]

Rui Machete em visita oficial de 24 horas à Argélia


...Portugal e a Argélia têm mantido um estreito relacionamento político, também assente nas importantes relações comerciais, culturais e no desenvolvimento de diversos projectos de cooperação. Neste âmbito, o tema da energia vai merecer particular destaque, também na sequência da crise na Ucrânia, pela forte dependência energética do ocidente face à Rússia e as significativas importações por Portugal de combustíveis minerais provenientes da Argélia, em particular o gás natural...

[Link]



A Argélia, aparece como um fornecedor alternativo ao gás russo. Ou seja pode mitigar o problema de fornecimento energético europeu, no objectivo de diversificação de fornecedores.

Mas será que a Argélia é realmente um fornecedor alternativo à Rússia? talvez sim, talvez não. Porque digo isto? pelo facto de que a Argélia e a Rússia, têm cada vez mais interesses em comum, principalmente na área energética.

Vamos aos pormenores, vamos recuar a 2006:


Algeria in Russian weapons deal

Algeria is to buy $7.5bn (£4.3bn) worth of Russian weapons and combat planes in return for Russia cancelling its debts to Moscow...

...Algeria will buy 40 MiG and 20 Sukhoi fighters, and 16 Yak jet trainers, Itar-Tass news agency reported. Also on the shopping list are eight S-300 missile systems and 40 T-90 tanks...


Eu, por esta altura, tinha escrito bastante sobre este pacote de armas. Este da Argélia e um outro da Líbia. Os dois combinados tinham o potencial de colocar em "cheque" os porta-aviões americanos que entrassem no Mediterrâneo, dado o tipo de material russo que estavam a adquirir. O melhor que a Rússia podia oferecer, inclusive mísseis que foram criados com o objectivo de atacar porta-aviões. O que se notava e ainda se nota é que países produtores de energia estão preocupados com o seu destino, dada a avidez de certos consumidores.

Apesar dos contratos enormes que a Líbia fez, saliento um deles, a encomenda de 3 navios porta-mísseis, que levam um míssil bastante mortífero: o P-270 Moskit. Um míssil supersónico com o objectivo de atacar grandes embarcações e muito protegidas.

Project 12421

Mas a Líbia não teve tempo para receber as encomendas, a realidade Líbia hoje, é outra. Agora o caso da Argélia é diferente. A Argélia recebeu as encomendas e continua nas compras. E que recebeu a Argélia desde o contrato de 2006? Vou colocar algumas das coisas adquiridas:


50 SU-30MKA


35 MI-24


16 YAK-130


300 T-90


4 submarinos - Project 636


2 embarcações project 20380


Além deste armamento saliento a aquisição de sistemas de defesa anti-aérea do melhor que a Rússia oferece para exportação. O temível sistema que os EUA nunca quiseram que o Irão ou Síria adquirissem. Os sistemas S-300.

8 Batalhões S300-PMU2


Este sistema "fecha" o Mediterrâneo e tem o potencial
de chegar a Espanha


A Argélia está a efectuar um forte rearmamento e as compras não se restringem à Rússia. Apesar deste grande investimento, curiosamente a partir de 2014, em plena crise ucraniana e com a Rússia debaixo de fogo com as sanções aplicadas, temos uns desenvolvimentos bastante interessantes.

Vamos ainda focar a nível de armamento:

Em  2014 é encomendado à Rússia mais 2 submarinos que estão para chegar em 2018. Com estes, a Argélia terá 6 submarinos no Mediterrâneo. Compra também novos helicópteros e manda modernizar outros.


46 MI-28N Night Hunter

6 MI-26

39 Mi-171Sh para modernização


Além disto foi assinado um contrato para mais 200 tanques T-90. Ou seja a Argélia está a ser fortemente armada pela Rússia. O nosso maior fornecedor de gás.

E além das armas o que se tem estado a passar? A Rússia está a investir no sector energético argelino. A Gazprom está lá.


Gazprom’s Next Acquisition – Algeria?

Russia’s oil and natural gas state monopoly Gazprom has been offered joint venture exploration projects in Algeria, the first foreign company to be invited to work in the country...

...Gazprom International, is already operating in Algeria, developing al-Assel oil and gas field in the east of the country in cooperation with Algeria’s Sonatrach...

...Algeria is Africa’s largest natural gas producer and second largest oil producer after Nigeria...

