quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Um Breve Olhar Para A Economia Russa X

 


Bem, já fez um ano após a minha última análise sobre a economia russa. E hoje, toda a gente sabe que a economia russa está em "iminente implosão" de acordo com políticos, impressa e "especialistas".

Vamos novamente dar uma olhadela.

Quanto a reservas financeiras, o que temos?




796 Mil Milhões de dólares em Agosto de 2026. E o que indiquei no ano passado? Que em Junho de 2025 teve um valor recorde 688 Mil Milhões.



Dito de outra forma, confirma-se que a Rússia continua a acumular reservas e a bater recordes. Tipico de uma economia prestes a implodir.

Vamos dar uma olhadela ao ouro. no ano passado indiquei um valor a rondar as 2330 toneladas


Como está agora? uma ligeira baixa, a rondar as 2280 toneladas.


E esta pequena redução, suspeito que aproveitaram para obter umas mais valias. Olhemos para o actual preço do ouro:



Eu tenho vários posts ao longo dos anos a acompanhar a estratégia russa sobre o ouro. O primeiro que fiz foi em 2014 (Uma Questão De Ouro) . Por essa altura, como se pode ver no gráfico, estava abaixo dos 1500 dólares, recentemente ultrapassou os 5000. Ou seja, a Rússia está sentada numa gigante almofada financeira, da qual reduziu um pouco. Enfim, típico de uma economia nas últimas.

Vamos ao tema da inflação. No ano passado, estava acima dos 7%


Este ano? Abaixo dos 7%



É alta? É, catastrófica? não. E a tendência que demonstra? que está a baixar. E isso diz muito.

Vamos a taxas de juro. No ano passado?


A rondar os 18% Este ano?


A rondar os 14%. É alta? é. É catastrófica? não. E novamente, qual a tendência? A baixar. Tudo típico de uma economia que vai rebentar amanhã. E basta olhar para o rublo. Quem não se lembra das tiradas sobre um crash da moeda? Vamos ver como está.




Onde está o "crash"?


Falta vermos o crescimento da economia. Que estando na iminência do colapso, deve estar a mostrar algo catastrófico.



Com este panorama, como é que alguém pode andar a dizer que o país está em implosão económica?

É claro que não está. Este é mais um post, para verificação dos dados e desmascarar narrativas. 

Estamos a ser enganados. A Rússia está em guerra com o Ocidente e está a aguentar o embate.



Post anterior sobre o tema:

Um Breve Olhar Para A Economia Russa, Uma Década Depois



P.S. O isolamento de Putin




Como se pode ver pelas fotos, pode-se perfeitamente ver, a imagem de um presidente desgastado, isolado, acossado e procurado, na cimeira dos BRICS deste ano.

Sim, as narrativas estão a correr bem...


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Mundo Multipolar: O Estreito de Ormuz

 



O mundo está a mudar rapidamente. A jogada "inteligente" dos EUA em tentar dominar o Irão, tal como fizeram com a Venezuela, falhou redondamente. E com custos enormes. Custos que ainda estamos por descobrir.

Além do enorme custo monetário que se avizinha, temos um outro tipo de custo que vai acelerar o declinio americano. Estou a falar do custo reputacional. A grande super potência ao nível planetário, atolou-se no Irão.

Não conseguiu mudar os governantes apesar dos assassinatos.

Não conseguiu acabar com a capacidade militar do Irão. Estes continuam a possuir a capacidade ofensiva, capacidade essa que lhes permite atacar qualquer base americana no Médio Oriente. E mais, capacidade de atingir Israel.

Pior, esgotou o arsenal de armas defensivas. Os famosos Patriot. Os tais que todos os dias ouvimos a Ucrânia a pedir sem cerimónia. Afinal, não são eles que os pagam. Somos nós. Mas agora nem a pagar. Isto porque os EUA não têm para proteger as suas bases do Médio Oriente. E todas elas estão ao alcance do Irão. Conforme a imagem abaixo.



