domingo, 26 de janeiro de 2025

Mais Um Passo Para O Precipício IX

 


Agora que estamos a entrar numa nova fase com a entrada de Trump em cena, quero novamente chamar a atenção que a Rússia está a levar muito a sério sobre os seus objectivos e sobre o que quer negociar com os EUA. E não estou a falar da questão ucraniana.

Esta determinação revela-se com a aceleração da entrega de mais material de guerra de ponta. Sinal, uma vez mais, que eles vão resolver as suas questões a bem, ou a mal.

E onde a Europa se situa nisto tudo?

Mal.

Muito mal. As negociações vão ser entre super potências e o seu desfecho vai afectar o resto do mundo. Especialmente a Europa, que como tenho vindo a alertar se encontra num perigo extremo.

Os EUA podem considerar ser necessário mais tempo para se prepararem e poderão ter que "gastar" a cartada Europa para atrasar a Rússia.

Ou seja, eu vejo-nos a nós, como mais um cordeiro sacrificial, tal como a Ucrânia. E os nossos políticos parecem dispostos a entregar-nos para sacrifício.

Entretanto, enquanto cada vez menos se produz nesta Europa energéticamente asfixiada, o que se passa na Rússia?

Lança mais um submarino nuclear.


Russian Navy welcomes latest Yasen-M nuclear-powered submarine Arkhangelsk

 


The Russian Navy has welcomed the latest Yasen-M nuclear-powered submarine Arkhangelsk built at the Sevmash Shipyard in northwestern Russia.

As disclosed, the handover ceremony took place on December 27, 2024, under the direction of Russian Navy Commander-in-Chief Admiral Alexander Moiseyev.

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Esta classe moderna de submarinos nucleares faz parte da imagem que tenho usado para representar os modernos submarinos russos que estão a ser construidos. Neste caso assinalado a verde.





Gosto sempre de salientar que o ÚNICO modelo que está a ser usado no conflito da Ucrânia é o que está marcado a vermelho. Que juntamente com o outro modelo de dimensões semelhantes, são modelos a diesel. Os restantes são todos de propulsão nuclear.

Esta classe de submarinos pode receber os novos mísseis hipersónicos, 3M22 Zircon. O que significa que qualquer navio num raio de 1000 km's (este é o raio de acção que se supôe que tem), está seriamente ameaçado. E pode transportar dezenas deles. 



Tal como é indicado na outra imagem acima, tem capacidade de transportar 32 mísseis cruzeiro. Que podem ser nucleares ou convencionais.

Também sabemos que tem existido actualizações de vários equipamentos, vou dar um exemplo o BMPT Terminator.

Exclusive: Russia Poised to Deploy Deadly BMPT-72 Terminator 2 Combat Vehicle in Ukraine

As reported by the Russian news website Vestnik-RM on September 12, 2024, the Russian army may deploy the latest generation of the BMPT-72 Terminator fire support vehicle on the battlefield in Ukraine. The BMPT used by Russian forces, commonly known as the BMPT Terminator model 2017, is an updated version of the BMPT-72 Terminator 2. Introduced into Russian service in the late 2010s, this model saw its first significant deployment for the invasion of Ukraine.

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Existe um video a circular no youtube que mostra uma destas máquinas em acção. Diria que é realmente uma máquina terrível.


A guerra é uma coisa terrível. E muita gente está em negação sobre a realidade duma.

Tenho também que chamar a atenção também para uma outra arma que está a receber uma modernização. O caça russo mais avançado e de 5ª geração, está a receber os novos motores.

Leaked videos show Russian Su-57’s flat nozzle test flights


Russia’s Sukhoi Company, a cornerstone of the United Aircraft Corporation [UAC], appears to be testing its Su-57 Felon fighter jet with flat  engine nozzles, according to new footage.


E também temos o maior navio de superfície de mundo, com excepção dos porta-aviões, que se aproxima a conclusão da sua modernização.

Russian battlecruiser Admiral Nakhimov powers up after 28 years


Sources on Telegram report that the Russian heavy nuclear-powered missile cruiser Admiral Nakhimov, part of Project 1144.2M, has begun sea trials after an extensive overhaul and modernization process.

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Muito possivelmente este gigante dos mares, vai ficar activo este ano. E é um tremendo porta-mísseis.

