quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Mais Um Passo Para O Precipício IV


Estamos no final de mais um ano. No final do ano passado coloquei o post Mais Um Passo Para O Precipício III e vou de novo voltar ao tema.

Passado um ano a minha avaliação sobre este tópico é que a Europa está numa situação bem mais delicada hoje e a Rússia está com o seu potencial militar aumentado. 

Ou seja, a Rússia está a preparar-se para um conflito de enormes proporções caso se chegue a esse ponto. Os sinais estão aí, a sua economia está a lidar bem tendo em conta a situação e contexto que estão a passar, a capacidade militar está a aumentar, bem como a capacidade de produzir todo o tipo de armamento.

Foram entregues este mês 2 novos submarinos nucleares.


Um submarino de ataque da classe Yasen-M e um submarino estratégico para guerra nuclear.



De recordar que o único modelo de submarino que está a ser usado na Ucrânia é não nuclear da classe Kilo. Os outros modelos de submarinos estão para questões maiores e que todos nós sabemos quais são.

Ou seja, a Rússia adicionou à sua força naval, um submarino que transporta 16 mísseis intercontinentais Bulava, transportando cada um 6 ogivas nucleares hipersónicas modelo Avangard, ou seja, este submarino pode atacar de forma nuclear 96 alvos e um outro submarino de ataque com capacidade de 32 mísseis de cruzeiro hipersónicos Zircon. Que poderão ser nucleares ou não.

Mas não foram entregues apenas submarinos, também foram entregues navios de superfície este mês, dos quais destaco,

Uma nova fragata da classe Admiral Gorshkov,


O navio tem capacidade para transportar 16 mísseis hipersónicos Zircon, os próximos desta classe estão para transportar 32 destes mísseis.

Um navio Buyan-M,


Com capacidade de transportar 8 mísseis de cruzeiro kalibr.

Ou seja, só este mês, com esta 4 novas embarcações que a marinha russa recebeu, foi adicionado um potencial de 72 mísseis de várias classes.

Ou seja, desde que a guerra da Ucrânia começou, a Rússia colocou no activo várias plataformas sejam elas navios, submarinos ou aviões que combinados adicionaram um potencial de salvo em silmutâneo de centenas de mísseis de cruzeiro, hipersónicos e nucleares. E só estou a contar com o que foi entregue após a guerra começar.

Um outro pormenor que reparo é que a Rússia reduziu o nº de lançamento de satélites, apenas 19.

Está a cumprir com todas as suas obrigações com a Estação Espacial Internacional.

Lançou uma sonda para a lua que não correu bem.

Os restantes são militares ou têm aplicação militar, 12 lançamentos.

Tenho visto alguns (como José Milhazes) aproveitarem esta redução de lançamentos como uma degradação do sistema espacial russo.

Vejo exactamente o contrário. A meu ver, a Agência Espacial russa, está em stand-by para caso seja necessário, aumentar o nº de satélites militares no espaço. Eles têm a capacidade de lançamento, mas estão a guardar para o que vem aí. O que mais uma vez é muito mau sinal para todos nós.

A Rússia está claramente empenhada e focada em atingir os objectivos a que se propôs.

2023 foi mau?

2024 vai ser pior. E suspeito que vai ser muito pior para nós. A Europa vai estar numa situação cada vez mais complicada.



P.S. Mísseis hipersónicos americanos

Onde é que eles andam?

Pelos vistos estão com sérias dificuldades no domínio desta tecnologia.


Test Failures Put Hypersonic Program in Doubt

Further recent testing disappointments with the U.S. Air Force hypersonic boost-glide vehicle likely have solidified the official end of the program in fiscal year 2024.

The House and Senate versions of the 2024 National Defense Authorization Act zero out the Biden administration’s request of $150 million for continued research and development of the Air-Launched Rapid Response Weapon (ARRW) system.

Senate Armed Services Committee budget documents state that, “in light of testing failures and statements from Air Force leadership in support of the competitor program, the committee is concerned that continued testing at the scale originally planned in the budget request seems unlikely to deliver persuasive results.

The Air Force intended to begin procuring the weapon in 2023, but the program’s lackluster testing record in 2021 prompted the service to delay procurement.

On Aug. 19, the Pentagon conducted a test release of an all-up-round ARRW prototype missile from a B-52H bomber off the coast of southern California, but did not specify whether the test proved successful. After an ARRW system flight test in March, the Air Force did not detail its outcome until weeks later, when the service admitted it was unsuccessful.

The Army planned to field the ARRW system by the end of September, but now aims to deploy it by the end of the calendar year, which defense experts view as still unlikely.