...Why Gazprom, why now? Simple - No significant exploration in Algeria has been carried out there for more than a decade, even as the country badly needs to develop new deposits to be able to fulfill its export commitments to Europe while meeting surging domestic needs. And actually, the contract is the result of eight years of negotiations...

...In August 2006 Sonatrach signed memorandums of understanding not only with Gazprom, but with Lukoil as well, Russia's second largest oil company and its second largest producer of oil...



Gostaria de salientar esta parte: 

"Why Gazprom, why now?... the country badly needs to develop new deposits to be able to fulfill its export commitments to Europe"


O que estamos a ver aqui é algo de bastante curioso, dentro de uns anos até Portugal vai começar a importar gás explorado pela Gazprom. Não vindo da Rússia, mas vindo da Argélia.

Outubro de 2014:

Sonatrach, Gazprom announce oil discovery in Berkin Basin 

ALGIERS-Sonatrach and its Russian partner Gazprom EP International B.V. announced Wednesday the successful completion of the drilling operation of Rhourde Sayah North-1 (RSHN-1)exploration wells, located at El Assel perimeter (block 236b) in Berkin Basin...


Gazprom na Argélia

Fevereiro de 2015:

Sonatrach and Gazprom discuss further natural gas collaboration in Algeria

Gazprom and Sonatrach have concluded a series of meetings in Moscow today between their two heads, Alexei Miller and Said Sahnoun, designed to further Algerian exploration and production cooperation between the two state entities...

...The meeting also considered joint actions within new oil and gas projects, while giving particular attention to potential LNG supplies...


Resumindo, este é um artigo que pretende chamar a atenção que a Rússia não está parada devido à situação ucraniana. Mais, a Rússia está a armar fortemente o nosso maior fornecedor energético e em breve, iremos "saborear" o gás argelino com sabor a russo.

Quando na Europa tanto se fala em diversificação de fornecedores energéticos, quando em Portugal se diz que não há problema porque não importamos gás da Rússia, deviamos olhar com mais atenção. A Rússia está presente nos fornecedores alternativos e está a armá-los. A Europa de uma maneira ou de outra, vai comprar mais à Rússia. Seja directamente, seja indirectamente.

Se pensarmos mais um pouco, existe alguma ironia na situação. Portugal está a contribuir para os cofres russos. Comprará gás argelino "made by Rússia", e a Argélia com esse dinheiro comprará armas russas.

Ou seja, Portugal indirectamente está a pagar a modernização militar da Argélia, a manter as fábricas de armamento russo a funcionar, e ainda dá lucro à Gazprom.

É este o mundo global em que vivemos.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Fim Da Estrada Para A Ucrânia




Diz-se que uma imagem vale mil palavras, e penso que esta é imagem ilustra bem o estado do país. A moeda crashou. Se isto tivesse acontecido ao rublo, seria notícia por tudo o que era imprensa. Como é a Ucrânia, não se fala muito disto, Mas a realidade é incontornável. O dinheiro está a chegar ao fim.

Em Novembro tinha chamado a atenção para as reservas que desapareciam a olhos vistos.

...The central bank's firepower is now all-but depleted, with reserves down to just $9.9bn in November, from almost $40bn in 2011...

 Neste momento têm pouco mais de 6 mil milhões, e parte do dinheiro que se evaporou, foi para tentar que a moeda se mantivesse à tona. Neste momento, desistiram dessa tentativa. O dinheiro está  a chegar ao fim e nada foi resolvido neste tempo. 




A Ucrânia, não tem reservas, a moeda colapsa, perdeu integridade territorial, parte do seu território está em guerra, o seu maior parceiro económico é a Rússia e é com esta que existe conflito. 

A UE vai lançando umas migalhas todos os meses, para haver dinheiro para algo, enquanto tentam encontrar uma solução para este imbróglio.

Os EUA ainda menos migalhas atira, enquanto vê assistir ao erguer de barreiras entre a Europa e a Rússia. Pelo meio oferece umas armas para ajudar à festa. Afinal o que vale a vida de um ucraniano? mais um país, mais uma cidade destruída. Do lado de lá do Atlântico, Uma Ucrânia, Uma Síria, Um Iraque, Um Afeganistão, Uma Líbia, todos são meros pontos num mapa, todos partilham o mesmo destino, a destruição.

E neste caso tem um bónus tremendo, as barreiras que se erguem entre a UE e a Rússia.