Estima-se que pode levar algo como 80 mísseis de características ofensivas e hipersónicos. Além disso estima-se que tem perto de 50 mísseis defensivos do seu sistema anti-aéreo.


O que dizer disto? Várias coisas.

  • A Rússia continua a modernizar equipamento apesar de estar num conflito de dimensão apreciável.

  • A Rússia mostra capacidade de modernização em vários sectores (só estou a focar o militar, terei que fazer um outro para projectos civis)

  • A Rússia mostra capacidade financeira.

  • E a maior parte do equipamento e o mais letal que chamei a atenção, NÃO É para a questão ucraniana. É para algo maior.


O que dizer? A Rússia mostra que a questão ucraniana não a está a afastar dos seus objectivos principais e prepara-se para o mostrar.

Agora que a nova administração americana entrou, vai revelar, ou não, se está interessada a negociar a bem, os termos pendentes do ultimato russo de 2021.

A falharem estas negociações, diria que a Europa entrará em perigo extremo. Os EUA podem efectivamente empurrar a Europa para o precipício e com isto tentar ganhar tempo, para o verdadeiro embate que se avizinha entre grandes potências. EUA, Russia e China.

A Europa?

Prestes a ser a próxima Ucrânia. Possivelmente 2025 irá esclarecer o nosso futuro.

E com os políticos que temos, o cenário parece-me cada vez mais negro.



Post Anterior:

Mais Um Passo Para O Precipício VIII




P.S. O Espaço

Este tema já o tenho focado por aqui. Vou colocar uma imagem que me deixa deveras com pensamentos sombrios.


Práticamente num quarto de século de registos, a Rússia nunca lançou tão pouco. Nos primeiro 15 anos deste milénio, foi o líder destacado. A partir de 2014/2015, a coisa mudou. A questão ucrânia e a Síria, começaram a mudar as prioridades.

Após o início do conflito temos uma queda contínua. Os laçamentos têm essencialmente dois propósitos, manter os seus compromissos com a estação espacial internacional e o lançamento de satélites militares.

O que penso sobre isto? Se é falta de capacidade? falta de gente? falta de dinheiro? Não.

Penso que a Rússia está seriamente a preparar-se para um conflito que pode ser nuclear. E está dedicado a construir mísseis e mais mísseis e mais mísseis, intercontinentais, para os seus navios, para os seus submarinos, para os seus bombardeiros. E não só. Mísseis de defesa aérea que conseguem chegar ao espaço para proteger o país dum holocausto nuclear.

E pelo gráfico, penso que os americanos descobriram que os russos estão mesmo a falar a sério, quando lançaram o seu ultimato em 2021.

Os chineses? também já perceberam, que nunca poderão ser neutrais numa guerra por sobrevivência. Vão sempre comer por tabela.

Trump? Poderá ditar o nosso futuro com  as suas decisões.

Estou extremamente negativo quanto ao nosso futuro.

E assim começa o 2025, vamos a ver como o vamos acabar.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Energia Russa Na Europa: O Algodão Não Engana II



O primeiro post sobre este tema foi no ano passado em Abril (Energia Russa Na Europa: O Algodão Não Engana), aconselho a reler o que disse por lá. Que de uma forma muito sucinta mostra a hipocrisia europeia no que toca a consumir energia russa. Mas isto foi em Abril, muito tempo já passou. Agora, como toda a gente sabe e tem sido badalado pela nossa imprensa, a Europa está a dar uma lição à Rússia e a causar grandes dificuldades económicas. Afinal, estamos a atingi-los onde mais lhes doi, nas exportações energéticas.

Ou não.

Vamos à realidade. Áquela que os nossos políticos esquecem de se referir.


Europe Somehow Still Depends on Russia’s Energy

After years of war and promises to change course, the continent maintains ties to Russian fossil fuels.

Russia’s brutal, illegal war on Ukraine is lumbering into its fourth year, yet Europe still hasn’t used all its leverage against Moscow. Despite far-reaching cutbacks that have transformed global energy markets—and the European Union’s pledge to terminate all energy deals with Russia by 2027—the continent still maintains multifarious links to the Russian energy sector. Several European countries have failed to completely sever their energy ties to Russia, and the notoriously pro-Russian governments of Hungary and Slovakia are among them—but they are not alone. In 2024, only Slovakia deposited more into Russian accounts for fossil fuels than France, followed by Hungary, Austria, and Spain.