Esta imagem, além de indicar todas as bases, mostra algo mais. Que o Irão não está isolado, pois se a nível marítimo está bloqueado, a nível terrestre tem acesso aos seus dois aliados. As outras duas grandes potências nucleares. E explica porque os porta-aviões americanos não se atrevem a usar nenhuma das bases navais do Médio Oriente para reabastecimento porque ficariam expostos aos mísseis iranianos.  E isto representa um problema. Pois as bases navais americanas mais próximas estão a milhares de km's de distância.

E essa é a razão para os problemas que começam a aparecer na imprensa. Estão milhares de homens e toda uma frota que protege o porta-aviões no mar à espera de reabastecimento. E estão há mais de 250 dias sem encostarem num porto. Muitos meses. Demasiados meses. Resultado? Têm que o tirar de lá rapidamente antes que aconteça um motim a bordo. Novo porta aviões vem a caminho para o render, conforme mostra o seguinte mapa.


O que quer isto dizer? Os EUA estão mais que ocupados só para garantir que tenha pelo menos um porta avões na zona, sabendo que não os pode reabastecer na zona. E é neste estado que a super potência se encontra. Completamente atolada no Médio Oriente, onde não pode usar as suas bases navais e todas as suas bases estão na mira dos iranianos.

E isto, claro, também vai ter consequências na Ucrânia e muito mais além. O mapa seguinte indica de forma clara o que se está a passar no globo (a vermelho indica os países com bases americanas). A barreira de contenção que os EUA construiram nas últimas décadas está a ceder.



Tanto a Rússia como o Irão já estão a pressionar os EUA para se afastarem das suas zonas. E a China, esse colosso em crescimento, em breve irá se juntar à pressão.

Uma nova realidade cresce a olhos vistos, à medida que a super potência vai perdendo capacidade, influência e dinheiro.

Estamos a assistir a mais uma grande viragem na história.





P.S. Venezuela

O país foi salvo do seu presidente.

De seguida foi salvo do seu petróleo.

Agora salvo do seu ouro.


Ouro da Venezuela em Londres irá para contas do Tesouro dos EUA, diz deputado 

... os recursos do ouro da Venezuela mantido no Banco da Inglaterra serão depositados em contas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para financiar ações de resposta à emergência após o duplo terremoto de 24 de junho. As declarações foram dadas em entrevista à Venevisión, conforme reportou o jornal El Nacional...

 


Afinal, os venezuelanos não sabem tomar conta do seu presidente, do seu petróleo e agora, do seu ouro. 

A Europa que se cuide.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mundo Multipolar: Portugal Na Mira

 


Bem, nunca pensei que algum dia fosse equacionar uma probabilidade destas, mas se eu soubesse o futuro, jogava no euromilhões.

No entanto a questão dos EUA quererem a Gronelândia, indica muita coisa. E se realmente avançarem para ficarem com o território, então Portugal está em perigo.

Vamos olhar para este mapa para se contextualizar:



O foco são as ZEE, (Zona Económica Exclusiva).

Eu coloco a Gronelândia a vermelho, a Americana a rôxo e a russa a azul. E o que se constata? A posse pelos EUA deste território, muda radicalmente a ZEE dos EUA. Temos a inevitável questão do território que não estou a focar aqui, mas se calhar convém lembrar. Os EUA têm acesso ao artico, mas a sua parcela é diminuta principalmente se compararmos com a Rússia.





Se a Gronelândia passar para território americano, a sua quota parte no artico mais que duplica. Mas o foco deste post, está em outro pormenor. Vamos olhar para a perspectiva dos navios russos acederem ao resto do planeta usando os mares e oceanos. E neste caso específico, as rotas usadas para aceder ao Oceano Atlântico. E aqui a coisa muda de figura. Navios, submarinos e os novos torpedos de propulsão nuclear Poseidon vão passar algures por aqui, pois necessitam de chegar ao Oceano Atlântico.

