terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mundo Multipolar: Portugal Na Mira

 


Bem, nunca pensei que algum dia fosse equacionar uma probabilidade destas, mas se eu soubesse o futuro, jogava no euromilhões.

No entanto a questão dos EUA quererem a Gronelândia, indica muita coisa. E se realmente avançarem para ficarem com o território, então Portugal está em perigo.

Vamos olhar para este mapa para se contextualizar:



O foco são as ZEE, (Zona Económica Exclusiva).

Eu coloco a Gronelândia a vermelho, a Americana a rôxo e a russa a azul. E o que se constata? A posse pelos EUA deste território, muda radicalmente a ZEE dos EUA. Temos a inevitável questão do território que não estou a focar aqui, mas se calhar convém lembrar. Os EUA têm acesso ao artico, mas a sua parcela é diminuta principalmente se compararmos com a Rússia.





Se a Gronelândia passar para território americano, a sua quota parte no artico mais que duplica. Mas o foco deste post, está em outro pormenor. Vamos olhar para a perspectiva dos navios russos acederem ao resto do planeta usando os mares e oceanos. E neste caso específico, as rotas usadas para aceder ao Oceano Atlântico. E aqui a coisa muda de figura. Navios, submarinos e os novos torpedos de propulsão nuclear Poseidon vão passar algures por aqui, pois necessitam de chegar ao Oceano Atlântico.

Vamos traçar uma hipotética rota, de um submarino russo que tente se aproximar da costa americana, evitando países da NATO:



E aqui começa-se a ver o problema. Com toda a Gronelândia nas suas mãos, os EUA podem abrir as bases que entenderem e colocarem no seu novo território o que bem entenderem, sem darem cavaco a ninguém. Portanto a passagem ficaria toda controlada. Mas e o que podemos dizer do Oceano Atlântico em si, quando passam? Afinal é um Oceano é preciso ter um controlo mais preciso. E isso pode ser feito como? A próxima imagem diz tudo:



A ZEE de Portugal está como se pode ver, num local mais que apetecível para os objectivos duma super potência. Mais concretamente, os Açores estão mesmo, mesmo a "pedi-las". E como se não bastasse isto, Portugal ainda colocou mais holofotes por cima da coisa. Como? Portugal almeja uma ZEE ainda maior...


Extensão da Plataforma Continental

A Extensão da Plataforma Continental, prevista na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, visa aumentar o território marítimo sob jurisdição dos Estados Costeiros. Esta resulta da interpretação e aplicação de conceitos jurídicos, através da aquisição de dados técnico-científicos (Hidrografia, Geologia e Geofísica) que permitem definir o limite da plataforma continental de Portugal para além das 200 milhas marítimas medidas a partir da linha de costa...

... A 11 de Maio de 2009, Portugal apresentou à Comissão de Limites da Plataforma Continental nas Nações Unidas a sua Proposta de Extensão da Plataforma Continental.

A 1 de Agosto de 2017 Portugal entregou uma Adenda a esta Proposta, baseada nos dados de batimetria, geologia e geofísica recolhidos desde 2009. Esta Adenda incluiu ainda um novo limite exterior da plataforma continental...


[Link]

Ou seja, a àrea que Portugal está a propor que seja sua, é enorme, a rondar os 4 milhões de Km2 (!!). Um aumento a sério. Vamos aplicar esta proposta de aumento ao mapa (não está à escala, é uma aproximação) onde tenho estado a mostrar o meu raciocínio:



Portugal reivindica para si uma àrea absolutamente gigantesca. Se tivessemos possibilidade de ler os pensamentos de Trump, penso que veriamos algo como "estes portugueses têm mais olhos que barriga!".

Se realmente Trump avançar para Greenland, Açores, a meu ver, estará na calha. Portugal infelizmente pode ser alvo da cobiça de superpotências. A sua importância é mais que estratégica.

Pior, pode ser mais um braço de ferro entre superpotências.

Um tema a acompanhar com muita atenção, pois poderá ter um enorme impacto no futuro de Portugal e dos portugueses.






P.S. Mais Bombardeiros Nucleares




Russia delivers two modernized Tu-160M strategic bombers 

The Tu-160M is the modernized variant of the Blackjack, incorporating updated systems intended to extend the aircraft’s service life and maintain its relevance. Reported upgrades include new avionics, a digital cockpit and updated engines, rather than a fundamental redesign of the airframe. 

Russia has been pursuing two parallel efforts around the Tu-160: the modernization of existing aircraft and the restart of production at the Kazan Aircraft Production Association. The first newly assembled Tu-160M conducted its maiden flight from Kazan in January 2022. 

[Link]


A Rússia continua a aumentar a sua frota com os maiores bombardeiros supersónicos que existe no mundo.

Este esforço, não está destinado a conflitos como o da Ucrânia.

É bom que pensemos nisso.



2 comentários:

  1. Bem visto...
    Mas olhando para o mapa do Ártico, vamos a ver se a seguir à Gronelândia, não será antes o Canadá...
    Aí, o Ártico seria dividido entre os americanos e os russos...

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    1. E se calhar até pensariam na coisa.

      Mas tanto a Gronelândia como os Açores têm vantagens, são territórios afastados e com pouca população.

      O Canadá é um país e com mais de 40 milhões. Seria uma "presa" diferente.

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