The Pentagon’s hypersonic weapons effort stumbled again with the second cancellation this year of a scheduled test of the Army’s Long-Range Hypersonic Weapon (LRHW) system “as a result of pre-flight checks” on Sept. 6 at Cape Canaveral Space Force Station in Florida.

The string of failures and delays across the Pentagon’s various conventional-only hypersonic programs highlights the disorganization of the effort, which was founded largely to keep pace with Chinese and Russian hypersonic programs. Beijing and Moscow have both conventional and nuclear hypersonic programs.

There wasn’t a strategy during my time at the Pentagon,” Will Roper, the former Air Force acquisition chief, told The Wall Street Journal in September. “And from what I can see from the outside, there doesn’t appear to be one now.

[Link]

A situação é deveras surpreendente. Os EUA, a superpotência de topo é incapaz de chegar a bom termo na tecnologia hipersónica. A Rússia está claramente à frente, quando tem cada vez mais tipos de mísseis hipersónicos capazes de serem lançados por meios terrestres, navais e aéreos. Tendo mesmo usado em situações de combate.

Isto é um sério problema para os EUA. O domínio da tecnologia hipersónica é uma clara vantagem para quem a domina. E muita gente vai começar a questionar como é que os EUA estão tão atrás, demonstrando incapacidade de chegar a bom porto.

A ver vamos.


15 comentários:


  1. Rússia admite progressos no fabrico conjunto de armas modernas na Índia

    O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, admitiu hoje “progressos concretos” no fabrico conjunto de armas modernas na Índia, após ter reunido com o seu homólogo indiano, Subrahmanyam Jaishankar.

    "Discutimos as perspetivas de cooperação militar, incluindo a produção conjunta de armas modernas", disse Lavrov, admitindo “progressos concretos” nesta área, durante uma conferência de imprensa.

    O chefe da diplomacia russa sublinhou que esta cooperação tem uma “natureza estratégica” e explicou que o seu “aprofundamento responde aos interesses nacionais de ambos os países”.



    https://www.msn.com/pt-pt/noticias/mundo/r%C3%BAssia-admite-progressos-no-fabrico-conjunto-de-armas-modernas-na-%C3%ADndia/ar-AA1m6frh?ocid=msedgntp&cvid=72d4d0746d2d4860b46503f51dcba107&ei=23


    Interessante.

    A Rússia e Índia têm estado um pouco distantes nesta matéria com o relativo e recente namoro que a Índia tem tido com os EUA.

    A ver o que sairá daqui.

    Cheira-me que a Índia está algo preocupada, com a grande e estratégica aproximação à China que os russos estão a ter.

    E vai querer equilibrar um pouco a balança.

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  2. Estamos praticamente em 2024. Penso que quem ainda ouve José Milhazes e come o que ele tem para dar, não tem muita elasticidade mental. Ele é um labrego autêntico, claramente pago para propagar a narrativa NATO/Ocidental. Segundo essa bênção milagrosa, a Rússia está de rastos há ano e meio. Enfim.

    Relativamente ao poderio Russo, continua a surpreender a capacidade de eles avançarem na linha da frente - pouco ou nada noticiados como é óbvio -, ainda que com alguns percalços, sem mobilização massiva, a sua economia cresce, o seu armamento continua a ser entregue a tempo e horas, continuam a evoluir e a desenvolver novas tecnologias... Mesmo limpando a propaganda assente neste tipo de anúncios, eles não páram e isso é revelador das suas intenções com este conflito e com o estado desta guerra fria entre Rússica e NATO. A ver vamos.

    Boas entradas!

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    1. José Milhazes há mais de uma década que anda a dizer que a Rússia está em constante declínio.

      Nem sei como não o confrontam com os constantes disparates que vai dizendo.

      Quanto ao estado desta guerra fria, já deixou de ser fria, está a aquecer rapidamente e provavelmente em 2024 vai aquecer muito mais.

      Boas entradas para si também.

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  3. Um bom resumo da evolução da situação.
    Mas a utilização da energia nuclear pode ameaçar muito mais do que pensamos, e teria repercussões em muitas outras áreas. Incluindo noutros locais.

    Interessante ter começado com 2 países e terminado com o forro da Nato para os interesses geoestratégicos de defesa dos EUA.
    O mais dramático é que há a construção da UE e as integrações da UE, finalmente uma Europa capaz de permanecer em paz por um sentimento de pertença comum entre os países. Através da NATO, a Europa deixou para trás a definição de um inimigo potencial nas suas fronteiras, onde era um parceiro económico. Uma Europa próspera e uma Rússia próspera não favoreceram os EUA no passado, e os EUA sempre tiveram como objetivo continuar a ser a principal potência económica do mundo. Ninguém foi capaz de ler a estratégia americana.