Vamos traçar uma hipotética rota, de um submarino russo que tente se aproximar da costa americana, evitando países da NATO:



E aqui começa-se a ver o problema. Com toda a Gronelândia nas suas mãos, os EUA podem abrir as bases que entenderem e colocarem no seu novo território o que bem entenderem, sem darem cavaco a ninguém. Portanto a passagem ficaria toda controlada. Mas e o que podemos dizer do Oceano Atlântico em si, quando passam? Afinal é um Oceano é preciso ter um controlo mais preciso. E isso pode ser feito como? A próxima imagem diz tudo:



A ZEE de Portugal está como se pode ver, num local mais que apetecível para os objectivos duma super potência. Mais concretamente, os Açores estão mesmo, mesmo a "pedi-las". E como se não bastasse isto, Portugal ainda colocou mais holofotes por cima da coisa. Como? Portugal almeja uma ZEE ainda maior...


Extensão da Plataforma Continental

A Extensão da Plataforma Continental, prevista na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, visa aumentar o território marítimo sob jurisdição dos Estados Costeiros. Esta resulta da interpretação e aplicação de conceitos jurídicos, através da aquisição de dados técnico-científicos (Hidrografia, Geologia e Geofísica) que permitem definir o limite da plataforma continental de Portugal para além das 200 milhas marítimas medidas a partir da linha de costa...

... A 11 de Maio de 2009, Portugal apresentou à Comissão de Limites da Plataforma Continental nas Nações Unidas a sua Proposta de Extensão da Plataforma Continental.

A 1 de Agosto de 2017 Portugal entregou uma Adenda a esta Proposta, baseada nos dados de batimetria, geologia e geofísica recolhidos desde 2009. Esta Adenda incluiu ainda um novo limite exterior da plataforma continental...


[Link]

Ou seja, a àrea que Portugal está a propor que seja sua, é enorme, a rondar os 4 milhões de Km2 (!!). Um aumento a sério. Vamos aplicar esta proposta de aumento ao mapa (não está à escala, é uma aproximação) onde tenho estado a mostrar o meu raciocínio:



Portugal reivindica para si uma àrea absolutamente gigantesca. Se tivessemos possibilidade de ler os pensamentos de Trump, penso que veriamos algo como "estes portugueses têm mais olhos que barriga!".

Se realmente Trump avançar para Greenland, Açores, a meu ver, estará na calha. Portugal infelizmente pode ser alvo da cobiça de superpotências. A sua importância é mais que estratégica.

Pior, pode ser mais um braço de ferro entre superpotências.

Um tema a acompanhar com muita atenção, pois poderá ter um enorme impacto no futuro de Portugal e dos portugueses.






P.S. Mais Bombardeiros Nucleares




Russia delivers two modernized Tu-160M strategic bombers 

The Tu-160M is the modernized variant of the Blackjack, incorporating updated systems intended to extend the aircraft’s service life and maintain its relevance. Reported upgrades include new avionics, a digital cockpit and updated engines, rather than a fundamental redesign of the airframe. 

Russia has been pursuing two parallel efforts around the Tu-160: the modernization of existing aircraft and the restart of production at the Kazan Aircraft Production Association. The first newly assembled Tu-160M conducted its maiden flight from Kazan in January 2022. 

[Link]


A Rússia continua a aumentar a sua frota com os maiores bombardeiros supersónicos que existe no mundo.

Este esforço, não está destinado a conflitos como o da Ucrânia.

É bom que pensemos nisso.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Mundo Multipolar: As Dores De Parto

 


Bem, eu tenho andado afastado do blogue, mas esta nova situação não podia deixar de passar. Os EUA deixaram cair a máscara e estão a lutar para não perder o domínio global. É disto que estamos a falar.

Posto isto, vamos a algumas considerações.

Maduro para ter sido apanhado daquela maneira, foi por traição. Helicópteros, vários, alguns de grande porte, entraram por território venezuelano e saíram sem serem molestados. Nem uma fisga deve ter sido usada. E aqui, já se vê que nao se sabe, como está a estrutura governamental.