Seja como for, a Ucrânia está encostada à parede.ao ritmo que o dinheiro evapora, teremos que aguardar 2-3 meses, e penso que não terá capacidade para reagir. Cada vez é mais difícil, conter os rebeldes e estes têm conquistado terreno.

As jogadas estão do lado da UE. A Rússia vai assistindo ao colapsar e aguarda que ouçam os seus termos.

Não estou a ver isto de outra forma. Não estou a ver que trunfos tenham a Ucrânia, a UE, os EUA. A situação ucraniana é insustentável. A indústria estava virada para a Rússia e agora tudo vai desaparecer.

Era uma vez um país. 

Um país chamado Ucrânia...

sábado, 10 de janeiro de 2015

Uma Questão De Ouro III


Vou finalizar estes artigos de ouro, com algo que já estou para dizer há bastante tempo e tem ficado para trás.

Vou focar sobre o 2º lugar da tabela conforme indicado em artigos anteriores, a Alemanha. A Alemanha possui acima das 3000 toneladas, a Alemanha o motor da Europa. Vamos dar também uma olhadela para a Rússia, que tem estado continuamente a acumular ouro e já anda a rondar as 1200 toneladas e que está em 5º lugar na tabela (continuo a não contar com o FMI).

Existe uma grande diferença entre o valor da Alemanha e o valor da Rússia. Vamos agora olhar por outro prisma. Vamos equacionar um conflito que não precisa de ser militar, mas um conflito económico que saia fora de controlo, algo que contamine a economia em geral, algo que contamine a moeda de cada país.

Penso que estamos todos de acordo que ouro representa uma salvaguarda, algo para as emergências, para as necessidades. Ouro é Ouro.

Neste contexto, vamos pensar temos uma séria crise instalada e precisamos de recorrer ao nosso ouro, ao ouro que temos no "bolso". Mas apenas no nosso "bolso", não aquele que esteja guardado no "bolso" dos outros. Nunca se sabe o dia de amanhã, e o que pensamos que temos guardado no bolso dos outros, talvez nos surpreenda de forma desagradável na altura em que efectivamente precisamos dele.

Neste contexto a coisa muda um pouco de figura. A Alemanha tem muito pouco do seu ouro em casa, uma parte em Londres, outra em Paris e uma fatia de leão, quase metade do ouro alemão está em Nova Iorque. Dito por outras palavras, em "casa" existem 31%, em Paris 11%, em Londres 13% e uns imensos 45% em Nova Iorque. Em suma 69% do ouro alemão está fora do país.

Olhando de novo para a tabela e para os valores indicados, temos a Alemanha com umas 3390 toneladas, 31% em casa ou seja umas 1050 toneladas.

E a Rússia? A Rússia tem todo o seu ouro em casa disponível, não está no "bolso" de ninguém.

Se fossemos fazer uma tabela pelo o ouro que cada um tem em caso de necessidade, porque nunca se sabe o que pode acontecer em caso de crise, a tabela estaria muito diferente.

Que mais podemos dizer sobre o ouro alemão? algo de interessante e que merece uma espreitadela de vez em quando.

Vamos recuar a finais de 2012:


Germany to check gold reserves stored abroad

Much of Germany's gold reserves are stored abroad, in vaults in the US, Britain and France. No one has actually seen the gold bars for a long time - which has prompted German federal auditors to call for a look. 

In times of crisis, gold is considered to be a safe haven. But as the financial crisis has engulfed the European single currency zone, that very haven has shifted into the focus of politicians and Germany's National Audit Office. Questions are being raised as to whether the German Central Bank has in the past actually checked whether its gold stored in the US, France and the UK actually has the weight it is supposed to have. Only about 30 percent of the country's gold reserves are stored within Germany itself.

The National Audit Office – an independent authority that monitors Germany's finances – has on behalf of parliament looked into whether the central bank is properly checking its gold reserves...


Existe preocupação sobre o ouro que não está no "bolso".

Vamos agora para alguns meses depois:

Germany to Move 674 Tons of Gold

FRANKFURT — Nearly half of Germany’s gold reserves are held in a vault at the Federal Reserve Bank of New York — billions of dollars worth of postwar geopolitical history squirreled away for safe keeping below the streets of Lower Manhattan. 

Now the German central bank wants to make a big withdrawal — 300 tons in all. 

On Wednesday, the Bundesbank said that it would begin moving some of the reserves, the second-largest stock in the world after that of the United States. The goal is to house more than 50 percent of German gold in Bundesbank vaults in Frankfurt by 2020, up from a little less than a third today, the bank said...