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    1. ...Uma Europa próspera e uma Rússia próspera não favoreceram os EUA no passado, e os EUA sempre tiveram como objetivo continuar a ser a principal potência económica do mundo...

      Infelizmente, a coisa até parecia estar a ir no bom caminho com vários projectos em conjunto, mas a coisa nunca foi obviamente do interesse dos EUA. Uma ligação entre a Ásia e a Europa através da Rússia iria de certo modo colocar de lado os EUA e mais tarde ou mais cedo colocar em xeque a sua posição de topo no mundo.

      Agora a Europa vai pagar um preço muito caro por se ter permitido ser arrastada para um braço de ferro entre super-potências.

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  4. B-52 Needs New Pylons To Carry Max Load Of Hypersonic Missiles


    The U.S. Air Force is seeking modified underwing pylons for its B-52H bombers to help ensure they will be able to carry as many hypersonic cruise missiles as possible in the future. The service says this is a particularly important requirement in the context of being prepared for a potential future high-end conflict in the Pacific against China...

    ...Air Force Global Strike Command's (AFGSC) B-52 bombers are set to be one of the primary launch platforms for these missiles when they begin entering service, which is currently expected to occur in 2027...



    https://news.yahoo.com/b-52-needs-pylons-carry-010926175.html?guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&guce_referrer_sig=AQAAAEoxQozto03qTbZmdW4_E4YXfY-LQYQaO3DduJSg_ROR5JUjEKSrGjTZsXRsGdSYzlPGtqb2gHinksxv97MK7I2yG6x2CWXiHU7yCuafaWDKmAPc8ZvOazypeyJrtGSBlYoEeJ7lYMYTe0Wh06CXvZTLBKTsLxB9Hkv0vUG7dIgH


    Preparar B-52s, para os possíveis mísseis para talvez 2027.

    Se estamos a atirar para uma possível data de 2027, imagino qual será a verdadeira estimativa.

    Por esta altura onde estaremos nós.

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    1. Um general americano atirou para 2025,mas depois foi adiado para 2027.

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    2. Pois, o que mostra claramente como está a questão do domínio do hipersónico.

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  5. O Milhazes ( O homem é tão básico !) ainda está a pensar
    como é que as máquinas de lavar roupa hipersônicas são extremamente precisas e destrutivas. Os poderosos Kinzhal (Adaga), Iskander (Alexandre) e Oniks (Ônix) serão os nomes de uma nova linha de máquinas de lavar roupa de luxo .

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  6. 3° Guerra mundial.
    Em primeiro lugar, vou fixar uma data para o conflito: 2027
    Esta data foi noticiada durante alguns dias nos meios de comunicação americanos, no início do ano, como o ano em que a China iria invadir Taiwan. Esta data não passa de uma espécie de prenúncio, uma técnica utilizada pelos jornalistas para preparar psicologicamente o público para um acontecimento premeditado.
    No ano passado, mostraram políticos a jogar jogos de guerra com generais para mostrar um sinal de unidade, porque nos bastidores não estavam de acordo quanto à data do conflito. Havia quem quisesse que fosse em 2025, mas parece que se fixaram em 2027.
    O conflito vai exigir o envio da marinha e eles têm um grande problema, os mísseis chineses viajam a 10 vezes a velocidade do som e podem atingir alvos a mais de 1200 quilómetros de distância, têm também planadores suborbitais e drones hipersónicos que podem ser lançados até 6000 quilómetros de distância, além de que um F-35 tem um alcance de “apenas” 1250 quilómetros, Isto significa que, independentemente dos navios que os americanos trouxerem, todos eles estarão em perigo, e que será necessário mobilizar um esforço logístico considerável, pelo que não será possível manter uma frente durante muito tempo. Tal como os russos, que se colocaram numa posição defensiva enquanto aguardam os repetidos ataques dos ucranianos em ondas, os chineses terão apenas de esperar, porque estarão em casa, o que tem enormes implicações estratégicas que lhes são favoráveis. Os mísseis que os americanos poderão utilizar serão sobretudo tomahawks e harpoons, velhos equipamentos subsónicos fáceis de detetar e de intercetar pelos numerosíssimos destroyers e cruzadores chineses, o que significa que o lançamento de quinze deles nem sequer garantirá um impacto, enquanto do lado chinês um impacto de um yj-21 ou de um df 17 é garantido, porque as contramedidas contra este tipo de armas ainda não existem.
    Entre as embarcações que os americanos vão destacar, é provável que se encontrem 82 Arleigh Burkes e Ticonderoga, protegendo 10 porta-aviões Nimitz e Gerard Ford, cada um com cerca de 90 caças (ou menos, se tiverem aviões radar), bem como 10 porta-helicópteros anfíbios. Para não entrar em demasiados pormenores na minha investigação, trata-se de navios que datam da Guerra Fria. O seu exército nunca foi totalmente modernizado, ironicamente devido às suas guerras permanentes, demasiado caras para o Estado americano, que teve de cancelar constantemente os programas de modernização para comprar as bombas existentes. Assim, longe de possuírem o exército com melhor desempenho do mundo, têm de facto o armamento mais antigo do Ocidente. Os F-22 já não são produzidos e só existem para proteger o território americano. E os F-35 mais modernos estão cheios de defeitos, são muito caros e a única forma que encontraram para reduzir os custos foi aumentar as taxas de produção, mas como não têm dinheiro suficiente para comprar caças, estão a pressionar todos os outros a comprá-los em vez de Rafales ou Gripens (porque sim, hoje em dia gastam quase mil biliões de dólares por ano, mas na realidade 3/4 do orçamento é usado essencialmente para manter bases em todo o mundo,a manutenção dos 10 porta-aviões e dos seus aviões, que custam uma fortuna, ou mesmo a retirada destes últimos, demasiado velhos e já não nos conformes com as doutrinas actuais, a corrupção dos patrões das empresas de armamento e o fabrico de munições, demasiado caro devido à falta de capacidade de produção (as munições de artilharia não podem ser fabricadas com mais de 5.000 unidades por dia, enquanto os russos podem fabricar 85.000).