Agora, tirando isto, o controlo do petróleo é algo muito mais complicado.Vamos ao mapa que dá para perceber que isto vai ser um problema.



A zona do petróleo está enfiado no meio do território. Controlar isto só com tropas lá dentro. Ora, aqui entraria a resistência que teria apenas o papel de lixar a saída do petróleo ou tornar impossível qualquer investimento por parte das empresas petrolíferas americanas.

Penso, que vamos ter uma evolução muito interessante sobre as capacidades americanas de forçarem a Venezuela a fazerem o que querem.

Mas qual a razão deste acto desesperado? A influência do dólar no mundo. É preciso conter a sangria.



O uso do dólar está em declínio constante há mais de uma década. Pior, já existem países que vendem petróleo sem ser necessário dólares, que empurra ainda mais para esta situação. A Venezuela é um deles.


Artigo de 2017:

Venezuela opts to use Chinese Yuan for oil trade

Venezuela stopped using U.S. dollars in its oil trade activities in response to U.S economic sanctions, international media reported on Friday.

Following the imposition of sanctions from Washington, the country started reporting its oil prices in Chinese Yuan, as opposed to the international trend of listing prices in U.S. dollars...

... Venezuelan President Nicolas Maduro said early September that the country would free itself from the U.S. by using the Yuan as currency in its oil trade...

... U.S. President Donald Trump said he would not rule out a "military option" in Venezuela to put an end to the economic and political crisis that has led to shortages of food and medicine and forced the government to eliminate its socialist programs...



Juntando a isto, não podemos esquecer que os EUA têm uma dívida explosiva. E mais dia menos dia a coisa vai rebentar.





E Trump, está a começar a tentar salvar o país, de modo a que este continue a estar no topo da cadeia alimentar. 

Mas, claro, a situação começa a ficar difícil.

Afinal a China e a Rússia não páram de ficar mais fortes à medida que o tempo passa. E estão a actuar em parceria.

A Europa? nós?

Estamos lixados.

Porque há uma coisa que ninguém vai querer falar, mas que os EUA sabem muito bem.

A maior causa para a perda de importância do dólar foi o aparecimento do euro.

Agora é imaginar o que Trump não estará a pensar acerca disto e o que nos poderá acontecer no futuro.

E assim começamos 2026.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

O Míssil II

 


Sensivelmente há um ano atrás, escrevi sobre um outro míssil (O Míssil), e quero falar sobre um e aparece logo um outro. Estou claro, a falar da hipótese (a meu ver mais que remota) da entrega dos tomahawk aos ucranianos e do novo míssil russo que foi agora anunciado.

Ambos os mísseis têm muito impacto, cada um à sua maneira.

Vamos começar pelos Tomahawk. Muito se tem falado acerca deles, mas nunca vi sobre a perspectiva que tenho. O porquê de não poderem ser entregues aos ucranianos.

Uma vez mais voltamos à questão dos tratados e batemos no mais importante, aquele que considero que foi a gota de àgua para os russos. O tratado INF e que já falei dele por aqui ( Os 4 Tratados Do Apocalipse IV ).

Eu vou colocar uma parte do que escrevi na altura e que diz exactamente o porquê de não poder ser entregue.

... O Tratado INF (Intermediate-Range Nuclear Forces) entrou em vigor em 1987 e obrigou à destruição de mísseis baseados no solo ou mísseis de cruzeiro e que tenham capacidade para atingir alvos a mais de 500 Km's e a menos de 5.500 km's. Dito de outra forma, ficariam apenas os mísseis até 500 km, ou os mísseis a partir de 5.500 km's...

Os mísseis Tomahawk tem um alcance de 2.500 km's, ou seja, estes mísseis a partir de solução terrestres estavam proibidos por tratado. É esta a razão porque para este míssil só existe a versão naval. Podem ser lançados de navios ou submarinos. Mas não podem ter a opção de ser lançado via terrestre.