A Alemanha quer repatriar o seu ouro. Pelo menos 50% no seu "bolso". 

Vamos avançar um pouco mais no tempo:

A parte que está em Paris, foi repatriado, e a parte de Nova Iorque? Algo curioso aconteceu.

Artigo de Junho de 2014:

German Gold Stays in New York in Rebuff to Euro Doubters

Germany has decided its gold is safe in American hands. 

Surging mistrust of the euro during Europe’s debt crisis fed a campaign to bring Germany’s entire $141 billion gold reserve home from New York and London. Now, after politics shifted in Chancellor Angela Merkel’s coalition, the government has concluded that stashing half its bullion abroad is prudent after all. 

“The Americans are taking good care of our gold,” Norbert Barthle, the budget spokesman for Merkel’s Christian Democratic bloc in parliament, said in an interview. “Objectively, there’s absolutely no reason for mistrust.” ...


Eu espero que a razão tenha sido esta. Porque as alternativas não são agradáveis de pensar.

Não deixo de pensar, que, se decidir guardar o meu dinheiro debaixo do colchão, e decido ir ao banco para levantar o MEU dinheiro, este é entregue sem questões, e sem mais delongas.

Não desisto da minha intenção, porque o banco é "seguro".

A maior economia do euro, a moeda que rivaliza com o dólar, tem perto de metade das suas reservas de ouro no "reino" do dólar. E quando decide levantar o seu ouro... muda de ideias.

Interrogo-me o impacto disto nas políticas externas alemãs e nas políticas externas europeias.

Definitivamente a coisa não me agrada. Algo não parece bater certo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Sanções: Faz O Que Te Digo, Não Faças O Que Eu Faço




Este post será uma actualização de um outro que coloquei em finais de Outubro, Ucrânia No Espaço: O Fim?, e que fala acerca dos problemas e dependências de projectos do sector espacial americano.
 
Na altura, conforme indiquei, o foguete que explodiu tinha um estágio de fabrico ucraniano e foi esse que deu problemas. O embaraçoso foi descobrir a dependência em recentes foguetes americanos de componentes do tempo da URSS.
 
Depois deste embaraço, a quem os americanos recorreram para solucionar o problema? Por mais incrível que pareça, e será algo que não será muito badalado concerteza por aí. Foram ter com os russos. Os tais que estão debaixo de duras sanções ocidentais, sanções em tudo, excepto em algumas coisas...
 
Antares Upgrade Will Use RD-181s In Direct Buy From Energomash

Orbital Sciences Corp. will buy directly from Russia’s NPO Energomash a new rocket engine with a long heritage, to replace the surplus Russian powerplants tentatively implicated in the Oct. 28 failure of an Antares launch vehicle with a load of cargo for the International Space Station (ISS).
 
Designated the RD-181, the new engine will be used on Antares in shipsets of two to accommodate as closely as possible the two-engine configuration built around the AJ-26 engines supplied by Aerojet Rocketdyne, Orbital Sciences managers said Dec. 16...

...Congressional concern about Russian aggression in the Crimean peninsula led to a ban in the new National Defense Authorization Act (NDAA) on using RD-180s purchased after Russia occupied the Ukrainian territory on Feb. 1. Grabe said that legislation will not affect the deal to buy RD-181s from Energomash.
 
“We’ve coordinated with all relevant congressional committee staffs to keep them informed of our decision,” Grabe said. ...
 
 
Um pormenor importante aqui, a Orbital Sciences Corp., comprou os motores russos RD-181, e os que foram sancionados foram os RD-180, e porque este modelo foi referido? por algo muito curioso, os satélites MILITARES americanos são colocados no espaço por foguetões que usam os motores RD-180 russos e isto é algo que os preocupam, esta enorme dependência de material russo, em várias áreas do sector espacial americano.
 
Após sanções, a Rússia continua a enviar os motores para os EUA, para estes poderem colocar os seus satélites militares no espaço, conforme atesta este artigo:
 
Russian RD-180 rocket engines delivered to ULA
 
Dodging tit-for-tat sanctions that have paralyzed trade between the United States and Russia, a cargo plane landed in Alabama on Wednesday with two Russian-made RD-180 engines destined to power U.S. government spacecraft into orbit aboard Atlas 5 rockets.
 