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  7. Os americanos fabricam munições que estão habituados a utilizar, ou seja, fabricam balas (8 mil milhões por ano) e bombas (cerca de 75.000 por ano), mas não fabricam munições mais complexas muito rapidamente, o seu stock de mísseis é mantido em segredo, mas em comparação com o que deduzem dos lotes que encomendam e tendo em conta o tempo que demoram a chegar, Diria que estão a fabricar mísseis a um ritmo de 2 ou 3 por dia, o que é muito pouco, especialmente se tivermos em conta que muitos deles serão destruídos nas primeiras batalhas, porque as batalhas navais modernas são travadas de tal forma que, dependendo da capacidade de interceção dos mísseis, é mais provável que os navios fiquem sem munições antes de interceptarem o que quer que seja. Um problema MUITO grande para os americanos, dado que não estarão em casa, enquanto os chineses poderão recarregar permanentemente com pouco esforço logístico, ou mesmo disparar a partir de terra. No final da guerra, apenas cerca de vinte navios chineses em mais de 500 deverão ser afundados, o que não é brilhante, e para os americanos significaria a perda definitiva do seu instrumento de intervenção.
    Por conseguinte, é mais provável que os americanos recorram aos submarinos, mas também aqui os chineses se prepararam: em primeiro lugar, há que salientar que os americanos têm um problema demasiado grande de pessoal e de manutenção, e as qualificações necessárias para pilotar um submarino e o perfil psicológico exigido para ser recrutado significam que apenas 40% dos cerca de 60 submarinos de ataque disponíveis (não os mísseis balísticos) podem ser utilizados em qualquer altura. O combate por submarinos é ineficaz do lado de Taiwan: em primeiro lugar, existem apenas dois cruzamentos, pelo que é fácil vê-los chegar; em segundo lugar, têm apenas um alcance de cerca de dez quilómetros, pelo que é impossível atingir navios a várias centenas de quilómetros; e, em terceiro lugar, os chineses estão agora a instalar drones torpedeiros autónomos que podem intercetar submarinos e navios inimigos que se aproximam sem serem detectados. É certo que os Estados Unidos estão a enfrentar uma nação sobre a qual não sabemos quase nada, mas não dispõem nem do armamento necessário para enfrentar a China, nem da indústria necessária para sustentar uma guerra com eles durante um longo período (3 ou 4 meses no máximo), nem sequer da tecnologia para competir com eles. O exército chinês já está pronto para receber os americanos, mas continua a desenvolver-se apesar de tudo.
    Para além da opção nuclear… existem cerca de 400 mísseis Minuteman III, que custam 7 milhões de dólares cada, armazenados em silos americanos. Podem atingir a costa chinesa, mas serão retirados em 2029-2030; o novo míssil sentinela da Northrop Grumman deverá substituí-lo, mas será mais caro.