Os EUA avançarem com esta solução, mesmo que não fosse para dar aos ucranianos, seria a indicação de que abandonaram em definitivo o tratado, algo que ainda não está claro que tenha sido feito por alguma das partes. Ainda não existe de forma clara uma arma que esteja fora deste tratado.

A versão deste míssil lançado por terra, é algo que não está bem claro. A sua produção foi interrompida em 1987 com a entrada do tratado INF e retomada em 2019 pelo abandono do mesmo. Mas existe uma produção clara desta solução? Continuo a achar que não, porque EUA e Rússia andam a meu ver a discutir todas estas questões de uma forma discreta.


Tomahawk versão terrestre

E aqui, mudo um pouco o que disse sobre o míssil russo (
oreshnik) de que falei no post anterior. 

... Esta arma, não seria possível a sua existência com o tratado INF, exactamente o tratado abandonado pelos EUA e que eu considero que foi a gota de àgua para os russos. Relembrar em (Os 4 Tratados Do Apocalipse IV)... 

Interrogo-me se esta nova arma cai dentro dos limites do tratado, ou se está encostado a esses limites. Da mesma forma que existe uma outra arma, esta extensivamente usada na Ucrânia que deverá estar para breve o anúncio da ultrapassagem dos limites. Estou a falar dos mísseis Iskander que são considerados temíveis, mas que estão limitados a 500 km's. Uma vez mais por causa dos limites do tratado.


Iskander


Russia’s New ‘Iskander-1000’ Ballistic Missile Boasts Doubled Range and Greater Accuracy

Multiple sources have reported that Russia is close to beginning serial production of a new derivative of the Iskander-M ballistic missile system, the official designation of which has not been confirmed. The new missile is expected to double the 500 kilometre range of the original system both by using a new more efficient engine, and by increasing fuel carriage by an estimate 15 percent. The resulting 1000km projected range has led the system to be colloquially dubbed the Iskander-1000. The first significant indications that the new missile class may be under development emerged in May 2024 in a video commemorating the 78th anniversary of the Kapustin Yar missile test site. The missiles have been speculated by Russian sources to be intended for deployment in Russia’s westernmost territory of Kaliningrad which would place it in range of targets across much of Central and Western Europe as well as the Baltic Sea. The Iskander-M is relied on heavily by Russian forces to provide an asymmetric counter to NATO’s much larger conventional forces, with its combination of high mobility, high precision, a diversity of warhead types, and a complex trajectory that is difficult to intercept, making it a highly valued asset. Its 9K720 ballistic missiles were restricted to a 500km range due to the Intermediate Range Nuclear Forces Treaty, which the United States withdrew from under the first Donald Trump administration. The longer range new Iskander system is expected to benefit from the same features as the original... 

[Link] 

Uma vez mais a referência do tratado INF e a sua limitação dos 500 km's. Uma versão do Iskander para os 1000 km's e que este seja colocado em Kaliningrado, o panorama muda e muito na Europa.


Fiz um esboço, onde a amarelo é a actual distância que um Iskander é capaz de chegar, lançado de 3 locais, Kaliningrado, Crimeia e São Petersburgo. A vermelho, a nova versão de 1000 km's. O panorama muda e muito. A actual versão não cobre todo o território da Polónia e não chega à Roménia. A nova versão? Uma imagem vale por mil palavras. Chega à Alemanha e Roménia. Mais, os novos membros da NATO também são "premiados" e passam a ser alvos onde um Iskander pode chegar. Tudo devido ao abandono de um tratado.

Mais, como o artigo indica, este tratado foi abandonado por Trump na sua primeira administração. Agora está a ver o potencial resultado das suas opções. Vamos a ver que decisões vão ser tomadas.