The engines flew from Moscow to Huntsville, Ala., aboard a Russian Antonov An-124 transport plane. Workers planned to unload the engines for a road trip to United Launch Alliance's rocket factory in nearby Decatur, Ala.
 
The shipment marked the first time RD-180 engines were delivered to the United States since a senior Russian government official threatened to cut off the supply of engines for launches for the U.S. military, the primary customer for United Launch Alliance's Atlas 5 rocket.
 
...No hydrocarbon-fueled rocket engine currently produced in the United States matches the performance of the RD-180 engine...
 
...Responding to U.S. government sanctions targeting individuals with ties to the government of Vladimir Putin in the wake of Russia's annexation of Crimea, Rogozin proclaimed in a May 13 press conference that shipments of RD-180 engines for U.S. military satellite launches would end...
 
...A federal judge issued a temporary injunction banning future purchases of RD-180 engines by ULA or the Air Force, but she rescinded the order a week later after U.S. government officials assured the court that the transactions did not violate sanctions against Russia...
 
...After Wednesday's delivery, ULA has 15 RD-180 engines in its inventory in the United States. Another 27 RD-180 engines are on order with shipments scheduled through 2017... 
 
 
As voltas que este mundo dá. Se a hipocrisia, gerasse energia, não precisariamos de petróleo...

domingo, 28 de dezembro de 2014

Uma Questão De Ouro II


 
Nesta questão literalmente de ouro, tenho mais um assunto para falar, que considero interessante e que nos toca um pouco a nós, "nós",  União Europeia.
 
Vou colocar uma parte de um pdf que se pode encontrar aqui: [Latest World Official Gold Reserves] , pois quero focar as principais reservas de ouro.



Tirando o IMF, temos a lista dos Top 5. Destes 5 países, 3 pertencem ao "core" da UE e combinados, somam 8271,4 toneladas o que permite ver por outro prisma, o comparar os EUA e a força combinada da UE. Portanto no Top 5, temos basicamente os EUA, a UE  e a Rússia.
 
Também dá para reparar que no caso da Rússia, é o que possui dos 5 a menor quantidade de ouro e é também quem mostra uma percentagem menor relativamente às reservas que possui. As sensivelmente 1000 toneladas, representam apenas 10% do total das reservas, algo bastante diferente dos restantes.
 
Não está incluido nestes TOP 5, mas o país seguinte é a China, e esta também possui à volta de 1000 toneladas, sendo que estas apenas representam 1% do total das reservas chinesas. Percentagens bastante diferentes dos outros aqui referidos.
 
E se olharmos para as o total de reservas financeiras por país, temos um outro cenário interessante:
 

 
Eu tirei estes dados do site da CIA, para ver o total dos dados, consultar: [Link]
 
Em termos de reservas financeiras, a disparidade de valores entre a China e os EUA, é verdadeiramente abismal. Num confronto económico em larga escala, as potências ocidentais têm um problema, as riquezas não estão concentradas apenas no seu lado.
 
Neste contexto, um dos cenários em que penso, é na China e no seu possivel envolvimento à questão económica actual russa que está debaixo de fogo. A China é a fábrica do mundo, a Rússia o maior fornecedor energético mundial, um dos grandes problemas da China é arranjar energia para o seu brutal crescimento, e já existe vários pontos de tensão na Ásia, com as posições agressivas chinesas em relação a outros países na zona, a China quer o controlo das zonas ricas em energia e tem havido vários incidentes com demonstrações de força.
 
Dado que para este lado a China só pode ver confrontos, com vários países, incluindo os EUA, existe uma maneira bem mais pacífica de crescer nos próximos anos. A Rússia. E esta acabou de fazer este ano, acordos enormes para fornecer a fábrica do mundo. A Rússia vai passar a fornecer a China, pondo mesmo em risco o fornecimento à Europa. Por culpa desta.
 
Quer a China permitir, quando conseguiu acordar o acesso às vastas reservas russas, que a Rússia entre em convulsão económica, colocando em risco o que conseguiram este ano? Qual o interesse da China em ver uma Rússia instável, onde coloque em risco o seu fornecimento? Uma Rússia que perca controlo das suas reservas energéticas, uma Rússia que desvie novamente essas reservas para o Ocidente?
 
Penso que a actual situação ucraniana, poderá desencadear coisas bem maiores, num futuro muito próximo.
 
A China poderá desempenhar um papel bem mais activo (no contexto económico).
 
A China pode mudar o mundo tal como o conhecemos hoje.