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  8. Neste panorama da geopolítica mundial os EUA têm trabalhado arduamente para minar o Médio Oriente e a China para conseguirem o jackpot. As vítimas são sempre os povos, antes de mais os palestinianos.
    O facto de a dívida dos EUA ser maioritariamente detida pela China, sabendo que os EUA estão bastante debilitados financeiramente hoje em dia (nunca tiveram uma dívida tão grande), também evitará um grande confronto com a China, mas eles têm mais uma relação de dependência entre si…a guerra entre a Arábia Saudita e o Iémen, que já dura há muito tempo, também reforça a posição dos Houthi, enquanto a Arábia Saudita está mais alinhada com os EUA.
    Em suma, como sempre, a questão que se coloca é: quem beneficia com o “crime”?
    Quanto ao poder militar dos EUA: os EUA têm bases militares em todo o mundo (mais de 800, penso eu), o que tem um custo considerável que a China não tem. Pelo contrário, a política militar da China sempre foi orientada para o seu próprio país, o que custa muito menos (especialmente porque a moeda chinesa está desvalorizada). Já não tenho os números na cabeça, mas os EUA pediram muito dinheiro emprestado à China para financiar a sua guerra no Iraque, por exemplo. A China não faz guerras e não precisa de afectar parte do seu orçamento militar a intervenções no terreno.
    Os russos têm mísseis supersónicos que contornam os sistemas anti-mísseis da NATO, embora não seja claro para mim que os americanos tenham uma vantagem tecnológica (os chineses são muito bons em tecnologia laser).
    Além disso, há os conceitos de “guerra híbrida” a ter em conta, os EUA estão divididos internamente (entre trumpistas e democratas, para simplificar), o que os enfraquece, o que não é claramente o caso da China (partido único, censura, reconhecimento facial, crédito social etc…). ), também do ponto de vista económico, cada vez mais países abandonam o dólar (nomeadamente para vender o seu petróleo) e interessam-se pelos BRICS, a China e os EUA são interdependentes de momento, mas o mundo está a virar-se para a China e não sei quem teria mais a perder se rompessem relações.

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    1. Ainda muita água vai correr.

      Vamos assistindo ao desenvolvimento das coisas.

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  9. Etiópia junta-se oficialmente ao grupo de economias emergentes BRICS


    A Etiópia integrou esta segunda-feira oficialmente o grupo de economias emergentes composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS), na sequência do convite feito ao país africano em agosto, confirmou o Governo etíope.

    "Hoje é um dia histórico, porque a Etiópia aderiu oficialmente aos BRICS", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, em comunicado divulgado através das redes sociais.

    O Governo acrescentou que "a sua adesão é um reconhecimento da rica contribuição multilateral da Etiópia para a promoção da paz, segurança e prosperidade internacionais, e do compromisso e liderança contínuos do país na cooperação Sul-Sul", acrescentou...


    https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/eti%C3%B3pia-junta-se-oficialmente-ao-grupo-de-economias-emergentes-brics/ar-AA1mjRSb?ocid=msedgntp&cvid=4e0a70da4bcb43cf84e884cf18dae528&ei=23


    A organização vai crescer. Vamos a ver o que irá significar dentro de uns anos.

    Mas para nós, ocidentais, que estamos no topo, será sempre uma perda.

    Um mundo multipolar está aí.

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  10. Bloqueio no Mar Vermelho triplica preço dos transportes e atrasa encomendas até 15 dias


    Os condicionamentos ao tráfego no Mar Vermelho provocados pelos ataques dos Houthis na região já estão a afetar o comércio mundial. Com as empresas de transporte forçadas a alterar rotas e a enviar os seus navios por percursos muito mais longos para evitar a região, os preços dos para as empresas portuguesas mais que duplicam e os prazos de entrega aumentam até 15 dias...

    ...Evitar atravessar o Mar Vermelho e fazer a travessia para a Europa através do Canal do Suez implica contornar o Cabo da Boa Esperança e aumentar em 7.000 quilómetros a travessia, o que custa tempo e dinheiro, face aos maiores custos de combustível...


    https://www.msn.com/pt-pt/noticias/other/bloqueio-no-mar-vermelho-triplica-pre%C3%A7o-dos-transportes-e-atrasa-encomendas-at%C3%A9-15-dias/ar-AA1mCecd?ocid=msedgntp&cvid=bac20ccab4224f48f84addd7c2499c53&ei=119

    As guerras fazem-se de muita maneira, mas muita gente vive num mundo feito por hollywood, onde são sempre os mesmos que ganham devido a superioridade tecnológica...

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