A December report from the Center for the Study of Democracy (CSD) concluded, “Although Russian fossil fuel exports to the West have decreased, glaring loopholes in the sanctions’ regime persist.” Nowhere are the failings more prominent than with liquified natural gas (LNG). In 2024, the EU imported a record 16.5 million metric tons of LNG from Russia, surpassing the 15.2 million in 2023...

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Custa a acreditar, mas a realidade está à frente dos nossos olhos, apenas tapada por estes políticos europeus que nos conduzem para o abismo.

A Europa está a reduzir o consumo de gás fornecido por gasodutos, mas está a aumentar através do gás natural líquido. E este é muito mais caro. E aumentaram tanto o consumo que:


EU imports record quantities of Russian LNG in 2024

Russian liquefied natural gas imports to the EU have reached a record high this year despite the bloc’s attempt to cut off dependence on gas from the country following Moscow’s full-scale war on Ukraine.

Europe imported a record 16.5mn tonnes of Russian LNG as of mid-December, above last year’s imports of 15.18mn tonnes, according to commodities data provider Kpler. The amount is also higher than the last record of 15.21mn tonnes imported in 2022.

“What we have seen this year is surprising,” said Ana Maria Jaller-Makarewicz, an analyst at the Institute for Energy Economics and Financial Analysis. “Instead of gradually reducing Russian LNG imports, we are increasing them.





Unlike gas imports via pipelines which have dwindled to a trickle, and Russian oil and coal, which are banned in the EU, imports of Russian LNG are still allowed and growing, in a sign of how a “panicking” Europe is still struggling to wean itself off cheaper supplies, said Jaller-Makarewicz. 

Analysts have pointed to an increased purchase of Russian LNG on the spot market this year — 33 per cent of the EU’s imports of LNG of Russian origin have been done under spot contracts this year, compared with 23 per cent last year, said Rystad Energy, an energy consultancy...

...Russian LNG accounted for 20 per cent of the EU’s overall imports of the seaborne fuel this year, up from 15 per cent last year...

...Volumes into France have jumped this year, almost doubling from 2023...

Nunca se consumiu tanto GNL russo, como agora. Tal é a hipocrisia dos nossos governantes que nada falam sobre isto.

Quero chamar a atenção a duas coisas, a França, a tal que está cada vez mais entalada para obter combustível nuclear que não esteja sob controlo russo, quase duplicou a importação de gás, isto, claro, enquanto Macron andava a prometer o envio de tropas. O que enviou afinal foram euros para a Rússia. E não foram poucos.

A outra coisa que quero chamar a atenção, é o preço que a Europa está a pagar por este gás. Este ano pelos vistos 1/3 do gás que se comprou à Rússia foi no spot market, no mercado à vista, que é simplesmente onde se paga mais. Onde já vai o "doce" preço do gás russo via gasoduto. Estamos a pagar e bem.

E agora estamos completamente numa nova realidade. O corte do gás via Ucrânia e que a juntar à sabotagem dos nord stream, apenas está disponível a passagem pela Turquia. Que é manifestamente insuficiente para alimentar a Europa.

Mas afinal esta até queria deixar de consumir não é verdade? Vamos ter um 2025 em cheio.

Bom, mas o descalabro é apenas no gás. Felizmente que no petróleo a coisa está mais controlada, onde as sanções reinam para a frota russa e a imposição dos 60 dólares.

Ou não.

Vamos começar por analisar o factor Índia, um país que não é produtor e que necessita de bastante petróleo:


Rosneft, Reliance agree biggest ever India-Russia oil supply deal, sources say


Russia's state oil firm Rosneft (ROSN.MM), opens new tab has agreed to supply nearly 500,000 barrels per day (bpd) of crude to Indian private refiner Reliance (RELI.NS), opens new tab in the biggest ever energy deal between the two countries, three sources familiar with the deal said.

The 10-year agreement amounts to 0.5% of global supply and is worth roughly $13 billion a year at today's prices. It would further cement energy relations between India and Russia, which is under heavy Western sanctions over its invasion of Ukraine.

Russian oil accounts for more than a third of India's energy imports. India became the largest importer of Russian crude after the European Union, previously the top buyer, imposed sanctions on Russian oil imports in response to the 2022 invasion of Ukraine...

