O mundo está a mudar rapidamente. A jogada "inteligente" dos EUA em tentar dominar o Irão, tal como fizeram com a Venezuela, falhou redondamente. E com custos enormes. Custos que ainda estamos por descobrir.
Além do enorme custo monetário que se avizinha, temos um outro tipo de custo que vai acelerar o declinio americano. Estou a falar do custo reputacional. A grande super potência ao nível planetário, atolou-se no Irão.
Não conseguiu mudar os governantes apesar dos assassinatos.
Não conseguiu acabar com a capacidade militar do Irão. Estes continuam a possuir a capacidade ofensiva, capacidade essa que lhes permite atacar qualquer base americana no Médio Oriente. E mais, capacidade de atingir Israel.
Pior, esgotou o arsenal de armas defensivas. Os famosos Patriot. Os tais que todos os dias ouvimos a Ucrânia a pedir sem cerimónia. Afinal, não são eles que os pagam. Somos nós. Mas agora nem a pagar. Isto porque os EUA não têm para proteger as suas bases do Médio Oriente. E todas elas estão ao alcance do Irão. Conforme a imagem abaixo.
Esta imagem, além de indicar todas as bases, mostra algo mais. Que o Irão não está isolado, pois se a nível marítimo está bloqueado, a nível terrestre tem acesso aos seus dois aliados. As outras duas grandes potências nucleares. E explica porque os porta-aviões americanos não se atrevem a usar nenhuma das bases navais do Médio Oriente para reabastecimento porque ficariam expostos aos mísseis iranianos. E isto representa um problema. Pois as bases navais americanas mais próximas estão a milhares de km's de distância.
E essa é a razão para os problemas que começam a aparecer na imprensa. Estão milhares de homens e toda uma frota que protege o porta-aviões no mar à espera de reabastecimento. E estão há mais de 250 dias sem encostarem num porto. Muitos meses. Demasiados meses. Resultado? Têm que o tirar de lá rapidamente antes que aconteça um motim a bordo. Novo porta aviões vem a caminho para o render, conforme mostra o seguinte mapa.
O que quer isto dizer? Os EUA estão mais que ocupados só para garantir que tenha pelo menos um porta avões na zona, sabendo que não os pode reabastecer na zona. E é neste estado que a super potência se encontra. Completamente atolada no Médio Oriente, onde não pode usar as suas bases navais e todas as suas bases estão na mira dos iranianos.
E isto, claro, também vai ter consequências na Ucrânia e muito mais além. O mapa seguinte indica de forma clara o que se está a passar no globo (a vermelho indica os países com bases americanas). A barreira de contenção que os EUA construiram nas últimas décadas está a ceder.
Tanto a Rússia como o Irão já estão a pressionar os EUA para se afastarem das suas zonas. E a China, esse colosso em crescimento, em breve irá se juntar à pressão.
Uma nova realidade cresce a olhos vistos, à medida que a super potência vai perdendo capacidade, influência e dinheiro.
Estamos a assistir a mais uma grande viragem na história.
P.S. Venezuela
O país foi salvo do seu presidente.
De seguida foi salvo do seu petróleo.
Agora salvo do seu ouro.
Ouro da Venezuela em Londres irá para contas do Tesouro dos EUA, diz deputado
... os recursos do ouro da Venezuela mantido no Banco da Inglaterra serão depositados em contas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para financiar ações de resposta à emergência após o duplo terremoto de 24 de junho. As declarações foram dadas em entrevista à Venevisión, conforme reportou o jornal El Nacional...
Afinal, os venezuelanos não sabem tomar conta do seu presidente, do seu petróleo e agora, do seu ouro.
A Europa que se cuide.