E com isto chegamos ao novo míssil russo. Onde a grande novidade é que é de propulsão nuclear. E com isto permite estar uma enorme quantidade de tempo a voar, diria que vários dias. O último teste efectuado foi anunciado 15 horas e 14 000 km's. Apenas com este tempo permite chegar a qualquer ponto do planeta. Qual a vantagem de uma arma destas? deslocar-se sorrateiramente a baixa altitude e iludir os sistemas de detecção. Esta arma pode sair da Rússia, ir ao Polo Norte, descer em direcção ao Atlântico, virar para as Caraibas e depois subir. Ou ir ao Pólo Sul, subir pelo Pacífico e atacar pelo outro lado. Os EUA não tem sistemas de detecção optimizados para ataques deste tipo. Estão optimizados para ataques vindos de ICBM's, ou bombardeiros a alta altitude que lançam mísseis de cruzeiro. Este? vai a 100 metros ou menos e em rotas improváveis. Muito difícil de ser detectado.

Além da questão do míssil, existe algo que considero deveras importante. A Rússia tem motores nucleares de pequena envergadura. Onde é que podem ser usados? Penso que vão aparecer novas soluções usando este tipo de motores. E estou a pensar principalmente no espaço.

Estamos a assistir a grandes mudanças neste mundo.

E infelizmente vejo a Europa a ficar numa posição bastante delicada com o seu futuro comprometido.



P.S. Semeia-se ventos...


BMW já sente impacto da nova crise dos chips na Europa

 


Uma nova crise de chips está se formando no mundo automotivo. Após o caos causado pela pandemia de Covid - com linhas de produção paralisadas e modelos sem vários equipamentos - o espectro de um novo congelamento no fornecimento de semicondutores está ressurgindo. No centro dessa nova emergência em potencial está a Nexperia, um grupo com sede na Holanda e um dos principais fornecedores mundiais de chips automotivos.

Desde 2010, a Nexperia é controlada pela Wingtech Technology da China, e foi justamente essa participação acionária que disparou o alarme na Holanda. Em 30 de setembro, o governo holandês, graças a uma lei especial semelhante ao Golden Power da Itália (que permite que o Estado intervenha em operações financeiras e industriais para salvaguardar o interesse nacional) e que remonta à era da Guerra Fria, assumiu efetivamente o controle da Nexperia.

Uma medida que não agradou nem um pouco a China: Pequim reagiu bloqueando a exportação de chips Nexperia de suas fábricas chinesas, agravando uma situação já delicada. Na frente oposta, os Estados Unidos já haviam colocado a Wingtech na lista negra do Departamento de Comércio, temendo uma transferência de tecnologia sensível para uso não civil...

 [Link]


... colhe-se tempestades. 


A Europa conseguiu o feito de querer entrar em guerra com a Rússia, pagar aos EUA as armas e agora um braço de ferro com a China.

Sim, a Europa está a meter-se num buraco de onde não poderá sair.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Mais Um Passo Para O Precipício X

 



Vou falar mais um pouco sobre este tema.

Penso que muitos europeus já devem estar a achar que algo não bate certo com o que ouvimos vindo dos nossos políticos, da nossa imprensa, dos nossos "especialistas".

Afinal, por esta altura, toda a gente "sabe" que a Rússia já perdeu quase um milhão e meio de homens (mas ninguém sabe dizer as perdas dos ucranianos), toda a gente já percebeu que afinal a Rússia tem mísseis (muitos) e os drones, já toda a gente percebeu que cada vez produzem mais (ninguém fala de quantos electromésticos ucranianos necessitam de roubar para conseguir abastecer tanto drone).

Também, muita gente se deve estar a interrogar quando é que a Rússia implode económicamente, afinal, de acordo com muita gente, a coisa está iminente. 

Também muita gente deve estar a coçar a cabeça, Putin teve recepções brutais tanto de Trump como de Xi. Nenhum político europeu teve alguma vez tamanha atenção. Nem de um, nem de outro.





E qualquer uma das fotos diz muito. E muito, é dizer pouco.

Muitos europeus devem estar a começar a perceber, que a nossa importância no mundo está a diminuir. E está de facto.