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Ou seja, podemos dizer que a Rússia está a conseguir vender o seu petróleo, apesar dos esforços feitos para que não consiga alimentar a sua máquina de guerra. A Europa com pompa e circunstância tem anunciado que tem feito a sua parte para afectar as exportações de petróleo russas.

Só que há muito mais nesta história...


EU bankrolling Putin with growing Russian fuel buys from India, report warns

The EU is paying more for fuel imports made from Moscow’s crude, showcasing the growing failure of its signature price-cap sanction.

The EU ramped up payments for purchases of Russian-made fuel from India in 2024, a new report shared with POLITICO shows — helping fill Moscow’s war coffers.

From January to August, the EU bought fuel worth almost 20 percent more than it did last year from three major Indian refineries working on Russian crude oil...

While entirely legal, the rise comes despite EU efforts to impose a price cap of $60 per barrel alongside its G7 allies and outlaw direct imports of most Russian oil to the bloc, showcasing just how porous those measures have become in the two years since they were rolled out.

India, which replaced Saudi Arabia as Europe’s top fuel supplier for 2024, has also begun accepting Russian cargoes via EU-sanctioned ships, the report warns...

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Portanto, vamos ver bem a hipocrisia desta coisa. A Índia que não é um produtor de petróleo, consegue ultrapassar um dos maiores produtores de petróleo do mundo, que é a Arábia Saudita e passa a ser o maior fornecedor da Europa!

E de onde vem o petróleo? Fica explicado agora, o maior contrato feito entre a Rússia e a Índia.

Ou seja, o tal petróleo russo barato que não queremos comprar, passa a indiano e caro. Pagamos à Rússia e à Índia.

Somos a chacota do mundo inteiro.

Estes políticos europeus estão a levar a Europa à ruina. E suspeito que já não vamos a tempo para nos salvarmos. Demasiado tempo e demasiados erros.

E assim começamos o 2025.

E muito pior está para vir.





P.S. Mais um barco GNL russo

Russia’s First Ice-Class LNG Carrier Starts Sea Trials Amid US Sanctions

The first Russian built ice-class LNG carrier, Alexey Kisygin has entered sea trials, aimed to increase the country’s share of the global LNG market, despite facing US sanctions.

Alexey Kisygin was constructed at the Zvezda shipyard and is set to join the fleet servicing Russia’s new Arctic LNG 2 plant, as Reuters reported.

Notably, the US Treasury has imposed sanctions on the new vessel, which Russia’s leading tanker group Sovcomflot ordered to be built at Zvezda.

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Ou seja, em breve, a Rússia vai aumentar a sua capacidade de exportação de GNL e que pode cruzar os mares gelados. Quem irá ser o ávido cliente? Nem é preciso pensar muito...


P.S.2 Rússia tem mais um quebra-gelos nuclear

Here comes Yakutia, Russia's newest nuclear icebreaker

Rosatomflot now has eight nuclear-powered icebreakers in operation, the highest number since Soviet times.  

The flag-raising ceremony happened at the Baltic Shipyard in St. Petersburg on December 28. It took four and a half years to build the Yakutia and the icebreaker is the first made with mostly Russian-made components... 

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Mais um gigantesco navio de propulsão nuclear. E dizem-nos que os russos não têm mísseis, combatem com tanques dos anos 50 e pás. Já nem vou falar dos chips das máquinas de lavar...

Com mais este navio, acelera a capacidade de transporte pela rota Northern Sea Route, uma rota estratégica para a Rússia e que tem estado a aumentar de importância a cada ano que passa. Qualquer dia tenho que falar de novo nela.


P.S.3 A Ucrânia prepara-se para pressionar ainda mais a Europa

Ukraine to Ban Transit of Russian Oil to EU Following Gas Ban

Ukraine’s Parliament, Verkhovna Rada, has registered a bill aimed at implementing a direct ban on the transit of Russian oil through the country. The bill targets all types of transport infrastructure, including the Druzhba oil pipeline.

This move follows Russia’s announcement on January 1 that it can no longer transit gas through Ukraine due to the expiration of the five-year contract. As a result, natural gas prices in the European market have surged by 20%.

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Bem, a Europa fez a sua cama.

E agora vamos ter que nos deitar nela.

Estamos completamente entalados e não é só devido à energia. Fica para um próximo post.