sábado, 29 de janeiro de 2022

Europa: Escolhas Perigosas

 



Nunca pensei que pudessemos estar na situação em que estamos. Mas a realidade é esta. As opções europeias podem originar consequências graves.

Estamos a atravessar momentos críticos para o futuro da Europa.

O velho continente arrisca-se a ser palco de mais um confronto entre grandes potências.

A resposta americana às exigências russas não caiu bem em Moscovo. Lavrov, utiliza no seu discurso a palavra guerra. Estão milhares de soldados junto à fronteira russa, mas não só. Estão milhares na Bielorrússia, a marinha está quase toda no mar e a aviação a mexer.

140 Russian Navy Warships Drilling Across Europe, Middle East as Ukraine Tensions Simmer

The Russian Navy is kicking off several simultaneous exercises, with ships from the Baltic and Black seas and its Northern Fleet sortieing from their homeports across Europe, the Kremlin has announced.

More than 140 warships and support vessels, along with 60 aircraft and a total of 10,000 personnel, will participate in the drills, according to the Russian MoD...

Link 

O ministério da defesa russo tem estado a publicar vários videos no youtube com os vários destacamentos envolvidos. Todas as frotas (Norte, Báltico, Pacífico, Mar Negro e Cáspio) estão a sair para o mar.




Mas não é só a marinha que está activa. Os videos são de todos os ramos das forças armadas.








Aviação estratégica nuclear



A Rússia está a indicar que num eventual conflito, este não vai ser nada parecido com os que temos assistido nas décadas recentes.

Não será como uma Geórgia, nem o que aconteceu na Ucrânia.
E não será como aconteceu no Afeganistão, no Iraque, na Síria, na Líbia.

As capacidades russas são de intervenção planetária, apenas usando armamento convencional. Vamos colocar de lado um conflito nuclear, porque aí será o fim das civilizações.

O que pode a Rússia fazer, sem recorrer a uma única invasão?

Muito.

A nível global, pode:
  • Interromper o tráfico marítimo. (incluindo fechar o canal do Suez)
  • Interromper o tráfego aéreo.
  • Cortar comunicações, interromper a internet.
  • Ataques cibernéticos.
  • Abate de satélites GPS. 
  • Corte de cabos marítimos.
  • Cortar fornecimento energético à Europa e EUA.
  • Ameaçar países fornecedores da Europa e EUA que podem vender a outros mas não a estes sob pena das suas instalações serem destruídas (Instalações da Arábia Saudita já foram atacadas com sucesso havendo no local sistemas de defesa americano).
  • Aumentar fornecimento energético à China (actualmente já estão a bater recordes).
Ou seja, introduzir o caos no nosso bom ambiente de vida e começarmos a ver que mesmo sem nos chegar bombas ao nosso telhado, muita coisa vai correr mal e darmos conta do quão frágil é o nosso modo de vida.
  • Racionamento.
  • Preços astronómicos para tudo.
  • Negócios que funcionam por internet ou nas "nuvens" em risco.
  • Teletrabalho em risco.
  • Negócios que funcionam com GPS em risco (ubber, glovo, direcções, etc).
  • Pagamentos online em risco.
  • Comunicações em risco, ir ao supermercado e não ter o multibanco a funcionar.
  • Ir ao multibanco e não conseguir levantar dinheiro.
  • ...
Ou seja, conhecermos em 1ª mão, como vive muita gente neste mundo. Muita gente neste mundo não vive, sobrevive sem saber o que vai comer no dia seguinte.

O caos vai estar instalado na Europa. Vozes concordantes e discordantes sobre o facto de a Rússia estar a fazer isto porque a NATO avançou para perto das suas fronteiras, abrindo bases para mísseis nucleares.

A coesão da NATO vai ser colocada em causa. Numa situação tão grave como esta, diria que há grandes probabilidades de desmembramento da organização.

Toda esta situação caótica e ainda não comecei a falar de confrontos militares.

Se a Rússia faz tudo o que mencionei a partir de "casa", isto obrigará a NATO avançar para a Rússia. Não serão os russos a avançar pela Europa dentro (para quê?).

O que tem a Europa ou os EUA, neste momento para avançar em direcção a Moscovo? Quanto tempo demoram para reunir uma força suficiente para pensar em termos ofensivos? Sabendo que os russos estão à espera deles?

E todos os países da NATO vão querer embarcar nessa missão? A Turquia por exemplo quer? a Alemanha? a França? A Grécia? Espanha? Portugal...? Quem vai embarcar numa missão ofensiva em direcção a Moscovo, já que os russos estão a atacar sem sair de casa?

Vão começar num frenesim a tentar construir mais mísseis, aviões, bombas?

E a energia para isto tudo onde está? e os materiais?

Ou estão a pensar em encomendar à China, tal como fizeram com as máscaras e ventiladores, pois nem para isto nem a Europa nem os EUA tiveram capacidade de resposta interna?

E tudo isto porque os EUA e NATO não querem tirar os sistemas nucleares tão perto da Rússia? Algo que passou a ser possível após o abandono dos EUA do tratado INF em 2019?

Alguém está a explicar os cenários possíveis que podem acontecer?  Alguém está a perguntar aos europeus se é este o caminho que queremos para nós?

É mesmo isto que queremos?

Estamos cientes ao que vamos?

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