Mas que fazem os nossos líderes? Dão a ideia de que querem se preparar para uma guerra com a Rússia.

Bem, a Rússia está efectivamente a preparar-se para algo maior. E este é mais um post sobre isso.

Enquanto se espera que a economia russa se desintegre com as fantásticas sanções que os europeus não se cansam de criar, eles lançam novos submarinos nucleares. Recentemente a marinha russa recebeu mais um submarino nuclear da classe Borei, equipado com mísseis intercontinentais.





Mas não só, lançam também um novo submarino nuclear da classe Yasen equipado com mísseis de cruzeiro para testes o que significa que em breve será outro disponível para a marinha russa.



Uma vez mais vou relembrar esta imagem, que já usei anteriormente, onde estão assinalados a verde os modelos que estou a referir.



E volto a dizer: O único modelo de submarino que está a ser usado na Ucrânia, é um submarino a diesel e que está assinalado a vermelho. Todos os outros tipos de modelos, estão reservados para coisas maiores. E não é preciso pensar muito para perceber o que serão essas coisas maiores.

E não se ficam por aqui. Está em testes o maior navio de superfície (que foi completamente modernizado), únicamente ultrapassado por porta-aviões. 




Este navio, sózinho, tem um potencial ofensivo de atacar não um país, mas sim um Continente. E não se ficam por aqui, é impossível de perceber o que estão entregar para a força aérea, mas os anúncios são constantes de mais aviões entregues.



A Europa? de cabeça perdida porque entraram 19 drones no quintal. Continuamos a ter uma postura que nitidamente vai comprometer o nosso futuro. 

A Rússia está a demonstrar uma capacidade impressionante, seja por que perspetiva fôr. Está a conduzir um conflito de alta intensidade, pressionada em várias frentes, uma economia a ser testada continuamente e no entanto estão a construir e a desenvolver todo o tipo de armamento, alguns únicos. 

Os europeus têem que perceber onde os nossos políticos nos estão a conduzir. Solo europeu pode ser usado para medições de forças entre americanos e russos. Nós somos os principais interessados em garantir que isto não aconteça.

Estamos em contagem decrescente.



Post anterior:

Mais Um Passo Para O Precipício IX



P.S. Economia

O post anterior tinha sido sobre a economia. Entretanto mais uns detalhes interessantes:


Banco Central da Rússia baixa a taxa de juro diretora para 17%

O Banco Central da Rússia decidiu esta sexta-feira (12 de setembro de 2025) reduzir as taxas de juro diretoras, para 17%, o terceiro corte da taxa de referência desde o máximo de 21% atingido entre outubro de 2024 e junho de 2025.

A entidade dirigida por Elvira Nabiúllina indicou que manterá condições de financiamento "tão ajustadas quanto necessário" para devolver a inflação à meta de 4% em 2026.

Nesse sentido, precisou que as futuras decisões de política monetária a serem adotadas serão condicionadas pelos progressos na luta contra a subida dos preços e pelas expectativas futuras de evolução dos mesmos.

O Banco da Rússia avançou ainda que prevê que a inflação desça este ano para um intervalo entre 6% e 7%, para cair para 4% em 2026. Posteriormente, ficará estabilizada nesse nível...

[Link]


Também temos novos dados sobre a inflação, desceu em Agosto para 8,1%:

Em Agosto manteve a tendência de descida.



Vamos acompanhando a evolução. Mas tudo  indica que eles estão a gerir todas as dinâmicas e pressões tanto internas como externas. Mas o que se ouve é que estão prestes a implodir economicamente.

Narrativas e mais narrativas.

E deixo mais uma curiosidade porque é importante perceber. Está a Rússia completamente dedicada ao esforço de guerra?


Este mês abriram 4 novas estações de metro.


Vavilovskaya


Zil



Krymskaya


Akademicheskaya


A resposta é não. A Rússia não está completamente dedicada ao esforço de guerra.

As narrativas sim.